domingo, 7 de abril de 2013

"SOCIEDADE TEM TODO O DIREITO DE PEDIR A SAÍDA DE MARCO FELICIANO", AFIRMA JOAQUIM BARBOSA


Edição: Adilson Gonçalves Fonte R7
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, disse nesta sexta-feira (5) que a sociedade tem todo o direito de se manifestar contrariamente à presença do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. A declaração foi feita em resposta a um estudante da UnB (Universidade de Brasília), onde o ministro fez palestra em evento de recepção aos novos alunos.
Barbosa brincou que já esperava passar por alguma “saia justa” durante evento na universidade, e em seguida respondeu à pergunta.
— O deputado Marco Feliciano foi eleito pelos seus pares. Os deputados assim o fizeram porque está previsto regimentalmente. Agora, a sociedade tem também todo o direito de se exprimir, como vem se exprimindo, contrariamente à presença dele nesse cargo. Isso é democracia.

Ex-aluno da Universidade de Brasília, o ministro falou sobre a importância da educação para os jovens e falou um pouco sobre sua experiência acadêmica e os anos que passou na universidade. Barbosa foi recebido com festa pelos estudantes no Centro Comunitário da UnB e aplaudido em vários momentos.
A outro estudante, Barbosa disse que os integrantes da corte não estão preocupados com avaliações externas de que o STF usurpe a função dos outros poderes em algumas decisões proferidas pela Corte. Segundo Barbosa, o Supremo apenas exerce constitucionalmente o papel a ele atribuído.
— No STF, não há nenhum ministro preocupado com o que dizem por aí sobre o Supremo estar ou não usurpando funções de outros poderes. O Supremo não sai por aí à cata de problemas para resolver, os problemas chegam a ele da maneira que a Constituição brasileira previu. Há mecanismos previstos na Constituição que foram pensados pelo constituinte brasileiro de 1988, justamente para que o Supremo tenha uma presença forte, exuberante, na vida social, política e econômica do nosso País.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ESTEREÓTIPOS SOBRE OS NEGROS ESTÃO PRESENTES EM NOVELA DA REDE GLOBO, ACUSA HISTORIADORA CIDINHA DA SILVA




Texto: Cidinha da Silva

 Edição: Adilson Gonçalves
A autora de Salve Jorge está esculachando a favela, como diria uma carioca atenta. Poxa, é uma moçada jovem que não trabalha, não estuda e só tem quatro ou cinco tipos de ações: batem perna,batem boca e gritam, postam coisas na internet, tomam sol na laje e dançam, do funk ao pagode. De quebra, fecham com o pessoal do movimento e planejam subir na vida arrumando marido rico.
O tal do pescoço (Nando Cunha) é um personagem caricato que a mim incomoda muito. É a reificação de um modelo de homem negro vagabundo, aproveitador, desonesto. Sim, eles também existem, não nego, mas lamento que não haja um contraponto de homem negro honesto, bonitão, subordinado a uma mulher no trabalho, como os auxiliares da delegada Helô (Giovanna Antonelli).
Maria Vanúbia é outra personagem mega estereotipada. Uma pena, Roberta Rodrigues vinha fazendo bons papéis na TV. Vão dizer que a personagem é boa. Sim, deve ser. O problema é que sua riqueza não é explorada. Em mim fica a sensação daquele humor apelativo em que à medida que o público responde positivamente, os trejeitos da personagem são exacerbados. 
Não vi trabalhos anteriores de Lucy Ramos, mas a interpretação de Sheila é naturalizada demais, como também o é a da protagonista Morena (Nanda Costa), bem como D. Diva (Neusa Borges) e o neto (Mussunzinho). Sinto falta de mais interpretação. Algo que só vejo nos trabalhos dramaturgicamente mais convincentes de Lucimar (Dira Paes), Deuzuite (Susana Badin) e de Clóvis (Walter Breda), marido de D. Diva.
Sou habitué do teleférico do Alemão e lá de cima vejo tanta coisa interessante além das moças tomando banho de sol na laje em trajes sumários: tem as crianças brincando nas numerosas piscinas de plástico, churrascos animados, gente andando de uniforme escolar pelas ruas e tem a criativa pintura dos barracos. Adoro uma casa que tem Bob Marley fumando um charutão de marijuana, outra tem Nelson Mandela, outra, instrumentos musicais, outra, palavras de ordem da luta negra. Tem quadra de esportes também.

Entretanto, às telespectadoras da novela não é dado ver essa favela esteticamente negra. Tampouco a locação em terra reflete a diversidade dos morros cariocas. A moçada jovem do folhetim pode não fazer nada de útil na vida, tudo bem, é uma opção de quem criou a trama, mas tanta coisa acontece ao redor daquelas moças e do rapaz: tem sempre um espaço onde funciona um curso de pré-vestibular comunitário, a associação de bairro, uma ONG, uma creche.
A diversidade na caracterização de um espaço físico é fruto de vontade política e compromisso com a própria diversidade, para não mencionar o conhecimento abrangente de um ambiente, pré-requisito para quem cria o cenário.

Na primeira vez que liguei um aparelho de TV numa cidade dos EUA assisti a um comercial surpreendente, tendo em vista minhas referências brasileiras. Pensando bem, até hoje ainda seria. Tratava-se de uma propaganda de shampoo para cabelos lisos estrelada por uma atriz famosa, o marido e duas crianças, típica família branca estadunidense. O homem saca uma máquina e começa a fotografar as crianças e a mulher brincando com um cachorro enorme. Os cabelos de todos voam, desembaraçados e perfumados pelo shampoo (a mãe cheira o cabelo dos filhos).
Animado, o paizão fotografa coisas do jardim, o dia ensolarado e num dado momento, fotografa o vizinho abraçado pelo filho ao chegar da rua, ambos negros. E por que aparecem um adulto e uma criança negra naquele anúncio de shampoo para cabelos lisos e sem qualquer relação outra com o produto? Por que negro é gente e faz parte daquela paisagem humana. Porque houve vontade política ou exigência de colocá-los ali em respeito aos negros que potencialmente não se interessarão por aquele tipo de shampoo, mas, pode haver uma versão para cabelos crespos. Porque negros assistem televisão, são consumidores e querem se ver representados em toda parte, mesmo que indiretamente ligados aos produtos em tela.
Quando houver empenho da autora e da telenovela em refletir a diversidade das telespectadoras que garantem a audiência, moradoras de favelas e de outros lugares empobrecidos será fácil, fácil de fazer. Basta olhar em volta e pescar elementos múltiplos da realidade.

segunda-feira, 25 de março de 2013

MODELOS NEGRAS DESFILAM NA AVENIDA PAULISTA EM PROTESTO CONTRA RONALDO FRAGA


Na semana passada, estilista usou palha de aço na cabeça de modelos.Nesta segunda (25), agência colocou o material na roupa das mulheres


Edição Adilson Gonçalves Foto: J. Duran Machfee / Futura Press/ Estadão Conteúdo
Modelos desfilaram nesta segunda-feira (25), na Avenida Paulista, em São Paulo, em protesto contra o estilista Ronaldo Fraga. Na semana passada, ele usou perucas e apliques de palha de aço na cabeça de modelos em desfile na São Paulo Fashion Week. 
Nesta segunda, durante o protesto, as modelos desfilaram na calçada da Avenida Paulista. O evento foi organizado por uma agência de modelos negras.
Elas usaram a palha de aço como tecido para as roupas que usavam. Na cabeça, usaram pedaços de panos coloridos.

O grupo contesta as perucas idealizadas por Fraga em parceria com o maquiador Marcos Costa. Elas se tornaram alvo de um debate sobre racismo, que ganhou dimensão nas redes sociais. Em entrevista na ocasião, Fraga disse que sua proposta não foi entendida. “Quando acordei e vem essa acusação de racismo, eu pensei: gente, o que aconteceu, que mundo é esse?”
O estilista negou que tenha ficado frustrado, mas afirma que jamais pensou na associação da palha de aço com a questão racial. O material remete às antenas dos aparelhos de televisão, que antigamente recebiam bolinhas de bombril em suas pontas para melhorar a imagem da transmissão dos jogos de futebol.


quinta-feira, 21 de março de 2013

HOMENAGEADO NA CERIMÔNIA DE 10 ANOS DA SEPPIR, LÁZARO RAMOS PEDE A SAÍDA DE MARCOS FELICIANO DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

Ator Lázaro Ramos se posicionou
 publicamente contra o pastor.
 “Queremos mais heróis e menos Marco Feliciano”

EDIÇÃO:ADILSON GONÇALVES FONTE: SEPPIR E AGÊNCIAS
Durante a cerimônia de comemoração de 10 anos da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal, em Brasília, o ator baiano Lázaro Ramos foi um dos homenageados pelo seu trabalho em prol da igualdade racial.

Em seu discurso, Ramos agradeceu ao público que, por meio das redes sociais, fez a com que a novela ‘Lado a Lado’, da Rede Globo, se tornasse ainda mais conhecida e respeitada pelo pioneirismo em abordar a história dos negros no Brasil. O ator e também diretor do programa Espelho do Canal Brasil, ressaltou a importância de mais iniciativas com essa na mídia.
Ainda no discurso, o ator fez um protesto contra a presença do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na Câmara Federal “Inclusive o que a gente quer ver no Brasil são mais pessoas como os heróis de ‘Lado a Lado’ e menos pessoas como Marco Feliciano. A gente compartilha dessa idéia (…) Fora Feliciano”, disse o ator global que é conhecido pela sua militância pelas causas raciais desde a época que atuava do Bando de Teatro Olodum, em Salvador.
OAB também pede renúncia de Marco Feliciano
O presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Wadih Damous, defendeu nesta quarta-feira a renúncia do deputado Pastor Marco Feliciano (PSB-SP) da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH) da Câmara. Segundo Damous, a permanência do deputado à frente da comissão é “um acinte à população brasileira”.
Entre a voz marcante da cantora Margareth Menezes, as lágrimas da atriz Zezeh Barbosa e a contundência da fala da ministra Luiza Bairros, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) teve os seus dez anos de criação comemorados, na manhã desta quinta-feira, 21, data em que se celebra também o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. O evento aconteceu na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, em Brasília.
Participaram autoridades do Governo Federal e distrital, representantes da sociedade civil e de organismos internacionais, representantes dos povos de matrizes africanas e ciganos.
Durante a cerimônia foi lançado por Wagner Pinheiro de Oliveira, presidente dos Correios, o selo personalizado da série ‘América – Luta contra a Discriminação Racial’. Em seguida, o vídeo institucional ’10 anos de SEPPIR’ foi apresentado pela primeira vez, com imagens das lutas históricas do movimento negro, que culminaram com a criação da Secretaria e, vitórias que vieram depois como a aprovação da Lei das Cotas.
Os autores e o elenco da novela Lado a Lado, da Rede Globo, foram homenageados nas pessoas do escritor João Ximenes e dos artistas Lázaro Ramos e Zezeh Barbosa. A trama foi ambientada no Rio de Janeiro do início do Século XX e retratou as tradições de matriz africanas sem estereótipos. “Essa é primeira homenagem recebida por Lado a Lado e vai ajudar a fazer com que uma empresa como a Rede Globo perceba como a gente quer se visto na televisão brasileira”, disse Lázaro.
Matilde Ribeiro, Eloi Ferreira e Edson Santos, os ex-ministros que já estiveram à frente da SEPPIR estavam presentes e também foram homenageados.
 A ministra Luiza Bairros fez um paralelo entre a fala da presidenta Dilma Rousseff, em sua mensagem ao Congresso Nacional, no inicio dos trabalhos de 2013 e a trajetória do movimento negro e da institucionalização das políticas de promoção da igualdade racial na última década. De acordo com Dilma, “o racismo é uma chaga histórica que ainda marca profundamente a sociedade brasileira”. “O desafio não acaba com os dez anos da SEPPIR. Ele aumenta nos anos que virão. Teremos que conciliar demandas do presente, com expectativas do futuro e com o passado remoto e recente que nos cobra o avanço da democracia no Brasil”, disse Luiza Bairros.
A cerimônia foi encerrada com uma apresentação musical de Margareth Menezes, que já havia se apresentado no inicio do evento, cantando sem acompanhamento, a música ‘Alegria da Cidade’, de Lazzo Matumbi.
A mesa de trabalhos foi composta pela ministra Luiza Bairros, Mphakama Mbete, embaixador da África do Sul no Brasil, Pepe Vargas, ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Paim, senador, Luiz Alberto,  deputado federal e presidente da Frente Parlamentar Mista pela Defesa da Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, Wagner Pinheiro, presidente dos Correios, Jorge     Chediek, coordenador residente do Sistema Nações Unidas no Brasil e Helcias Roberto, representante da sociedade civil no Conselho Nacional da Promoção da Igualdade Racial.


quarta-feira, 20 de março de 2013

DEBAIXO DE VAIAS, MARCOS FELICIANO SE RETIRA DA SESSÃO DA COMISSSÃO DE DIREITOS HUMANOS E DEVE ANUNCIAR SAÍDA NOS PRÓXIMOS DIAS


Edição: Adilson Gonçalves Fonte O Globo
BRASÍLIA - Após encontro do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), com o líder do PSC, André Moura, e o vice-presidente do partido, Everaldo Pereira, Henrique Alves informou que Marco Feliciano continua no comando da Comissão dos Direitos Humanos e que aguarda uma decisão para os próximos dias.
— Tive uma conversa, fiz um pedido ao líder do PSC (sobre o destino de Feliciano) em razão das dificuldades que estão ocorrendo na Comissão de Direitos Humanos que o Brasil inteiro acompanha. Foi uma conversa muito séria, e obtive do PSC que será apresentada nos próximos dias uma solução respeitosa para todos. Esse assunto tem que haver maturidade, acredito no entendimento e vamos respeitar o tempo — disse Henrique Alves. André Moura apenas afirmou que a bancada vai se reunir para discutir o assunto.
Está cada vez mais delicada a situação do deputado Feliciano à frente da comissão. Após nova confusão na sessão desta quarta-feira da comissão, Henrique Alves pediu para se reunir com ele no início da noite.
Alves se encontrou mais cedo com o líder André Moura (SE), e cobrou uma solução para o problema. Na sessão de hoje, Feliciano apenas abriu a reunião e deixou o plenário logo em seguida, após vaias, protestos e faixas de integrantes de movimentos LGBT. Parlamentares de vários partidos os contra a permanência do pastor na comissão.
- Até o final do dia de hoje será tomada uma decisão que respeite a Casa - disse Eduardo Alves, que tinha reunião marcada com Feliciano no fim da tarde.

Um dos deputados com os quais o presidente da Câmara falou hoje foi Chico Alencar (PSOL-RJ).
— O presidente da Câmara conversou comigo e disse que achou o vídeo altamente ofensivo. E que o deputado Feliciano não atendeu ao seu pedido de moderação. E disse que se empenharia em uma solução — disse Chico Alencar ao GLOBO. O diálogo entre os dois ocorreu na noite de ontem.
Na comissão, hoje, além dos bate-bocas, houve uma situação inusitada. Convidado como expositor na audiência pública sobre transtorno mental, Aldo Zaiden, assessor da área de Saúde Mental do Ministério da Saúde, fez um discurso se referindo à polêmica gerada desde que Feliciano assumiu a comissão.
— Os direitos humanos vivem um retrocesso — disse Zaiden, que foi interrompido pela confusão.
Quando a palavra iria voltar para ele, foi ameaçado por Jair Bolsonaro (PP-RJ).
— O senhor se restrinja ao tema da audiência pública. Não faça discurso — disse Bolsonaro ao assessor, que se rebelou.
— Fui proibido de falar pelo deputado Bolsonaro. Não tenho o que fazer aqui — disse Zaiden, que levantou-se e foi embora, aplaudido pelos manifestantes contrários a Feliciano. A sessão foi encerrada.
Líder pede a Feliciano reavaliar permanência na comissão
O líder do PSC, André Moura (SE), afirmou que fez novo apelo ao deputado Marco Feliciano (PSC-SP) para deixar a presidência da comissão. Moura disse que aguarda uma resposta do parlamentar. Para o líder, a situação é "muito preocupante".
- Pedimos, a bancada, para o deputado Feliciano fazer uma reavaliação e levar em conta todas essas manifestações. Acredito no bom senso. A situação é muito preocupante. Estou no aguardo de uma resposta dele - disse André Moura, que reuniu-se hoje à tarde com o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
- O presidente da Câmara mostrou sua preocupação com a imagem da Casa com tudo isso que está acontecendo. E ele está correto. Mas não falou em renúncia do deputado Feliciano - disse André Moura.
No plenário, Feliciano conversava com o líder do PR, Anthony Garotinho (RJ) e o pastor Silas Câmara (PSD-AM). Garotinho deu alguns conselhos a Feliciano. Primeiro, o deputado fluminense sugeriu a Feliciano a criar um gabinete de crise e discutir a situação. Depois, Garotinho sugeriu que ele renunciasse, mas que saísse por cima.


MORRE NO RIO, AOS 66 ANOS, O CANTOR EMÍLIO SANTIAGO


Edição Adilson Gonçalves Fonte G1
O cantor Santiago de 66 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (20) no Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. De acordo com o hospital, o artista morreu em função de complicações decorrentes de um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) que sofreu em 7 de março.
Emílio Santiago morreu às 6h30, após permanecer 13 dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI). O velório do cantor será realizado na Câmara de Vereadores do Rio, no Centro, a partir das 12h desta quarta, e será aberto ao público. O enterro do artista acontecerá às 11h desta quinta-feira (21) no Memorial do Carmo, no Caju, na Região Portuária do Rio. Ele será enterrado ao lado do local onde sua mãe foi sepultada.
Emílio Santiago morreu às 6h30, após permanecer 13 dias internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI). O velório do cantor será realizado na Câmara de Vereadores do Rio, no Centro, a partir das 12h desta quarta, e será aberto ao público. O enterro do artista acontecerá às 11h desta quinta-feira (21) no Memorial do Carmo, no Caju, na Região Portuária do Rio. Ele será enterrado ao lado do local onde sua mãe foi sepultada. Paixão pela música
Emílio Santiago nasceu em 1946 na cidade do Rio. Formou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito, mas a paixão pela música fez com que ele iniciasse sua carreira participando de diversos festivais de música, sendo vencedor de muitos deles. "Transas de amor", seu primeiro compacto, saiu em 1973.
 A estreia em um álbum cheio aconteceu dois anos mais tarde. Autointitulado, o trabalho trazia interpretações de canções de nomes como Ivan Lins, Gilberto Gil, Nelson Cavaquinho e Jorge Ben.
Conhecido pelo tom de voz ao mesmo tempo grave e suave, o cantor apresentou diferentes gêneros durante sua carreira, mas esteve especialmente voltado para a música romântica, a MPB e o samba. Em 1988, lançou "Aquarela brasileira", o primeiro disco da série criada por Roberto Menescal e Heleno Oliveira. O álbum trouxe a releitura de 20 clássicos da música brasileira, como "Sampa" (Caetano Veloso), "Anos dourados" (Chico Buarque e Tom Jobim) e "Eu sei que vou te amar" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes).
A série "Aquarela brasileira", responsável por aumentar consideravelmente sua popularidade no país, teve mais seis volumes, o último deles lançado em 1995. Um de seus mais importantes trabalhos, "Feito para ouvir", de 1977, foi reeditado pela Dubas Musica em 2009. Outro relançamento em sua carreira aconteceu em 1989 com "Brasileiríssimas", seu segundo disco, originalmente de 1976. Entre seus maiores sucessos estão "Saigon", "Verdade chinesa", "Lembra de mim", "Vai e vem", "Tudo que se quer" e "Flor de lis".
Seu último disco saiu em 2012, uma versão ao vivo de "Só danço samba", de 2010 – que,  por sua vez, foi o primeiro trabalho do selo Santiago Music. O álbum é uma homenagem ao  "rei dos bailes" Ed Lincoln, trazendo canções que fizeram sucesso nos clubes do Rio de Janeiro nos anos 60, além de músicas atuais de artistas como Mart'nália, Jorge Aragão e Dona Ivone Lara. Ao todo, sua discografia conta com 30 álbuns e 4 DVDs.

sexta-feira, 1 de março de 2013

ESPETÁCULO HOMENAGEANDO ABDIAS NASCIMENTO MARCA LANÇAMENTO DE PROJETO DE FORMAÇÃO DE AGENTES CULTURAIS EM BARRA MANSA


Rodrigo Nascimento
interpreta Abdias Nascimento
Edição:Adilson Gonçalves
O grupo Amigos na Cultura apresentou nesta terça-feira, dia 26 de fevereiro, o espetáculo “Somos Todos Abdias do Nascimento” no Sesc Barra Mansa –RJ. A apresentação, por ora única, foi especialmente produzida para a abertura Oficial do Núcleo de Formação de Agentes Culturais da Juventude Negra (Nufac), em parceria com Ministério da Cultura e Fundação Palmares.
No espetáculo, Teatro, Dança e Audiovisual dialogam em uma narrativa biográfica divida em oito partes: Bairros, Infância, Lutas, Identidade, Plenitude, Arrependimentos, Convocação e Amigos, que gradativamente revelam o homenageado, interpretado pelos jovens artistas formados pelas oficinas dos projetos socioculturais realizados pelo grupo Amigos na Cultura.
Os Agentes Culturais selecionados para participarem dos cursos do Nufac estiveram presentes no evento, assim como o representante da Fundação Palmares – Martvs das Chagas, Universidade de Barra Mansa- da UBM-, Luís Fernando Vitorino, da Fundação CSN, Hélder e Eduardo Gonçalves, da Reprográfica Barrense – Antônio e Victor Dourando, autoridades, imprensa e representantes do movimento negro da região Sul Fluminense.


VEJA GALERIA DE FOTOS


















quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DELEGADO PROTÓGENES QUEIRÓZ VEM AO RIO PEDIR APOIO À LEI QUE FEDERALIZA CRIMES PRATICADOS CONTRA JORNALISTAS

Texto, fotos e edição: Adilson Gonçalves

O deputado federal Protógenes  Queiróz – PC do B- SP – veio  ao Rio de Janeiro, nesta terça-feira, dia 26, especificamente pedir apoio  à  categoria para  a votação do seu projeto de lei 1078/12, que federaliza os crimes praticados contra jornalistas.  O encontro,  com alguns integrantes da classe,  ocorreu durante a reunião do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa -  ABI. Em sua explanação, o deputado afirmou que seu projeto de Lei “vem sofrendo boicote por não ser interessante a segmentos e setores do Parlamento Brasileiro.”
- O meu projeto não defende os jornalistas, mas a atividade jornalística. Pois a cada ano aumenta o número de profissionais mortos por desempenharem suas funções, que em sua totalidade vão de encontro a interesses obscuros, desonestos, seja a corrupção ou o crime organizado. Protegendo-se a atividade jornalística, com certeza, teremos um país melhor, umas sociedade depurada,  através da verdade- afirma o deputado.
Com exemplo emblemático do quanto é necessária a federalização dos crimes praticados contra jornalistas, o deputado Protógenes  Queiróz citou o caso Tim Lopes, assassinado por traficantes, no Complexo do Alemão em 2002:
-O caso somente foi esclarecido, mesmo assim não em sua totalidade, pois  além de uma grande profissional, querido  pela classe, Tim Lopes era funcionário da maior organização de comunicação do País, que mobilizou toda a sua máquina e  que provocou uma comoção pública, empreendendo uma verdadeira caçada humana ao Elias Maluco. Afinal a poderosa, teve sua suscetibilidade ferida, foi atingida em suas entranhas  por um reles  traficante, denominado Elias Maluco, que foi preso como símbolo do ato.   Quando eu digo que o crime não foi esclarecido em sua totalidade é porque temos informações de que nem todos os participantes do crime foram descobertos ou presos.  Qualquer criminoso, seja ele praticante de qualquer tipo crime, vai pensar duas vezes antes de atingir um profissional de imprensa, por causa sua atividade, seja para impedir sua conclusão ou por retaliação, pois sabe que será investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal,– afirma o parlamentar.
 O Deputado federal diz ainda que se não fossem estes fatores-  a maior organização de comunicação do país, a comoção pública e um crime praticado em uma grande metrópole, como o Rio de Janeiro -“o caso Tim Lopes não teria sido esclarecido, permanecendo sob o manto da impunidade.”
- Se isto acontece no Rio de Janeiro, imagine nos grotões do país, onde a atividade jornalística é mais desprotegida, e , portanto a segurança do profissional de imprensa  é fragilizada ou inexistente. Por isso tenho a certeza que a federalização dos crimes praticados
REMINISCÊNCIAS ESTUDANTIS
 O deputado e delegado da Polícia Federal  Protógenes Queiróz já foi coleguinha, literalmente, inclusive sabendo das agruras da profissão: na década de 70, aos 15 anos, editou e redigiu o Jornal Alerta Geral, no Colégio Dom Helder Câmara, em São Gonçalo. Entre outras matérias polêmicas, duas provocaram a apreensão de exemplares, da matriz e  até busca domiciliar pelos órgãos de repressão: uma que questionava somente a indicação de militares para a presidência da República e outra que cobrava o paradeiro dos estudantes  durante o regime militar, entre eles Fernando Santa Cruz, estudante da UFF.
- Acho que não fomos presos e o caso não teve maiores consequências por causa de nossa idade.  Com eu era o editor do jornal, a implicância maior deles foi comigo, mas como meu pai era militar e peitou os agentes,  o caso parou por ali mesmo-, ri  o deputado.
Em sua cruzada pela aceleração do prazo de  votação da lei criada por ele, o deputado Protógenes  Queiróz  se colocou  à disposição do SJPMRJ, para expor à categoria  os detalhes da lei  1078/12.



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ESTUDANTE NEGRO DA UFRJ É COAGIDO A SAIR DE ÔNIBUS DE TRANSPORTE DE UNIVERSITÁRIOS


Edição: Adilson Gonçalves fonte e texto:  Chico Motta, da Revista Virus Planetário
Na terça-feira dia (26/02) , às 22h, voltando do IFCS onde assistia aula, o estudante Filosofia negro, Aparecido de Jesus Silva, foi coagido pelo motorista do ônibus universitário para que saísse.
Aparecido relata que pegou o ônibus de número 160, placa KXW 4619, para o alojamento no terminal Rodoviário da Cidade Universitária. Ao entrar pela traseira do ônibus (que é gratuito) e sentar ao fundo, o estudante teria visto o condutor gesticular com as mãos e perguntar: “Você vai para onde?”  “o motorista Parecia nervoso com minha presença”, afirma o estudante que continuou sentado não percebendo que era com ele.
Ao parar em um ponto em que alguns passageiros desceram, o condutor então teria aberto a porta dos fundos e reclamado: “Não vai descer não”? No mesmo ponto, outros passageiros que iriam em direção ao alojamento entraram no ônibus e de acordo com o estudante de filosofia, por serem “socialmente considerados brancos e ele [o motorista] não lhes perguntou nada”.
A situação se agravou quando chegaram ao ponto da Prefeitura. De acordo com os relatos o condutor teria aberto a porta do ônibus e dito: “você vai para onde? Desce do ônibus!”. Surpreso, aparecido perguntou se era com ele “ É com você mesmo!! estou indo para o alojamento e você não vai ficar andando de graça. Desce do ônibus!”, teria gritado o motorista. Não satisfeito com a coação moral, percebendo o caráter racista da mesma, Aparecido respondeu que o condutor deveria continuar a viagem pois era a função dele. Foi então que o motorista teria o ameaçado: “Você não vai descer não? Quando chegar no ponto final você vai se arrepender”, repetiu por diversas vezes.
O estudante afirma que não se deixou abalar e, de acordo com o seu próprio relato, teria dito:  “Qual é o seu problema? Porque você não perguntou nada para as outras pessoas? Você é racista. Posso chamar a PM e prender você agora. Onde está a placa com o seu nome”.
Aparecido informa ainda que durante esse percurso final da viagem o motorista teria ironizado as iniciativas de pegar o seu nome e a placa do carro. “Ele me ameaçou. Quero saber como vai ficar minha segurança aqui na Universidade (UFRJ) que estudo.” reclamou o estudante.
Procurada por nossa equipe de reportagem, a assessoria de imprensa da UFRJ informa que já recebeu a reclamação na ouvidoria e estaria buscando as informações pertinentes para realizar as medidas cabíveis ao caso.
Atualização 1: A Assessoria de Imprensa da UFRJ informou que os ônibus universitários são gratuitos para todos que circularem pelo Campus e que o serviço é  terceirizado, no entanto as medidas serão tomadas.
Atualização 2:  Aparecido de Jesus Silva é do sertão da Bahia, trabalhou como pedreiro a vida toda, alfabetizou-se através do programa EJA, que é de alfabetização de jovens e adultos, fez
pré- vestibular comunitário e passou pra o curso de Filosofia na UFRJ sendo o único Negro da turma.