quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

IMPRENSA NEGRA BRASILEIRA COMPLETA 183 ANOS E TEM NA MÍDIA DIGITAL SUA PROPULSÃO PARA MAIOR ALCANCE

Fonte: Observatório de Imprensa Edição: Adilson Gonçalves
No Brasil, a chegada da imprensa ocorreu em 1808, juntamente com a vinda da família real portuguesa. Após 25 anos, emerge então a chamada imprensa negra, que, em 2020, completa seus 187 anos – a publicação do primeiro periódico brasileiro protagonizado e direcionado para negros ocorreu em 1833, no Rio de Janeiro, com o jornal O Homem de Cor ou O Mulato.
Nos séculos XIX e XX, a imprensa negra discute intensamente a questão abolicionista, levanta-se contra o preconceito racial e é pautada na afirmação social da população negra. Os jornais e revistas da categoria eram, de modo geral, compostos por coletivos e grupos, que também utilizavam as mídias para divulgar eventos próprios da população negra. (Nestas primeiras décadas do século XXI, jornais e revistas negros continuam combativos e vigilantes, carregando bandeiras de integração e equidade racial dentro da sociedade brasileira, movimentada por mudanças governamentais e sociais.)
A partir de 1937, período do Estado Novo, o movimento midiático negro sofreu dificuldades e perseguições, enfraquecido no protagonismo em movimentos populares e extinto em partidos políticos.
O jornalismo negro recobrou o fôlego e voltou a organizar-se a partir de 1945, com a publicação do periódico Alvorada – organizado pela Associação dos Negros Brasileiros (ANB) e veículo principal da entidade – além de outros títulos, como O Novo Horizonte e Cruzada Cultural.
Já no período da ditadura militar brasileira, entre 1964 e 1985, o jornalismo negro e as próprias questões raciais sofreram impactos múltiplos, refletidos no sufocamento do debate sobre o preconceito, discriminação e desigualdade racial – veja o Arquivo de Memórias da Ditadura sobre a Comissão Nacional da Verdade e Negros para entender o contexto e a luta negra no período.


Em 1978, a prisão e morte sob circunstâncias suspeitas de Robson Silveira da Luz, feirante negro de São Paulo, culminou numa reunião de militantes que resultou na criação do Movimento Negro Unificado (MNU). Em 7 julho, mais de 3 mil pessoas se reuniram em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, movimento que daria origem ao Dia Nacional de Luta Contra o Racismo.
A imprensa no Brasil hoje

A existência de uma imprensa negra no Brasil é fundamental em termos de representatividade e também um modo de contrapor práticas e o sistema essencialmente discriminatórios, estabelecendo-se como uma voz para o povo negro e servindo como veículo e documentação sobre a luta em favor da equidade racial.
Ainda em 2020, a imprensa negra tem o papel de documentar sua luta e história. Trata-se de um compromisso político realizado por e para negros – “A maior parte dos profissionais jornalistas é branca e a cobertura da mídia tradicional pouco fala da realidade do povo negro nos dias de hoje”.
Felizmente, com a crescente democratização do acesso à internet e suas ferramentas, a imprensa negra conquistou mais espaço na área digital e vem alcançando maior público e visibilidade em portais como Correio Nagô, O Menelick, Alma Preta e Blogueiras Negras. Embora o panorama soe positivo, a equidade racial não foi completamente alcançada e a mídia negra ainda tem muito trabalho a fazer.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

PREFEITO DE SÃO PAULO SANCIONA LEI QUE DÁ O NOME DE MARIELLE FRANCO À PRAÇA EM BRASILÂNDIA

Fonte: Estadão Edição: Adilson Gonçalves
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sancionou na sexta-feira (24) a Lei 17.307/20, que batiza de Praça Marielle Franco uma área verde e de lazer da Brasilândia, distrito da zona norte da capital paulista. O espaço conta com uma quadra de esportes, bancos de cimento e algumas árvores
A homenagem faz referência à vereadora e ativista dos Direitos Humanos Marielle Franco, morta a tiros em março de 2018 junto com o motorista Anderson Gomes.
A lei advém de um projeto de autoria coletiva de mais de 30 vereadores de
diferentes partidos aprovada na Câmara Municipal no ano passado. A praça fica na rua Padre Achilles Silvestre, na altura do número 15.
Outro projeto de lei que tramita na Câmara de São Paulo também quer oficializar o nome da vereadora em uma escadaria entre as Ruas Cristiano Viana e Cardeal Arcoverde, em Pinheiros, na zona oeste. O espaço já é popularmente chamado de Escadão Marielle Franco.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

MULHER NEGRA É ACUSADA INJUSTAMENTE DE ROUBO EM CURITIBA PRATICADO POR OUTRA PESSOA

 
Marli Teixeira Leite: "campanhas
educativas serão implementadas"
 
Texto e Edição: Adilson Gonçalves
Uma mulher negra foi acusada por um casal de idosos brancos de ser a autora do furto da carteira de outra mulher, branca, no interior de um ônibus do transporte público de Curitiba. A Polícia foi acionada e após a revista feita pelos policiais militares, alertados por outros passageiros constataram que a verdadeira  autora do furto era outra mulher, branca, que viajava  na parte traseira do coletivo. O caso aconteceu há exatamente uma semana, dia 16, quinta-feira, dentro de um ônibus bi-articulado na capital paranaense.  Um vídeo do incidente foi feito e postado nas redes sociais e até este domingo, 19, tinha atingindo  mais de 8 mil visualizações e 7, 8 mil compartilhamentos. 

 Em nota emitida à imprensa, a Polícia Militar informou que uma guarnição da corporação foi acionada, no dia 16/01/2020, por volta das 14h20, na região central de Curitiba, atendendo à uma comunicação do furto de uma carteira em um bi-articulado, e prontamente agiu. Segundo ainda a assessoria, “Os policiais entraram no ônibus, fizeram uma avaliação imediata e abordaram quem as vítimas indicaram, conseguindo, assim, recuperar os pertences das vítimas idosas que, naquele momento, encontravam-se em situação de vulnerabilidade. A PM abordou, neste caso, uma mulher negra, que foi indicada pelas vítimas, mas fez a abordagem com o consentimento dela, assim como abordou outra mulher, igualmente indicada no local”.
A Assessoria de Direitos Humanos – Promoção da Igualdade Racial  paranaense, através de sua titular,  Marli Teixeira Leite, lamentou o fato:
“É um caso que nos deixa extremamente tristes. Lamentamos que após 132 anos da abolição da escravatura a cor da pele continue definindo as chances de abordagem policial, o tratamento dado pela Justiça, e a intolerância as religiões de matrizes africanas. A Assessoria da Promoção da Igualdade Racial sempre promove campanhas publicitárias para combater o racismo e a injúria racial. Neste ano vamos intensificar os trabalhos”, explicou Marli Teixeira Leite, assessora da Promoção da Igualdade Racial.
As campanhas trabalham com orientações e explicam o que configura os crimes de racismo, preconceito e injúria racial. Marli Teixeira Leite explica ainda que pessoas negras que se sentirem discriminadas podem procurar a Assessoria da Promoção da Igualdade Racial para pedir apoio e orientações.
A Assessoria fica na Rua Barão do Rio Branco, 45, 2º andar, no Centro de Curitiba. O telefone de contato é o 3221-2712.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

NA CONTRAMÃO DO FUTEBOL BRASILEIRO, PONTE PRETA TEM O PRIMEIRO PRESIDENTE NEGRO; CLUBE REINVIDICA AINDA O PIONEIRISMO NA UTILIZAÇÃO DO PRIMEIRO JOGADOR NEGRO

Fonte: El País Edição: Adilson Gonçalves
A Ponte Preta é um dos clubes que se destacam historicamente no combate ao racismo dentro do futebol brasileiro. Logo em 1900, 12 anos após a abolição da escravatura, o primeiro time principal da Macaca contava com Miguel do Carmo, negro e jogador de futebol, antes de qualquer outra equipe do país, motivo pelo qual os pontepretanos reivindicam o título de primeira democracia racial no esporte do Brasil. Apesar do pioneirismo, a equipe campineira demorou mais de um século para eleger um negro como representante máximo da instituição. Foi apenas em novembro de 2019, quando Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, herdou o cargo de presidente do clube após a renúncia de José Armando Abdalla. No momento que assumiu, Arcanjo também se tornou o único presidente negro entre os clubes das séries A e B do campeonato brasileiro. E, na contramão dos principais adversários, ele chegou anunciando três negros e uma mulher para compor a diretoria executiva da Ponte. “Obviamente a inclusão foi um critério, porque ela é necessária e atual”, conta Tiãozinho.
Sebastião foi vereador e deputado estadual pelo PT em Campinas antes de ser eleito vice de Abdalla no time de coração, onde anteriormente atuou como diretor de futebol. Hoje, o mandatário quer usar sua posição no clube para combater as desigualdades que identifica na sociedade. “Em qualquer organização, nós, negros, estamos a quilômetros das tomadas de decisão. No futebol, não somos notados além das quatro linhas. Vivemos em um país que está acostumado a mandar em nós e não a receber nossas ordens, por isso tenho um grande desafio pela frente”, diz o presidente.
Tiãozinho reclama da demora da Ponte em eleger um representante negro, mas admite que o problema reflete a “fotografia” da sociedade brasileira. “O nível de qualificação exigido fora de campo no futebol nos afasta. A estrutura acadêmica do Brasil obriga os mais pobres a escolherem entre estudar e trabalhar, e o negro normalmente precisa escolher o trabalho, o que nos afasta das atividades mais prestigiadas”. O presidente liga a falta de oportunidades ao país “historicamente racista”, mas vê na Ponte Preta, também pelo aspecto histórico do clube, o cenário ideal para combater a discriminação racial.A trajetória dos negros no clube campineiro começa com Miguel do Carmo
Miguel do Carmo
em 1900 e se estende pelos anos seguintes. Doze anos após a fundação, a Ponte Preta venceu pela primeira vez a Liga Operária de Foot-Ball Campineira com três negros no time: Amparense, Moraes e Benedito Aranha. “O goleiro Amparense foi o primeiro ídolo do clube”, conta José Moraes dos Santos Neto, historiador e pesquisador pontepretano. “Ter um presidente negro é resgatar e valorizar a memória da Ponte”, comemora ele.
A partir da década de 1920, a Ponte passou a sair de Campinas para disputar jogos em outras cidades. Conforme relata Neto, a torcida alvinegra acompanhava o time pelo interior paulista através das ferrovias do estado e, quando chegava na cidade onde o time jogaria, fazia o caminho da estação de trem até o estádio festejando pelas ruas. “Esse comportamento da torcida, que era em grande parte formada por mulatos e negros, fez com que ela recebesse o apelido racista de ‘macacada’. Os campineiros pegaram esse
preconceito e usaram como símbolo”. Hoje, a Ponte Preta tem o apelido de Macaca Querida e, além da versão fêmea, tem também um gorila como mascote.
No mesmo período, curiosamente, o clube também começou a receber influência da antiga elite campineira, formado por médios e grandes comerciantes brancos. Segundo o historiador, o fato ajuda a explicar a demora para que a Ponte tenha um mandatário negro. “Faltou representatividade [negra] no comando do futebol, embora ela sempre tenha sido grande entre os torcedores”, comenta Neto. O pesquisador enxerga em Tiãozinho não apenas uma exceção, mas alguém que “conhece a história e age em função da mudança”.A mudança começou a partir da nomeação dos novos componentes da diretoria executiva da Ponte Preta sob o comando de Sebastião Arcanjo. Entre outros,
Marcos
o presidente anunciou Marcos Antonio Ignacio da Silva como segundo diretor financeiro, Sérgio Roberto Acácio como diretor jurídico e Moacir Benedito Pereira como diretor comercial e de marketing. Os três negros vão na contramão do cenário atual do futebol
Sérgio
brasileiro ― somente Goiás e Grêmio possuem negros chefiando diretorias de futebol nas principais divisões do campeonato nacional. Ele também nomeou Graziela Andrade como primeira secretária. “Minhas escolhas também levam em conta os currículos, mas o mito da meritocracia é insuficiente para promover a inclusão em um país marcado pelo racismo”, comenta Tiãozinho.
Moacir
Diretoria e presidente ainda não definiram quem será o diretor de futebol da Ponte em 2020, cargo responsável por comandar o departamento profissional da Macaca. Mas, para Tiãozinho, é certo que a escolha também passará pelo critério da inclusão: “[O critério] precisa ser considerado. Queremos promover um programa racial no clube, não só na diretoria”. O mandatário conta que a ideia inicial ainda precisa ser consolidada e, para isso, mantém contato com a gestão do Bahia, clube que se popularizou ao adotar uma agenda de combate aos preconceitos no futebol. “A partir da conversa com eles, verificaremos quais ações são possíveis para o futuro. Eles são nossa inspiração”, conclui Tiãozinho. “E tomara que possamos inspirar mais clubes”.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

FEDERAÇÃO GAÚCHA DE FUTEBOL LANÇA CAMPANHA CONTRA O RACISMO E VIOLÊNCIA QUE SERÁ APLICADA EM SEU CAMPEONATO


Fonte Zero hora Edição: Adilson Gonçalves
A Federação Gaúcha de Futebol (FGF) apresentou, na tarde desta terça-feira (14), a campanha "Juntos - Contra a Violência e o Preconceito". Será uma série de ações ao longo de todo o ano com o objetivo de combater a discriminação no futebol. 
Além de vídeos de conscientização, a iniciativa vai qualificar os delegados e servidores que trabalham nas delegacias de estádios de todo o Estado. O Ministério Público, a Polícia Civil e a OAB também fazem parte do projeto.

O número de whatsapp (51) 98444-0606, da Polícia Civil, foi disponibilizado para receber denúncias. O resultado buscado pela campanha, segundo a Chefe da Polícia Civil do RS, Delegada Nadine Anflor, é abranger todos os envolvidos na situação.
— A gente não foca só na vítima, dizendo que ela tem de denunciar, não foca apenas no agressor, dizendo que ele não pode fazer mais aquilo, focamos em todos as pessoas que frequentam estádios, criando uma grande corrente pelo fim da discriminação no Estado — comentou Nadine.

Nesta quarta-feira (15) se iniciaram os treinamentos dos agentes da Polícia Civil que trabalham em jogos, começando pelos de Porto Alegre. A qualificação terá dois momentos. 
O primeiro é teórico, a partir de uma cartilha que explica as tipificações criminais. O material diferencia juridicamente — com exemplos das mais comuns — as situações de injúria racial, religiosa e racismo, entre outras que também estão na mira da campanha. 
A segunda etapa do treinamento será uma mesa de conversa com o objetivo de sensibilizar os agentes que recebem as denúncias em delegacias e estádios. Segundo a Delegada Shana Hartz, diretora do Departamento de Proteção a Grupo de Vulneráveis da Polícia Civil, é necessário uma abordagem focada em tornar o ambiente mais acolhedor aos que são atingidos ou presenciam ocorrências:
— Tanto denunciantes quanto vítimas. Que ninguém ache engraçado, que ninguém se cale. Que tragam este problema para a Polícia. O constrangimento tem de ser do agressor, e não para quem foi agredido.
A proposta da FGF é de que a campanha siga durante todo o ano nas competições por ela organizadas — desde as categorias de base. Além disso, os agentes policiais qualificados seguirão trabalhando na Arena e no Beira-Rio, em jogos do Brasileirão, Libertadores, Copa do Brasil e demais competições da dupla Gre-Nal.
Luciano Hocsman, presidente da FGF
— A ideia é uma ação propositiva, preventiva, e não reativa. Sempre vemos algumas ações que ocorrem pontualmente quando há algum tipo de ocorrência preconceituosa. Então é pegar pela conscientização da sociedade, do torcedor, para que isso não ocorra. Vamos trabalhar com isso durante todo o ano para chegar ao final do ano com outro cenário, que não o que aconteceu em 2019 — ponderou.
Com novas orientações para os juízes, o ano de 2019 registrou o maior número de denúncias de racismo no futebol brasileiro. O Observatório da Discriminação Racial do Futebol, coordenado por Marcelo Carvalho, contabilizou 56 casos de injúria racial.
— No momento político que o Brasil e o mundo vivem, de discursos de intolerância, o cidadão acha que também pode reproduzir isso, e o estádio de futebol reflete. Por outro lado, vejo maior conscientização de torcedores e jogadores — opinou Carvalho, acrescentando:
— Uma ação nunca vai ser suficiente se as punições não forem, de fato, executadas. Se a pena não existir, o torcedor vai seguir com o sentimento de impunidade.

O presidente do Inter, Marcelo Medeiros, e o vice do Conselho Deliberativo do Grêmio, Alexandre Bugin, representaram as equipes da Capital no evento. Ambos falaram sobre a importância da campanha da Federação relacionando-a com projetos próprios. Medeiros relembrou a origem inclusiva do Colorado como clube, e ressaltou a cooperação que tem desempenhado no combate a violência nas arquibancadas junto a Promotoria do Torcedor do Ministério Público Estadual.
— Toda a sociedade gaúcha está engajada para que se tenha mais tolerância e um ambiente mais civilizado nas praças esportivas — pontuou, completando: — A pessoa que não tem um comportamento adequado para frequentar um estádio de futebol tem problemas para conviver em sociedade.
Alexandre Bugin destacou a necessidade de manter ações a longo prazo. Desde 20 de novembro, dia da consciência negra, o Grêmio trabalha com a iniciativa "Clube para Todos". O projeto visa utilizar as plataformas de comunicação para combater os preconceitos.
— É um trabalho muito longo, permanente. Não será de um ano para o outro que vai se transformar o cidadão. O preconceituoso, o racista, eles têm de se sentirem excluídos da sociedade — alertou Bugin.
O presidente da FGF, Luciano Hocsman, explicou que a inciativa começou a ser pensada em 2019, quando a FIFA estabeleceu novas posturas contra o racismo. Ele diz que a campanha foi planejada para ir além da preparação dos árbitros que apitarão o Gauchão 2020.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

CONFRATERNIZAÇÃO DE FINAL DO ANO DO MOVIMENTO NEGRO DO RIO DE JANEIRO FAZ AMARELINHO VIRAR PRETINHO

Fotos; redes sociais*  
Texto e edição:Adilson Gonçalves
O nome oficial é Restaurante e Bar Amarelinho, mas na tarde/noite daquela sexta feira,  dia 28 de dezembro, o nome daquele estabelecimento bem que poderia ser denominado de Pretinho. É que quase 200 integrantes do movimento negro do Rio de Janeiro reuniram-se em uma confraternização de final de ano.
 Figuras emblemáticas e icônicas do movimento negro, como Ruth Pinheiro, Yedo Ferreira, Nancy Rosa, Djalma Santos, José Luis  Germano, Lydia Garcia,  Edimé Tibeiro, Ras Adauto  entre outros, estiveram presentes, além, e claro,  de dois dos seus fundadores: Paulo Roberto Santos e Carlos Alberto Medeiros.

O evento é realizado há quase 40 anos, sempre no Amarelinho, na Cinelândia, tradicional área boêmia do Centro do Rio. Embora hoje tenha o nome oficial de Ocupação Amarelinho: Encontro Anual de Amigos e Militantes do Movimento Negro do Estado do Rio Janeiro, nem sempre foi assim e é Carlos Alberto Medeiros  quem explica:
- Na verdade, começamos com uma grande gozação. Eram cerca de sete homens que fundaram  a Sociedade  Ereta Ogbony. Conversávamos sobre tudo: mulheres, rumos e estratégias do movimento negro, situação politica, enfim vários assuntos, mas não éramos e nem somos machistas ou misógenos. - enfatiza.
 No entanto, Nancy Rosa de Azeredo, promotora cultural, ex-presidente cultural do  Clube Renascença, alfineta:
- Eram machistas sim. Era um clube do Bolinha. O evento somente tomou esta proporção, a de lotar o Amarelinho, quando as mulheres começaram a participar, há cerca de dois ou três anos. Acho isso importante, para que eles compreendam a força que têm as mulheres- enfatizou  Nancy, apoiada por Ruth Pinheiro. 
Para Yedo Ferreira, de 86 anos, referência e reverenciado pelo unanimimente pelos integrantes do Movimento Negro a reunião serve como elo entre as várias gerações do movimento negro:
Yedo Ferreira e Adauto Rass *Foto Zezinho Andrade
- É com alegria que vejo  minha gente engajada de várias idades, desde os menos jovens, como eu e alguns outros, àqueles que estão chegando agora à luta. É muito cativante ver isto-, afirmou emocionado.
Mas mesmo em meio à confraternização, não faltam os momentos de reflexão e de protestos. Medeiros analisa o aumento de casos de racismo, ocorridos, principalmente em Minas Gerais:
- Acho que muita gente vai achar estranho o que acho, mas considero isto positivo, pois estas pessoas estão tirando as máscaras. Em relação aos últimos anos obtivemos vários avanços. Hoje temos negros capacitados ocupando cargos chaves em grandes empresas, que compreenderam que quando elas excluem uma pessoa por questão de raça, gênero,  cor ou credo religioso, elas estão perdendo talento e principalmente dinheiro, que é o que elas visam. - afirma.
Embora o clima fosse de confraternização, não foi deixados de se traçar planos para 2020. A retomada da representatividade no legislativo pelos negros, diminuída nos últimos tempos, já neste ano, de eleições municipais, foi uma delas. Afinal a luta continua, ou como escreveu Wally Salomão , "A Felicidade do negro é uma felicidade guerreira"

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

TV GLOBO EXIBE SEU PRIMEIRO ESPECIAL DE NATAL COM ATORES E AUTORA NEGROS

Fonte: Folha de Pernanbuco Edição: Adilson Gonçalves
Pela primeira vez, o especial de Natal da Globo, exibido no dia 25 de dezembro, foi protagonizado por uma família negra e com um Papai Noel negro. "Juntos a Magia Acontece", escrito por Cleissa Regina Martins e dirigido por Maria de Médicis, conta a história de uma família cuja morte da matriarca, Neuza (Zezé Motta), às vésperas do Natal, desperta a depressão do viúvo Orlando (Milton Gonçalves) e desalinha a vida do filhos André (Fabrício Boliveira) e Vera (Camila Pitanga).

Para ocupar a cabeça, Orlando tenta arrumar um emprego como Papai Noel, mas é sistematicamente recusado pelos estabelecimentos por ser negro. Então, a neta Letícia (Gabriely Mota), 9, filha de Vera e de Jorge (Luciano Quirino), decide criar um plano para tornar Orlando o Papai Noel de seu bairro.Fabrício Boliveira afirma que o especial relata uma noite natalina com questões importantes que vão além de festa e presentes. "Eles aproveitam esse momento de mudança, de transformação, de final de ano, da representação que isso tem para algumas religiões, para poder resolver questões internas da família. Achei isso um grande apontamento sobre o Natal. Como eles resolvem a questão dessa perda da matriarca para virar o ano, para fazer com que isso seja um passo de transformação, felicidade e afeto para essa família", aponta o ator.



Ele diz ainda considera intrigantes alguns temas levantados pela autora no especial, como por exemplo a sensibilidade masculina. "Meu personagem assume que não voltou para casa nos dias entre enterro e a missa de sétimo dia da mãe porque ele não conseguia lidar com a falta dela (...) Ele diz que é fracassado porque não consegue lidar com suas sensibilidades", adianta o ator. "Eu me reconheço nesse personagem nessa questão do machismo que nos aprisiona em relação à sensibilidade, a pedir ajuda, a estar próximo do 'brother' e dar um abraço de verdade", reflete.

Aos 85 anos, o veterano Milton Gonçalves se emociona ao falar sobre seu papel e diz que este será um natal inesquecível em sua vida. Com lágrimas nos olhos, ele relata: "Quando eu era menino, não existia Papai Noel negro. Tudo o que era considerado bonito não tinha negros. Nós sentíamos muito medo e vergonha. A gente se escondia [...] Farei este Papai Noel da melhor forma que puder. Se ele fosse oriental ou índio, também estaria do lado dele. Mas como sou eu, melhor para mim, né?"

Boliveira faz coro a Gonçalves e ressalta o quanto a imagem do Papai Noel é americanizada no Brasil. "Acho bom a gente poder repensar a cor do Papai Noel ou de onde ele veio. Por que essa imagem permanece para a gente como verdade absoluta? Como a gente consome o que vem de fora? (...) Talvez eu não acreditasse em Papai Noel quando era criança porque aquela imagem não
se comunicava comigo."


Camila Pitanga, 42, diz que, durante a infância, acabou naturalizando o Papai Noel branco como única possibilidade. "Era tão dado, por todas as informações que eu tinha, do comercial, da televisão, da rua, que o Papai Noel era branco, que eu nunca me dei conta dessa outra possibilidade."

A atriz afirma ainda que o especial acorda o público para uma outra possibilidade de leitura e de manifestação da figura do Papai Noel: "Acho que vai abraçar mais pessoas". "A gente poder contar com a nossa voz, uma história que é de família, mas é de uma família preta, na noite de Natal, é muito
especial. Esse projeto tem vários sabores para mim", acrescenta.


Para Boliveira, apesar de a atração ter aberto espaço para um elenco majoritariamente negro, a representatividade na dramaturgia ainda é pouca. "Acho vergonhoso", desabafa. "Queria que chegasse o momento que eu não fosse mais chamado de ator negro, mas só de ator. Isso só vai acontecer quando a gente tiver mais atores negros trabalhando."

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

GRANDE CORO DA VILLA-LOBOS CANTA EM CELEBRAÇÃO NATALINA NA ESCADARIA DO PALÁCIO TIRADENTES

Texto Jan Theóphilo /foto: Pedro Soares/Vill Lobos Edição: Adilson Gonçalves
Centenas de cantores irão se reunir nesta quarta-feira (18/12), às 18h, na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), para uma apresentação especial em celebração ao Natal. Os integrantes do Grande Coro são todos alunos dos cursos regulares da Escola de Música Villa-Lobos (EMVL), que trará também de seu grupo mais representativo, o Madrigal do Villa. Com cerca de 30 cantores, o Madrigal fará uma participação apresentando seu repertório de cunho religioso/ritualístico de estilos, compositores e arranjadores diversos.

A direção musical da apresentação e regência é do professor e coordenador dos cursos da EMVL, Leandro S. Gregório, com preparação do repertório e orientação dos alunos pelos professores Clarisse Grova, David Monteiro, Isabela Vieira, Marcos Teixeira, Valbiana Coutinho, Wigberto Júnior e Marcel Souza. A produção é de Glaucia Sundin.
A apresentação integra a série de espetáculos que a Escola de Música Villa-Lobos (um espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa / FUNARJ) vem realizando em ações culturais pela cidade com seus corais, como o Madrigal do Villa e o Coro de Câmara, fortalecendo a tradição da instituição na formação de cantores e músicos profissionais.
“É uma oportunidade especial para o público conhecer, num local de importância histórica para o Rio de Janeiro, as atividades realizadas pela Escola de Música Villa-Lobos em parceria com a Assembleia Legislativa”, afirmou o presidente da Alerj, deputado André Ceciliano.
Serviço:
Grande Coro da Escola de Música Villa-Lobos
Data: 18/12
Horário: 18 horas
Local: Palácio Tiradentes – Alerj (Rua Primeiro de Março, s/n)
Obs: entrada franca

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

SOB OBSERVAÇÃO DA NAÇÃO RUBRO NEGRA, JORGE JESUS RECEBE MEDALHA TIRADENTES E DÁ SINAIS DE QUE FICARÁ NO CLUBE

Texto, Foto e edição: Adilson Gonçalves

Sob a observação da torcida rubro-negra, que espera dele a conquista do título e o anúncio de sua permanência no clube e  até mesmo da torcida adversária, que deseja ao contrário, o  técnico português Jorge Jesus foi agraciado nesta quinta feira, dia 12, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro- Alerj com a Medalha Tiradentes, honraria máxima de destaque, ofertada pela Casa Legislativa.
A homenagem foi uma iniciativa dos deputados Andre Cecilliano (PT),  Alexandre Knoploch (PSL) e Rodrigo Bacellar (Solidariedade).
O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, também homenageado, o foi duplamente: além da medalha, recebeu o Titulo de Cidadão Benemérito, proposição dos deputados André Ceciliano, Marcio Pacheco (PSL) e Thiago Pampolha (PDT).
 Algum tempo antes da sessão solene, prevista para as 18 horas, as galerias
 do Plenário da Alerj mais pareciam as arquibancadas do Maracanã em dia de clássico, só que desta vez não havia time adversário. Os torcedores entoavam o cântico "olê,olê,olê,olê, Mister, Mister…”,  além dos torcedores comuns, funcionários da Casa, que ficaram além do término de seus expediente, deputados rubro negros e até mesmo outros parlamentares torcedores de outros times, marcaram presença por admiração aos homengeados e aos propositores das homenagens.
“As homenagens e manifestações que estou recebendo são muito importantes, pois mexem com o sentimental e isso irá contribuir para a minha decisão de ficar (ou não) no clube. É curioso um português estar sendo homenageado com a Medalha Tiradentes, mas isso muito me honra. Temos o Dom Pedro que proclamou a independência, e nós portugueses e brasileiros estaremos sempre ligados pela história, pelo sangue, por várias maneiras”, comentou Jesus.
 O presidente da Casa, André Ceciliano, em seu discurso exaltou a empatia simultânea de Jesus junto à Naçao Rubro Negra e seus feitos, correlatos à epópeia de seus conterrâneos navegadores, na busca de conquista obtidas na descoberta de novos mundos, reiterando ao final de sua fala, o pedido de 42 milhões de rubro-negros: que Jesus continue à frente do comando do time do Flamengo. E aí fica uma dica de marketing e de história: que tal qual como Dom Pedro I, ele anuncie o seu Dia do Fico à frente da Nação Rubro-Negra no dia 9 de janeiro de 2020, 198 anos depois do anúncio de Pedro I ?

PAIXÃO PELO FLAMENGO ARREFECE
 OS EMBATES IDEOLÓGICOS NA ALERJ

As eleições do ano passado determinaram uma renovação de 51% na Alerj e com ela,  chegou ao Palácio Tiradentes também a polarização, através, principalmente de parlamentares do PSL e Psol, partidos que assumiram o protagonismo na Casa, suplantando PMDB e PT, ocupantes anteriormente deste status. Ao longo deste ano legislativo , o primeiro para a maioria deles, não foram poucas as vezes em que parlamentares destes dois partidos quase chegaram às  vias de fato. Mas a paixão pelo
Flamengo e suas vitórias e conquistas ao longo do ano sempre apaziguaram os ânimos, afinal, dos 70 parlamentares fluminenses, 35 deles torcem pelo Flamengo , exatamente 50%. No Plenário estiveram presentes os deputados Luis Paulo (PSDB), Lucinha(PSDB), Renan Ferreirinha(PSB), Rodrigo Bacellar(SDD), 
Alexandre Knoploch (PSL) e Rodrigo Bacellar (Solidariedade),  Márcio Pacheco (PSC) e Thiago Pampolha (PDT), Rodrigo Amorim (PSL),Brazao (PL), Márcio Canella (MDB)entre outros, enfim, a direita, o centro e a esquerda, algo que somente uma nação como o Flamengo pode fazer.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

ESTUDANTE ACUSADO DE RACISMO TENTOU INGRESSAR NA UFRB ATRAVÉS DE COTAS

O estudante do curso de Ciências Sociais, Danilo Araújo de Góis, denunciado por racismo contra uma professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) tentou entrar na universidade através de cotas raciais. A informação foi confirmada ao G1 pela assessoria da instituição.
Segundo a UFRB, o pedido do estudante foi feito durante o vestibular de 2018.2, mas acabou indeferido. Danilo Góis, que está no 3° semestre, entrou na universidade através de um processo seletivo para vagas residuais, onde concorreu na modalidade de ampla concorrência.
A professora da UFRB Isabel Cristina Ferreira dos Reis denunciou à Polícia Civil que sofreu racismo durante a aplicação de provas, dentro do campus da instituição, na cidade de Cachoeira, na noite de segunda-feira (9). O caso é investigado. A docente entrou com um ação no Ministério Público da Bahia (MP-BA).