sexta-feira, 1 de novembro de 2019

ALERJ APROVA LEI QUE CRIA O PROGRAMA DE COMBATE AO RACISMO INSTITUCIONAL

Deputadas Renata, Dani e Mônica,
todas do Psol, autoras do projeto
Fonte: Alerj Foto:Thiago Lontra 
Edição: Adilson Gonçalves
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) terá um Programa de Capacitação Permanente de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo Institucional dirigido aos servidores públicos, terceirizados e demais interessados. É o que determina o projeto de resolução 51/19, das deputadas Dani Monteiro, Renata Souza e Mônica Francisco, todas do PSol, que a Alerj aprovou, em redação final, nesta quinta-feira (31/10). A medida será promulgada pelo presidente da Alerj, deputado André Ceciliano (PT), e publicada no Diário Oficial do Legislativo nos próximos dias.
O objetivo é adotar mecanismos de superação do racismo institucional; promover o reconhecimento do racismo institucional como violação dos direitos da população negra e dos direitos humanos e buscar a construção de um espaço de transformação de relações sociais.

Segundo a proposta, deverão ser realizadas e divulgadas campanhas de sensibilização sobre o racismo institucional; promover curso de formação interna do corpo de funcionários; produzir e divulgar dados sobre o perfil étnico-racial dos funcionários da Alerj, além de realizar seminários anuais para apresentação dos resultados do programa.
A Alerj poderá realizar convênios com universidades públicas e organizações da sociedade civil que debatam racismo e temas correlatos para a construção da ementa e ministração das aulas, produções de material didático e fiscalização da execução do curso a ser ministrado.


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA ALERJ REALIZA DEBATE SOBRE HOMICÍDIOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES; ATÉ O MÊS DE OUTUBRO 24 DELAS FORAM MORTAS

Fonte: Alerj
 Texto: Vanessa Schumaker
 Fotos: Octacílio Barbosa
Edição: Adilson Gonçalves
Das 6.214 escolas da rede pública e privada de todos os 21 municípios que fazem parte da região metropolitana do Rio, 22% foram afetadas por tiroteio este ano. Esse dado foi apresentado pela coordenadora do Unicef no Rio, Luciana Phebo, durante reunião das comissões de Educação, Direitos Humanos e Especial da Juventude da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira (29/10). Para Luciana, estar na escola não é mais um fator de proteção para as crianças e jovens. "O investimento em educação é o principal para prevenção da morte dos jovens", disse Luciana.
Segundo a coordenadora da ONG Redes da Maré, Shyrlei Rosendo, por causa dos confrontos que acontecem na comunidade, alunos ficam até dois anos e meio sem

aulas. "Só em 2019 os alunos ficaram 35 dias sem aulas. Com as paralisações por causa de ações policiais, as escolas na Maré chegam a ficar mais de dois anos atrás das outras. Temos que garantir o direito à educação e pensar na reposição dessas aulas. A juventude só perde com isso", disse Shyrlei.

O presidente da Comissão de Educação, deputado Flavio Serafini (PSol), disse que 70% dos adolescentes que foram mortos estavam há pelo menos seis meses fora da escola. "A educação é uma luta prioritária para que a nossa juventude viva. O alto número de evasão escolar e de crianças fora das escolas precisa ser encarado. Temos que ter mecanismo permanentes de combate à evasão, saber por que ela acontece para que possa ser enfrentada", ressaltou Serafini, que disse ainda que é preciso que haja mais interlocução entre as secretarias de Educação e de Polícia.
Para a coordenadora do Núcleo contra Desigualdade Racial da Defensoria Pública do
Estado, Lívia Cásseres, bases operacionais da polícia não podem ser instaladas em unidades escolares. Ela defendeu ainda uma política de ação afirmativa para alunos que estudem em escolas em área de risco. "É necessário desenvolver um orçamento voltado para que haja investimentos diferenciados para alunos que têm a sua vida atravessa pela ação armada", pontuou.
 JÁ SÃO 24 JOVENS FORAM MORTOS EM 2019
Somente neste ano, cinco crianças e 19 adolescentes foram mortos durante operações policiais no estado do Rio. As vítimas são, em sua maioria, meninos negros. Para que esses casos sejam investigados com prioridades, as presidentes das comissões de Direitos Humanos e Especial da Juventude, deputadas Renata Souza e Dani Monteiro, ambas do PSol, protocolaram juntamente com a deputada Martha Rocha (PDT) o  Projeto de Lei 1370/19, que determina que crimes cujas vítimas sejam crianças e adolescentes devem ter tramitação prioritária na Polícia Civil.
"As investigações no caso de crimes contra crianças e adolescentes precisam de uma agilidade. Ao priorizar essas investigações conseguimos dar a essas famílias uma reposta imediata", explicou a deputada Renata Souza.
O porta-voz da Polícia Militar, o capitão Maicon Pereira, informou que o número de homicídios vêm sendo reduzido de uma forma geral e que as operações são realizadas a partir do recebimento de dados da inteligência. "As atuações são feitas baseadas em estatísticas tomando com referência a mancha criminal", afirmou.
Para a deputada Dani Monteiro (PSol), a falta de oportunidades e de políticas públicas para a população das favelas afetam diretamente no alto índice de mortes de jovens das comunidades. "Para esses jovens, o estado é o gerador da violência e muitas vezes a criminalidade aparece como única alternativa. Os jovens precisam ter acesso aos direitos básicos", defendeu a parlamentar.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO DA ALERJ ANUNCIA A LISTA DOS 86 PROJETOS PEDAGÓGICOS VENCEDORES DO PRÊMIO PAULO FREIRE


Fonte: Alerj
Edição: Adilson Gonçalves

A Comissão de Educação da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) anunciou os vencedores da 1ª edição do Prêmio Paulo Freire. São 86 iniciativas premiadas, promovidas por profissionais de educação das escolas e universidades da rede pública de ensino, em nove categorias: projeto político-pedagógico; experiência com alunos do Ensino Fundamental; Educação Especial; Educação de Jovens e Adultos; Ensino Médio, Pós-Médio, Técnico ou Profissionalizante; do Ensino Superior; do Ensino à Distância; de experiência pedagógica na área de Inovação, Ciência e Tecnologia; e de Experiência Pedagógica na Educação do Campo.
O Prêmio é uma homenagem a Paulo Freire, criador da “Pedagogia da Libertação”, referência mundial da área pedagógica e atual patrono da educação brasileira. "Este prêmio é uma reverência a um dos grandes exemplos da educação no Brasil e um reconhecimento a todos os profissionais que se dedicam diariamente pela construção do conhecimento em sala de aula e até fora dela", explicou o presidente da Comissão, deputado Flávio Serafini (PSol).
A premiação será realizada no dia 14 de novembro, às 18 horas, no salão nobre do Instituto de Filosofia, História e Ciências Sociais (IFCS), da UFRJ.

Confira abaixo a lista dos vencedores e de suas respectivas categorias:

Projeto Político-Pedagógico

• - Antonio José de Oliveira (Futuro)
• - CIEP 113 - Professor Waldick Pereira
• - CIEP Brizolão 441 - Mané Garrincha
• - Escola Municipal Anisio Teixeira
• - Marcos Alessandro Monteiro de Oliveira
• - Marta Cristina Soares Dile Robalinho
• - Niuxa Drago (prof.orientadora - coordenadora principal - DHT/FAU/UFRJ), Priscilla Peixoto (prof.orientadora DHT/FAU/UFRJ), Sérgio Fagerlande (prof. orientador DPUR/FAU/UFRJ), Melissa Alves (monitora bolsista - aluna FAU/UFRJ), Anna Luiza Costa (aluna EBA/UFRJ), Beatriz Costa (aluna FAU/UFRJ), Camille da Fonseca (aluna FAU/UFRJ), Carolina Góes (aluna FAU/UFRJ), Danielle Melo (aluna FAU/UFRJ), Fernanda Motta (aluna FAU/UFRJ), Gabriel Oliveira (aluno FAU/UFRJ), Laryssa Gabrielle Chagas Gomes (aluna EBA/UFRJ), Lucas Libonati (aluno FAU/UFRJ), Natália Paiva (aluna FAU/UFRJ), Pablo Amaral (aluno FAU/UFRJ), Thamires Silva
(graduada FAU/UFRJ), Thiago Soares (aluno FAU/UFRJ), Tiffany Yarde (aluna FAU/UFRJ), Victória Sarmento (aluna FAU/UFRJ) e Yrvin Duarte (aluno FAU/UFRJ)
 Flávio Serafini, presidente da Comissão

Experiência Pedagógica no Ensino Fundamental


• - CinEscola (Escola Municipal Adalgisa Nery)
• - Andressa Farias Vidal
• - Antonio José Carneiro Cardoso
• - Claudia Miriam Quelhas Paixao
• - Cláudio Adão Moraes Andrade
• - Cristiane Pereira Cerdera
• - Elaine Morgado
• - Escola Municipal São Tomás de Aquino
• - Fabiana Pinto Gomes Lima
• - Fernanda Paschoal
• - Islen dos Santos Barbosa
• - Kirce Corrêa Bermute
• - Marcela do Nascimento Padilha - UERJ
• - Maria Luiza Wilker da Silva Cortes
• - Marilyn Pires Merolla
• - Mirtes Marques Dos Santos Alves
• - Mytse Andrea Sales de Melo Nogueira
• - Renata Targino de Figueiredo
• - Rosiane Brandão Siqueira
• - Sandro Miranda de Rezende
• - Wander Pinto de Oliveira
• -Juberto de Oliveira Santos
• - Rafael Ferreira da Costa Leite
• - Bianca de Lima Maia
• - Andréa de Oliveira Fonseca e Rafaela Nichols Calvão (Escola Municipal Rivadávia Corrêa)
• - Ana Cláudia de Abreu Soares
• - Michele Moraes de Oliveira
• - Renato Batista da Conceição
• - Felipe Garcia de Souza
Experiência Pedagógica na Modalidade Educação Especial

• - Andre da Silva Cabral Correia
• - Biblioteca do Colégio de Aplicação da UFRJ
• - Cristiana de Barcellos Passinato; Waldmir Nascimento de Araujo Neto e Rodrigo Volcan Almeida
• - Daniel José de Lima Filipe
• - Guilherme Moreira Dias
• - Mariana dos Reis Santos - Instituto Benjamin Constant
• - Sônia Mendes Ferreira - FAETEC
• - Celeste Tereza Correia Morgado
Experiência Pedagógica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos

• - Escrevendo a Liberdade - Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense
• - Pedro Mara - Seeduc RJ
• - Pré-encceja
• - Wellen Cristina de Oliveira Bhering
• - Ramona Halley Rosario de Souza
• - Ranulfo Cavalari Neto
Experiência Pedagógica no Ensino Médio, Pós-Médio, Técnico e/ou Profissionalizante

• - Amilcar Brum Barbosa - FAETEC de Bacaxá
• - Ana Ligia Matos de Almeida, Patrícia Camarço, Claudia Fabiana de Oliveira Cardoso
• - Ana Paula Barbalho dos Santos; Rejane Brandão Siqueira; Mirta Naira; Milene Abreu Azevedo; Reny dos Santos Gomes; Carmelita Vieira de Melo Freitas; Márcia Maria Costa; Elizabeth Maria Velosos de Novaes
• - André Luis Vilanova Ribeiro
• - Cláudia Regina Martins Magalhães do Nascimento
• - Denise Gomes da Silva Ribeiro
• - Dominique Guimarães de Souza<br  style="padding: 0px; margin: 0px;">• - Escola de Formação Técnica em Saúde Enfermeira Izabel dos Santos
• - Escola Técnica Estadual República - Faetec Quintino
• - Fabiano Rapozo de Carvalho
• - João Paulo Cabrera
• - Jorge Mendes da Cruz
• - Juliana Berlim - Colégio Pedro II
• - Luiz Carlos R. de Sant'ana (Equipe: Antonio Cícero e Claudia Duche)
• - Robson Roberto Saise
• - Suraia El-Kaddoum Trajtenberg
• - Thiago Bastos Borges
• - José Mauro dos Santos
• - Gleiciane Rosa Vinote Rocha</br >
Experiência Pedagógica no Ensino Superior

• - Carina Martins Costa - UERJ
• - Fernando de Araujo Penna - Centro de Artes da UFF
• - Cintia Barreto
• - Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro
• - Pâmella Santos dos Passos
• - Rachel Gouveia Passos
• - Teatro de Bonecos - Trio de Três (Aula espetáculo)
• - Universidade do Estado do Rio de Janeiro
• - Valéria Pereira Silva - Museu Nacional/UFRJ
• - Vitor Manoel Rodrigues do Nascimento
• - Jaqueline Luzia da Silva (Faculdade de Educação/UERJ)
Experiência Pedagógica no Ensino à Distância

• - Keite Silva de Melo - FORPROTEC/ISERJ
Experiência Pedagógica e de Inovação na área de Ciência e Tecnologia

• - Ana Paula Cavadas Rodrigues
• - Raquel Elison Costa
• - William Amorim
• - Vinícius Flores Cardoso
Experiência Pedagógica na Educação do Campo

• - Michelle Pessanha Cabral

OPERADORAS DE CELULAR DEVERÃO ENVIAR SMS SOBRE CRIANÇAS DESAPARECIDAS, PREVÊ LEI A SER VOTADA NA ALERJ

Fonte: Alerj Edição: Adilson Gonçalves
As operadoras de celular podem ser obrigadas a enviar a todos seus usuários informações sobre os registros de crianças e adolescentes desaparecidos no estado. As mensagens poderão ser enviadas por SMS ou por aplicativos, como Whatsapp. É o que propõe o projeto de lei 823/19, do deputado Alexandre Knoploch (PSL), que será votado, em segunda discussão, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nesta terça-feira (29/10).
A mensagem deverá conter nome, idade e características físicas do desaparecido, além do local em que foi visto pela última vez e todas as informações que as autoridades policiais julgarem necessárias. A mensagem poderá conter fotos do menor. Os dados deverão ser encaminhados às operadoras pela Delegacia de Descobertas de Paradeiros (DDPA). Caso sancionada, o Executivo deverá regulamentar a medida em até 90 dias após publicação em Diário Oficial.
“Este projeto é baseado no 'alerta Amber', que surgiu nos Estados Unidos desde o desaparecimento e morte da menina Amber. No país, os alertas são feitos através das estações de rádio e estações televisivas. Os alertas também são enviados por e-mail, sinais eletrônicos de trânsito, outdoors eletrônicos e mensagens de texto”, justificou o autor.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

SÍMBOLO DA MILITÂNCIA CONTRA O RACISMO, ANGELA DAVIS É CONDECORADA COM MEDALHA TIRADENTES FURANTE ABERTURA DO ENCONTRO DO CINEMA NEGRO ZÓZIMO BULBUL

Texto: Luan Damasceno Fotos: Julia Passos Alerj Edição: Adilson Gonçalves 

A mais alta condecoração oferecida pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a Medalha Tiradentes, foi entregue à filósofa norte-americana e ativista negra feminista, Angela Davis, na noite dessa quarta-feira (23/10). A homenagem ocorreu durante a cerimônia de abertura da 12ª edição do “Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África, Caribe e outras Diásporas”, que reuniu mais de 600 espectadores no tradicional Cine Odeon, na Cinelândia, Centro do Rio.

Em seu discurso de agradecimento, a filósofa prometeu honrar a medalha concedida pela deputada Renata Souza (PSol) e entregue por Luyara Franco, filha de Marielle Franco, vereadora assassinada em 2018.“A minha profunda gratidão por terem oferecido esta medalha, que eu honrarei para sempre. É um prazer enorme estar presente na cidade de Marielle Franco e testemunhar a luta, beleza e determinação que ela legou às pessoas que vivem aqui", conclui a ex-integrante do Partido das Panteras Negras.
Renata Souza contou que homenagear Angela Davis, além de ser a realização de um desejo antigo de Marielle, é também uma maneira de reconhecer a luta feminina frente às desigualdades de raça, gênero e classe. “É importante ressaltarmos que são mulheres com diferentes histórias e formas de apropriação do seu lugar nesta sociedade. Essa é uma medalha que representa mulheres da favela - eu sou da favela - que, porventura, não tiveram acesso à educação e saúde de qualidade”. Fazemos dessa homenagem a expressão maior dessas mulheres negras da favela que perdem os seus filhos e maridos para a violência do próprio Estado”, afirmou a deputada.
O youtuber pernambucano Messias Martins, responsável pela página na internet “Literanegra”, onde comenta obras de autores negros, falou sobre a importância de homenagear uma das maiores vozes na luta antirracista. “Desde muito cedo, Angela entendeu que ser negro ia muito além da cor da pele, era uma condição política que todos os negros deveriam assumir. Ao receber essa medalha, Angela faz com que a voz negra seja ecoada em outros lugares dado o seu reconhecimento”, definiu Messias.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

COMISSÃO DA JUVENTUDE DA ALERJ PROPÕE COMBATE À CRIMINALIZAÇÃO DE MANIFESTAÇÕES CULTURAIS

Fonte: Alerj/ Edição:Adilson Gonçalves
 A Comissão Especial da Juventude, da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), se reuniu nesta segunda-feira (21/10) para discutir a cultura na perspectiva da juventude. O encontro foi dividido em dois blocos e teve como objetivo falar sobre as formas como as manifestações culturais são transmitidas aos jovens e propor maneiras de evitar que os movimentos populares sejam criminalizadas.
A presidente da Comissão, deputada Dani Monteiro (Psol), declarou que a Comissão pretende fazer uma mobilização, promovendo reuniões nas favelas e no interior do estado. “Por ser uma comissão temporária, agora vamos entrar na reta final, que é a de mobilização e produção do relatório. Queremos desenvolver esse trabalho de pesquisa no território, e o mais interessante é que os próprios voluntários estão construindo uma agenda de mobilização. Esta é uma comissão que tenta efetivar, sobretudo, a participação política da juventude”, argumentou a parlamentar.
Participante do debate, o antropólogo Dennis Novaes, que estuda o funk há 6 anos, assegurou que a arte e a cultura têm papeis fundamentais tanto na comunicação quanto no cotidiano das pessoas. “Todas as manifestações populares têm algo que é absolutamente encantador; elas são comunitárias e envolvem centenas de famílias, que produzem música. São atos coletivos e toda essa rede depende de muita gente, por isso gera emprego. Esse é um ponto essencial, a quantidade de pessoas que são beneficiadas por esses trabalhos”, explicou o pesquisador.

O cantor de rap e fundador da Roda Cultural do Paquistão, em Manguinhos, Mc Xandy, afirmou que há mais de 100 rodas desse tipo no Estado do Rio, e que esse ambiente proporciona reflexão e formação de pensamento crítico. “É muito importante ter essa cultura da favela na favela. Os equipamentos públicos de cultura ficam muito distantes da realidade dos moradores das comunidades. Então, quando você cria uma Roda Cultural, em que você dialoga com a cultura que já acontece na favela e que, de fato, é feita pelos próprios moradores, é mais atrativo para a juventude”, disse.
Participaram também da reunião Carol Felix, cantora e atriz da Companhia do Passinho Carioca; Praga, compositor de funk; Leticia Brito, fundadora do Slam das Minas; Bruna Couto, do Coletivo Cultural Zona Norte; JPBlack, dançarino e coreógrafo de danças urbanas; Fatinha Lima, do Favela Cineclube Providência; Suellen Tavares, coordenadora da Casa de Jongo e da Rede de Juventude Jongueira; e Mônica Sacramento, doutora em Educação, coordenadora da Organização Criola e pesquisadora do Programa de Educação sobre o Negro na Sociedade Brasileira (PENESB/UFF).


COMISSÃO DO CUMPRA-SE DA ALERJ, PRESIDIDA POR CARLOS MINC, FAZ CAMPANHA CONTRA RACISMO E INTOLERÂNCIA RELIGIOSA NA LAPA

Fonte: Alerj/ Fotos: Octacílio Barbosa/ Edição: Adilson Gonçalves
A Comissão pelo Cumprimento das Leis (Cumpra-se), da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), esteve nesta quinta-feira (24/10) em hotéis, bares, restaurantes, academias e supermercados na Lapa, Centro do Rio, para divulgar a Lei Estadual 8515/19, que determina a aplicação de penalidades em casos de prática de racismo e intolerância religiosa. O presidente da Comissão e autor da lei, deputado Carlos Minc (PSB), destacou a receptividade dos estabelecimentos e explicou que a iniciativa teve caráter educativo e preventivo.

"Hoje fizemos um alerta a gerentes e donos de estabelecimentos e trouxemos cartazes para eles afixarem nos seus respectivos comércios. É fundamental que os funcionários e o público que frequentam esses espaços tenham conhecimento da lei que pune lugares que estimulem ou consintam práticas racistas ou de intolerância religiosa. A receptividade foi excelente, todos os estabelecimentos visitados quiseram colocar o cartaz em local visível', disse o parlamentar.



O gerente da academia Smart Fit, Rafael Ribeiro, ressaltou que a unidade recebe uma diversidade de pessoas e que casos de preconceito podem ocorrer. "Acredito que essa lei vai nos ajudar muito e nos respaldar a orientar funcionários e alunos. Aqui, prezamos pelo respeito a todos", disse o gerente. Para Aloísio Torres, gerente de um bar na Lapa, é muito importante que o público tenha acesso e saiba que atitudes de intolerância podem ser punidas. "O estabelecimento aderiu imediatamente à campanha e espera poder ajudar a conscientizar nossos frequentadores", afirmou.

A inspetora de polícia e representante da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos

de Intolerância (Decradi), Claudia Otilia, informou que o racismo é o segundo delito com maior ocorrência na Decradi. O crime mais denunciado é o LGBTfobia. "É importante que ações como essas ocorram para orientar o comportamento da população. Muitas pessoas acabam cometendo ilícitos porque desconhecem que existe uma normativa que disciplina algumas temáticas", defendeu Claudia.
Lei 8515/19

A norma determina que o racismo e a intolerância religiosa podem ser punidos com multas de até R$ 34,2 mil e prevê interdição do estabelecimento denunciado caso haja reincidência.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O RACISMO NO FUTEBOL BRASILEIRO

*Álvaro Caldas
Edição: Adilson Gonçalves
O velho e aclamado estádio do Maracanã, onde já se disputou uma trágica Final de Copa do Mundo e Pelé fez o milésimo gol, foi palco na noite de um sábado (12/10) de um encontro inusitado, que se transformou num fato midiático de grandes proporções. Lá estavam, à beira do gramado como dizem os locutores de rádio, dois homens negros que se cumprimentaram orgulhosamente. Como treinadores de dois times da série A do campeonato brasileiro, eles protagonizaram uma cena histórica, reveladora da extensão do preconceito e da discriminação racial no mundo do futebol. Num esporte majoritariamente disputado por negros e mulatos, suas grandes estrelas, eles são os únicos treinadores negros na primeira divisão.
Não estamos em Viena nem em Budapeste, mas num país que cultua o futebol e em que mais de 50% da população é negra. Roger Machado, 44, do Bahia, e Marcão, 47, do Fluminense são os heróis que furaram as barreiras do preconceito e conseguiram chegar lá, depois de muito sofrimento e rejeição. Brlharam nos campos como jogadores, mas a função de técnico é reservada aos brancos, estrangeiros muitos. O máximo que conseguem alcançar é o posto de auxiliar-técnico, quando podem ser chamados para substituir o titular em momentos críticos. Depois, voltam para o banco.
Na noite que escancarou o preconceito, Marcão e Roger se abraçaram antes do jogo vestindo uma camiseta com os dizeres Chega de Preconceito, numa ação promovida pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol, que monitora casos de ofensas raciais no ambiente esportivo. Para Roger, que já passou pelo Grêmio, Palmeiras e Atlético Mineiro, a escassez de técnicos negros no futebol reflete o racismo estrutural da sociedade brasileira. “A estrutura social sempre foi racista”, disse sem subterfúgios.
Ele sabe que no futebol o preconceito é camuflado, diferentemente do que acontece em outras áreas da sociedade, o que torna os negros um pouco mais brancos e faz com que sejam mais bem aceitos nos clubes. Desde que se ponham no seu lugar. Poucos profissionais denunciam esta barreira da discriminação com a coragem e a contundência do atual técnico do Bahia, que estudou, fez faculdade (único negro da turma) e se preparou. Pelé, o maior de todos, nunca assumiu sua negritude nem uma postura combativa contra o preconceito.
Da mesma forma em que não há técnicos, não há cartolas ou dirigentes negros. Parte considerável dos cartolas em atividade nos clubes é formada por pessoas folclóricas e muitos já responderam e respondem a acusações de corrupção, nos clubes, nas federações e na CBF. Tetracampeão mundial, o ex-volante Mauro Silva, que começou nas categorias de basedo Guarani, tornou-se uma exceção. É o único dirigente negro nas federações nacionais, ocupando a vice-presidência da Federação Paulista de Futebol. Conforme revelou o jornal El País, Mauro fez faculdade de informática com especialização em gestão financeira.
Se a questão é o negro no futebol precisamos falar do papel do Vasco e do jornalista Mário Filho, nome oficial dado ao Estádio do Maracanã. Em 1924, o
Clube de Regatas Vasco da Gama recusou-se a disputar a divisão principal do Rio sem seus jogadores negros, maioria num time de operários, conforme exigência imposta pelos dirigentes dos demais clubes, numa época em que o futebol era privilégio da elite branca. Os “camisas negras” do Vasco, segundo os cartolas rivais, “não apresentavam condições sociais apropriadas para o convívio esportivo”.
Racismo descarado. Despejado, o clube criou outra Liga, foi campeão e devido a seu sucesso chamado a juntar-se aos demais na associação de onde fora expulso. Voltou com o seu time de negros. Luta histórica que consagrou o Vasco como o clube que abriu as portas do futebol para a turma que teria Leônidas, Garrincha e Pelé entre seus ídolos. Vitória que não se consolidou porque a sociedade continua racista. Tema que levou o jornalista e escritor Mário Rodrigues Filho, que dispensa a referência ao irmão mais famoso, Nelson, para ser apresentado, a escrever um livro pioneiro sobre a questão.
Lançado em 1947 pela editora Pongetti, O Negro no futebol brasileiro tornou-se uma obra de referência clássica, embora hoje esquecida. Repórter e cronista, Mário Filho trabalhou no Jornal dos Sports e no O Globo. Pernambucano, foi amigo de Zé Lins do Rego e discípulo de Gilberto Freyre, de quem adaptou para o futebol sua tese da democratização racial. Sua obra não busca fundamentar denúncias contra o racismo, mas sim mostrar o futebol como o meio pelo qual negros e mulatos podem ascender socialmente. Mário escreveu um romance sociológico, não uma pesquisa historiográfica.
Este tom conciliador mudou com os acréscimos feitos na nova edição da Civilização Brasileira, em 1964, pouco depois do golpe militar. Em vez da harmonia social, a Civilização, uma editora de livros de esquerda, quis realçar o caráter de luta contido na trajetória dos negros para conquistarem seu espaço no esporte. O momento é ideal para o técnico Roger Machado e seu amigos engajados reconstituírem a violência desta história num livro que contribua para mudar a estrutura que mantém a sociedade racista.
*Jornalista e escritor

terça-feira, 22 de outubro de 2019

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO RS CONCEDE MEDALHA DO MÉRITO FARROUPILHA PARA ROGER MACHADO POR SEU POSICIONAMENTO CONTRA O RACISMO


Edição: Adilson Gonçalves
Por unanimidade, os parlamentares que integram a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovaram, nesta terça-feira (22), a proposição do deputado estadual Valdeci Oliveira (PT) em conceder a Medalha do Mérito Farroupilha ao técnico de futebol do Bahia, Roger Machado Marques. O Mérito Farroupilha é a mais alta honraria concedida pelo Parlamento gaúcho, e cada parlamentar pode concedê-la apenas uma vez a cada legislatura. No caso de Roger, a homenagem, conforme Valdeci, visa valorizar e reconhecer o profissional, gaúcho de Porto Alegre, que tem trazido a público o tema do racismo e da discriminação.
 “Com essa homenagem, a Casa Legislativa tem a oportunidade de reafirmar sua posição inequívoca de combate a todas as formas de preconceito, intolerância e em defesa de uma cultura de paz”, avalia Valdeci, que também atua como coordenador da Frente Parlamentar contra o Racismo.
Ao defender a concessão da medalha a Roger, Valdeci lembrou ainda da
recente entrevista concedida pelo treinador, e que repercutiu em todo o pais, em que ele afirmou que “a estrutura social brasileira sempre foi racista” e que “a bem da verdade, 10 milhões de indivíduos foram escravizados, mais de 25 gerações, e isso passou pelo Brasil Colônia, pelo Império e só mascarou na República. A gente precisa falar sobre isso. Precisamos sair da fase da negação (do racismo)”.
A data da entrega da medalha será definida em conjunto com a assessoria do técnico homenageado

MONTGOMERY, BERÇO DA SEGREGAÇÃO RACIAL E DA LUTA PELOS DIREITOS CIVIS, ELEGE SEU PRIMEIRO PREFEITO NEGRO

Fonte: NYT Edição: Adilson Gonçalves

Campanha e sucesso de Steve Reed foram validados pela comunidade negra, que compõe 60%

MONTGOMERY, EUA - Em um colégio eleitoral perto do cruzamento das avenidas que homenageiam tanto a ativista dos direitos civis Rosa Parks, quanto o líder confederado Jefferson Davis, Laura Minor passou a tarde quente numa cadeira dobrável com um adesivo de David Woods para prefeito na camisa.
Ela havia sido contratada para a campanha do candidato, mas não tinha vergonha de dizer que Woods havia comprado seu tempo, mas não havia ganhado seu voto.
"Na verdade eu estou apoiando Steven Reed”, disse com entusiasmo a mulher negra. Ela vive em Montgomery,  capital do Alabama e Na terça-feira,  7, Reed, um jovem juiz e filho de uma importante família política, tornou-se  o primeiro prefeito negro da cidade. 
Sua campanha e seu sucesso foram validados pela comunidade negra, que compõe 60% da população de Montgomery. A cidade foi moldada por dois principais legados: como o de uma capital de uma nação com passado racial corrompido e como o berço do movimento dos direitos civis.





Reed entrou na disputa sem estar filiado a nenhum partido. Ele derrotou  David Woods, homem branco e dono de uma estação de televisão, após concorrer com outros 12 candidatos no primeiro turno, com  67% dos votos, segundo resultados não oficiais divulgados pela cidade.
Randall Woodfin: Birmingham
Agora, Montgomery se junta a Birmingham e Selma, cidades com grande histórico de luta pelos direitos civis no Alabama, ao eleger jovens negros como prefeitos. Reed se junta a Randall Woodfin, o prefeito de 38 anos de Birmingham, maior cidade do Alabama, e Darrio Melton, 40, que é prefeito de Selma desde 2016. Talladega também elegeu seu primeiro prefeito negro, Timothy Ragland, 29, na terça-feira.
Muitas pessoas que cresceram sob a sombra desta história não puderam fazer
nada menos que esperar que eles fossem presenciar o início de um emocionante capítulo. "Esta é a nossa vez", disse Yolanda Sayles Robinson, 59 anos, que nasceu na cidade e se descreve como um produto da década de 1960. "Estamos esperando por isso há muito tempo."

Discurso de união em uma cidade que tenta renascer

Darrio Melton: Talladega
"Você acreditava que não tínhamos que ser definidos pelo nosso passado", disse Reed à multidão que se aglomerou em um salão na noite de sua eleição gritando seu nome e cantando "One Montgomery" enquanto ele subia ao palco. "Não será sobre o primeiro. Nem será sobre o melhor. Será sobre o impacto que causamos na vida de outras pessoas. "
Em alguns cantos, Montgomery, situada no rio Alabama com uma população de cerca de 200 mil habitantes, passou por uma revitalização.
 Timothy Ragland
A história que há muito assombra a cidade evoluiu para uma espécie de trunfo, com um memorial nacional às vítimas de linchamento e um museu de escravidão e encarceramento em massa atraem grandes multidões.
Novos hotéis e outros empreendimentos surgiram no centro da cidade, e as ruas ao redor do Capitólio do Estado estão repletas de restaurantes frequentados por jovens. A Hyundai, fabricante de automóveis, investiu milhões de dólares em uma fábrica que tem sido importante criadora de empregos.

Pobreza resiste na capital do Alabama

Ainda assim, os investimentos na cidade não foram divididos igualmente. Alguns bolsões da cidade estão abandonados, com ruas pobres e perigosas. Também existem preocupações acerca da perda de pessoas talentosas para cidades maiores, atraídas por melhores opções de carreira e cultura.
Reed foi o primeiro juiz de testamento negro no condado de Montgomery e graduado pela Morehouse, faculdade historicamente negra em Atlanta e Vanderbilt, onde ele fez um MBA. Ele também tem fortes laços com a comunidade.
Seu pai, Joe Reed foi, durante muito tempo, líder da bancada negra do Partido
Democrata do Estado e sua família é um elemento importante na cidade. Alguns eleitores relataram memórias de Reed na adolescência ou de vê-lo como um garoto na igreja, e compartilharam um certo orgulho em acompanhar seu sucesso. 
O voto, para alguns, carregava um significado profundo, chegando a fazer comparações com 2008, quando o presidente Barack Obama foi eleito. "Aqui estamos", disse Derrick Marshall, 63 anos, um auxiliar de professor que viveu em Montgomery praticamente toda a sua vida, "parado à porta de outro evento significativo".

Passado confederado e palco de segregação racial

Montgomery tornou-se uma cidade em dezembro de 1819 e serviu como a primeira capital dos Confederados durante a Guerra Civil Americana. Nos anos 60, tornou-se famosa quando o reverendo Martin Luther King Jr. liderou protestos por direitos iguais para negros e brancos, que, à época, viviam segregados no Alabama. Ali, Rosa Parks desafiou a polícia estadual ao sentar-se num ônibus destinados para brancos. 

Na noite da eleição, enquanto palestrantes se revezavam com uma playlist de músicas que incluíam Beyoncé, Usher and the Isley Brothers — a multidão da festa de Reed assistiam às notícias de uma televisão local projetada na parede, torcendo enquanto a contagem de votos piscava na direção deles. 

A vitória de Reed pode ser uma benção, alguns disseram numa resposta às suas orações.Foi algo que eles buscavam por gerações, Sylvia Norman estava entre os que que viam o atraso como uma espécie de presente. “Anos sem um prefeito negro fortaleceram a determinação da comunidade em fazer isso acontecer”. 
“Não demorou muito”, disse a eleitora Sylvia Norman. “Deus faz as coisas no seu tempo”.  Ela aplaudiu, dançou e pulou, pois parecia que a hora chegaria em breve.