terça-feira, 15 de outubro de 2019

CONFRONTO ENTRE FLUMINENSE E BAHIA NO MARACANÃ REPRESENTA MARCO NO FUTEBOL BRASILEIRO, COM DOIS TÉCNICOS NEGROS À BEIRA DO GRAMADO


Fonte: Terra/ Edição: Adilson Gonçalves
Apesar da derrota por 2 a 0 como visitante frente ao Fluminense no Rio de Janeiro, o técnico Roger Machado deu declarações dignas de um verdadeiro vencedor não apenas dentro das quatro linhas, mas também fora delas abordando um assunto de interesse social como o racismo no Brasil.
Participando da campanha de conscientização realizada pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol que frisou o fato de que apenas Roger e Marcão são técnicos negros presentes na Série A do Brasileirão, o comandante do Esquadrão de Aço foi taxativo ao explanar que o fato dos dois serem os únicos negros chamar tanto a atenção é uma clara demonstração da existência do problema:
- Com relação à campanha, não deveria chamar atenção ter repercussão grande dois treinadores negros na área técnica, depois de ser protagonistas dentro do campo. Essa é a prova que existe o preconceito, porque é algo que chama atenção. A medida que a gente tenha mais de 50% da população negra e a proporcionalidade não é igual. A gente tem que refletir e se questionar. Se não é há preconceito no Brasil, por que os negros têm o nível de escolaridade menor
que o dos brancos? Por que a população carcerária, 70% dela é negra? Por que quem morre são os jovens negros no Brasil? Por que os menores salários, entre negros e brancos, são para os negros? Entre as mulheres negras e brancas, são para as negras? Por que que, entre as mulheres, quem mais morre são as mulheres negras? Há diversos tipos de preconceito. Nas conquistas pelas mulheres, por exemplo, hoje nós vemos mulheres no esporte, como você, mas quantas mulheres negras têm comentando esporte? Nós temos que nos perguntar. Se não há preconceito, qual a resposta? Para mim, nós vivemos um preconceito estrutural, institucionalizado- Quando eu respondo para as pessoas dizendo que eu não sofri preconceito diretamente, a ofensa, a injúria, ela é só o sintoma dessa grande causa social que nós temos. Porque a responsabilidade é de todos nós, mas a culpa desse atraso, depois de 388 anos de escravidão, é do Estado, porque é através dele que as políticas públicas, que nos últimos 15 anos foram instruídas, que resgataram a autoestima dessas populações, que ao longo de muitos anos tiveram negadas essas assistências básicas, elas estão sendo retiradas nesse momento. Na verdade, esses casos que vêm aumentado agora, de aumento de feminicídio, homofobia, os casos diretos de preconceito racial, é o sintoma. Porque a estrutura social, ela é racista. Ela sempre foi racista - agregou Roger.
A abordagem do tema, na análise de Roger Machado, é algo que não passa pelo campo do opcional, mas sim como algo obrigatório para não transmitir a ideia de que o problema não existe:
- A gente precisa falar sobre isso. Precisamos sair da fase da negação. Nós negamos. "Ah, não fala sobre isso". Porque não existe racismo no Brasil em cima do mito da democracia racial. Negar e silenciar é confirmar o racismo. Minha posição como negro na elite do futebol, é para confirmar isso. O maior preconceito que eu senti não foi de injúria. Eu sinto que há racismo quando eu vou no restaurante e só tem eu de negro. Na faculdade que eu fiz, só tinha eu de negro. Isso é a prova para mim. Mas, mesmo assim, rapidamente, quando a gente fala isso, ainda tentam dizer: "Não há racismo, está vendo? Vocês está aqui". Não, eu sou a prova de que há racismo porque eu estou aqui.


COLUNA DO ANDRÉ BORGES

 OS NEGROS E A REALIDADE BRASILEIRA

André Borges


A construção e a ocupação do Estado brasileiro,foi feita da forma mais violenta possível. A chegada do colonizador a este país, com seus costumes, roupas, formas de falar e a diferença cultural, sem dúvida alguma, se constituiu na primeira e mais evidente forma de violência cometida por aqueles que se tornariam escravizadores dos povos aqui já existentes e dos que foram arrancados, à força, do continente africano. Estes povos que constituíram a diáspora negra no Brasil, sofreram as mais diversas formas de violência, por mais de 3 séculos sob o regime de escravidão. Muito embora esta forma cruel de dominação tenha sido sempre rechaçada pela resistência, que resultou nos vários levantes e revoltas que constam da nossa história.
Ao termino desse período, e com o respectivo fim da escravidão institucional, o Estado Brasileiro sequer garante à Diáspora Negra Brasileira as condições necessárias para que se possa exercer uma cidadania para aqueles que tanto contribuíram para o crescimento desse país .Tais como: titulação de terra moradia e subsidio legais para se manter nela, haja vista que , a economia era basicamente agrícola
Garantia esta dada aos emigrantes europeus e japoneses na década de 30 no século passado .Caracterizando com isto uma outra forma de violência do Estado Brasileiro que é a omissão pois ele não se manter neutro diante todo esse desmazelo com a população negra .Como consequência essa política criou um abismo sócio-econômico que tende a aumentar ,   caso não sejam criados mecanismos capazes de frear o recrudescimento da violência contra a população negra.
De acordo com o Secretário Geral da ONU – kofi Annan – “Em todo mundo, minorias étnicas continuam a ser desproporcionalmente menos escolarizadas do que o grupo dominante .  São minoritariamente representados nas estruturas políticas e majoritários nas favelas, nas prisões e outras formas de guetos sociais. Não têm acesso ao serviço de saúde e nem expectativa de qualidade de vida. Estão sub-representação nas estruturas políticas e super-representadas nas prisões tem menos acesso a serviço de saúde de qualidade e, consequentemente menos expectativa de vida .Esta e outras formas de injustiça social se constituem na mais cruel realidade do nosso tempo, mas não precisam ser inevitáveis no futuro.”


A despeito de todo esse histórico, nos dias atuais, estes fatos ainda são motivos de grande preocupação para a comunidade negra. É o que dizem as estatísticas oficiais abaixo.
       No Brasil, nos últimos vinte (20) anos, a violência matou cerca de 600 pessoas.  Isso corresponde a uma média de 30 mil pessoas por ano, Esses dados demonstram que, em época de guerra, mesmo em países como foi o caso do Vietnam, onde 68 mil pessoas foram mortas, não morreu tanta gente assim.
       Segundo dados do IBGE, existem, “atualmente”, 87 homens para cada grupo de 100 mulheres, sendo que , as mortes violentas acontecem mais com os homens do que com as mulheres , sobretudo na faixa etária dos 15 aos 44 anos, a situação ainda é mais dramática, sobre tudo quando fazemos a subdivisão dessa faixa que é dos 15 aos 24 anos, representando  57% dos casos. Isso equivale dizer que nossos jovens estão cada vez mais vulneráveis a violência nos dias atuais. Se formos dividir este percentual por grupos étnicos, verificaremos que os grupos mais atingidos são os formados por jovens negros.

Após 4 dias de intenso trabalho, foram  votadas e aprovadas  a Carta de Brasiléia, grande parte das Resoluções e Moções, dentre as quais, por absoluta falta de espaço, destacamos as mais importantes. A IX Conferência Nacional de Direitos Humanos foi encerrada por representante da sociedade civil, Senhor Ivônio  de Barros o  representante da Secretaria Especial de Direitos Humanos, senhor Perly Cipriano.

Resoluções

1. Criação do Sistema Nacional dos Direitos Humanos;
2. Elaborar Plano Nacional, Estaduais e Municipais de Direitos Humanos;
3. A concepção dos Direitos Humanos no âmbito do Sistema Nacional dos Direitos Humanos deve ser  entendida à luz da Proteção Internacional da Pessoa Humana;
4. Criar e fortalecer as Secretarias Estaduais e Municipais de Direitos Humanos como órgãos de coordenação das políticas de direitos humanos, ligadas ao Poder Executivo, e independentes da Secretaria de Segurança Pública;
5. Promover a reparação de danos causados a segmentos indígenas, afrodescendentes e ciganos, por meio de políticas e ações afirmativas;
6.  Ratificar todos os protocolos e tratados internacionais da ONU e OEA e retirada de todas as reservas aos mecanismos internacionais e implementar mecanismo legislativos como o Protocolo Facultativo do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial –CERD, as Convenções da Organização do Trabalho-OIT, números 29, 100, 105, 111,138,132, e ECA. Regras  Mínimas de Tratamento dos Presos das Nações Unidas e Lei dos Refugiados entre outros;
7. Primazia dos Direitos Humanos sobre a macroeconomia: rompimento com o FMI; não à ALCA, auditoria  da Dividia Externa, Plebiscito oficial sobre a Dívida e regulamentação do imposto sobre grandes fortunas;
8. Combater o racismo e garantir a titulação e infraestrutura para comunidades remanescentes dos Quilombos;
9. Criar sistema de cotas para pessoas afrodescendentes nos cargos em comissão nos diversos poderes;
10.                 Criar programas de ações afirmativas na saúde, para atendimento às doenças prevalentes na população negra.


Moções

1.Repúdio ao Governo Federal e o Congresso Nacional pela aprovação do salário mínimo;
   2.Repúdio â atual política econômica;
   3. Repúdio à realização da VI licitação, que significará a entrega do nosso petróleo às multinacionais;
   4. Repúdio às constantes violações dos direitos humanos promovidos pelos Estados Unidos, à ocupação de países autônomos, à violação das leis internacionais e à manutenção de “prisioneiros de guerra” nas bases militares do Estados Unidos. Solicita também a retirada das tropas estadunidenses dos países invadidos e ocupados;
        5. Repúdio ao bloqueio econômico e político dos Estados Unidos contra Cuba;
         6. Moção de solidariedade ao povo e ao governo de Cuba frente às agressões promovidas pelo imperialismo norte-americano





*André Borges, 87 anos, é escritor, autor de cinco livros, um dos fundadores do PDT e do Partido Socialista e Liberdade, do qual é integrante da corrente Primavera Socialista, participou ainda da criação da Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e foi Vice-presidente do Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH) no Rio de Janeiro, ligado à questão racial, e Coordenador Estadual-Adjunto do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

https://vivazumbiezapata.blogspot.com

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

OUTUBRO ROSA: COMISSÃO DE DEFESA DOS DIREITOS DA MULHER DA ALERJ PROMOVE CURSO DE PREVENÇÃO CONTRA O CÂNCER DE MAMA


Fonte: Alerj Edição:Adilson Gonçalves
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), presidida pela deputada estadual Enfermeira Rejane (PCdoB), realizou nesta quinta-feira (10/10), no auditório da Escola do Legislativo (Elerj), o curso ‘Prevenção e Controle de Câncer de Mama e do Colo Uterino´, ministrado pela professora e enfermeira obstetra Marília Pereira Queirós.
A palestra, promovida pelo Capacita Mulher da Elerj, foi destinada a alunas de enfermagem e funcionárias da Casa, e destacou a importância de levar o conhecimento da prevenção ao máximo de pessoas possíveis, pois existem regiões no Estado do Rio em que o acesso a exames de mamografia é escasso. Marília Queirós enfatizou a relevância do exame preventivo.
“Falar da campanha do Outubro Rosa é de suma importância, já que o câncer de mama é a doença que causa mais mortes de mulheres no Brasil. Reforçar o cuidado com a saúde é sempre a melhor forma de prevenir o câncer”, explicou a professora Marília.
A palestrante também reiterou a importância de manter uma vida física e mental saudável. “Além da realização dos exames médicos e do autoexame, a mulher deve procurar manter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos, pois interfere diretamente na saúde do seu corpo”, salientou.
Já a deputada Enfermeira Rejane pontuou a importância do projeto. "O Capacita Mulher, edição especial do Outubro Rosa, é fundamental para luta em favor da saúde da mulher. Quanto mais abraçarmos a luta contra o câncer de mama, mais atenção teremos das autoridades”, disse a parlamentar.
A estudante de direito, Juliana Rodrigues, de 21 anos, relatou que sempre teve dúvidas a respeito da saúde da mulher. “Mesmo com o acesso à informação, nem sempre conseguimos entender ao certo o que se pode ou não fazer. O câncer de mama e de colo uterino, infelizmente, ainda mata muitas mulheres e nós não podemos ficar de braços cruzados. A palestra abriu meus olhos quanto a alguns cuidados básicos com a saúde”, contou.


COMISSÃO DE CULTURA DA ALERJ INDICARÁ SEUS PRÓPRIOS REPRESENTANTES AO CONSELHO DE POLÍTICA CULTURAL


Fonte: Alerj Edição:Adilson Gonçalves
A Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) poderá ser responsável por indicar seus próprios representantes ao Conselho Estadual de Política Cultural. É o que determina o projeto de lei 1.163/19, que a Alerj aprovou nesta quinta-feira (10/10) em discussão única. A medida altera a Lei 7.035/15, que criou o Conselho Cultural no Estado do Rio. Por ter recebido emendas, o projeto ainda precisa ser votado em redação final.
Atualmente, a legislação abre precedente para que todas as indicações sejam realizadas pela Secretaria de Estado de Cultura (SEC). A proposta, no entanto, não altera a composição do conselho, que continuará a ter 32 membros titulares e 32 suplentes. Desse total, metade são integrantes de órgãos públicos, como o Poder Executivo estadual, as prefeituras municipais e as instituições acadêmicas e de relevância cultural, que deverão ser indicados pela Secretaria de Estado de Cultura; além de representantes da Alerj que serão indicados pela Comissão de Cultura da Casa. A outra metade é composta de 16 integrantes titulares e 16 suplentes que representarão a sociedade civil, eleitos nas Conferências Regionais de Cultura e nos Fóruns Específicos dos Segmentos.
Os membros também continuam a ter mandato de dois anos, sendo permitida recondução de metade dos conselheiros por igual período. A presidência do conselho é escolhida democraticamente pelo colegiado, sendo exercida alternadamente entre integrantes do poder público e da sociedade civil. Entre as atribuições e competências do conselho estão a fiscalização da execução de ações e metas para a cultura estadual; a realização de encontros e fóruns semanais e a avaliação de propostas de reformulação dos marcos legais da cultura.
O projeto é de autoria dos deputados Eliomar Coelho (PSol), André Ceciliano (PT), Luiz Paulo (PSDB), Carlos Minc (PSB), Dani Monteiro (PSol), Renan Ferreirinha (PSB) e Waldeck Carneiro (PT). Segundo os autores da norma, a legislação atual abre margem para a prática de arbitrariedade por parte do Poder Executivo estadual que pode indicar os membros do Conselho Estadual de Política Cultural sem considerar os demais poderes.


PRESIDENTE DA ALERJ É HOMENAGEADO NO EVENTO COMEMORATIVO AOS 20 ANOS DO GRUPO CORPO EM MOVIMENTO

Foto: Thiago Lontra
| Texto: Buanna Rosa 
Edição:Adilson Gonçalves
O presidente da Assembleia Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado André Ceciliano (PT), foi homenageado na noite desta quinta-feira (10/10) pelo grupo de dança inclusiva Corpo em Movimento, criado pela Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef). A condecoração foi feita durante apresentação da companhia em comemoração aos 20 anos de história do grupo. O prêmio foi entregue no Teatro Municipal do Niterói, localizado no centro da cidade e contou também com a presença do deputado federal Pedro Paulo (MDB-RJ), da ex-deputada estadual Tânia Rodrigues e do coreógrafo Carlinhos de Jesus.
“Foi linda e emocionante a apresentação. O que esses bailarinos fazem no palco é de arrepiar. Fico muito feliz em receber essa homenagem e saber que o Parlamento Fluminense apoia um projeto tão importante como esse”, afirmou o presidente da Casa. O deputado também lembrou que a Alerj tem um convênio com a Andef, desde 1996, que garante trabalho, atualmente, para mais de 100 profissionais da instituição no Parlamento. “A Andef é um exemplo não só para Niterói, mas para todo o estado do Rio”, acrescentou o parlamentar.
Para a Camila Rodrigues, fundadora e coreógrafa do grupo, o trabalho dos 15 bailarinos que compõem a equipe é mais do que se movimentar no palco, é um protesto pela garantia de direitos. “Somos um grupo que quebra paradigmas e preconceito de forma plástica, mostrando toda potencialidade das pessoas com deficiência. Sete dos nossos bailarinos possuem algum tipo de deficiência e oito não têm, mas todos vestem a camisa da associação e lutam pelo mesmo objetivo, que é a inclusão social, e isso é o que nos move ”, contou Camila.
A coreógrafa também lembrou que essa luta já atravessou oceanos. Ao longo desses anos a companhia já representou o Brasil em grandes eventos e em países como Inglaterra, Turquia e Austrália. “Tivemos a honra de participar do encerramento da paraolimpíada de Sidney, em 2000, e subir no mesmo palco que Rihanna e Coldplay. Foi emocionante! Levar a nossa arte e, principalmente, a dança inclusiva para tantas pessoas é um privilégio e um prazer sem igual”, concluiu Camila. A equipe também dançou no encerramento da Copa das Confederações no Maracanã.e participou da abertura e do encerramento das Paralimpíadas.
Há 14 anos na companhia, Luiz Henrique Gomes, de 42 anos, foi um dos dançarinos que embarcaram com o grupo para Londres e mostrou para os ingleses que é possível dançar por horas em uma cadeira de rodas. Depois de sofrer um acidente de moto e ficar paraplégico o carioca encontrou na dança uma nova perspectiva de vida. “Eu tinha na minha cabeça que a cadeira seria um limitador para mim, mas eu estava errado. A companhia levantou a minha estima. Só na apresentação de hoje eu fui bailarino em 12 coreografias”, comemorou Luiz Henrique.

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

APÓS SER VITIMA DE RACISMO, ESTUDANTE CRIA SITE PARA MAPEAR A DISCRIMINAÇÃO NO BRASIL

Fonte: Razões Para Acreditar Edição Adilson Gonçalves
o estudante de Sistemas de Informação da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Nathan Neves, 20 anos, sofreu há um tempo um triste incidente num restaurante do Rio.
Enquanto sua família celebrava o aniversário de seu pai, ele e os convidados foram alvos de comentários racistas. Pensando em como denunciar casos como este e de onde procurar ajuda, ele, juntamente com o seu amigo Breno Fróes, também de 20 anos e estudante de Sistemas de Informação, criaram o site Radar Do Preconceito. O Radar funciona como um portal de relatos de diferentes tipos de preconceito e discriminação. Todos as mensagens são anônimas e transformadas em estatísticas, resultando num mapa de calor que mostra quais pontos do país existem mais casos de algum preconceito. Que ideia incrível! “A plataforma também funciona como um agregador de profissionais que queiram prestar serviços gratuitos às vítimas como psicólogos e advogados. Basta apenas que o profissional se cadastre na plataforma. Conectamos esses profissionais às vítimas”, explicou o estudante.

Ele explicou que a falta de reais estatísticas também foi um dos motivos da criação do site.
“Por exemplo, a transfobia, não tem estatísticas reais do governo. No caso do racismo, muitas pessoas deixam de denunciar por não ter provas, e isso acontece também com intolerância religiosa, xenofobia, existe um buraco”, disse Nathan.

Apoie o Radar do Preconceito!

O processo de desenvolvimento do site foi focado primeiramente nas funcionalidades principais da plataforma como: a postagem e visualização das denúncias, mapeamento das ocorrências e cadastro de profissionais e moderadores. Logo após isso, a criação da identidade visual.
Um detalhe importante: todas essas etapas foram realizadas através de encontros onlines por ligações e sessões independentes e todas as participações foram voluntárias!
O site está no ar desde fevereiro deste ano, porém, com a falta de divulgação, ele pensou seriamente em desistir deste incrível projeto.

HÓSPEDE DE HOTEL DE LUXO, PROFESSOR É CONFUNDIDO COM LADRÃO E AGREDIDO POR OUTRO HÓSPEDE, EM SÃO PAULO


Fonte Catraca Livre Edição: Adilson Gonçalves
Um professor de educação física registrou boletim de ocorrência por racismo após ter sido agredido por outro hóspede de um hotel de luxo, na Vila Olímpia, na Zona Oeste de São Paulo. A vítima foi surpreendida com dois chutes na madrugada deste domingo, 6. As informações foram obtidas pela GloboNews.
Luiz Heleno Bento relatou à polícia que estava no hall do hotel quando foi abordado por um homem branco que disse: “O que foi? O que está acontecendo?”. Em seguida, ele o acertou com os chutes na altura do tórax.
Luiz ainda contou que após a agressão, o homem branco entrou no hotel e voltou para se desculpar. “Ô, negão, me desculpe, mas eu te confundi com um ladrão que tentou me assaltar antes”, teria dito o homem à vítima.
O agressor disse que estava hospedado no hotel, mas momentos antes sofreu uma tentativa de roubo na rua. Quando chegou ao hotel, viu Heleno e por achá-lo parecido com quem tentou lhe roubar resolveu dar os chutes. Ao ser informado que Luiz não era o ladrão, mas sim outro hóspede, foi pedir desculpas.
Com razão, o professor não aceitou essas explicações e disse que resolveria a situação na delegacia. O caso foi registrado no 27 º DP como injúria racial. Não há informações se o agressor foi preso.
“A agressão maior para mim foi ele ter falado ‘pensei que você fosse ladrão’. Ou seja, não vale de nada você ter estudo, você ser bom, você é negro você é pré-julgado. Você sofre agressão, preconceito. E ainda tem gente que diz que isso não existe mais”, disse o professor à GloboNews.
O hotel Grand Mercure Vila Olímpia afirmou por meio de nota que a agressão ocorreu fora das dependências do empreendimento, e que o atendimento necessário foi prestado. Disse ainda que que é contra qualquer tipo de discriminação e que está à disposição das autoridades.


quarta-feira, 9 de outubro de 2019

COMISSÃO ESPECIAL DA ALERJ PEDE AO IBGE CENSO SOBRE POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


Fonte: Alerj Edição Adilson Gonçalves
Em audiência pública nesta quarta-feira (09/10), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado Danniel Librelon (PRB) defendeu que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) elabore, a curto prazo, um levantamento sobre o número de moradores em situação de rua no estado. O parlamentar, que preside a Comissão Especial da Alerj, criada para discutir e analisar o problema crescente desta população e traçar uma radiografia atualizada, explicou que os dados serão fundamentais para uma ação mais eficaz junto a essas pessoas.
“A intenção da comissão é trabalhar para unificarmos o atendimento entre os municípios e o estado. E apesar dos dados imprecisos sabemos que é necessário ter mais abrigos e reformar os que já existem. Se nada for feito até 2026 o número de pessoas em situação de rua irá triplicar”, enfatizou o deputado.
A subsecretária municipal de assistência social e direitos humanos, Danielle Murtha, também destacou a necessidade de um levantamento. “Já propusemos ao nosso secretário que haja um censo que deveria se feito a cada dois anos. Por conta da crise financeira, do desemprego, e por causa do uso de drogas e álcool, aumentou o número de moradores de rua. Por mês atendemos 15 mil pela secretaria”, destacou Daniele, acrescentando que a maioria dos moradores em situação de rua são homens entre 30 e 59 anos. “As mulheres precisam de mais atenção porque, além de fragilizadas psicologicamente, sofrem vários tipos de violência nas ruas, inclusive sexual. E hoje se todos procurarem por abrigos nós não teremos vaga, essa é a verdade”, afirmou.
Superintendente em Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, o
psiquiatra Hugo Fagundes contou que em média são feitos 20 mil atendimentos por ano nos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial). “Boa parte dos atendimentos são para pessoas com transtornos mentais e usuários de drogas e álcool. São muitos homens adultos, de baixa escolaridade”, disse o médico.
Para Thiago Lopes, coordenador do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Queimados, na Baixada Fluminense, os usuários de drogas merecem uma atenção cada vez mais especializada. “Essas pessoas procuram atendimento, mas os casos são muito complexos. Muitas vezes a dependência química começa nas ruas. É um ciclo que chega com a crise financeira e o desemprego. O homem acaba indo morar na rua e para se livrar da fome começa a beber e a se viciar em drogas ilícitas”, explicou.
Também participaram da audiência o deputado Márcio Gualberto (PSL) e Julia Horta, do Conselho Regional de Psicologia.

SOCIOLOGIA DO NEGRO BRASILEIRO ANALISA OS PROBLEMAS DOS NEGROS E QUESTÕES ESTRUTURAIS DA SOCIEDADE

Fonte: Publishnews Edição: Adilson Gonçalves
Sociologia do negro brasileiro (Perspectiva, 320 pp, R$ 59,90), de Clóvis Moura, é um livro-síntese ao iluminar o vínculo íntimo entre o problema dos negros e as questões estruturais da nossa sociedade. Na obra, Clóvis investe contra um pensamento social subordinado ou submisso, estereotipado, puro reflexo da estrutura social brasileira, revelando, dessa maneira, a ideologia do autoritarismo a que esse pensamento serve – pois racismo e visão autoritária de mundo são as duas faces dessa moeda. Para além de uma sempre discutível imparcialidade científica ou de um puro racismo racionalizado, Clóvis Moura realiza uma crítica radical em uma obra de permanente atualidade. A obra faz parte da coleção Palavras Negras, que reúne textos de intelectuais negros e negras, produzidos em diferentes contextos, como o acadêmico e o dos movimentos sociais.

EDITORA GAÚCHA ATUA COM SISTEMA DE COTAS REVERSO: A CADA CINCO AUTORES NEGROS PUBLICADOS, A OBRA DE UM ESCRITOR BRANCO É LANÇADA

   Fonte: Publishnews Edição:Adilson Gonçalves

Criada no começo do ano passado pela jornalista Fernanda Bastos e pelo professor Luiz Maurício Azevedo, a Figura de Linguagem é uma editora independente, com sede em Porto Alegre (RS), idealizada e dirigida por pessoas negras. 
   A editora tem como vocação a publicação de obras das áreas de comunicação, literatura, filosofia, sociologia, crítica literária, psicanálise e teatro. Uma das características da casa é a preocupação com a diversidade e, por isso, ela decidiu implantar uma política interna de cotas para pessoas brancas.        “Estabelecemos uma política interna de ação afirmativa para grupos de autores que eventualmente não se sintam contemplados com a identidade cultural da Figura de Linguagem.
   A cada cinco autores negros publicados, a editora vai viabilizar a edição de uma obra produzida por um autor autodeclarado branco, heterossexual, com renda familiar superior a 40 salários mínimos”, explica Luiz Maurício Azevedo, editor-executivo da casa. “A ideia é priorizar que pessoas negras e mulheres especialmente tenham espaço, já que o mercado editorial ainda carece de representatividade diversa”, comenta a editora-geral, Fernanda Bastos. 
   As primeiras obras da casa, Dessa Cor (60 pp, R$ 30) e Pequeno Espólio do Mal (70 pp, R$ 40), de autoria dos sócios, foram lançadas este mês. Interessados em submeter originais podem escrever para editorafiguradelinguagem@gmail.com.