segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

APÓS QUASE 150 ANOS, FILME LINCOLN PROVOCA A ABOLIÇÃO OFICIAL DA ESCRAVIDÃO NO MISSISSIPI

Edição: Adilson Gonçalves
Fonte: Ópera Mundi

O 16° presidente dos EUA, Abraham Lincoln
aboliu a escravidão no país em 1864
Estado já havia ratificado a 13° Emenda em 1995, mas nunca havia entregue a cópia ao Arquivo Federal

Quase 150 anos após o presidente dos EUA durante a Guerra Civil Americana, Abraham Lincoln, ter abolido a escravidão no país, o estado de Mississippi ratificou a 13° Emenda constitucional e, assim, oficializou a liberdade dos negros na região.

Tudo começou quando Ranjan Batra, professor de neurobiologia na Universidade de Mississippi, assistiu em novembro ao filme "Lincoln", dirigido por Steven Spielberg e nominado a várias estatuetas do Oscar. Na história – e na vida real – o presidente e o Congresso aprovam a medida que dá um fim à escravidão, mas cada um dos 36 estados de então deveriam fazê-lo individualmente.
Os três quartos necessários para a lei entrar em vigor foram atingido quando a Georgia ratificou o decreto, em 1865. Os últimos foram New Jersey, em 1866; Delaware, em 1901; e Kentucky, em 1976. Mas o estado de Mississippi continuava com um asterisco ao lado de seu nome na lista, escrito que havia “ratificado a emenda em 1995, mas como o estado nunca havia oficialmente notificado o arquivista federal, a decisão não era oficial”.

E foi justamente isso que Batra descobriu quando saiu da sala de cinema se perguntando quando cada estado havia concordado com a lei. De origem indiana e nacionalizado norte-americano em 2008, consultou seu colega de trabalho Ken Sullivan e descobriu o site usconstitution.net e o atraso do estado.

Batra e Sullivan entraram em contato com o secretário de Estado do Mississippi, Delbert Hosemann, para que finalizasse o processo - que nunca chegou ao fim porque o secretário de 1995, quando a lei passou no Senado e na Câmara, por motivos desconhecidos não enviou uma cópia ao Registro Federal. No dia 7 de fevereiro de 2013, o estado do Mississippi - historicamente conhecido pelo conservadorismo dos Estados Confederados do sul e pelo trabalho escravo nas plantações de algodão - oficialmente aboliu a escravidão.

* Com informações de The Clarion Ledger 

NESTE SÁBADO, DIA 2 DE MARÇO, ÀS 12 HORAS, A ÚLTIMA CHANCE DE ASSISTIR À REPRISE DA ENTREVISTA DE CARLOS ALBERTO CAÓ NO PROGRAMA ESPELHO DE LÁZARO RAMOS


 Edição, textos e fotos: Adilson Gonçalves
Carlos Alberto Caó, jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas, ex-secretário estadual de trabalho e Habitação do governo Brizola e deputado federal constituinte e autor da lei que criminaliza o racismo é o entrevistado do ator Lázaro Ramos no Programa Espelho. Na entrevista, Caó falou de sua chegada ao Rio e entre outros fatos, revelou como impediu o cancelamento da primeira visita ao Brasil do recém liberto Nelson Mandela, devido às péssimas condições de estadia e segurança em que a equipe que havia chegado antes ao Brasil para avaliação se encontrava. Ainda durante a conversa Caó e Lázaro descobriram ser quase parentes, com Caó lembrando ainda ter visto Lázaro criança, ao ficar escondido alguns dias na casa dos pais de Lázaro durante o regime militar.Assista o Programa Espelho no Canal Brasil toda segunda às 21h30, terça às 3h30 e 7h30 e sábado às 12h.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

MINISTRO E PRESIDENTE DO STF, JOAQUIM BARBOSA É ELEITO A PERSONALIDADE DE 2012 POR JÚRI DO PRÊMIO FAZ A DIFERENÇA DO JORNAL O GLOBO


Edição :Adilson GonçalvesFonte :Jornal o Globo
Primeiro negro a a ser ministro do Supremo Tribunal Federal e a presidir a Corte, magistrado mineiro de 58 anos, filho de um pedreiro e de uma faxineira, deu visibilidade à atuação do STF e chamou a atenção com a defesa de suas posições e votos, ao ser relator do julgamento do processo do mensalão, que condenou 25 dos 37 réus.
Em 2012, o ministro Joaquim Barbosa transformou as sessões do Supremo Tribunal Federal (STF) em campeãs de audiência. Nas redes sociais, o ministro chegou a ser comparado a um super-herói. Também foi assunto nas ruas, nas mesas de bar, nas conversas de elevador. Todo lugar era propício para o tema do momento: o julgamento do mensalão — e, consequentemente, a performance do relator do processo. Uma grande parcela da sociedade criou, de uma hora para outra, uma identidade com o ministro e a defesa contundente que ele fazia de seus argumentos, que levaram à condenação de figurões por corrupção.
Para alguns colegas, era muito radical. Mas sua inflexibilidade com a moralidade política conquistou corações e mentes. O destaque no julgamento deu ao ministro popularidade pouco comum para o cargo ocupado: chegou a ser lembrado em pesquisa de intenções de voto como possível candidato para a Presidência da República. Por coincidência, para coroar seu desempenho, em novembro, seguindo a ordem natural do Supremo, chegou a vez de Barbosa presidir o STF e chegar, assim, ao mais alto posto do Judiciário.
O ministro somou vitórias a cada sessão do julgamento do mensalão, que começou em 2 de agosto e terminou em 17 de novembro. Apresentou passo a passo, de forma clara, o enredo do maior escândalo de corrupção já visto pelo país. E, capítulo a capítulo, destrinchou todo o esquema, destacando as provas que levaram à condenação de ex-ministros, banqueiros, ex-dirigentes partidários e de um ex-presidente da Câmara dos Deputados. O voto de Barbosa foi seguido pela maioria do plenário na maior parte das vezes. O julgamento resultou na condenação de 25 dos 37 réus. Barbosa votou pela condenação de 32. Entre eles, os ex-dirigentes do PT José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.
A atuação do ministro, que se tornou o primeiro negro a assumir a presidência da Corte, rendeu-lhe a conquista do Prêmio Faz Diferença na principal categoria. Em 2007, Barbosa recebeu o mesmo prêmio do GLOBO, mas na categoria País. Já como relator do mensalão, ele havia conseguido convencer a maioria dos colegas a abrir a ação penal contra os investigados, transformando-os em réus.
Em maio de 2012, quando o tribunal aprovou o sistema de cotas raciais para o ensino superior no país, Barbosa mostrou em seu voto que é defensor da causa. Antes de ser ministro, publicou um estudo sobre o tema.
— A pobreza crônica que perpassa diversas gerações e atinge diversas camadas do nosso país dificulta o acesso à educação e à mobilidade social. O bloqueio socioeconômico confina milhares de brasileiros a viver na pobreza. O Prouni é uma suave tentativa de mitigar essa cruel situação. O importante é que o ciclo de exclusão se interrompa para esses grupos sociais desavantajados — afirmou o ministro, no voto dado em plenário.
Quando Barbosa se tornou presidente do STF, no fim do ano, os movimentos em defesa dos negros comemoraram.
— Essa posse é cercada de uma importância histórica e de um simbolismo que ultrapassa a própria população negra no Brasil — declarou a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros.
— Joaquim Barbosa representa o sonho de Zumbi dos Palmares. Um sonho de igualdade plantado pelos nossos antepassados — afirmou Paulão Santos, presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro do Rio de Janeiro.
Os amigos do ministro Joaquim Barbosa estão concentrados no Rio de Janeiro, onde ele morou quando era integrante do Ministério Público Federal. Na capital fluminense, também mora o filho, Felipe, jornalista de 26 anos. Por isso, o ministro costuma passar fins de semana na cidade, onde tem um apartamento no Leblon. Barbosa tem convivência intensa com a família. Costuma ouvir os conselhos da mãe, Benedita, uma senhora septuagenária que nunca se esquece de incluir o filho em suas orações diárias. Barbosa não é de rezar, mas usa diariamente um escapulário para protegê-lo. A peça o acompanhou durante todo o julgamento do mensalão.
A intensidade profissional que o ministro viveu em 2012 também teve reflexo na saúde dele. Em 2007, a dor crônica da coluna atingiu o auge, durante o julgamento que definiu a abertura do processo do mensalão. Em outubro de 2012, já na reta final do julgamento da ação penal, o ministro fez um intervalo na rotina pesada de trabalho e foi à Alemanha para ser submetido a um tratamento revolucionário, que envolvia a estrutura de seu próprio sangue. Deu certo: as dores só não cessaram por completo, porque ele não conseguiu cumprir a recomendação médica de repouso absoluto.
A história pessoal de Joaquim Barbosa é semelhante à de milhares de brasileiros pobres, com a diferença do final feliz. Ele nasceu em Paracatu, interior de Minas Gerais, há 58 anos. Conhecido em casa por Joca, é o primeiro de oito filhos de uma família humilde. O pai era pedreiro e a mãe, faxineira. A infância foi de brincadeiras ao ar livre. Quando tinha 10 anos, o pai vendeu a casa onde moravam e comprou um caminhão. O negócio deu certo, e a renda da família melhorou. Hoje, os irmãos, os sobrinhos e a mãe também moram em Brasília. O pai, Joaquim, morreu há dois anos.
Nos anos 70, Barbosa mudou-se para a casa de uma tia no Gama, cidade do Distrito Federal próxima a Brasília. Trabalhou como faxineiro e como tipógrafo na gráfica do Senado. Foi aprovado no vestibular de Direito da Universidade de Brasília (UnB). Com o diploma nas mãos, chefiou a consultoria jurídica do Ministério da Saúde. Também foi oficial de chancelaria do Itamaraty e chegou a servir na Finlândia. Passou no concurso do Ministério Público Federal, onde trabalhou por 19 anos.
A vida acadêmica sempre foi intensa. Fez mestrado e doutorado em Direito Público na Universidade de Paris II. Barbosa é ainda especialista em Direito e Estado pela UnB e professor licenciado da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Passou ainda períodos como acadêmico visitante em três universidades dos Estados Unidos: Columbia, de Nova York e da Califórnia. É fluente em inglês, francês e alemão. O ministro tem o hábito de fazer citações em línguas estrangeiras de forma corriqueira. Já no fim do julgamento do mensalão, disse uma frase que pode resumir sua história: “Let’s move on!”.
Rigor não surpreende amigos do ministro
O primeiro amigo que Joaquim Benedito Barbosa Gomes fez ao chegar ao STF, em 2003, foi Carlos Ayres Britto, que entrou no tribunal no mesmo ano e se aposentou em 2012. Os dois foram instalados em apartamentos funcionais no mesmo prédio, em Brasília, o que facilitou a aproximação. A amizade permanece até hoje, embora os dois já não sejam mais colegas de trabalho. Eles se falam com frequência e costumam se visitar em casa.
— Sempre tivemos uma boa amizade, desde que nos vimos, em junho de 2003. Foi amizade à primeira vista e parece que vai se tornar definitiva — diz Ayres Britto.
O colega, que presidiu o tribunal durante a maior parte do julgamento do mensalão, faz uma avaliação positiva da atuação de Barbosa na relatoria do processo:
— Eu classifico a atuação dele como muito boa. Do ponto de vista pessoal, foi corajoso; do ponto de vista técnico, meticuloso. Atuou como um médico legista, fazendo a autópsia dos fatos.
Ayres Britto era o principal aliado de Barbosa no tribunal. Com sua aposentadoria, o posto ficou com Luiz Fux, de quem tem ouvido conselhos e ponderações na condução da Corte. O ministro até acompanhou Barbosa a uma consulta médica no Rio de Janeiro, para tratamento de seu problema crônico nos quadris. Na festa para comemorar a posse de Barbosa na presidência do STF, em novembro, Fux se destacou ao subir ao palco e dedicar-lhe a canção “Dia de domingo”, de Tim Maia, que cantou e tocou na guitarra.
— Estou fazendo essa homenagem a meu querido amigo e ministro Joaquim Barbosa. Ele, em seu discurso, disse com todas as letras que nós, ministros e juízes, somos homens simples e do povo — disse, antes de tocar a canção.
O presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, Alexandre Camanho, classifica de revolucionária a atuação de Barbosa no julgamento do mensalão. Segundo ele, há muito tempo a sociedade esperava um juiz destemido, que acabou se materializando na figura do relator. Para o procurador, Barbosa fez história e deve se tornar uma referência a ser seguida no Judiciário.
— Acho que a atuação dele no mensalão, muito provavelmente pela origem dele no Ministério Público, foi a que a sociedade estava esperando há muitos anos. Foi o juiz que a sociedade estava esperando. Um juiz que, sem descuidar das garantias individuais, foi implacável com o crime. A sociedade já estava farta da indulgência com políticos, com a corrupção, com a rapina dos cofres públicos — disse Camanho.
Entre os advogados, Barbosa não é uma unanimidade. Ele impõe restrições para atender a categoria em audiências. Para o ministro, o correto é receber conjuntamente todas as partes do processo. O método dificulta a compatibilização de agendas em processos muito grandes — como, por exemplo, o mensalão, que tinha 40 acusados quando chegou à Corte. Mas o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, elogia o ministro.
— Estive com ele em duas sessões do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), e o relacionamento foi o mais cordial. Há muita identidade de pensamento e de propósitos entre ele e a OAB, embora reconheça que há essa reclamação dos advogados quanto às audiências. Quero crer que isso possa ser algo a ser superado. Espero que ele entenda que o advogado é fundamental para o exercício amplo da defesa do cidadão — diz.
Ophir também enaltece a atuação de Barbosa na condução do processo do mensalão:
— Ele atuou como deve atuar um relator de processo, estudando o caso e aplicando a lei. É importante também destacar que a Suprema Corte exerceu seu papel de analisar qualquer caso, independentemente de envolver o mais humilde cidadão ou a mais graduada autoridade. A instituição é maior que os homens.
Amigos que conhecem Barbosa desde os tempos em que ele era um estudante pobre tentando encontrar um caminho na vida não se surpreenderam com o rigor do ministro no julgamento do mensalão. Mário César Pinheiro Maia, que foi chefe de Barbosa na gráfica do Senado no início da década de 70, diz que o ministro sempre foi reservado no trato pessoal e exigente em relação às obrigações profissionais. Nada diferente do que se viu nas longas sessões do julgamento.
— O Quincas, é assim que a gente o chama, sempre foi isso aí que todo mundo começou a admirar nele. Sempre teve personalidade forte. Mesmo com 19, 20 anos, tinha opiniões firmes — disse Maia, que fez parte do seleto grupo de antigos amigos convidados para a posse de Barbosa na presidência do STF.
Sem medo da polêmica
Cotas para negros
“A pobreza crônica que perpassa diversas gerações e atinge diversas camadas do nosso país dificulta o acesso à educação e à mobilidade social. O bloqueio socioeconômico confina milhares de brasileiros a viver na pobreza.”
União homoafetiva
“A Constituição fez uma clara opção pela igualdade, assumindo o compromisso de extinguir, ou pelo menos de mitigar, o peso das desigualdades fundadas no preconceito, estabelecendo de forma cristalina o objetivo de promover a justiça social e a igualdade de tratamento entre os cidadãos.”
Parentes advogados
“Eu sou visceralmente contra (parentes advogarem nos tribunais onde ministros atuam), porque isso fere o princípio da moralidade, do equilíbrio de forças que deve haver no processo judicial. Esses filhos, esposas, sobrinhos de juízes são muito acionados pelos seus clientes pelo fato de serem parentes. Não é por outra razão.”
Justiça desigual
“Nós temos desequilíbrios. Há lugares com muitos juízes, lugares com pouquíssimos, desaparelhados. Tribunais luxuosos que comandam um Poder Judiciário depauperado. Vejam como é um país de contrastes. E esse contraste se estende ao Poder Judiciário.”
Juiz e sociedade
“Pertence definitivamente ao passado a figura do juiz que se mantém distante (...), para não dizer inteiramente alheio aos valores fundamentais e anseios da sociedade na qual está inserido. No exercício da sua missão (...), o juiz deve, sim, sopesar e ter na devida conta os valores mais caros à sociedade na qual ele opera.”
Orgulho negro
“Em todos os lugares em que trabalhei, sempre houve um ou outro engraçadinho a tomar certas liberdades comigo, achando que a cor da minha pele o autorizava a tanto. Sempre a minha resposta veio na hora, dura. Mas isso não me impediu de ter centenas de amigos nos quatro cantos do mundo.”
JURADOS: Aluizio Maranhão, Ancelmo Gois, Ascânio Seleme, Luiz Antônio Novaes, Luiz Garcia, Merval Pereira e Míriam Leitão (O GLOBO); e Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira (presidente da Firjan).

sábado, 16 de fevereiro de 2013

ATOR FOREST WHITAKER É ACUSADO INJUSTAMENTE DE ROUBO EM DOCERIA EM NOVA IORQUE


EDIÇÃO:ADILSON GONÇALVES
O ator Forest Whitaker, vencedor do Oscar pelo filme "O Último Rei da Escócia", foi acusado de furto por uma doceria de Nova York na última sexta-feira (15). A informação é do site TMZ.
Segundo a publicação, o ator chegou a ser revistado por um funcionário que alegou ter visto Forest sair da loja com um item sem pagar.
Uma fonte contou ao TMZ que Forest foi tratado "como um criminoso". Procurado pelo site, o assessor do ator classificou o incidente como "perturbador", uma vez que "tudo não passou de um engano".

"Foi uma situação infeliz que só mostra como os funcionários estão despreparados para lidar com seus clientes", disse o assessor. "Revistar pessoas sem prova é uma violação de direitos", acrescentou.

Ainda de acordo com o representante, Forest não irá prestar queixa a pedido do trabalhador que teme perder seu emprego. "Ele pediu para que a loja mude seu comportamento e trate seus clientes de modo justo", finalizou.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ROSA PARKS GANHARÁ ESTÁTUA NO CONGRESSO AMERICANO


Rosa Parks, a mulher que esteve na origem do fim das leis de segregação racial nos Estados Unidos, vai ser a partir de 27 de Fevereiro a primeira afro-americana a ter uma estátua no congresso norte-americano.
Os líderes dos dois partidos do Congresso anunciaram hoje que a estátua vai ser inaugurada no final do mês, numa cerimónia que vai decorrer na Salão Nacional das Estátuas do Capitólio.
A 1 de Dezembro de 2005, o então presidente George W. Bush assinou uma lei a instar o Congresso a erigir uma estátua de Rosa Parks.
Rosa Parks, uma costureira de 42 anos, questionou a 5 de Dezembro de 1955 num ônibus em Montgomery (Estado de Alabama), a diferenciação de lugares para brancos e negros definidos depois da guerra civil de 1861-1865.
Quando um homem branco disse a Rosa Parks para abandonar o assento onde estava, a mulher recusou e acabou presa e multada em 14 dólares.

28 DE JANEIRO DE 2013, DATA DO JUBILEU DE PRATA DO "BOLO" GENEROSO DE OSCAR NIEMEYER



No final do ano de 1987, Carlos Alberto Caó, João Saldanha, Ivan Alves e Oscar Niemayer jantavam   em um restaurante no Leblon, Zona Sul do Rio, como faziam semanalmente às quintas feiras. Todos ainda integravam ou já fizeram do Partido
Comunista Brasileiro, o PCB. Caó havia sido expulso do partido,  ao apoiar Leonel Brizola, após seu retorno do exílio, mas manteve a amizade com os  ex companheiros  de partidão, apesar da expulsão sumária pela direção do partido.
O arquiteto Oscar Niemayer completaria 80 anos naqueles dias.  Em meio ao jantar, João Saldanha decretou,  dirigindo –se  a Caó:
-  Crioulo,   você que está com mandato, vai prestar uma homenagem ao companheiro Niemayer no Congresso pelos 80 anos dele. 
Todos concordaram, e, Niemayer, o homenageado, aquiesceu com a ideia, apesar de seu medo de avião, comprometendo-se a ir até mesmo a viajar de carro, caso fosse necessário. Durante dias, Carlos Alberto Caó, de Brasília, e João Saldanha e Ivan Alves, do Rio de Janeiro, por telefone, redigiram o discurso de dez páginas que seria lido na sessão de 26 de janeiro de 1988.
- Acontece que o José Aparecido, governador distrital de Brasília, amigo de longa data do arquiteto, estaria em viagem à China, e ao saber da homenagem ao amigo, imediatamente ligou para ele:
                -Ô Niemayer, como é que você me arruma uma homenagem quando justamente não poderei estar presente.
Tudo já estava  preparado para a homenagem aos 80 anos do arquiteto, com  a confirmação de autoridades nacionais e  delegações internacionais, o discurso já havia sido lido e relido por Caó, quando na véspera do evento Niemayer ligou,  avisando que não iria:
                - Caó , eu não vou pegar avião e não vou ao evento.
                 Caó, atônito, tentou replicar, alegando todos os preparativos e convites feitos, mas não houve maneira de demover o arquiteto.
                - Diz que estou gripado- encerrou laconicamente a conversa o arquiteto.
                Sem outro jeito, Caó foi até a secretaria de Humberto Lucena, presidente do Senado e com muito trabalho, conseguiu avisar a todos os convidados que a homenagem não seria mais realizada.
                Por 25 anos Caó guardou com zelo o documento  e ressalta  não estar cometendo nenhuma inconfidência por relatar o episódio, somente o fazendo agora para ressaltar fidelidade canina  do arquiteto aos amigos. Caó até hoje credita o “bolo” dado por Niemayer à sua homenagem, em solidariedade ao amigo José Aparecido.

domingo, 27 de janeiro de 2013

MORRE NO RIO, AOS 75 ANOS, O CINEASTA ZÓZIMO BULBUL, O MAIS AFRICANISTA DOS AFRO BRASILEIROS E O PRIMEIRO PROTAGONISTA NEGRO DE UMA DE NOVELA BRASILEIRA

Textos*, fotos e edição: Adilson Gonçalves
*Com G1

O ATOR MILTON GONÇALVES CONSOLA BIZA VIANA, VIÚVA DE  ZÓZIMO DURANTE O VELÓRIO;
 ATRAS DELES, O FOTÓGRAFO VANTOEN PEREIRA JÚNIOR, SOBRINHO DO CINEASTA
O ator e cineasta Zózimo Bulbul morreu nesta quinta-feira aos 75 anos em seu apartamento, na praia do Flamengo, ao lado da mulher, Biza Vianna, com que era casado havia 30 anos. Não deixa filhos. Sofreu um infarto às 9h50. O velório foi realizado no mesmo dia na Câmara Municipal, na Cinelândia, de 17h a 20h, e na sexta de 8h às 11h. O sepultamento foi reaizado na  sexta-feira, dia 25 de Janeiro, às 12h, no cemitério São Francisco Xavier, no Caju.
Chacrinha chamava o ator Zózimo de “o negro mais bonito do Brasil”. Em 1969, Zózimo foi par romântico de Leila Diniz na novela “Vidas em conflito”, da TV Excelsior”. O escândalo fez com que a censura da ditadura militar vetasse a novela. Aproveitando-se da polêmica, o estilista Dener convidou Zózimo para desfilar, tornando-o o primeiro manequim de uma grande grife brasileira. “Fui capa de revista, um sucesso! Só que não me conformaria em ser um ator vazio”, contava.
Sua carreira havia começado nas peças do Centro Popular de Cultura da UNE e se encorpou no cinema, no qual se tornou um dos maiores expoentes da cultura afro-brasileira, como fazia questão de ressaltar, nas décadas de 1960 e 70. Estreou em em 1962, em “Cinco Vezes Favela”, um dos no marcos do Cinema Novo. Fez mais de 30 filmes, incluindo clássicos como “Terra em transe”, de Glauber Rocha”, “Compasso de espera”, de Antunes Filho” e “Grande sertão”, de Geraldo Santos Pereira.
VERA BARBOSA, SEUS DOIS FILHOS,
 SOBRINHOS NETOS DE ZÓZIMO,
 E HELENA PEREIRA, IRMÃ DO CINEASTA 
Amigo de Vinicius
Em 1974, estreou como diretor com o curta em preto e branco “Alma no Olho”, uma reflexão da identidade negra por meio da linguagem corporal. Zózimo aproveitara os negativos que sobraram do filme de Antunes Filhos para rodar seu curta-metragem. Os integrantes da censura achavam que a obra tinha tom “subversivo” e o chamaram para depor. Perguntaram sob ordem de quem ele havia feito feito tão sofisticado, imaginando que chegariam a uma complexa mente comunista. “Sob ordens do amigo e poeta Vinicius de Moraes”, respondeu Zózimo.
Para o documentarista e antropólogo Noel Santos de Carvalho, que defendeu em 2006 na USP a tese de doutorado “Cinema e representação racial: o cinema negro de Zózimo Bulbul”, “Alma no Olho” é sua obra-prima. Lembrou ao GLOBO que o filme foi baseado no livro “Soul Ice”, de Eldridge Claver, líder dos Panteras Negras, grupo radical norte-americano dos anos 60/70.
— As imagens cruas em preto e branco mostram Zózimo na frente da câmera fazendo uma série de pantomimas que contam a historia do negro desde sua saída da Africa até os Panteras Negras. Tudo isso em dez minutos. Marcará a todos os que se interessarem pela historia do negro no audiovisual brasileiro. Obra de um artista capaz de conectar sua historia, pessoal com a historia do seu povo. Sem cair no nacionalismo babaca que vigorou na década de 1970.
CARLOS ALBERTO CAÓ ESTEVE PRESENTE AO
 VELÓRIO DO COMPANHEIROS DE ANTIGAS BATALHAS
Seu filme mais conhecido, no entanto, é um documentário de 1988 intitulado “Abolição”, com entrevistas de personalidades sobre o centenário da abolição.
Fundador do Centro Afro Carioca de Cinema que, realizou no final do ano passado o 6º Encontro de Cinema Negro Brasil/África. Realizou três curtas, cinco medias e um longa-metragem, todos com foco na cultura afro descendente e na luta contra as desigualdades. Em 2010, a convite do governo do Senegal, Zózimo fez o média- metragem “Renascimento Africano”, que mostra o país nas comemorações dos 50 anos de independência deste país.
Uma das últimas entrevistas que concedeu foi para documentário em produção do cineasta americano Spike Lee. Em novembro, comentou como transcorreu a conversa.
— Tinha morado em Nova York quando a ditadura apertou por aqui. Fiz muitos contatos, que sempre me ajudaram na organização dos festivais de cinema. Spike esteve no Brasil e o único cineasta brasileiro que quis entrevistar foi a mim. Porque ele sabia do meu comprometimento com os irmãos africanos e em fazer com que o cinema seja ferramenta de luta.
Zózimo já estava enfraquecido pelo câncer que enfrentava havia alguns anos. Falava com dificuldade. Estava muito atento ao noticiário e enalteceu a figura do presidente do STF, Joaquim Barbosa, na condução do julgamento do mensalão.
— Que maravilha de atuação. Impôs-se com rigor e inteligência como não se via há muito.
A ministra da Cultura Marta Suplicy divulgou nota de pesar:
"Zózimo Bulbul teve uma trajetória fantástica, reconhecida. Mais que um ícone do seu tempo, é alguém que rompe paradigmas, faz o novo e por isso se torna conhecido no Brasil e no exterior. Ele nos deixa o exemplo de quem sempre quis fazer mais e melhor. E fez."

VEJA MAIS FOTOS DO VELÓRIO DE ZÓZIMO BULBUL
























segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

FIFA DISCUTIRÁ PUNIR COM EXTREMO RIGOR CASOS DE RACISMO NOS ESTÁDIOS


Edição:Adilson Gonçalves 
O Comitê de Estratégia da Fifa se reunirá em Zurique, na Suíça, no próximo dia 15 de fevereiro, para estudar punições mais rigorosas nos casos de racismo no futebol mundial. A atacante brasileira Marta representará os jogadores durante o encontro.
O presidente Joseph Blatter já acenou com a possibilidade de rebaixar equipes envolvidas em episódios de preconceito racial.
- O mundo todo combate o racismo e a discriminação. O futebol é parte da sociedade e deve ser exemplo. Sem punições severas, nada mudará - disse o mandatário em evento na Rússia, sede da Copa do Mundo de 2018, durante encontro com representantes do comitê local da competição.
A Fifa entende que multas e portões fechados não são mais suficientes para erradicar o problema do futebol porque não atingem os responsáveis pelos atos ofensivos.
- Podemos analisar, deduzir pontos do time na competição ou até aplicar o rebaixamento - apontou

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA CONTINUA


Edição: Adilson Gonçalves Fonte Diario Preto
Um menino de 10 anos ao ver a noticia sobre a morte de “Samambaia” – Raimundo Matias Dantas Neto na internet (*Google) indaga a mãe.

Filho: 
- A escravidão acabou mãe?
Mãe:
-Sim meu filho.
Filho:
-É verdade que ainda matam os negros por causa de nossa cor?
Mãe:
- Sim meu filho, ainda nos caçam, nos matam aos montes...
Filho:
- E o que as pessoas dizem?
Mãe:
-Nada meu filho!
Filho:
- Então eu posso ser morto?
Mãe ( Com lagrimas nos olhos junta o filho ao peito ):
- Dorme meu filho... A Mamãe esta aqui.

Jairo Pereira.
A verdade na cara parece pior... Mas é a verdade.


Diário Preto
Contra o Genocidio da Juventude Negra.

domingo, 6 de janeiro de 2013

SETE PESSOAS SÃO CHACINADAS EM SÃO PAULO; ENTRE ELAS, DJ LAH, PARCEIRO DE MANO BROWN


 Edição: Adilson Gonçalves Fontes: R7/ Geledes
O corpo do DJ Laércio de Souza Grimas, 33 anos, foi enterrado neste domingo, dia 06, no cemitério dos Jesuítas, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O músico foi assassinado a tiros na chacina em um bar que vitimou, ao todo, sete pessoas na madrugada de sábado na capital paulista. De acordo com o delegado Luiz Maurício Blazeck, que investiga o caso, o alvo da chacina poderia ser o DJ, conhecido como Lah. Ele foi morto com 15 tiros, nove deles pelas costas.
Segundo o site, os tiros também acertaram o rapper 2Pac, do grupo Sintônia Lado Sul. Eles está internado em um hospital. Os moradores evitam dar maiores detalhes sobre o crime. Eles se dizem ameaçados desde a execução de um pedreiro pela Polícia Militar, no ano passado. O bar, onde aconteceu a chacina, fica em frente à casa onde o pedreiro teria sido executado.
Com o primeiro CD gravado em 1998, o Grupo Conexão do Morro tinha entre os admiradores Mano Brown, o mais influente rapper brasileiro. Um dos temas preferidos do "Conexão" era o protesto contra a repressão policial.Ainda de acordo com o site, "DJ Lah tinha 33 anos e deixa quatro filhos, amigos e família inconformados com tamanha covardia".
Segundo informações da polícia, quatro veículos foram utilizados no crime, que foi cometido por cerca de 14 pessoas na região do Campo Limpo, zona sul de São Paulo. Mais de 50 tiros teriam sido efetuados. Entre os feridos, uma vítima continua internada em estado grave e outra, atingida na perna, recebeu alta.      
    Além do DJ Lah, morreram na chacina Carlos Alexandre Claudino da Silva, 27 anos, Bruno Cássio Cassiano de Souza, 17 anos, João Batista Pereira de Almeida, 34 anos, Edmílson Lima Pereira Santos, 27 anos, e Ricardo Genuíno da Silva, 39 anos, e Ricardo Almando Salgado dos Santos Júnior, 41 anos, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública.