segunda-feira, 25 de março de 2013

MODELOS NEGRAS DESFILAM NA AVENIDA PAULISTA EM PROTESTO CONTRA RONALDO FRAGA


Na semana passada, estilista usou palha de aço na cabeça de modelos.Nesta segunda (25), agência colocou o material na roupa das mulheres


Edição Adilson Gonçalves Foto: J. Duran Machfee / Futura Press/ Estadão Conteúdo
Modelos desfilaram nesta segunda-feira (25), na Avenida Paulista, em São Paulo, em protesto contra o estilista Ronaldo Fraga. Na semana passada, ele usou perucas e apliques de palha de aço na cabeça de modelos em desfile na São Paulo Fashion Week. 
Nesta segunda, durante o protesto, as modelos desfilaram na calçada da Avenida Paulista. O evento foi organizado por uma agência de modelos negras.
Elas usaram a palha de aço como tecido para as roupas que usavam. Na cabeça, usaram pedaços de panos coloridos.

O grupo contesta as perucas idealizadas por Fraga em parceria com o maquiador Marcos Costa. Elas se tornaram alvo de um debate sobre racismo, que ganhou dimensão nas redes sociais. Em entrevista na ocasião, Fraga disse que sua proposta não foi entendida. “Quando acordei e vem essa acusação de racismo, eu pensei: gente, o que aconteceu, que mundo é esse?”
O estilista negou que tenha ficado frustrado, mas afirma que jamais pensou na associação da palha de aço com a questão racial. O material remete às antenas dos aparelhos de televisão, que antigamente recebiam bolinhas de bombril em suas pontas para melhorar a imagem da transmissão dos jogos de futebol.


quinta-feira, 21 de março de 2013

HOMENAGEADO NA CERIMÔNIA DE 10 ANOS DA SEPPIR, LÁZARO RAMOS PEDE A SAÍDA DE MARCOS FELICIANO DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

Ator Lázaro Ramos se posicionou
 publicamente contra o pastor.
 “Queremos mais heróis e menos Marco Feliciano”

EDIÇÃO:ADILSON GONÇALVES FONTE: SEPPIR E AGÊNCIAS
Durante a cerimônia de comemoração de 10 anos da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal, em Brasília, o ator baiano Lázaro Ramos foi um dos homenageados pelo seu trabalho em prol da igualdade racial.

Em seu discurso, Ramos agradeceu ao público que, por meio das redes sociais, fez a com que a novela ‘Lado a Lado’, da Rede Globo, se tornasse ainda mais conhecida e respeitada pelo pioneirismo em abordar a história dos negros no Brasil. O ator e também diretor do programa Espelho do Canal Brasil, ressaltou a importância de mais iniciativas com essa na mídia.
Ainda no discurso, o ator fez um protesto contra a presença do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na Câmara Federal “Inclusive o que a gente quer ver no Brasil são mais pessoas como os heróis de ‘Lado a Lado’ e menos pessoas como Marco Feliciano. A gente compartilha dessa idéia (…) Fora Feliciano”, disse o ator global que é conhecido pela sua militância pelas causas raciais desde a época que atuava do Bando de Teatro Olodum, em Salvador.
OAB também pede renúncia de Marco Feliciano
O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, defendeu nesta quarta-feira a renúncia do deputado Pastor Marco Feliciano (PSB-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara. Segundo Damous, a permanência do deputado à frente da comissão é “um acinte à população brasileira”.
Entre a voz marcante da cantora Margareth Menezes, as lágrimas da atriz Zezeh Barbosa e a contundência da fala da ministra Luiza Bairros, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) teve os seus dez anos de criação comemorados, na manhã desta quinta-feira, 21, data em que se celebra também o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. O evento aconteceu na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, em Brasília.
Participaram autoridades do Governo Federal e distrital, representantes da sociedade civil e de organismos internacionais, representantes dos povos de matrizes africanas e ciganos.
Durante a cerimônia foi lançado por Wagner Pinheiro de Oliveira, presidente dos Correios, o selo personalizado da série ‘América – Luta contra a Discriminação Racial’. Em seguida, o vídeo institucional ’10 anos de SEPPIR’ foi apresentado pela primeira vez, com imagens das lutas históricas do movimento negro, que culminaram com a criação da Secretaria e, vitórias que vieram depois como a aprovação da Lei das Cotas.
Os autores e o elenco da novela Lado a Lado, da Rede Globo, foram homenageados nas pessoas do escritor João Ximenes e dos artistas Lázaro Ramos e Zezeh Barbosa. A trama foi ambientada no Rio de Janeiro do início do Século XX e retratou as tradições de matriz africanas sem estereótipos. “Essa é primeira homenagem recebida por Lado a Lado e vai ajudar a fazer com que uma empresa como a Rede Globo perceba como a gente quer se visto na televisão brasileira”, disse Lázaro.
Matilde Ribeiro, Eloi Ferreira e Edson Santos, os ex-ministros que já estiveram à frente da SEPPIR estavam presentes e também foram homenageados.
 A ministra Luiza Bairros fez um paralelo entre a fala da presidenta Dilma Rousseff, em sua mensagem ao Congresso Nacional, no inicio dos trabalhos de 2013 e a trajetória do movimento negro e da institucionalização das políticas de promoção da igualdade racial na última década. De acordo com Dilma, “o racismo é uma chaga histórica que ainda marca profundamente a sociedade brasileira”. “O desafio não acaba com os dez anos da SEPPIR. Ele aumenta nos anos que virão. Teremos que conciliar demandas do presente, com expectativas do futuro e com o passado remoto e recente que nos cobra o avanço da democracia no Brasil”, disse Luiza Bairros.
A cerimônia foi encerrada com uma apresentação musical de Margareth Menezes, que já havia se apresentado no inicio do evento, cantando sem acompanhamento, a música ‘Alegria da Cidade’, de Lazzo Matumbi.
A mesa de trabalhos foi composta pela ministra Luiza Bairros, Mphakama Mbete, embaixador da África do Sul no Brasil, Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Paim, senador, Luiz Alberto,  deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista pela Defesa da Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, Wagner Pinheiro, presidente dos Correios, Jorge     Chediek, coordenador residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e Helcias Roberto, representante da sociedade civil no Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial.


quarta-feira, 20 de março de 2013

DEBAIXO DE VAIAS, MARCOS FELICIANO SE RETIRA DA SESSÃO DA COMISSSÃO DE DIREITOS HUMANOS E DEVE ANUNCIAR SAÍDA NOS PRÓXIMOS DIAS


Edição: Adilson Gonçalves Fonte O Globo
BRASÍLIA - Após encontro do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), com o líder do PSC, André Moura, e o vice-presidente do partido, Everaldo Pereira, Henrique Alves informou que Marco Feliciano continua no comando da Comissão dos Direitos Humanos e que aguarda uma decisão para os próximos dias.
— Tive uma conversa, fiz um pedido ao líder do PSC (sobre o destino de Feliciano) em razão das dificuldades que estão ocorrendo na Comissão de Direitos Humanos que o Brasil inteiro acompanha. Foi uma conversa muito séria, e obtive do PSC que será apresentada nos próximos dias uma solução respeitosa para todos. Esse assunto tem que haver maturidade, acredito no entendimento e vamos respeitar o tempo — disse Henrique Alves. André Moura apenas afirmou que a bancada vai se reunir para discutir o assunto.
Está cada vez mais delicada a situação do deputado Feliciano à frente da comissão. Após nova confusão na sessão desta quarta-feira da comissão, Henrique Alves pediu para se reunir com ele no início da noite.
Alves se encontrou mais cedo com o líder André Moura (SE), e cobrou uma solução para o problema. Na sessão de hoje, Feliciano apenas abriu a reunião e deixou o plenário logo em seguida, após vaias, protestos e faixas de integrantes de movimentos LGBT. Parlamentares de vários partidos os contra a permanência do pastor na comissão.
- Até o final do dia de hoje será tomada uma decisão que respeite a Casa - disse Eduardo Alves, que tinha reunião marcada com Feliciano no fim da tarde.

Um dos deputados com os quais o presidente da Câmara falou hoje foi Chico Alencar (PSOL-RJ).
— O presidente da Câmara conversou comigo e disse que achou o vídeo altamente ofensivo. E que o deputado Feliciano não atendeu ao seu pedido de moderação. E disse que se empenharia em uma solução — disse Chico Alencar ao GLOBO. O diálogo entre os dois ocorreu na noite de ontem.
Na comissão, hoje, além dos bate-bocas, houve uma situação inusitada. Convidado como expositor na audiência pública sobre transtorno mental, Aldo Zaiden, assessor da área de Saúde Mental do Ministério da Saúde, fez um discurso se referindo à polêmica gerada desde que Feliciano assumiu a comissão.
— Os direitos humanos vivem um retrocesso — disse Zaiden, que foi interrompido pela confusão.
Quando a palavra iria voltar para ele, foi ameaçado por Jair Bolsonaro (PP-RJ).
— O senhor se restrinja ao tema da audiência pública. Não faça discurso — disse Bolsonaro ao assessor, que se rebelou.
— Fui proibido de falar pelo deputado Bolsonaro. Não tenho o que fazer aqui — disse Zaiden, que levantou-se e foi embora, aplaudido pelos manifestantes contrários a Feliciano. A sessão foi encerrada.
Líder pede a Feliciano reavaliar permanência na comissão
O líder do PSC, André Moura (SE), afirmou que fez novo apelo ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para deixar a presidência da comissão. Moura disse que aguarda uma resposta do parlamentar. Para o líder, a situação é "muito preocupante".
- Pedimos, a bancada, para o deputado Feliciano fazer uma reavaliação e levar em conta todas essas manifestações. Acredito no bom senso. A situação é muito preocupante. Estou no aguardo de uma resposta dele - disse André Moura, que reuniu-se hoje à tarde com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
- O presidente da Câmara mostrou sua preocupação com a imagem da Casa com tudo isso que está acontecendo. E ele está correto. Mas não falou em renúncia do deputado Feliciano - disse André Moura.
No plenário, Feliciano conversava com o líder do PR, Anthony Garotinho (RJ) e o pastor Silas Câmara (PSD-AM). Garotinho deu alguns conselhos a Feliciano. Primeiro, o deputado fluminense sugeriu a Feliciano a criar um gabinete de crise e discutir a situação. Depois, Garotinho sugeriu que ele renunciasse, mas que saísse por cima.


MORRE NO RIO, AOS 66 ANOS, O CANTOR EMÍLIO SANTIAGO


Edição Adilson Gonçalves Fonte G1
O cantor Santiago de 66 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (20) no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. De acordo com o hospital, o artista morreu em função de complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) que sofreu em 7 de março.
Emílio Santiago morreu às 6h30, após permanecer 13 dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI). O velório do cantor será realizado na Câmara de Vereadores do Rio, no Centro, a partir das 12h desta quarta, e será aberto ao público. O enterro do artista acontecerá às 11h desta quinta-feira (21) no Memorial do Carmo, no Caju, na Região Portuária do Rio. Ele será enterrado ao lado do local onde sua mãe foi sepultada.
Emílio Santiago morreu às 6h30, após permanecer 13 dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI). O velório do cantor será realizado na Câmara de Vereadores do Rio, no Centro, a partir das 12h desta quarta, e será aberto ao público. O enterro do artista acontecerá às 11h desta quinta-feira (21) no Memorial do Carmo, no Caju, na Região Portuária do Rio. Ele será enterrado ao lado do local onde sua mãe foi sepultada. Paixão pela música
Emílio Santiago nasceu em 1946 na cidade do Rio. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, mas a paixão pela música fez com que ele iniciasse sua carreira participando de diversos festivais de música, sendo vencedor de muitos deles. "Transas de amor", seu primeiro compacto, saiu em 1973.
 A estreia em um álbum cheio aconteceu dois anos mais tarde. Autointitulado, o trabalho trazia interpretações de canções de nomes como Ivan Lins, Gilberto Gil, Nelson Cavaquinho e Jorge Ben.
Conhecido pelo tom de voz ao mesmo tempo grave e suave, o cantor apresentou diferentes gêneros durante sua carreira, mas esteve especialmente voltado para a música romântica, a MPB e o samba. Em 1988, lançou "Aquarela brasileira", o primeiro disco da série criada por Roberto Menescal e Heleno Oliveira. O álbum trouxe a releitura de 20 clássicos da música brasileira, como "Sampa" (Caetano Veloso), "Anos dourados" (Chico Buarque e Tom Jobim) e "Eu sei que vou te amar" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).
A série "Aquarela brasileira", responsável por aumentar consideravelmente sua popularidade no país, teve mais seis volumes, o último deles lançado em 1995. Um de seus mais importantes trabalhos, "Feito para ouvir", de 1977, foi reeditado pela Dubas Musica em 2009. Outro relançamento em sua carreira aconteceu em 1989 com "Brasileiríssimas", seu segundo disco, originalmente de 1976. Entre seus maiores sucessos estão "Saigon", "Verdade chinesa", "Lembra de mim", "Vai e vem", "Tudo que se quer" e "Flor de lis".
Seu último disco saiu em 2012, uma versão ao vivo de "Só danço samba", de 2010 – que,  por sua vez, foi o primeiro trabalho do selo Santiago Music. O álbum é uma homenagem ao  "rei dos bailes" Ed Lincoln, trazendo canções que fizeram sucesso nos clubes do Rio de Janeiro nos anos 60, além de músicas atuais de artistas como Mart'nália, Jorge Aragão e Dona Ivone Lara. Ao todo, sua discografia conta com 30 álbuns e 4 DVDs.

sexta-feira, 1 de março de 2013

ESPETÁCULO HOMENAGEANDO ABDIAS NASCIMENTO MARCA LANÇAMENTO DE PROJETO DE FORMAÇÃO DE AGENTES CULTURAIS EM BARRA MANSA


Rodrigo Nascimento
interpreta Abdias Nascimento
Edição:Adilson Gonçalves
O grupo Amigos na Cultura apresentou nesta terça-feira, dia 26 de fevereiro, o espetáculo “Somos Todos Abdias do Nascimento” no Sesc Barra Mansa –RJ. A apresentação, por ora única, foi especialmente produzida para a abertura Oficial do Núcleo de Formação de Agentes Culturais da Juventude Negra (Nufac), em parceria com Ministério da Cultura e Fundação Palmares.
No espetáculo, Teatro, Dança e Audiovisual dialogam em uma narrativa biográfica divida em oito partes: Bairros, Infância, Lutas, Identidade, Plenitude, Arrependimentos, Convocação e Amigos, que gradativamente revelam o homenageado, interpretado pelos jovens artistas formados pelas oficinas dos projetos socioculturais realizados pelo grupo Amigos na Cultura.
Os Agentes Culturais selecionados para participarem dos cursos do Nufac estiveram presentes no evento, assim como o representante da Fundação Palmares – Martvs das Chagas, Universidade de Barra Mansa- da UBM-, Luís Fernando Vitorino, da Fundação CSN, Hélder e Eduardo Gonçalves, da Reprográfica Barrense – Antônio e Victor Dourando, autoridades, imprensa e representantes do movimento negro da região Sul Fluminense.


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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DELEGADO PROTÓGENES QUEIRÓZ VEM AO RIO PEDIR APOIO À LEI QUE FEDERALIZA CRIMES PRATICADOS CONTRA JORNALISTAS

Texto, fotos e edição: Adilson Gonçalves

O deputado federal Protógenes  Queiróz – PC do B- SP – veio  ao Rio de Janeiro, nesta terça-feira, dia 26, especificamente pedir apoio  à  categoria para  a votação do seu projeto de lei 1078/12, que federaliza os crimes praticados contra jornalistas.  O encontro,  com alguns integrantes da classe,  ocorreu durante a reunião do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa -  ABI. Em sua explanação, o deputado afirmou que seu projeto de Lei “vem sofrendo boicote por não ser interessante a segmentos e setores do Parlamento Brasileiro.”
- O meu projeto não defende os jornalistas, mas a atividade jornalística. Pois a cada ano aumenta o número de profissionais mortos por desempenharem suas funções, que em sua totalidade vão de encontro a interesses obscuros, desonestos, seja a corrupção ou o crime organizado. Protegendo-se a atividade jornalística, com certeza, teremos um país melhor, umas sociedade depurada,  através da verdade- afirma o deputado.
Com exemplo emblemático do quanto é necessária a federalização dos crimes praticados contra jornalistas, o deputado Protógenes  Queiróz citou o caso Tim Lopes, assassinado por traficantes, no Complexo do Alemão em 2002:
-O caso somente foi esclarecido, mesmo assim não em sua totalidade, pois  além de uma grande profissional, querido  pela classe, Tim Lopes era funcionário da maior organização de comunicação do País, que mobilizou toda a sua máquina e  que provocou uma comoção pública, empreendendo uma verdadeira caçada humana ao Elias Maluco. Afinal a poderosa, teve sua suscetibilidade ferida, foi atingida em suas entranhas  por um reles  traficante, denominado Elias Maluco, que foi preso como símbolo do ato.   Quando eu digo que o crime não foi esclarecido em sua totalidade é porque temos informações de que nem todos os participantes do crime foram descobertos ou presos.  Qualquer criminoso, seja ele praticante de qualquer tipo crime, vai pensar duas vezes antes de atingir um profissional de imprensa, por causa sua atividade, seja para impedir sua conclusão ou por retaliação, pois sabe que será investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal,– afirma o parlamentar.
 O Deputado federal diz ainda que se não fossem estes fatores-  a maior organização de comunicação do país, a comoção pública e um crime praticado em uma grande metrópole, como o Rio de Janeiro -“o caso Tim Lopes não teria sido esclarecido, permanecendo sob o manto da impunidade.”
- Se isto acontece no Rio de Janeiro, imagine nos grotões do país, onde a atividade jornalística é mais desprotegida, e , portanto a segurança do profissional de imprensa  é fragilizada ou inexistente. Por isso tenho a certeza que a federalização dos crimes praticados
REMINISCÊNCIAS ESTUDANTIS
 O deputado e delegado da Polícia Federal  Protógenes Queiróz já foi coleguinha, literalmente, inclusive sabendo das agruras da profissão: na década de 70, aos 15 anos, editou e redigiu o Jornal Alerta Geral, no Colégio Dom Helder Câmara, em São Gonçalo. Entre outras matérias polêmicas, duas provocaram a apreensão de exemplares, da matriz e  até busca domiciliar pelos órgãos de repressão: uma que questionava somente a indicação de militares para a presidência da República e outra que cobrava o paradeiro dos estudantes  durante o regime militar, entre eles Fernando Santa Cruz, estudante da UFF.
- Acho que não fomos presos e o caso não teve maiores consequências por causa de nossa idade.  Com eu era o editor do jornal, a implicância maior deles foi comigo, mas como meu pai era militar e peitou os agentes,  o caso parou por ali mesmo-, ri  o deputado.
Em sua cruzada pela aceleração do prazo de  votação da lei criada por ele, o deputado Protógenes  Queiróz  se colocou  à disposição do SJPMRJ, para expor à categoria  os detalhes da lei  1078/12.



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESTUDANTE NEGRO DA UFRJ É COAGIDO A SAIR DE ÔNIBUS DE TRANSPORTE DE UNIVERSITÁRIOS


Edição: Adilson Gonçalves fonte e texto:  Chico Motta, da Revista Virus Planetário
Na terça-feira dia (26/02) , às 22h, voltando do IFCS onde assistia aula, o estudante Filosofia negro, Aparecido de Jesus Silva, foi coagido pelo motorista do ônibus universitário para que saísse.
Aparecido relata que pegou o ônibus de número 160, placa KXW 4619, para o alojamento no terminal Rodoviário da Cidade Universitária. Ao entrar pela traseira do ônibus (que é gratuito) e sentar ao fundo, o estudante teria visto o condutor gesticular com as mãos e perguntar: “Você vai para onde?”  “o motorista Parecia nervoso com minha presença”, afirma o estudante que continuou sentado não percebendo que era com ele.
Ao parar em um ponto em que alguns passageiros desceram, o condutor então teria aberto a porta dos fundos e reclamado: “Não vai descer não”? No mesmo ponto, outros passageiros que iriam em direção ao alojamento entraram no ônibus e de acordo com o estudante de filosofia, por serem “socialmente considerados brancos e ele [o motorista] não lhes perguntou nada”.
A situação se agravou quando chegaram ao ponto da Prefeitura. De acordo com os relatos o condutor teria aberto a porta do ônibus e dito: “você vai para onde? Desce do ônibus!”. Surpreso, aparecido perguntou se era com ele “ É com você mesmo!! estou indo para o alojamento e você não vai ficar andando de graça. Desce do ônibus!”, teria gritado o motorista. Não satisfeito com a coação moral, percebendo o caráter racista da mesma, Aparecido respondeu que o condutor deveria continuar a viagem pois era a função dele. Foi então que o motorista teria o ameaçado: “Você não vai descer não? Quando chegar no ponto final você vai se arrepender”, repetiu por diversas vezes.
O estudante afirma que não se deixou abalar e, de acordo com o seu próprio relato, teria dito:  “Qual é o seu problema? Porque você não perguntou nada para as outras pessoas? Você é racista. Posso chamar a PM e prender você agora. Onde está a placa com o seu nome”.
Aparecido informa ainda que durante esse percurso final da viagem o motorista teria ironizado as iniciativas de pegar o seu nome e a placa do carro. “Ele me ameaçou. Quero saber como vai ficar minha segurança aqui na Universidade (UFRJ) que estudo.” reclamou o estudante.
Procurada por nossa equipe de reportagem, a assessoria de imprensa da UFRJ informa que já recebeu a reclamação na ouvidoria e estaria buscando as informações pertinentes para realizar as medidas cabíveis ao caso.
Atualização 1: A Assessoria de Imprensa da UFRJ informou que os ônibus universitários são gratuitos para todos que circularem pelo Campus e que o serviço é  terceirizado, no entanto as medidas serão tomadas.
Atualização 2:  Aparecido de Jesus Silva é do sertão da Bahia, trabalhou como pedreiro a vida toda, alfabetizou-se através do programa EJA, que é de alfabetização de jovens e adultos, fez
pré- vestibular comunitário e passou pra o curso de Filosofia na UFRJ sendo o único Negro da turma.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

APÓS QUASE 150 ANOS, FILME LINCOLN PROVOCA A ABOLIÇÃO OFICIAL DA ESCRAVIDÃO NO MISSISSIPI

Edição: Adilson Gonçalves
Fonte: Ópera Mundi

O 16° presidente dos EUA, Abraham Lincoln
aboliu a escravidão no país em 1864
Estado já havia ratificado a 13° Emenda em 1995, mas nunca havia entregue a cópia ao Arquivo Federal

Quase 150 anos após o presidente dos EUA durante a Guerra Civil Americana, Abraham Lincoln, ter abolido a escravidão no país, o estado de Mississippi ratificou a 13° Emenda constitucional e, assim, oficializou a liberdade dos negros na região.

Tudo começou quando Ranjan Batra, professor de neurobiologia na Universidade de Mississippi, assistiu em novembro ao filme "Lincoln", dirigido por Steven Spielberg e nominado a várias estatuetas do Oscar. Na história – e na vida real – o presidente e o Congresso aprovam a medida que dá um fim à escravidão, mas cada um dos 36 estados de então deveriam fazê-lo individualmente.
Os três quartos necessários para a lei entrar em vigor foram atingido quando a Georgia ratificou o decreto, em 1865. Os últimos foram New Jersey, em 1866; Delaware, em 1901; e Kentucky, em 1976. Mas o estado de Mississippi continuava com um asterisco ao lado de seu nome na lista, escrito que havia “ratificado a emenda em 1995, mas como o estado nunca havia oficialmente notificado o arquivista federal, a decisão não era oficial”.

E foi justamente isso que Batra descobriu quando saiu da sala de cinema se perguntando quando cada estado havia concordado com a lei. De origem indiana e nacionalizado norte-americano em 2008, consultou seu colega de trabalho Ken Sullivan e descobriu o site usconstitution.net e o atraso do estado.

Batra e Sullivan entraram em contato com o secretário de Estado do Mississippi, Delbert Hosemann, para que finalizasse o processo - que nunca chegou ao fim porque o secretário de 1995, quando a lei passou no Senado e na Câmara, por motivos desconhecidos não enviou uma cópia ao Registro Federal. No dia 7 de fevereiro de 2013, o estado do Mississippi - historicamente conhecido pelo conservadorismo dos Estados Confederados do sul e pelo trabalho escravo nas plantações de algodão - oficialmente aboliu a escravidão.

* Com informações de The Clarion Ledger 

NESTE SÁBADO, DIA 2 DE MARÇO, ÀS 12 HORAS, A ÚLTIMA CHANCE DE ASSISTIR À REPRISE DA ENTREVISTA DE CARLOS ALBERTO CAÓ NO PROGRAMA ESPELHO DE LÁZARO RAMOS


 Edição, textos e fotos: Adilson Gonçalves
Carlos Alberto Caó, jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas, ex-secretário estadual de trabalho e Habitação do governo Brizola e deputado federal constituinte e autor da lei que criminaliza o racismo é o entrevistado do ator Lázaro Ramos no Programa Espelho. Na entrevista, Caó falou de sua chegada ao Rio e entre outros fatos, revelou como impediu o cancelamento da primeira visita ao Brasil do recém liberto Nelson Mandela, devido às péssimas condições de estadia e segurança em que a equipe que havia chegado antes ao Brasil para avaliação se encontrava. Ainda durante a conversa Caó e Lázaro descobriram ser quase parentes, com Caó lembrando ainda ter visto Lázaro criança, ao ficar escondido alguns dias na casa dos pais de Lázaro durante o regime militar.Assista o Programa Espelho no Canal Brasil toda segunda às 21h30, terça às 3h30 e 7h30 e sábado às 12h.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

MINISTRO E PRESIDENTE DO STF, JOAQUIM BARBOSA É ELEITO A PERSONALIDADE DE 2012 POR JÚRI DO PRÊMIO FAZ A DIFERENÇA DO JORNAL O GLOBO


Edição :Adilson GonçalvesFonte :Jornal o Globo
Primeiro negro a a ser ministro do Supremo Tribunal Federal e a presidir a Corte, magistrado mineiro de 58 anos, filho de um pedreiro e de uma faxineira, deu visibilidade à atuação do STF e chamou a atenção com a defesa de suas posições e votos, ao ser relator do julgamento do processo do mensalão, que condenou 25 dos 37 réus.
Em 2012, o ministro Joaquim Barbosa transformou as sessões do Supremo Tribunal Federal (STF) em campeãs de audiência. Nas redes sociais, o ministro chegou a ser comparado a um super-herói. Também foi assunto nas ruas, nas mesas de bar, nas conversas de elevador. Todo lugar era propício para o tema do momento: o julgamento do mensalão — e, consequentemente, a performance do relator do processo. Uma grande parcela da sociedade criou, de uma hora para outra, uma identidade com o ministro e a defesa contundente que ele fazia de seus argumentos, que levaram à condenação de figurões por corrupção.
Para alguns colegas, era muito radical. Mas sua inflexibilidade com a moralidade política conquistou corações e mentes. O destaque no julgamento deu ao ministro popularidade pouco comum para o cargo ocupado: chegou a ser lembrado em pesquisa de intenções de voto como possível candidato para a Presidência da República. Por coincidência, para coroar seu desempenho, em novembro, seguindo a ordem natural do Supremo, chegou a vez de Barbosa presidir o STF e chegar, assim, ao mais alto posto do Judiciário.
O ministro somou vitórias a cada sessão do julgamento do mensalão, que começou em 2 de agosto e terminou em 17 de novembro. Apresentou passo a passo, de forma clara, o enredo do maior escândalo de corrupção já visto pelo país. E, capítulo a capítulo, destrinchou todo o esquema, destacando as provas que levaram à condenação de ex-ministros, banqueiros, ex-dirigentes partidários e de um ex-presidente da Câmara dos Deputados. O voto de Barbosa foi seguido pela maioria do plenário na maior parte das vezes. O julgamento resultou na condenação de 25 dos 37 réus. Barbosa votou pela condenação de 32. Entre eles, os ex-dirigentes do PT José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.
A atuação do ministro, que se tornou o primeiro negro a assumir a presidência da Corte, rendeu-lhe a conquista do Prêmio Faz Diferença na principal categoria. Em 2007, Barbosa recebeu o mesmo prêmio do GLOBO, mas na categoria País. Já como relator do mensalão, ele havia conseguido convencer a maioria dos colegas a abrir a ação penal contra os investigados, transformando-os em réus.
Em maio de 2012, quando o tribunal aprovou o sistema de cotas raciais para o ensino superior no país, Barbosa mostrou em seu voto que é defensor da causa. Antes de ser ministro, publicou um estudo sobre o tema.
— A pobreza crônica que perpassa diversas gerações e atinge diversas camadas do nosso país dificulta o acesso à educação e à mobilidade social. O bloqueio socioeconômico confina milhares de brasileiros a viver na pobreza. O Prouni é uma suave tentativa de mitigar essa cruel situação. O importante é que o ciclo de exclusão se interrompa para esses grupos sociais desavantajados — afirmou o ministro, no voto dado em plenário.
Quando Barbosa se tornou presidente do STF, no fim do ano, os movimentos em defesa dos negros comemoraram.
— Essa posse é cercada de uma importância histórica e de um simbolismo que ultrapassa a própria população negra no Brasil — declarou a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros.
— Joaquim Barbosa representa o sonho de Zumbi dos Palmares. Um sonho de igualdade plantado pelos nossos antepassados — afirmou Paulão Santos, presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro do Rio de Janeiro.
Os amigos do ministro Joaquim Barbosa estão concentrados no Rio de Janeiro, onde ele morou quando era integrante do Ministério Público Federal. Na capital fluminense, também mora o filho, Felipe, jornalista de 26 anos. Por isso, o ministro costuma passar fins de semana na cidade, onde tem um apartamento no Leblon. Barbosa tem convivência intensa com a família. Costuma ouvir os conselhos da mãe, Benedita, uma senhora septuagenária que nunca se esquece de incluir o filho em suas orações diárias. Barbosa não é de rezar, mas usa diariamente um escapulário para protegê-lo. A peça o acompanhou durante todo o julgamento do mensalão.
A intensidade profissional que o ministro viveu em 2012 também teve reflexo na saúde dele. Em 2007, a dor crônica da coluna atingiu o auge, durante o julgamento que definiu a abertura do processo do mensalão. Em outubro de 2012, já na reta final do julgamento da ação penal, o ministro fez um intervalo na rotina pesada de trabalho e foi à Alemanha para ser submetido a um tratamento revolucionário, que envolvia a estrutura de seu próprio sangue. Deu certo: as dores só não cessaram por completo, porque ele não conseguiu cumprir a recomendação médica de repouso absoluto.
A história pessoal de Joaquim Barbosa é semelhante à de milhares de brasileiros pobres, com a diferença do final feliz. Ele nasceu em Paracatu, interior de Minas Gerais, há 58 anos. Conhecido em casa por Joca, é o primeiro de oito filhos de uma família humilde. O pai era pedreiro e a mãe, faxineira. A infância foi de brincadeiras ao ar livre. Quando tinha 10 anos, o pai vendeu a casa onde moravam e comprou um caminhão. O negócio deu certo, e a renda da família melhorou. Hoje, os irmãos, os sobrinhos e a mãe também moram em Brasília. O pai, Joaquim, morreu há dois anos.
Nos anos 70, Barbosa mudou-se para a casa de uma tia no Gama, cidade do Distrito Federal próxima a Brasília. Trabalhou como faxineiro e como tipógrafo na gráfica do Senado. Foi aprovado no vestibular de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Com o diploma nas mãos, chefiou a consultoria jurídica do Ministério da Saúde. Também foi oficial de chancelaria do Itamaraty e chegou a servir na Finlândia. Passou no concurso do Ministério Público Federal, onde trabalhou por 19 anos.
A vida acadêmica sempre foi intensa. Fez mestrado e doutorado em Direito Público na Universidade de Paris II. Barbosa é ainda especialista em Direito e Estado pela UnB e professor licenciado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Passou ainda períodos como acadêmico visitante em três universidades dos Estados Unidos: Columbia, de Nova York e da Califórnia. É fluente em inglês, francês e alemão. O ministro tem o hábito de fazer citações em línguas estrangeiras de forma corriqueira. Já no fim do julgamento do mensalão, disse uma frase que pode resumir sua história: “Let’s move on!”.
Rigor não surpreende amigos do ministro
O primeiro amigo que Joaquim Benedito Barbosa Gomes fez ao chegar ao STF, em 2003, foi Carlos Ayres Britto, que entrou no tribunal no mesmo ano e se aposentou em 2012. Os dois foram instalados em apartamentos funcionais no mesmo prédio, em Brasília, o que facilitou a aproximação. A amizade permanece até hoje, embora os dois já não sejam mais colegas de trabalho. Eles se falam com frequência e costumam se visitar em casa.
— Sempre tivemos uma boa amizade, desde que nos vimos, em junho de 2003. Foi amizade à primeira vista e parece que vai se tornar definitiva — diz Ayres Britto.
O colega, que presidiu o tribunal durante a maior parte do julgamento do mensalão, faz uma avaliação positiva da atuação de Barbosa na relatoria do processo:
— Eu classifico a atuação dele como muito boa. Do ponto de vista pessoal, foi corajoso; do ponto de vista técnico, meticuloso. Atuou como um médico legista, fazendo a autópsia dos fatos.
Ayres Britto era o principal aliado de Barbosa no tribunal. Com sua aposentadoria, o posto ficou com Luiz Fux, de quem tem ouvido conselhos e ponderações na condução da Corte. O ministro até acompanhou Barbosa a uma consulta médica no Rio de Janeiro, para tratamento de seu problema crônico nos quadris. Na festa para comemorar a posse de Barbosa na presidência do STF, em novembro, Fux se destacou ao subir ao palco e dedicar-lhe a canção “Dia de domingo”, de Tim Maia, que cantou e tocou na guitarra.
— Estou fazendo essa homenagem a meu querido amigo e ministro Joaquim Barbosa. Ele, em seu discurso, disse com todas as letras que nós, ministros e juízes, somos homens simples e do povo — disse, antes de tocar a canção.
O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho, classifica de revolucionária a atuação de Barbosa no julgamento do mensalão. Segundo ele, há muito tempo a sociedade esperava um juiz destemido, que acabou se materializando na figura do relator. Para o procurador, Barbosa fez história e deve se tornar uma referência a ser seguida no Judiciário.
— Acho que a atuação dele no mensalão, muito provavelmente pela origem dele no Ministério Público, foi a que a sociedade estava esperando há muitos anos. Foi o juiz que a sociedade estava esperando. Um juiz que, sem descuidar das garantias individuais, foi implacável com o crime. A sociedade já estava farta da indulgência com políticos, com a corrupção, com a rapina dos cofres públicos — disse Camanho.
Entre os advogados, Barbosa não é uma unanimidade. Ele impõe restrições para atender a categoria em audiências. Para o ministro, o correto é receber conjuntamente todas as partes do processo. O método dificulta a compatibilização de agendas em processos muito grandes — como, por exemplo, o mensalão, que tinha 40 acusados quando chegou à Corte. Mas o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, elogia o ministro.
— Estive com ele em duas sessões do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), e o relacionamento foi o mais cordial. Há muita identidade de pensamento e de propósitos entre ele e a OAB, embora reconheça que há essa reclamação dos advogados quanto às audiências. Quero crer que isso possa ser algo a ser superado. Espero que ele entenda que o advogado é fundamental para o exercício amplo da defesa do cidadão — diz.
Ophir também enaltece a atuação de Barbosa na condução do processo do mensalão:
— Ele atuou como deve atuar um relator de processo, estudando o caso e aplicando a lei. É importante também destacar que a Suprema Corte exerceu seu papel de analisar qualquer caso, independentemente de envolver o mais humilde cidadão ou a mais graduada autoridade. A instituição é maior que os homens.
Amigos que conhecem Barbosa desde os tempos em que ele era um estudante pobre tentando encontrar um caminho na vida não se surpreenderam com o rigor do ministro no julgamento do mensalão. Mário César Pinheiro Maia, que foi chefe de Barbosa na gráfica do Senado no início da década de 70, diz que o ministro sempre foi reservado no trato pessoal e exigente em relação às obrigações profissionais. Nada diferente do que se viu nas longas sessões do julgamento.
— O Quincas, é assim que a gente o chama, sempre foi isso aí que todo mundo começou a admirar nele. Sempre teve personalidade forte. Mesmo com 19, 20 anos, tinha opiniões firmes — disse Maia, que fez parte do seleto grupo de antigos amigos convidados para a posse de Barbosa na presidência do STF.
Sem medo da polêmica
Cotas para negros
“A pobreza crônica que perpassa diversas gerações e atinge diversas camadas do nosso país dificulta o acesso à educação e à mobilidade social. O bloqueio socioeconômico confina milhares de brasileiros a viver na pobreza.”
União homoafetiva
“A Constituição fez uma clara opção pela igualdade, assumindo o compromisso de extinguir, ou pelo menos de mitigar, o peso das desigualdades fundadas no preconceito, estabelecendo de forma cristalina o objetivo de promover a justiça social e a igualdade de tratamento entre os cidadãos.”
Parentes advogados
“Eu sou visceralmente contra (parentes advogarem nos tribunais onde ministros atuam), porque isso fere o princípio da moralidade, do equilíbrio de forças que deve haver no processo judicial. Esses filhos, esposas, sobrinhos de juízes são muito acionados pelos seus clientes pelo fato de serem parentes. Não é por outra razão.”
Justiça desigual
“Nós temos desequilíbrios. Há lugares com muitos juízes, lugares com pouquíssimos, desaparelhados. Tribunais luxuosos que comandam um Poder Judiciário depauperado. Vejam como é um país de contrastes. E esse contraste se estende ao Poder Judiciário.”
Juiz e sociedade
“Pertence definitivamente ao passado a figura do juiz que se mantém distante (...), para não dizer inteiramente alheio aos valores fundamentais e anseios da sociedade na qual está inserido. No exercício da sua missão (...), o juiz deve, sim, sopesar e ter na devida conta os valores mais caros à sociedade na qual ele opera.”
Orgulho negro
“Em todos os lugares em que trabalhei, sempre houve um ou outro engraçadinho a tomar certas liberdades comigo, achando que a cor da minha pele o autorizava a tanto. Sempre a minha resposta veio na hora, dura. Mas isso não me impediu de ter centenas de amigos nos quatro cantos do mundo.”
JURADOS: Aluizio Maranhão, Ancelmo Gois, Ascânio Seleme, Luiz Antônio Novaes, Luiz Garcia, Merval Pereira e Míriam Leitão (O GLOBO); e Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira (presidente da Firjan).