Texto e edição: Adilson Gonçalves Fotos: Redes Sociais
Salvador poderá ter até
quatro candidatos negros à prefeitura nas eleições do ano que vem: Antônio
Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, a deputada estadual Olívia Santana (PC do B),
a socióloga e ativista social, Vilma Reis e o vereador soteropolitano Moisés
Rocha, podem se tornar postulantes ao cargo. Vovô afirma que sua candidatura
tem o propósito de “eleger um negro para a prefeitura”.
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Võvô do Ilê |
“Eu me reuni com o
presidente do PDT, Alexandre Brust, e meu nome ficou à disposição, mas a minha
ideia é eleger algum prefeito ou prefeita negra para esta cidade. Estamos na
cidade mais negra desse país e é importante ter um representante”, declarou o
fundador do Ilê, que é o bloco afro mais antigo do Carnaval de Salvador.
A socióloga e
ex-ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), Vilma
Reis, anunciou na terça-feira, 2 de Julho, sua pré-candidatura à prefeitura de
Salvador nas eleições de 2020. O anúncio foi feito por meio da redes sociais.
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Vilma Reis |
Vilma Reis é conhecida pela
luta pelos direitos humanos, em especial pelos direitos da população negra. Ela
divulgou sua pré-candidatura na rede social com a legenda “As
Mulheres Negras construindo um programa para governar toda Salvador!!!”,
seguida de uma imagem com os dizeres “Agora é ela”.
Segundo
Vovô, outros nomes de negros com maior visibilidade também podem disputar o
comando da prefeitura. “Já vimos os nomes de Vilma Reis e Olívia Oliveira.
Vamos aguardar”, disse ele, cogitando ainda a possibilidade do vereador Moisés
Rocha ser um deles
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Moisés Rocha |
“Para
a campanha de 2020 nós queremos um prefeito ou uma prefeita negra. Em uma
cidade onde a maioria é negra, os secretários são todos brancos, o governador é
branco, o prefeito é branco. Então nós queremos essa mudança. Tem vários nomes,
Olívia Santana seria um, tem Moisés Rocha também”, afirmou Vovô, no início do
ano.
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Olívia Santana |
Ativistas do
movimento negro se manifestaram em apoio à pré-candidatura em seus perfis
nas redes sociais, marcando Vilma Reis e repetindo o que parece ser um de seus
slogans de campanha, "#bicaonadiagonal”, frase que a socióloga costuma
repetir em suas falas públicas direcionadas às mulheres afrodescendentes.
“Estou viva para ver uma
prefeita negra nessa cidade! @ Vilma Reis minha candidata !”, escreve
internauta na página de Vilma no Facebook.
Luta antirracista
De acordo com informações do
Geledés Instituto da Mulher Negra, Vilma Reis é considerada uma referência
nacional na luta antirracista e contra o genocídio da juventude negra.
No período de 2015 a 2019, Vilma ocupou o
cargo de ouvidora-geral da Defensoria Pública da Bahia e, em seu mandato,
destacou-se pela aproximação do órgão a grupos vulneráveis e por pautar a
discussão da democratização do sistema de Justiça.
Ainda não há informações
sobre qual será o partido que a socióloga deve concorrer ao cargo.
Cidade secular e predominantemente negra, Salvador somente veio a ter o primeiro vereador negro em 1985, quando Gilberto Gil concooreu ao cargo de vereador pelo Partido Verde.
#alerj #blogdoolharnegro
Nota da Redação:
O único negro a comandar a Cidade da Bahia e governar para os soteropolitanos foi o advogado Edvaldo Brito, entre 1978 e 1979, quando fazia parte da antiga Arena e foi escolhido prefeito biônico pelo governador da época, Roberto Santos, de quem tinha sido secretário de Justiça.
#alerj #blogdoolharnegro
Nota da Redação:
O único negro a comandar a Cidade da Bahia e governar para os soteropolitanos foi o advogado Edvaldo Brito, entre 1978 e 1979, quando fazia parte da antiga Arena e foi escolhido prefeito biônico pelo governador da época, Roberto Santos, de quem tinha sido secretário de Justiça.
Edvaldo Brito já tinha longa história ligada à cultura afro-brasileira, inclusive ocupando o cargo de babá egbé (pai da comunidade, em tradução livre para o português) do tradicional Terreiro do Gantois.
Foi ele também, quando titular da Secretaria de Justiça, talvez o principal responsável pelo Decreto de Lei editado em 15 de janeiro de 1976 pelo governador Roberto Santos para extinguir a necessidade de terreiros de candomblé pedirem autorização à polícia para fazer rituais.
De lá para cá, apenas vice-prefeitos negros ocuparam o cargo principal da cidade quando os titulares do cargo não estavam presentes. Foi o caso do próprio Edvaldo Brito, quando foi vice de João Henrique Carneiro, e da ex-vice-prefeita Célia Sacramento, vice no primeiro mandato de ACM Neto. Fonte: Portal 4P