segunda-feira, 2 de setembro de 2013

ESPECIALISTAS PEDEM MAIS RIGOR CONTRA CRIMES RACIAIS DURANTE AUDIÊNCIA PÚBLICA NA CÂMARA LEGISLATIVA DO DF

EDIÇÃO:ADILSON GONÇALVES FONTE E TEXTO:MARCO TÚLIO ALENCAR / CLDF
Uma mudança na legislação que acabe com o "abrandamento" da punição dos culpados por crimes de racismo, com o fim da tipificação desses atos como injúria; a criação de uma delegacia especializada para atender casos dessa natureza; e a garantia de atendimento às vítimas e aos agressores foram os principais pontos apontados para a busca de soluções deste problema durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (28), na Câmara Legislativa.
Autor da iniciativa do debate, que reuniu especialistas de órgãos governamentais e da sociedade civil, o deputado Cláudio Abrantes (PT) disse que a sociedade não está disposta a tolerar casos de racismo. "A população está mais consciente e mais preparada para combater esse tipo de delito. E para que possamos nos ver como uma verdadeira nação, é necessário desenvolver um caráter de igualdade em todos os níveis", afirmou.
A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) lembrou que os crimes de violência doméstica diminuíram quando entrou em vigor a Lei Maria da Penha, que é aplicada com rigor. "A tipificação de atos de racismo como crimes de injúria fere o sentido da própria lei que trata o racismo como um crime grave e, por isso, inafiançável", observou.
Vários cidadãos brasilienses vítimas de atos de racismo também depuseram durante a audiência pública, contando suas histórias e as conseqüências da discriminação. "Fiquei um ano sem poder trabalhar, pois aquilo me afetou física e psicologicamente", contou a nutricionista Elaine da Silva.

Discriminação – Para o coordenador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF, Ulisses Borges de Rezende, ainda há muita discriminação. "Até mesmo quando se busca as autoridades para denunciar um caso", acrescentou.
O defensor público Vinícius Fernando dos Reis Santos lembrou que, nesta data, há 50 anos, o líder negro norte-americano Martin Luther King pronunciou o seu célebre discurso "I have a dream" (eu tenho um sonho), no qual pediu que as pessoas fossem julgadas pelo seu caráter e não pela cor da pele.
O promotor Thiago André Peirobom de Ávila explicou as ações da Coordenadoria de Direitos Humanos do Ministério Público do DF no combate ao racismo. E recorreu ao diretor da Polícia Civil, Jorge Luiz Xavier, que participou do debate, para que seja instalada uma delegacia especializada no enfretamento ao racismo.
Do GDF, também estiveram presentes na audiência pública Júlio Romário da Silva, da Casa Civil; e o Secretário de Promoção e Igualdade Racial, Viridiano Custódio de Brito, quem propôs uma parceria com o Ministério Público para a realização de campanha educativa sobre o tema.



sábado, 31 de agosto de 2013

DOIS MÉDICOS CUBANOS, MÃE E FILHO, SÃO HUMILHADOS E DISCRIMINADOS EM ITAGUAÍ, RIO DE JANEIRO, E SAEM CHORANDO DO HOSPITAL


Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Conexão Jornalismo Texto: Fábio Lau
Dois médicos cubanos foram vítimas de ofensas morais e discriminação quando realizavam plantão no Hospital Municipal de Itaguaí. Eles já residem no Brasil há mais de 15 anos e tem registro expedido pelo Conselho Regional de Medicina (CRM). Quando dariam início ao plantão, os estrangeiros tiveram as camas retiradas do dormitório para que não dormissem no mesmo espaço destinado aos brasileiros. Além disso, na parede do dormitório foram pichadas frases que exigiam sua saída do Brasil: "fora médicos gringos", dizia.

A ação dos médicos no Rio ocorre alguns dias após a primeira manifestação de preconceito praticada contra os profissionais cubanos em Fortaleza, no início da semana. Sob vaias e gritos ofensivos, os profissionais vieram atender ao programa Mais Médicos instituído pelo governo Federal. 

O preconceito e a falta de respeito aumentaram "consideravelmente", segundo revelaram médicos de Itaboraí que pediram para não ser identificados.

Testemunhas que viram o ataque de discriminação em Itaboraí disseram que tudo teve início a partir de um mal entendido envolvendo o atendimento a uma criança. 

A doutora Candelária é cubana de nascimento, mas casada com um brasileiro. Seu filho, Islem, também médico e igualmente discriminado, tem todos os registros para trabalhar no Brasil. Testemunhas afirmam que os dois saíram chorando da unidade hospitalar onde Candelária trabalha há 15 anos. Até hoje, afirmaram, jamais haviam sido vítimas de qualquer tipo de manifestação preconceituosa. Com a saída dos médicos da unidade municipal de Itaboraí, permaneceu sozinha no plantão a médica também cubana de nome Emma. 

O problema envolvendo a criança, que teria dado início ao conflito, ainda permanece confuso. Segundo apurado por Conexão, os pais da criança queriam mantê-la na unidade, embora seu estado de saúde não oferecesse maiores riscos. A família teria plano de Saúde do Bradesco. O conflito teria provocado a reação de discriminação. Com a confusão, alguns funcionários insatisfeitos com a presença dos estrangeiros retiraram as camas destinadas aos dois cubanos e picharam na parede a mensagem pedindo que deixem o país. 

O diretor do hospital no turno da manhã, que presenciou a cena, pediu desculpas aos dois médicos ofendidos. Entretanto eles, se dizendo humilhados, acabaram saindo do hospital. 

Outros estrangeiros garantiram que a discriminação contra o trabalho de profissionais de outros países aumentou consideravelmente nos últimos dias: "insuportável!", resumiu uma estrangeira que pediu para não ser identificada.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

OS 50 ANOS DO DISCURSO DE MARTIN LUTHER KING NO RELATO DE TRÊS PERSONAGENS PRESENTES ÀQUELE MOMENTO HISTÓRICO

Edição: Adilson Gonçalves Fonte Terra
Texto e fotos Carla Ruas
O 28 de agosto de 1963 foi um divisor de águas nos Estados Unidos. Naquele dia de verão, mais de 250 mil pessoas participaram da Marcha por Trabalho e Liberdade, na capital Washington, para pedir igualdade racial. Dentre os diversos líderes que subiram em um palco montado nas escadarias do Lincoln Memorial, um se destacou: Martin Luther King. O seu discurso "I have a dream" ("Eu tenho um sonho", na tradução do inglês), que faz 50 anos nesta quarta-feira, ajudou a impulsionar medidas que mudaram para sempre a trajetória dos negros nos Estados Unidos.
Já haviam ocorrido muitos protestos contra a segregação racial no país, mas nenhum tinha sido tão grande como a marcha de 1963. Um momento histórico que alavancou a criação da Lei dos Direitos Civis (1964) e da Lei dos Direitos de Voto (1965) e que ficou na memória de muita gente. O Terra conversou com três pessoas que estavam lá e fizeram parte desta história: um militante dos direitos civis, um funcionário do escritório do presidente John F. Kennedy e um fotógrafo que estreiou como profissional registrando o mar de gente naquela tarde quente de agosto.
O militante incansável
Jim Crocket lembra bem daquela quarta-feira, em 1963. Aliás, sua memória é impressionante para quem já viveu 88 anos. "Estava muito quente e quando eu cheguei já tinha um mar de pessoas. Mas eu fiquei encantado, e perguntava para todo mundo de onde vieram, porque algumas pessoas tinham viajado dias para chegar lá", recorda.
Para participar da marcha, Crocket também teve que fazer sacrifícios: faltou ao trabalho e viajou uma hora de ônibus até a capital. Mas para ele foi uma decisão muito natural. Desde os anos 1940 ele vinha participando do movimento dos direitos civis. Numa fotografia de 1951 ele aparece com apenas 23 anos, protestando em frente a um teatro que barrou a sua entrada só porque ele era negro.
"Eu frequentei escolas segregadas, não pude entrar em certos restaurantes e durante a segunda guerra vi prisioneiros serem tratados melhor do que eu."Jim Crocket
Este foi apenas um dos preconceitos que Crocket enfrentou na sua vida. Mesmo após a abolição da escravatura, os negros continuaram sendo considerados cidadãos de segunda classe nos Estados Unidos. “Eu frequentei escolas segregadas, não pude entrar em certos restaurantes e durante a segunda guerra vi prisioneiros serem tratados melhor do que eu”, lamenta.
Depois da guerra, Crocket se tornou bombeiro, mas logo percebeu que jamais seria promovido por causa da sua cor. Por isso resolveu fazer curso superior e, em 1963, foi um dos primeiros negros a entrar na universidade Johns Hopkins, em Baltimore. Após completar o curso de administração, abriu uma imobiliária bem-sucedida, que existe até hoje. “Mas nada disso seria possível sem as vitórias do movimento”, garante.
O funcionário de Kennedy
Alfred Boyd, hoje com 83 anos, também admirou a multidão ao chegar na marcha em 1963. Mas a sua motivação para ir ao evento não veio das ruas, e sim de dentro do seu escritório: Ele trabalhava para a administração do presidente John F. Kennedy, onde tentava promover legislações que melhorassem a vida dos negros.
Boyd veio de uma família com uma trajetória dentro do movimento dos direitos civis. A sua prima Mary McCloud, é uma figura conhecida por ter buscado o direito ao voto e educação para mulheres negras na década de 1920. Mary, cujos pais tinham sido escravos, se tornou conselheira e amiga pessoal do presidente Franklin Roosevelt. Boyd quis continuar esta trajetória. Por isso, depois que Kennedy foi assassinado em novembro de 1963, ele continuou atuando no governo do presidente Lyndon B. Johnson, que assumiu o cargo. O seu trabalho era criar projetos sociais e econômicos para os negros no Escritório de Administração e Orçamento. 
Mas ele admite que as grandes mudanças só aconteceram depois da marcha em Washington: “O movimento mostrou para o mundo inteiro a discriminação que sofriam as minorias. E o governo se sentiu obrigado a passar legislações que mudaram completamente o jogo”.
"O movimento mostrou para o mundo inteiro a discriminação que sofriam as minorias".
Alfred Boyd
O fotógrafo
Existem muitas fotografias que compõem o imaginário da Marcha em Washington por Trabalho e Liberdade. Algumas dessas imagens foram tiradas por Rowland Scherman, hoje com 67 anos. E ele nunca vai esquecer daquele dia, afinal, fotografar a marcha foi o seu primeiro trabalho profissional.

"Eu entrei num verdadeiro transe, e fotografei o dia inteiro sem parar para comer ou beber", lembra Rowland Scherman, hoje com 67 anos
“Eu entrei num verdadeiro transe, e fotografei o dia inteiro sem parar para comer ou beber”, lembra. E como ele estava trabalhando para a Agência Nacional da Informação (USIA) e não para a imprensa, tinha mais liberdade sobre o que fotografar. Scherman escolheu focar suas lentes nas expressões dos participantes, o que hoje compõem um importante arquivo visual e histórico do evento.

Num dos seus retratos, o fotógrafo captou a jovem Edith Payne, de apenas 12 anos, olhando direto para a câmera. “Eu vi umas pessoas rindo e outras chorando, até que ela me chamou a atenção. Ela era tão jovem e estava tão envolvida”, descreve. A imagem virou um dos símbolos do movimento dos direitos civis, já que simboliza as novas gerações e a esperança de um futuro melhor.

"NÃO SOMOS ESCRAVOS E NEM VIEMOS AO BRASIL PARA TOMAR OS EMPREGOS DOS BRASILEIROS", DIZ MÉDICO CUBANO HOSTILIZADOS PELO SINDICATO DOS MÉDICOS DO CEARÁ

Edição Adilson Gonçalves Fonte: Carta Capital 
Jarbas Oliveira/ FSP
Juan Delgado, um dos médicos cubanos vaiados na terça-feira 27 em Fortaleza por colegas brasileiros, disse que Não entendeu por que foi chamado de "escravo" durante um protesto realizado pelo Simec (Sindicato dos Médicos do Ceará) à saída de um curso de preparação do programa Mais Médicos.
"Me impressionou a manifestação. Diziam que somos escravos, que fôssemos embora do Brasil. Não sei por que diziam isso, não vamos tirar seus postos de trabalho", afirmou o médico ao jornal Folha de S. Paulo. "Isso não é certo, não somos escravos. Seremos escravos da saúde, dos pacientes doentes, de quem estaremos ao lado todo o tempo necessário (...) Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres prestar assistência."


Ainda segundo o jornal, Delgado diz que já trabalhou no Haiti e que o desconhecimento do português não deverá ser um empecilho. Ele ainda disse que seus colegas não deverão voltar a Cuba, pois seu desejo é atender à população brasileira.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ATOS DE RACISMO E XENOFOBISMO MARCAM CHEGADA DE MÉDICOS CUBANOS AO BRASIL

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Blog Ricardo Kotscho
Aos gritos de "escravos!" cerca de 50 médicos cearenses liderados pelo presidente do seu sindicato, José Maria Pontes,  fizeram um "corredor polonês" para impedir a saída de 79 médicos cubanos ao final do primeiro dia do curso do Mais Médicos na Escola de Saúde Pública do Ceará, em Fortaleza, na noite desta segunda-feira. "Não aceitamos que eles apenas passem por uma avaliação de português e Sistema único de Saúde", pontificou o presidente do sindicato. Quem lhe concedeu esta autoridade?
O governo teve que pedir reforço policial quando os médicos brasileiros tentaram invadir o prédio, depois de cercar todas as saídas, obrigando os médicos cubanos a permanecer por mais 40 minutos no saguão da escola, enquanto autoridades tomavam providências para evitar um conflito maior.
Segundo a Agencia Estado, a polícia acompanhou o protesto de perto, mas não interveio, quando os cubanos finalmente saíram, sob os xingamentos dos seus colegas cearenses, em direção ao 23º Batalhão de Caçadores do Exército, ondre estão hospedados. Alguns jovens com a bandeira de Cuba que assistiam à cena chamaram os médicos brasileiros de "mercenários".
Pode parecer ironia, mas Fortaleza é conhecida como a cidade da hospitalidade. Pelo menos era, até última vez em que estive por lá.
É este o resultado da campanha insana deflagrada por parte da classe médica, suas entidades representativas e setores da mídia contra a vinda de 400 profissionais cubanos para trabalhar no programa Mais Médicos.
De vez em quando, dá até vergonha de ser brasileiro, como aconteceu comigo ao ver a foto de Jarbas Oliveira na capa da Folha, em que aparece um médico cubano que passa altivo, mas assustado, pelo "corredor polonês", sendo xingado por jovens de jaleco branco com as mãos abertas em forma de concha na boca como se vê em protestos estudantis.
Toda a polêmica criada nos últimos dias sobre a vinda de médicos cubanos para suprir as carências de assistência à saúde das populações mais pobres do país _ ainda temos 701 municípios sem nenhum médico residente _ agitou as redes sociais neste final de semana e serviu para revelar como podem ser desumanos e hipócritas os que colocam seus interesses pessoais, profissionais, partidários ou ideológicos acima das necessidades básicas de sobrevivência dos brasileiros que não têm acesso ao SUS, muito menos aos planos de saúde.

É como se fossem dois países chamados Brasil: um, daqueles que têm todos os direitos garantidos e não abre mão dos seus privilégios assegurados pelo Estado desde Cabral ( o Pedro Álvares), dispondo de alguns dos melhores hospitais do mundo; outro, o dos que se virem por conta própria com benzedeiras, rezas e curandeiros. Para deixar bem claro: é desumana a campanha não contra a vinda dos médicos cubanos, que chegaram ao Brasil felizes da vida, mas contra os pacientes pobres brasileiros sem assistência.
A ofensiva contra o Mais Médicos criado para trazer profissionais do exterior e instalá-los nas regiões onde os brasileiros se recusam a trabalhar, começou logo após o programa ser lançado pelo governo federal por medida provisória em julho, e ganhou mais força com a chegada dos primeiros profissionais cubanos na semana passada.
Boa parte da classe médica brasileira e suas entidades representativas, numa violenta demonstração de xenofobia e corporativismo, foram às ruas para fazer protestos com narizes de palhaço e ocuparam espaços generosos na mídia para declarar guerra ao governo, mas não apresentaram nenhuma proposta alternativa parar minorar o sofrimento de milhões de brasileiros abandonados à sua própria sorte nas regiões mais remotas do país e nas periferias das grandes cidades.
Em seus argumentos hipócritas (não confundir com o juramento a Hipócrates), mostraram-se preocupados com a formação dos médicos estrangeiros e sua capacidade de atender com qualidade à população, como se o trabalho deles fosse uma maravilha de dedicação e competência em todos os hospitais e postos de saúde públicos.
Preocuparam-se até com os salários de R$ 10 mil pagos aos médicos cubanos, acertados num convênio do Ministério da Saúde com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), porque uma parte será repassada ao governo cubano, que os formou, ficando uma parcela de 25% a 40% para os profissionais. Chegaram a classificar esta medida, semelhante à estabelecida pela Opas com outros 58 países, como "trabalho escravo".
"Nós somos médicos por vocação e não por dinheiro. Trabalhamos porque nossa ajuda foi solicitada, e não por salário, nem no Brasil nem em nenhum lugar do mundo", rebateu o médico cubano Nélson Rodriguez, um dos primeiros 206 profissionais daquele país que desembarcaram sábado no Brasil.
Além da Opas, o programa Mais Médicos recebeu a aprovação da Organização Mundial de Saúde e, segundo as pesquisas mais recentes, é apoiado por 54% da população brasileira(contra 47% no final de junho). Entre quem apontou o PT como seu partido de preferência, este número sobe para 62%. Já entre os que preferem o PSDB, a maioria (49%) respondeu que é contra a importação de médicos, números que podem explicar o Fla-Flu nas redes sociais que é dominado por baixarias de todo tipo.
De outro lado, sete entre nove cartas sobre a polêmica publicadas nesta segunda-feira no "Painel do Leitor" da Folha dão seu apoio à importação de médicos estrangeiros e fazem duras críticas aos médicos brasileiros. Melhor é deixar o povo falar o que pensa.
Alguns exemplos:
Jalson de Araújo Abreu (São Paulo, SP): "O exame Revalida, ao qual médicos formados no exterior estão sujeitos, deveria ser aplicado nos formandos brasileiros. Esperamos que não confirme o resultado do exame do Cremesp, que reprovou 80% dos avaliados".
Alcides Morotti Junior (São Roque, SP): Os médicos cubanos que disseram que são médicos por vocação, e não por dinheiro, estão seguindo o juramento de Hipócrates. Já os brasileiros _ pelo menos a grande maioria _, não."
Luiz Carlos Roque da Silva (São Paulo, SP): "É incrível a atitude da maioria dos doutores contra o Mais Médicos: eles não vão para as regiões carentes e não deixam ninguém ir. Agora, vendo que a população apoia o programa, concentram-se nos cubanos. Estes já estão no Haiti, na África, no norte do Brasil. Os nossos, não. O mesmo se dá com os Médicos sem Fronteiras que arriscam a vida na Síria.".
Carlos Roberto Penna Dias dos Santos (Rio de Janeiro, RJ): "Gostaria de condenar a campanha que a máfia de branco está fazendo contra o programa Mais Médicos. A histeria destas entidades médicas lembra o macarthismo. Tenho certeza de que a maioria da população apoia a vinda dos médicos estrangeiros e repudio a posição nazifascista de algumas entidades".
Edgard Gobbi (Campinas, SP): "Um jornalista flagrou uma médica da Prefeitura de São Bernardo do Campo batendo o ponto e indo atender pacientes no seu consultório. Será que ela aprendeu com aquela médica de Ferraz de Vasconcelos quer marcava ponto com dedos de silicone com a impressão digital de outros médicos? E alguém duvida que a prática é comum no Brasil?"
Entre as duas cartas críticas, uma foi enviada pelo médico Fernando Piason França, de São Paulo, SP. Só pode ser deboche:
"Há uma determinação para que médicos não circulem pelas ruas de jalecos por questão de higiene. Os cubanos desembarcaram no aeroporto assim trajados. Nem começaram a já cometeram a primeira infração. Mau começo".
Se todas as infrações cometidas diariamente por médicos brasileiros se limitassem a isso, estaríamos bem servidos. Aliás, se eu for atropelado daqui a meia hora na esquina de casa e aparecer alguém de jaleco branco, não vou querer saber de onde vem, não vou lhe pedir o currículo. Basta que ele salve a minha vida.
Não se trata de discutir o regime cubano nem a legislação trabalhista vigente naquele país. Não é problema meu. Neste ponto, estou absolutamente de acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, quando ele diz:
"Quem tem crítica pode fazer sugestões para aprimorar. Agora, não venham ameaçar a saúde da população que não tem médicos".
É este o ponto. O resto é querer se aproveitar de uma solução de emergência, por todas as razões necessária, para criticar o governo, seja o do Brasil ou o de Cuba ou o de qualquer outro país que nos possa ajudar a enfrentar este gravíssimo problema da população ainda desassistida de saúde pública _, entre outros motivos, porque a maior parte dos nossos médicos não parece preocupada com isso.

sábado, 24 de agosto de 2013

PRESIDENTE DO STF, JOAQUIM BARBOSA É O DESTAQUE NA PRIMEIRA PÁGINA NA EDIÇÃO DO NEW YORK TIMES DESTE SÁBADO

Edição Adilson Gonçalves Fonte Revista Exame

Jornal americano destaca a coragem do presidente

 do STF para "perturbar" o status quo no Brasil


São Paulo – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, ganhou um grande espaço no The New York Times neste sábado. O ministro conhecido pelo temperamento explosivo foi o personagem do Saturday Profile, tradicional espaço do jornal americano.
"Ele (Barbosa) é a força motriz por trás de uma série de decisões socialmente liberais e que mexem com o establishment, tornando a mais alta corte do Brasil – e ele em particular – em um poder político recente e objeto de fascínio popular", ressalta o correspondente Simon Romero.
No entanto, apesar de estar na crista da onda popular, devido ao julgamento do mensalão, das decisões sobre casamento gay e das ações "afirmativas" em relação às cotas nas universidades públicas, o ministro voltou a ser taxativo. "Eu não sou candidato a nada", disse.
O New York Times lembrou a origem humilde de Barbosa e a trajetória da sua carreira em Brasília e no exterior. O jornal também deu destaque para as recentes polêmicas envolvendo o chefão do STF, como a que ele teria evitado pagar altos impostos com a compra de um apartamento em Miami.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

NOITE DE GALA DO RAP NACIONAL DA MTV É ADIADA PARA SÁBADO

Estava previsto para esta quinta-feira (22) o ‘Especial Yo! MTV’!, evento organizado pela MTV Brasil que comemoraria do Dia do Rap. Porém, o mesmo teve que ser transferido para o próximo sábado (24).

A emissora informou que está cumprindo ordens estabelecidas pelo Ministério Público e pela Companhia de Engenharia de Tráfego, devido ao crescimento do evento. “Apesar de estar fora dos planos, acreditamos que a mudança das apresentações para o sábado facilitará ainda mais o acesso do público fã de rap ao evento, seja pela transmissão da TV, da internet, ou mesmo presencialmente“, afirma a emissora. Comandada pela VJ Pathy DeJesus, KL Jay, Thaíde, Primo Preto e P-Funk, a programação começará à 0h do sábado (24), e será inteira dedicada ao Rap. Contando com documentários temáticos, exibição de clipes encomendados pelos próprios rappers, arquivos históricos que vão desde a partida de basquete entre Rappin Hood e Sabotage ao show que aconteceu em 1995 em comemoração aos 300 anos de Zumbi dos Palmares, homenagens aos clássicos do gênero e uma série de shows ao vivo. Na porta da MTV Brasil estão confirmadas as apresentações de grandes nomes do rap nacional como Edi Rock, Rappin Hood, Funk Buia (Z’Africa Brasil), Johny MC, Rael, Emicida, Dexter, Sandrão, Negra Li, Thaíde, Sombra e Potencial 3.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

COMUNIDADE NEGRA NORTE AMERICANA COMEMORA NESTE SÁBADO OS 50 ANOS DO DISCURSO DE MARTIN LUTHER KING

Edição: Adilson Gonçalves Fonte : Terra
Líderes da comunidade negra em Atlanta, nos Estados Unidos, celebram neste sábado os 50 anos da "Marcha de Washington" e do histórico discurso do ícone do movimento dos direitos civis, Martin Luther King Jr., ao lembrar que a luta pela igualdade das minorias continua nos Estados Unidos.
Foi nessa marcha, diante de mais de 250 mil pessoas, em frente ao monumento a Lincoln e sob o lema "Trabalhos e Liberdade", em 28 de agosto de 1963, que King fez o histórico discurso "Tenho um Sonho" sobre a igualdade racial e de oportunidades.
"A luta pelos direitos civis é muito relevante agora porque o doutor King foi pioneiro no uso da não violência como veículo da mudança social"
Steve Kleindiretor do Centro King
Essa manifestação, realizada no auge da luta pelos direitos civis dos negros e contra da segregação racial institucionalizada, exigia o acesso "pleno e justo" ao direito ao voto, empregos, casa e a educação integrada.
O Centro King em Atlanta, o maior arquivo mundial de arquivos sobre a vida e obra de Luther King e do movimento dos direitos civis, inaugurou neste sábado a "Exposição Global pela Liberdade" para celebrar seu legado e, sobretudo, fazer um chamado para que a luta pela justiça social continue.
"Estamos realizando este programa hoje em Atlanta porque é a comunidade na qual nasceu e cresceu Martin Luther King, e onde está enterrado e porque muitas pessoas não poderão assistir aos atos oficiais em Washington", disse em entrevista Steve Klein, diretor de comunicações do Centro King.
Muitos grupos defensores dos direitos humanos, dos imigrantes e dos latinos adaptaram as doutrinas de King", acrescentou. King e outros líderes da época desfraldaram a causa da justiça social, optando pela via pacífica para combater leis que segregavam brancos e negros nas escolas, cafeterias e restaurantes, ônibus, alojamentos e demais lugares públicos."A luta pelos direitos civis é muito relevante agora porque o doutor King foi pioneiro no uso da não violência como veículo da mudança social, começando pelo boicote dos ônibus em Montgomery (Alabama) na década de 1950", ressaltou Klein.
Segundo Klein, embora essa luta tenha produzido um grande avanço social para as minorias, "ainda há muito por fazer" e as comunidades negra e latina e demais grupos étnicos "devem se unir para repelir leis repressivas que assediam as minorias e buscam suprimir seu voto".

"Ao celebrar o 50º aniversário do discurso, devemos lembrar que Luther King lutou até seus últimos dias de vida e que as minorias e também os brancos oprimidos tem que criar uma nova e poderosa coalizão não violenta que encaminhe os Estados Unidos rumo à realização do sonho de Luther King", reforçou.
Os atos do Centro King, co-patrocinados pela cidade de Atlanta e um grupo de organizações cívicas, incluem shows ao ar livre, atividades para crianças e um filme sobre a marcha narrado pelo ator Denzel Washington.
A exposição culminará com uma vigília na qual os presentes depositarão velas flutuantes para iluminar a fonte cristalina que rodeia seu túmulo em Sweet Auburn em Atlanta, onde jazem seus restos desde 1977.
Essa cerimônia contará com a participação do presidente Barack Obama e seus antecessores democratas, Jimmy Carter e Bill Clinton; parentes de Luther King; líderes políticos, ativistas comunitários de todo o país e artistas internacionais, diz a página oficial dos atos "www.officialmlkdream50.com".
A marcha de Washington e o discurso de Luther King ajudaram a construir o caminho para a ratificação da vigésima quarta emenda da Constituição, que eliminou a restrição cobrada nas urnas e a aprovação da Lei dos Direitos Civis de 1964, que proibiu a segregação racial em todas as instituições públicas e nos lugares de emprego.

DELEGAÇÃO DE FACULDADES E UNIVERSIDADES NEGRAS NORTE AMERICANA ESTÁ NO BRASIL EM BUSCA DE ACORDOS ACADÊMICOS

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Terra


Instituições querem aumentar o número de estudantes brasileiros nos Estados Unidos por meio do programa Ciência sem Fronteiras
Uma delegação representando 105 faculdades e universidades historicamente negras nos Estados Unidos (HBCUs, na sigla em inglês) chegaram ao Brasil nesta segunda-feira para uma visita de dez dias a universidades e escolas técnicas brasileiras em busca de acordos de intercâmbio acadêmico.
Parceira do Brasil desde o ano passado no programa federal Ciências Sem Fronteiras, as HBCUs receberam aproximadamente 350 alunos brasileiros neste semestre e esperam mais 150 no semestre para estudarem durante um ano nos EUA.
O chefe da comitiva e diretor da Iniciativa da Casa Branca para Faculdades e Universidades Historicamente Negras, Meldon Hollis, explicou que a meta do acordo é levar cerca de mil alunos no ano que vem para estudarem nas HBCUs pelo programa Ciências Sem Fronteiras, além de expandir acordos bilaterais entre as universidades dos dois países.
Nessas instituições é possível aprender também sobre a cultura e a história dos povos africanos
Meldon Hollisdiretor da Iniciativa da Casa Branca para Faculdades e Universidades Historicamente Negras
"Queremos que os brasileiros conheçam melhor nossas instituições e queremos conhecer melhor as instituições brasileiras. Já recebemos professores brasileiros e estamos providenciando bolsas para nossos estudantes e professores virem para cá", disse Hollis. "Alguns professores devem vir ensinar inglês aos alunos que estiverem indo estudar nas HBCUs que têm dificuldade com o idioma".
As HBCUs foram fundamentais para a inclusão de afro-americanos na formação de nível superior até 1964, quando uma lei federal (American Civil Rights Act) tornou ilegal a proibição de estudantes negros em instituições de ensino superior, prática exercida por vários estados no Sul dos EUA. Hollis, que é negro, disse que ainda estudante, na década de 1960, foi obrigado a se mudar da Georgia para Washington para fazer faculdade.
"Queria ser engenheiro, mas não havia universidades de engenharia para negros no estado onde eu morava. As universidades não aceitavam negros, então meu estado pagou para que eu estudasse em uma faculdade em outro estado", disse.
Hollis explicou que quase 50 anos depois da lei que possibilitou aos negros nos Estados Unidos frequentarem qualquer universidade, as HBCUs continuam a desempenhar um papel importante na inclusão social desse grupo, que ainda enfrenta obstáculos no acesso ao ensino superior.

"Embora tenhamos cerca de 3 mil instituições de nível superior nos EUA, a maioria dos estudantes negros vem das HBCUs. Na maioria dos estados onde existem HBCUs, essas instituições são as que mais empregam profissionais afro-americanos, que mais formam PhDs", disse ele, que citou o líder negro Martin Luther King e a apresentadora Oprah Winfrey como exemplos de personalidades negras americanas que se formaram em HBCUs.
Entre 60% e 70% dos mais de 300 mil estudantes das HBCUs são negros, segundo Hollis, que encontram nessas instituições apoio para superar preconceitos raciais e capacitação acadêmica. "Nessas instituições é possível aprender também sobre a cultura e a história dos povos africanos", completou.
A maioria dos brasileiros que cursam as HBCUs atualmente são brancos, mas o chefe da comitiva acredita que as futuras parcerias tendem a aumentar o número de estudantes negros nas instituições.
A diretora da área de Serviços Instrucional e para Estudantes da escola técnica J. F. Drake State, no Alabama, Patrícia Sims, acredita que as HBCUs podem contribuir para o empoderamento dos estudantes negros brasileiros. "O acesso é o que oferecemos de mais relevante e é o que queremos oferecer para os estudantes brasileiros", disse.
Para a representante da Universidade Jackson State, no Mississipi, Patricia Jernigan, assim como ocorre no Brasil, muitos estudantes negros, pela falta de acesso a boas escolas, não conseguem entrar na faculdade ou quando entram não conseguem concluí-la. "Nas HBCUs temos programas para garantir que esses alunos recebam todos os recursos necessários para concluir com sucesso os cursos em que estão", disse. "Nossas escolas recebem estudantes muito preparados, mas essas instituições foram especialmente criadas para receber alunos não tão preparados, por isso não recuamos em nossa missão. Esperamos que essa experiência que adquirimos possar ser útil para instituições no Brasil".
De acordo com a diretora da Faculdade de Administração da Universidade do Alabama, Le-Quita Booth, as HBCUs criam um ambiente de cuidado e proteção para afrodescendentes de outros países. "Nas demais universidades, ele (aluno negro) é apenas mais um estudante estrangeiro. Nas HBCUs é como se fosse acolhido por uma família e tomamos cuidado especial para garantir que o aluno tenha êxito no curso", disse.
No Rio, as instituições visitadas serão IBMEC, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), Pontifícia Universidade Católica (Puc-Rio), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).
Além das visitas marcadas no Rio de Janeiro, o grupo tem reuniões agendadas com universidades em São Paulo, Campinas, São Carlos, Ribeirão Preto, Uberlândia, Goiânia, Brasília, Juiz de Fora, Ouro Preto, Belo Horizonte e Salvador. Ao final do programa todos se reunirão em Brasília para encontros com representantes do Ministério de Educação.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

HÁ 50 ANOS, JAMES MEREDITH TORNAVA-SE O PRIMEIRO NEGRO A SE FORMAR EM DIREITO NA UNIVERSIDADE DE MISSISSIPI

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: PCO

Em 18 de agosto de 1963, o estudante de militante da causa negra, James Meredith, se tornou o primeiro negro a se formar na Universidade do Mississipi, sul dos Estados Unidos, um dos estados mais conservadores e racistas dos EUA.
Dois anos antes o estudantes negro já havia causado revolta no estado em virtude de ter se inscrito na universidade. Ele enfrentou a ira e os protestos dos brancos racistas do Mississipi.
Ainda vivo, com 80 anos de idade, Meredith afirmou que o objetivo principal da ação era pressionar o governo a garantir e ampliar os direitos civis à população negra em todo o país.
Meredith nasceu em Kosciusko, no então segregado Mississipi. Depois de estudar em escolas só permitidas para negros, alistou-se nas Forças Armadas e serviu a Aeronáutica de 1951 a 1960.
No final de 1961 decidiu pedir transferência para a Universidade do Mississipi que à época estava sob os ditames da legislação racista do Estado, e assim só aceitava estudantes brancos. O Mississipi estava em desacordo com a decisão da Suprema Corte, que em 1954, no caso Brown vs. Education, já havia determinado que o racismo não poderia ser usado em instituições de ensino.
Obviamente a universidade não quis aceitar o rapaz, tendo deferido seu pedido após
Meredith provocar a justiça local e conseguir um parecer favorável. A decisão final só saiu através da Suprema Corte que, no mesmo ano, determinou a aplicação de seu pedido.
Sua entrada na universidade foi forçada e precisou de ajuda até mesmo das Forças Armadas. Vários conflitos foram registrados, e duas pessoas morreram, incluindo um jornalista francês encontrado morto com um tiro nas costas.
Após se formar, Meredith continuou seus estudos na Nigéria, voltou aos EUA para organizar marchas pelo direitos civis (como a "Marcha contra o Medo", de Memphis a Jackson, onde chegou a ser baleado).
Numa entrevista à CNN, por ocasião das comemorações do 40º aniversário do fim da segregação na Universidade do Mississipi, ele afirmou: “Naquela época eu estava envolvido numa guerra. Me considerava numa guerra desde o Dia 1 na universidade. E meu objetivo era colocar o governo federal – o governo John Kennedy, na época – numa posição em que eles teriam que usar a força militar dos Estados Unidos para garantir meus direitos como cidadão americano”.
A relação de Meredith com o Movimento Negro teve várias crises, sendo umas das maiores quando Meredith foi usado pelo Partido Republicano em diversas situações, sendo duramente criticado pelo movimento pelos direitos civis.