sábado, 27 de julho de 2013

O RACISMO DE HOJE É MAIS PERIGOSO, AFIRMA A EX-PANTERA NEGRA ANGELA DAVIS


Edição Adilson Gonçalves Fonte: Pragmatismo Político
Os gestos sutis e comedidos de Angela Davis, 68, enquanto conversa, quase não lembram a imagem que correu o mundo da jovem revolucionária que integrou os Panteras Negras, nos Estados Unidos. Sua prisão, após envolvimento numa ação para libertar jovens negros acusados de matar um juiz, mobilizou o mundo nos anos 1970.
Tema de músicas de John Lennon e Yoko Ono (Angela), além dos Rolling Stones (Sweet Black Angela), a hoje professora da Universidade da Califórnia continua ativista. Seu espaço de luta é o movimento anticarcerário e a mobilização de mulheres. Em ambos, ela enfatiza que o racismo continua muito presente, mesmo no país que reelegeu como presidente Barack Obama. “Pessoas que estão encarceradas dizem que um homem negro na Casa Branca não é suficiente para anular um milhão de homens negros na casa-grande, ou seja, no sistema carcerário”. Ela conversou com a Muito na sua quarta passagem pela Bahia, onde teve como principal compromisso participar de um fórum na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Cachoeira.
Como foi a sua experiência no Fórum 20 de Novembro, no campus da Universidade Federal do Recôncavo, em Cachoeira?
Fiquei bastante impressionada com o evento, mas também em perceber como a universidade se expandiu. É uma instituição pública federal majoritariamente negra, com ações afirmativas. Deveria ser um exemplo para os EUA. Lá, as ações afirmativas estão sendo questionadas e abolidas.
No Brasil, vivemos um momento em que o entendimento sobre a importância das ações afirmativas consolidou-se na universidade e nos movimentos sociais. Mas parte da sociedade e da mídia tem dúvidas. Qual a situação dessas medidas nos EUA?
No contexto atual, o Brasil está bem à frente dos Estados Unidos, no que diz respeito à implementação das ações afirmativas. Lá, nos anos 1990, vários programas nesse sentido foram juridicamente eliminados.
Quais as principais consequências desse processo?
Há mais homens negros encarcerados nos EUA do que nas universidades. Há um milhão de homens negros na cadeia. Temos que avaliar o que leva um homem negro a chegar a esse ponto.

PRIMEIRA MINISTRA NEGRA ITALIANA CÉCILE KYENGE É ALVO DE NOVOS INSULTOS RACISTAS NA ITÁLIA: BANANAS FORAM ATIRADAS EM SUA DIREÇÃO


Edição:Adilson Gonçalves Fonte O Globo
ROMA - A primeira ministra negra da Itália, alvo de insultos racistas desde a sua nomeação em abril, condenou um militante do movimento de extrema direita Força Nova que jogou bananas em sua direção quando ela discursava num comício nesta sexta-feira, sem atingi-la. No Twitter, a ministra da Integração, Cécile Kyenge, considerou o gesto “triste” e um desperdício de comida, considerando a crise econômica.
“A coragem e o otimismo para mudar as coisas tem que vir, acima de tudo, de baixo para cima para alcançar as instituições", escreveu.
Cécile, que nasceu na República Democrática do Congo, provocou a ira de grupos de extrema direita com sua campanha para tornar mais fácil a obtenção da cidadania italiana por imigrantes.
Pouco antes do incidente, os membros da Força Nova deixaram manequins cobertos de sangue falso no local do comício do Partido Democrata, do primeiro-ministro Enrico Letta, na cidade de Cervia, no nordeste do país. As palavras de ordem “imigração mata” foram escritas em folhetos que acompanharam os bonecos, um slogan já usado pelo grupo para se referir a assassinatos cometidos por imigrantes na Itália.
No início deste mês, o vice-presidente do Senado, Roberto Calderoli, da Liga Norte, comparou-a a um orangotango e só pediu desculpas após uma avalanche de críticas.


 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

25 DE JULHO: DIA DA MULHER NEGRA LATINA E CARIBENHA

Edição: Adilson Gonçalves
Texto: Maristela Farias e Tamiris Rizo
Fonte: Setorial de Negras e Negros da CSP Conlutas
O dia 25 de Julho desde 1992 é marcado como o “Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha”, para celebrar e refletir sobre o papel das mulheres negras nesses continentes e dar visibilidade às lutas e à resistência das mulheres negras, tão marcadas pela cruel combinação da exploração capitalista e da opressão do racismo, do machismo e da lesbofobia.
Na América Latina, mais de 14 milhões de mulheres trabalham como empregadas domésticas. Sete milhões e duzentas mil só no Brasil, sendo 93% dessa força de trabalho compostas por mulheres, onde a maioria 61,6% é negra (IPEA, 2009). Esses dados só demonstram a triste perspectiva de vida colocada para as mulheres negras, que continuam tendo que enfrentar a herança escravista e às tradicionais concepções de gênero arraigadas como habilidades “naturais” das mulheres negras: viver para o serviço doméstico e/ou estarem submetidas à exploração sexual.
No Brasil a versão aprovada pelo senado vai ao encontro dos interesses dos patrões, e não para assegurar condições dignas de trabalho às empregadas domésticas, ao não garantir a essas trabalhadoras igualdades de direitos trabalhistas e de proteção social como estabelece a CLT. Como se não bastasse uma jornada de 44 horas, acompanhadas pela negociação entre patrão e trabalhador para a formação de um banco de horas, além da redução do valor pago pelo empregador para o recolhimento INSS em 12%; a proposta ainda passa para responsabilidade da Caixa Econômica Federal, o pagamento de 40% de multa sobre o saldo do FGTS dos empregadores nos casos de demissão injustificada, isentando assim os patrões de arcarem com suas responsabilidades. Resultado que se vê concretamente na discutição do “Projeto de Lei das Domésticas” onde cada dia fazem mais e mais propostas de flexibilização de seus direitos, e mais concessões para os patrões, ou seja, o “Super Simples”.

A categoria das diaristas compostas majoritariamente por mulheres negras, e são cerca de 340 mil profissionais, nas seis principais capitais do Brasil (IBGE – Maio, 2013), encontram-se em situação pior, ainda sem perspectivas de direitos trabalhistas, o que vem facilitando mais a sua exploração. Tendência a se aprofundar com a resistência e dificuldades dos patrões em concederem os direitos às empregadas domésticas.
As mulheres negras também estão nos serviços públicos, no setor de serviços e na educação pública, principalmente nos anos iniciais. E não é por acaso que os salários desta categoria são os mais baixos dentre os que exigem uma formação superior, como também seja a que menos tem direito.
As mulheres e jovens negras também são a maioria nos estágios temporários, telemarketing e empresas terceirizadas, mas são as que menos estão presentes dentro das salas de aula das universidades públicas.
As mulheres negras e jovens são a maioria das vítimas de violência doméstica aprofundada nesta sociedade capitalista e patriarcal pelo machismo, além de estarem mais constantemente expostas a violência sexual e policial,  E ainda, mais vivendo em um pais, onde um jovem negro tem 139% mais chances de ser assassinado que um branco, todos os dias, as mulheres, em especial as mulheres negras, sofrem com a perda de seus filhos, irmãos e companheiros. 



PRESIDENTA DILMA ROUSSEF VETA FIM DA MULTA DE 10% SOBRE O FGTS, QUE HAVIA SIDO APROVADA PELA CÂMARA

Edição Adilson Gonçalves Fonte:Reuters - A presidente Dilma Rousseff vetou projeto de lei que acabava com a contribuição social de 10 % sobre o saldo total do Fundo De Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), paga pelos empregadores ao governo em caso de demissões sem justa causa, segundo edição desta quinta-feira do
Diário Oficial da União.
O projeto havia sido aprovado pela Câmara em 3 de julho e era defendido por empresários que afirmam que a contribuição não pode ser mantida de forma permanente. A multa foi instituída em 2001, para compensar perdas do FGTS por conta dos Planos Verão, em 1989, e Collor 1, em 1990.
No veto, Dilma argumenta que o projeto de lei vai contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, ao gerar impacto superior a 3 bilhões de reais por ano no FGTS sem dar "indicação das devidas medidas compensatória".
"A sanção do texto levaria à redução de investimentos em importantes programas sociais e em ações estratégicas de infraestrutura, notadamente naquelas realizadas por meio do Fundo de Investimento do FGTS", afirma a presidente no veto.
"Particularmente, a medida impactaria fortemente o desenvolvimento do Programa Minha Casa, Minha Vida, cujos beneficiários são majoritariamente os próprios correntistas do FGTS", acrescentou.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre julho de 2012 e abril deste ano, os empregadores pagaram cerca de 2,7 bilhões de reais relativos à contribuição.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

PRESIDENTE DILMA ROUSSEF RECEBE 19 ORGANIZAÇÕES DO MOVIMENTO NEGRO NO PLANALTO PARA DEFINIR POLÍTICAS DE COTAS NO SERVIÇO PÚBLICO

 Edição: Adilson Gonçalves
Texto: Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) deve entregar até o fim deste ano, à Presidência da República, uma proposta de decreto presidencial para regulamentar as cotas para negros nos concursos públicos federais, de acordo com o que prevê o Estatuto da Igualdade Racial. Após reunião entre a presidenta Dilma Rousseff e 19 segmentos do movimento negro do país, a ministra da Seppir, Luiza Bairros, disse que o objetivo é buscar segurança jurídica para a medida.
“Hoje a presidenta reafirmou a posição que ela tem de que a questão das ações afirmativas, e mais especificamente a das cotas, constitui um elemento central da luta pela promoção da igualdade no Brasil”, disse a ministra. “Agora, dentro do governo, o que nós temos que buscar em relação às cotas no serviço público é toda a segurança jurídica necessária para que essa medida possa ser levada para avaliação final da presidenta.”
O frei David, diretor executivo da Educafro, organização não governamental que tem a missão de promover a inclusão da população negra e pobre nas universidades públicas e particulares, disse que a cota racial no serviço público é o reconhecimento do povo negro, que "há 513 anos [está] sofrendo, querendo inclusão". "Entendemos que a cota no serviço público é o empoderamento de um povo que, quanto mais tiver empoderamento, mais tranquilidade vamos ter e menos violência”, acrescentou.
A ministra disse que a questão da educação foi amplamente discutida no encontro. Um dos participantes da reunião foi o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que defendeu a necessidade de ações afirmativas para o acesso de negros ao ensino superior e também o compromisso com a implementação da Lei 10.639, de 2003, que torna obrigatória o ensino da cultura africana e afro-brasileira nas escolas. “Foi tratado como um elemento muito importante para que se combata o racismo e os preconceitos contra as matrizes africanas no Brasil”, relatou Luiza Bairros.
Além dos temas educacionais e do serviço público, a ministra ressaltou a discussão sobre o alto índice de violência contra jovens negros no país. “A questão do extermínio da juventude negra, das mortes violentas entre os jovens negros, foi objeto de comentários da Presidência da República, que chegou, inclusive, a sugerir a formação de um fórum”, disse ela. Segundo ela, o fórum seria coordenado pela Seppir e pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH) para discutir com mais profundidade políticas de segurança que levem em conta a situação da juventude negra no país.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

NELSON MANDELA COMPLETA 95 ANOS NESTA QUINTA-FEIRA, AINDA INTERNADO EM HOSPITAL EM PRETÓRIA; EM TODO O PLANETA SE COMEMORA O "MANDELA DAY"

Edição: Adilson Gonçalves 
Fonte: Portal Terra
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela completará seus 95 anos nesta quinta-feira em um hospital de Pretória, onde está hospitalizado desde 22 de junho em estado crítico, enquanto o mundo inteiro se prepara para homenageá-lo celebrando o "Mandela Day".
Desde 2010, a ONU comemora em 18 de julho o Dia internacional em homenagem ao herói da luta anti-apartheid, retomando uma ideia nascida na África do Sul. Cada cidadão do mundo é chamado a dedicar simbolicamente 67 minutos de seu tempo à serviço da coletividade, em memória aos 67 anos que Mandela dedicou à luta pela igualdade racial.
Na África do Sul, uma associação vai varrer as ruas, voluntários vão pintar escolas, crianças de todo o país vão cantar "Feliz aniversário" às 8h (3h no horário de Brasília), e cada político será fotografado em uma obra de caridade. Este aniversário será especialmente emocionante, com o ícone mundial da reconciliação racial entre a vida e a morte há semanas.
As últimas notícias parecem um pouco mais otimistas. Alguns familiares têm dito que ele "responde ao tratamento" e que reconhece as visitas. Sua esposa Graça Machel disse nesta quarta-feira estar "um pouco menos ansiosa" que na semana passada.
"Espero que mesmo se ele não puder aproveitar seu 95º aniversário, que esteja bem para seu 96º", declarou à AFP seu amigo de longa data George Bizos, advogado que o defender nos tribunais do apartheid.
- Mandela foi preso em 1962, ao retornar de uma viagem ao exterior tida como ilegal. Em 1963, ele e outros foram acusado de sabotagem e de outros crimes equivalentes ao de traição, mas mais fáceis de serem provados. E eles, de fato, admitiam seu envolvimento em ataques.

O caso ficou conhecido no mundo todo como Tribunal de Rivonia, e o discurso que Mandela fez, no fim da sessão, foi um dos mais importantes da sua carreira.
Disse: “Durante minha vida, eu me dediquei à luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca e contra a dominação negra. Nutri a ideia de uma sociedade democrática e livre na qual todos vivem juntos em harmonia, com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e que espero alcançar. Mas, se preciso for, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer”. Relata bizos.

Os detratores espalharam boatos de que um negro jamais poderia ter escrito aquele discurso. Mas eles se esqueciam de que Mandela era um advogado.
Para os familiares, o aniversário também será marcado pela recente disputa envolvendo o neto mais velho de Mandela, que foi levado à Justiça por outros parentes por ter transferido, sem autorização, três lápides de três filhos do ex-presidente para o seu próprio vilarejo.
Mandla Mandela é acusado de querer criar um centro turístico em seu vilarejo com o nome de Mandela. Acuado, ele contra-atacou revelando segredos de família, durante uma coletiva de imprensa. "Era algo que não gostaríamos que fosse revelado publicamente", declarou a neta do herói nacional, Ndileka, em uma entrevista publicada nesta quarta-feira pela BBC.
O Mandela Day se tornou um dia importante para a maioria dos sul-africanos, e uma recente pesquisa revelou que 89% dos jovens planejam participar de ações de caridade. Mesmo o presidente Jacob Zuma, em nome da reconciliação iniciada por Mandela, entregará a chave de casas populares a famílias brancas pobres.
Mandela, que permaneceu 27 anos na prisão pelo regime segregacionista do apartheid, foi libertado sem uma palavra de vingança. Libertado em 1990, ele negociou com o poder uma transição doce para a democracia. Uma vez presidente, em 1994, nunca tentou humilhar ou desfavorecer a comunidade branca.
"Nunca na história da Humanidade, alguém foi reconhecido universalmente ainda em vida como a encarnação da magnanimidade e da reconciliação", declarou o ex-arcebispo anglicano Desmond Tutu, também prêmio Nobel da Paz por sua resistência ao apartheid.

terça-feira, 16 de julho de 2013

ABSOLVIÇÃO DE VIGIA QUE MATOU O ADOLESCENTE NEGRO TRAYVON MARTIN NOS ESTADOS UNIDOS REABRE ANTIGAS FERIDAS RACIAIS NO PAÍS

 MANIFESTAÇÕES ESTÃO PREVISTAS PARA O PRÓXIMO SÁBADO.
TEMENDO O PIOR, PRESIDENTE BARACK OBAMA PEDE CALMA À POPULAÇÃO
Edição: Adilson Gonçalves Fontes: Exame,  G1

A absolvição do vigia branco George Zimmerman, acusado de matar o jovem negro Trayvon Marin na Flórida, reacendeu o estigma racial nos Estádios Unidos, levando o presidente Barack Obama a pedir calma à população. No último domingo, dia 14, milhares de pessoas foram às ruas em Nova York, Los Angeles, Chicago e Atlanta, entre outras cidades, para protestar contra o polêmico veredicto alcançado por um júri composto por seis mulheres (cinco brancas e uma de origem hispânica), que declarou Zimmerman, de 29, inocente da morte de Trayvon Martin, de 17.
Outros protestos estão marcados para o próximo sábado, dia 20 de julho em 100 cidades dos Estados Unidos. “Haverá manifestações diante de prédios federais, para pressionar o governo e defender nossos direitos cívicos”, anunciou Al Sharpton, líder da Rede de Ação Nacional (National Action Network, NAN), organização de defesa dos direitos cívicos. Ele se declarou confiante de que o governo federal vá rever o caso.
Pelo menos seis pessoas foram detidas em Los Angeles na madrugada desta segunda, quando forças policiais dispersaram uma 'concentração ilegal' que acontecia em Hollywood, perto do prédio da rede CNN. Outras 15 pessoas foram presas em Nova York, a maioria por desordens, segundo a polícia. Todas foram liberadas depois.

O julgamento que terminou no sábado, em Sanford, centro da Flórida, dividiu o país entre os que acreditam que Zimmerman, um americano de mãe peruana, agiu em legítima defesa e aqueles que pensam que o vigia foi motivado por preconceito racial contra Martin. Zimmerman foi acusado de perseguir e atirar em Martin, que estava desarmado, durante uma briga entre os dois na noite de 26 de fevereiro de 2012.
'É uma vergonha que, em 2013, tenhamos um veredicto que legitima o assassinato de um negro porque se aceita o uso das armas de um civil contra outro', disse à AFP Amanda Hooper, uma jovem estudante de Nova York que estava de visita a Sanford e acompanhou as manifestações na frente do tribunal.
No domingo, após a explosão dos protestos, o presidente Obama pediu calma.
'Sei que esse caso provocou intensas paixões. No dia seguinte ao veredicto, sei que essas paixões podem se intensificar. Mas somos um estado de direito, e um júri falou', afirmou Obama, em nota à imprensa.
SUPREMACIA BRANCA
No ano passado, o caso já havia provocado manifestações em massa em várias cidades do país, que fizeram o presidente desabafar: 'Se tivesse tido um filho, ele seria parecido com Trayvon'. Na época, Obama convocou um debate sobre o racismo e a lei de armas da Flórida, que ampara a defesa pessoal.

Em contrapartida, o veredicto de sábado foi aplaudido por defensores das armas, por todos aqueles que apoiam a lei conhecida como 'Stand Your Ground' ('Defenda sua posição', em tradução livre). Essa lei permite o uso de armas por parte de quem se sentir ameaçado de morte.
Até o momento, os moradores da Flórida reagiram com calma. No sermão de domingo, as igrejas incluíram mensagens de paz pelo veredicto, além de pedir que a luta por justiça seja travada nas instâncias adequadas.
Valerie Houston, uma influente pastora da igreja Allen Chapel AME em Goldsboro, o bairro negro de Sanford, citou o líder Martin Luther King em seu
O algoz e vítima
sermão de domingo, para lembrar que 'a violência (em resposta) à violência apenas traz ódio'. Ainda assim Valeria declarou que, com a decisão judicial, 'o dia a dia do meu povo ainda está escravizado pela sociedade da supremacia branca'.
Os pais de Trayvon Martin, ausentes durante o veredicto, pediram manifestações pacíficas, citando Martin Luther King e a Bíblia.
DÚVIDA RAZOÁVEL
As juradas que absolveram Zimmerman da acusação de assassinato em segundo grau - com a possibilidade de pena de prisão perpétua - e homicídio culposo - pena máxima de 30 anos de prisão - não explicaram as razões de seu veredicto, porque isso implicaria revelar sua identidade publicamente. O tribunal respeitou a escolha das integrantes do júri de manter o anonimato.
A decisão das juradas se baseou nas 27 páginas de instrução entregues pela juíza Debra Nelson, que incluíam duas seções com uma opção para declarar o réu inocente: uso justificado de força letal e dúvida razoável.
Juíza Debra Nelson
ao proferir a sentença
Antes do início das deliberações, na sexta-feira, a juíza disse ao júri que, segundo a lei da Flórida,'o homicídio de um ser humano é justificável e lícito, se for necessário, quando se resiste a uma tentativa de assassinato, ou se comete um crime grave em relação a George Zimmerman'. A Flórida é o estado com maior número de pessoas armadas nos Estados Unidos.
Durante quase três semanas, as seis integrantes do júri ouviram dezenas de depoimentos que podem ter criado uma 'dúvida razoável'.
'George Zimmerman não é culpado, se existe uma 'dúvida razoável' de que agiu em legítima defesa', disse o advogado Mark O'Mara às seis integrantes do júri na sexta-feira, antes que começassem a deliberar. Ele insistiu nessa tese, quando comemorou o veredicto no sábado à noite.
MORTE TRÁGICA E DESNECESSÁRIA
Holder: "Morte desnecessária"
No domingo, o Departamento de Justiça lembrou que há um ano continua aberta uma investigação federal sobre o caso e que pretende rever a possibilidade de uma ação civil.
Já o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, lamentou a 'trágica, desnecessária' morte de Martin.
'Independentemente da determinação legal que foi adotada, acho que essa tragédia oferece uma nova oportunidade para a nossa nação falar honestamente sobre os problemas complicados e emotivos que esse caso apresentou', afirmou.
O governo deixou claro que manterá distância da polêmica e que Barack Obama não vai interferir na investigação federal sobre a morte de Trayvon Martin, declarou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
'Essa é uma decisão tomada pelo Departamento da Justiça, pelos promotores com experiência', afirmou Carney, em sua conversa diária com a imprensa, acrescentando que 'esse não é um caso, no qual o presidente esteja envolvido'.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

PROFESSORA NEGRA GANHA PROCESSO DE CRIME RACIAL CONTRA DIRETORA DE ESCOLA MUNICIPAL QUE A CHAMOU DE MACACA EM SÃO PAULO

Edição: Adilson Gonçalves
A professora e pedagoga de Ciências Sociais, Neusa Maria de Marcondes
ganhou na justiça o processo de crime de racismo contra a
diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Benedito Calixto,
Francisca Silvana Teixeira. A sentença saiu no dia 6 de julho em São
Paulo.A professora explicou que foi agredida verbalmente pela diretora por
ser negra. “Ela [a diretora] me chamou em sua sala para eu assinar um
documento, e disse dessa forma: `vem aqui assinar o documento, sua
macaca´. Eu sou militante, sindicalizada e atuo no movimento negro
(…), não podia de maneira nenhuma deixar que esse ato desrespeitoso
passasse impune”, enfatizou.
Em março de 2009, a professora entrou com processo de crime racial
contra a diretora e esperou sair a sentença para vir a público. Nesse
período, muitos diziam para ela desistir, pois o processo não iria dar
em nada e que desculpasse a diretora. Neusa não esmoreceu e prosseguiu
com a iniciativa. A diretora foi condenada a um ano de reclusão, pena reduzida para
trabalhos na comunidade. “Infelizmente nesse país ninguém vai preso,
mas eu vou continuar lutando contra a impunidade”.

 Neusa disse que além do processo criminal, vai exigir uma posição da
Coordenadoria de Educação de Itaquera (SP) e da Ouvidoria da
Secretaria de Educação sobre o caso.

 A professora espera que as pessoas tenham coragem de se rebelar
contra qualquer tipo de preconceito. “Quem sofre com a homofobia,
racismo ou machismo, têm que reagir, não podemos sofrer calados,
enquanto aceitarmos o preconceito não conseguiremos nada, precisamos
lutar e não nos deixar diminuir”, desabafou. Neusa informou que infelizmente existe o preconceito com os negros noBrasil, de maneira velada, mas existe. “O que é ser negro no Brasil? Éser discriminado e subjugado. Nós precisamos ser fortes para superar
tudo isso (…) temos que ser guerreiros e continuar lutando. Esse
processo de crime racial que ganhei na justiça é uma vitória não só
minha, mas de todo o movimento negro”, finalizou.

MULHERES E NEGROS SÃO A MAIORIA NO SETOR DE ASSEIO E CONSERVAÇÃO

Edição: Adilson Gonçalves Fonte EBC
Rio de Janeiro - Uma das atividades econômicas que mais empregam trabalhadores com baixa qualificação, o setor de asseio e conservação é composto principalmente por mulheres e negros, das classes D e E. O perfil profissional da categoria está descrito na pesquisa A Força do Setor-RJ, do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Rio de Janeiro (Seac-RJ). Na avaliação do coordenador de Mercado de Trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Gabriel Ulissea, a pesquisa demonstra que entre a população com menos escolaridade, mulheres e negros estão "sobrerrepresentados".
Ele explica que por motivos históricos e culturais, determinados perfis são predominantes em setores da economia. "As mulheres têm tradicionalmente inserção mais pronunciada em certos tipos de ocupação, como trabalho doméstico, prestação de serviços e serviços de baixa qualificação, embora isso esteja mudando."
Segundo o economista, o trabalho no setor também atrai mais mulheres porque tende a ser menos intensivo em horas. "São jornadas que podem não chegar a 8 horas (diárias), ou mais, onde é possível trabalhar em tempo parcial, e isso facilita a inserção de mulheres", disse. De acordo com Ulissea, o trabalho doméstico e o cuidado com os filhos também é uma preocupação delas. Segundo a pesquisa do Seac, as mulheres são 92% da mão de obra de limpeza e conservação.
Em relação à presença de negros no setor, que chegam a 62% dos empregados no Rio, o economista disse que há uma dificuldade de apontar a discriminação como um fator que atrapalha as contratações. No entanto, Ulissea explicou que, por estarem em maior quantidade entre a população mais pobre, os negros tendem a ter uma educação de menor qualidade.

"Como negros e mulheres negras, principalmente, estão sobrerrepresentados entre os mais pobres, é mais provável que tenha tido uma escolaridade de menor qualidade. Tem também a questão do ambiente familiar, se mora em comunidade, ou não. Ou seja, há uma série de componentes que se confundem", disse. Para ele, a situação confirma "uma clara desigualdade de oportunidades".

NELSON MANDELA ESTÁ CONSCIENTE E RESPONDE ESPONTANEAMENTE, INFORMA NETO DO EX-PRESIDENTE

Edição: Adilson Gonçalves Texto: Renata Giraldi* - EBC
*Com informações da emissora multiestatal de televisão, Telesur e da Presidência da República da África do Sul.

Brasília - Hospitalizado há 38 semanas, o ex-presidente da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela, de 94 anos, está consciente e responde espontaneamente quando lhe fazem perguntas, segundo seu neto Ndba. "Meu avô está animado e responde positivamente quando falam com ele", disse Ndba. O ex-presidente da África do Sul Thabo Mbeki, que acompanha o tratamento de Mandela, disse que ele poderia ter recebido alta médica para continuar a recuperação em casa.
"Sei que os médicos estão tratando muito bem [dele] e fazendo um trabalho excelente", disse Mbeki. "Estou bastante confiante de que Madiba [apelido de Mandela cujo significado é Conciliador] terá alta", acrescentou ele, que sucedeu Mandela no poder de 1999 a 2008.
Madela foi internado há cinco semanas, em 8 de junho, devido a uma infecção pulmonar crônica. Segundo o neto Ndba, o estado de Mandela permanece "grave, mas estável". A três dias de comemorar 95 anos, o ex-presidente é esperado para as celebrações na África do Sul.
O governo pede à sociedade que mantenha as orações e a confiança no restabelecimento de Mandela. Há uma campanha nacional elencando as principais realizações do líder que combateu o apartheid [regime de segregação racial] e, por isso, passou 27 anos preso.
"Um movimento global de mudança positiva começa com pequenas ações, a partir de como cada pessoa age e isso estimula a mudança positiva, sensibilizando e expandindo os valores de Mandela, na luta contra a injustiça, ajudando as pessoas em suas necessidades e praticando a reconciliação", diz a campanha nacional do governo sul-africano.
A campanha reúne possibilidades de as pessoas contribuírem com os projetos de prevenção ao HIV/aids, apoio a clínicas de doentes mentais e terminais, doações de brinquedos e livros, entre outras ações. A finalidade é que os sul-africanos vivam os valores da Constituição, que prevê os direitos de todas as pessoas que vivem no país, além de afirmar valores democráticos da dignidade humana, igualdade e liberdade para todos.