terça-feira, 28 de maio de 2013

CRIADA EM SÃO PAULO A SECRETARIA DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL

 Edição Adilson Gonçalves Fonte Vermelho

A Prefeitura oficializou nesta segunda-feira (27), no evento D´África-São Paulo, a criação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, que apresentou políticas etnicorraciais projetadas para a cidade. O ato contou com as presenças do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o prefeito Fernando Haddad ressaltou a importância do ensino da História da África nas escolas.
"Nem sempre temos a consciência do que é ser negro no Brasil, do que é ser afrodescentende, do que é ser descendente de escravos e, muitas vezes, isso é falta de consciência histórica em função de uma educação precária, em função de falta de consciência política", afirmou Haddad. "O papel dos dirigentes é justamente aprofundar esse debate e fazer chegar para as crianças e jovens do Brasil o quanto nós temos de caminhar para um dia poder olhar para trás e dizer que resgatamos a história dos negros no Brasil", concluiu o prefeito.
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial amplia o trabalho da Coordenadoria dos Assuntos da População Negra, criado em 1989, no combate às desigualdades raciais. Ela tem como missão desenvolver políticas públicas e construir uma agenda com ênfase para a população negra. Também serão atendidos os imigrantes (em especial africanos), e as comunidades tradicionais (como os povos indígenas e ciganos), além das religiões de matriz africana.
"A criação dessa Secretaria é uma conquista do nosso movimento negro e da organização das mulheres, em nome de toda a população negra e também de outros setores organizados. Isso demonstra a vontade política, o reconhecimento da necessidade de uma efetiva construção de estratégias para o combate das desigualdades raciais", afirmou o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula.
Durante a celebração, o secretário anunciou seu grupo de trabalho "Educação das Relações Etnicorraciais", que irá trabalhar principalmente na elaboração da proposta de implementação, acompanhamento e monitoramento da Lei 10.639/2003, que institui o ensino da História da África nas escolas públicas e privadas. "A implementação dessa lei é, aqui em São Paulo, uma prioridade de governo, efetiva política de estado, que deve assegurar oportunidades raciais no interior da escola e na sociedade", concluiu Netinho.
O Grupo de Trabalho será composto pelas secretarias de Educação (formação dos educadores, monitoramento da população e distribuição de materiais didáticos e paradidáticos), Cultura (implementação de debates sobre a cultura negra/indígena, investimento em publicações de livros temático e promoção da aproximação com o samba como patrimônio histórico), Esporte (investir na prática da capoeira e aproximação dos centros esportivos às práticas educativas e de socialização) e de Governo (monitoramento do conjunto das ações e a implementação da Lei 10.639).

Em seu discurso, Lula lembrou das dificuldades enfrentadas para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e a grande vitória que ele representou. O ex-presidente falou dos avanços feitos nos últimos anos, mas ressaltou que muito ainda precisa ser feito. Ele também falou da dívida história do Brasil com os países africanos: "Uma dívida que não pode ser mensurada em dinheiro, tem que ser mensurada em solidariedade". Lula se disse ainda muito feliz com a reação da imprensa brasileira à visita da presidenta Dilma Rousseff à África. "Parece que a imprensa descobriu a África", afirmou.
Sobre o papel do Brasil nas relações com a África, o ex-presidente ressaltou que o modelo colonizador implantado em quase todos os países do continente não pode voltar a existir. "As empresas brasileiras têm que estabelecer uma política de associação, de parceria", afirmou ele. Lula defendeu ainda que as empresas brasileiras devem colocar negros africanos em cargos de chefia e não fazer como as empresas estrangeiras faziam no Brasil em seus tempos de sindicato. "Quem pode ter uma relação diferente com a África é o Brasil", ressaltou.
Dia da África
O Dia da África foi instituído pela União Africana (antiga Organização da Unidade Africana) ressaltando o momento de sua criação - 25 de Maio de 1963, como forma de celebrar e lembrar o Continente Africano como parte da historia, da memória, e, dos valores civilizatórios mundiais. Esta data reflete o compromisso político dos líderes africanos e destes com instituições internacionais, visando à aceleração do fim da colonização do continente. Nesta perspectiva, nos últimos anos a agenda governamental brasileira se intensificou junto ao Continente Africano reforçando os laços históricos e incrementando a relação econômica, política, social e cultural.
Ainda, ao longo das três últimas décadas, em função da negociação entre o Movimento Negro e a organização de mulheres negras com o Estado brasileiro, foram criados órgãos de promoção da igualdade racial - Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra no Estado de São Paulo (1984), a Coordenadoria dos Assuntos da População Negra no Município de São Paulo (1989); a Fundação Cultural Palmares vinculada ao Ministério da Cultura (1988); e, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República (2003).


PRODUTORES CULTURAIS E MILITANTES DO MOVIMENTO NEGRO QUESTIONAM A SUSPENSÃO DE EDITAIS DE INCENTIVOS À CULTURA PELA JUSTIÇA FEDERAL

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Mulher Negra
Produtores e militantes do Movimento Negro que promovem atividades artísticas e culturais questionaram a
decisão da Justiça Federal, que suspende editais de incentivo à produção cultural negra do Ministério da Cultura. Foram inscritos 2,4 mil projetos de médio e pequeno porte que concorriam a R$ 10 milhões. Na avaliação das entidades negras, a medida é um retrocesso e compromete projetos que refletem a diversidade brasileira.
Adriana Araújo organização da Feira Preta em São Paulo, revela dificuldade para acessar recursos, mesmo com uso de leis de incentivo fiscal estadual e federal, como a Lei Rouanet. Para fazer a feira de produtos étnicos nos últimos quatro anos, ela recebeu dinheiro de empresas privadas apenas da Petrobras, da Natura e do Banco Santander. "Mas não por leis de incentivo, que [por meio delas] poderiam passar quantia maior". A dificuldade a fez buscar o edital do Ministério da Cultura.
Organizadora do Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, Jaqueline Fernandes, de Brasília, sofre com o mesmo problema: captar recursos na iniciativa privada. Segundo ela, o edital suspenso era o início de uma política para grupos que sofrem com a burocracia e a discriminação. "Sentimos na pele a diferença quando a gente chega para as empresas, públicas ou privadas, com temas negros e outros projetos. Mesmo com a melhor produção do mundo, se forem estes os temas [gênero e raça, principalmente], vão ser preteridos", disse a diretora da Griô Produções.
Para o presidente do Grupo Cultural Olodum, João Jorge Santos Rodrigues, da Bahia, a dificuldade de as empresas e dos editais universalistas distribuírem recursos para produtores negros é um reflexo do racismo das instituições. "Sé há um campo em que a contribuição dos afrodescendentes é fundamental e visível no Brasil é na cultura e no esporte, mas mesmo assim, como mostram os dados do Ministério da Cultura, por meio das políticas atuais, os recursos não chegam", disse.
De acordo com o presidente do órgão, Hilton Cobra, "nem com lupa" é possível encontrar projetos de incentivo à cultura negra patrocinados por empresas privadas no país, por isso a necessidade dos editais com recorte racial, que estão agora suspensos pela Justiça.
"É necessário que se saiba que há uma dificuldade nos mecanismos de captação [de recursos] atuais, que são excludentes e as empresas não querem vincular a marca delas à nossa cultura e arte negra", completou Cobra. Ele também atuou por 25 anos como produtor cultural e cobra que a classe artística se manifeste. "Uma única pessoa não pode retroceder toda uma política".

domingo, 19 de maio de 2013

JOEL ZITO ARAÚJO LANÇA O FILME RAÇA EM CIRCUITO COMERCIAL


Edição Adilson Gonçalves Fonte Estadão
Joel Zito Araújo é um cineasta preocupado com a discriminação racial no Brasil. Sua obra gira em torno do tema, em obras documentais como A Negação do Brasil (livro e filme, sobre a invisibilidade do negro na dramaturgia brasileira) e ficcionais, como Filhas do Vento, vencedor de oito kikitos em Gramado. Seu novo trabalho, Raça, feito em parceria com a documentarista norte-americana Megan Mylan, vai na mesma linha.
Raça elege três pontos de vista para convergir na discussão do mesmo problema. No primeiro, acompanhamos os dez anos de luta parlamentar para aprovar o Estatuto da Igualdade Racial. No segundo, a batalha dos moradores do Quilombo de Lizarinho para evitar que uma multinacional se apodere de suas terras. No terceiro, a saga da implantação da TV da Gente, veículo de comunicação cujos dirigentes e funcionários eram, em sua maioria, negros.
Os segmentos narrativos se interligam e se alternam ao longo do documentário. E cada um possui uma espécie de condutor, nessa que é uma luta coletiva por direitos. No plano político, o destaque é do senador Paulo Paim, em suas negociações pela aprovação do Estatuto. Entre os quilombolas, a carismática Dona Miúda. E, na luta pela implantação da TV, o cantor Netinho de Paula.
Raça é um exercício de cinema direto, com as câmeras acompanhando os personagens durante vários anos. Ou seja, a ideia de base é captar não um resultado alcançado, mas um processo feito com muita dificuldade e que raramente evolui em linha reta. Pelo contrário, como são muitas as resistências, esses personagens veem-se obrigados ora a negociar, ora a pressionar, ou arrumar aliados às vezes inesperados para fazer com que suas causas andem.
Por um lado, nota-se a crítica embutida na maneira como as falas dos personagens e suas ações são colocadas na tela. O pressuposto, implícito, é de que a sociedade teve informações muitas vezes incompletas ou unilaterais sobre temas como as cotas raciais, a posse da terra ou o oligopólio dos meios de comunicação. O filme cava seu espaço nesse vácuo, nessa carência informativa.
Por outro, há também a decisão de não dar por findo um percurso ainda em suspenso. Precisa-se ir ao Google para saber o que foi feito da TV da Gente. O filme não informa. As conquistas, mesmo que aparentemente históricas, parecem ainda frágeis e provisórias. É um inacabamento iluminador. Sugere que a luta mal começou.

domingo, 12 de maio de 2013

A TODAS AS MÃES DE TODOS OS CREDOS, CORES E RAÇAS

Edição: Adilson Gonçalves

MINHAS AMIGAS MÃES, GOSTARIA SINCERAMENTE DE ABRAÇA-LAS UMA POR UMA E DESEJAR ACREDITEM, QUE O AMOR DIVINO ILUMINE CADA UMA DE VOCÊS, MAS COMO ISSO SE TORNA INVIÁVEL,  BEM MAIS FACIL, MAIS TENHAM CERTEZA COM A MESMA INTENSIDADE MAS, PARA QUE ESTA MENSAGEM CHEGUE EM CADA CORAÇÃO MATERNO EU RESOLVI PEDIR UMA AJUDA A UM SER MUITO PODEROSO E ESPECIAL. VIBRAÇÕES POSITIVAS PARA TODAS AS MÃES. E FELIZ DIA DAS MÃES. 
ORAÇÃO DO DIA DAS MÃES



Senhor derrama tua sublime luz sobre a fronte de todas as mães da terra e de todos os mundos habitados.
Sábias, transformam-se em crianças quando os filhos são pequenos.
Inteligentes, fazem-se menores para não ofender os menos favorecidos intelectualmente.
Transformadoras, querem um mundo melhor para abrigar seus filhos amados.
Aqueles que mesmo quando não saíram de seus ventres, foram por elas acolhidos amorosamente.
Cuida também das crianças de todas as idades, que quando suas mães partem, sentem o desamparo irremediável de uma dor sem limites...
Diz a elas, Senhor, que vós lhes destes Maria, a Mãe de todas as mães, para cuidar e velar por toda a humanidade estendendo seu véu protetor sob o qual todos ficam protegidos e cuidados.
Ajuda Senhor, as mães especiais que aceitaram receber no ventre um filhinho muito especial, que será sempre motivo de cuidados e desvelos maiores ainda que os demais.
Ajuda as mães que por miséria afetiva e financeira abandonaram seus filhos, para que possam suportar a dor do arrependimento.
E por fim, ainda ouso pedir que estenda sua mão compassiva sobre as mães que o são pela profissão que escolheram, na figura da professora, da enfermeira, da humilde cuidadora que vela pelos seus muitas vezes esquecendo suas necessidades.
Daí a todas Senhor, forças para cumprir com a missão de fazer o Seu papel aqui na terra, cuidando, orientando e apontando sempre o caminho do bem.
Que assim seja!
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Jeanne Geyer.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

TETRACAMPEÃO MUNDIAL, ROQUE JÚNIOR AFIRMA HAVER RACISMO NO FUTEBOL


Edição: Adilson Gonçalves Fonte Uol
Aos 36 anos, Roque Júnior se prepara para começar na terceira carreira dentro do futebol. Depois de jogador e dirigente, o ex-zagueiro, campeão no Palmeiras e na seleção brasileira, agora quer ser técnico. No último domingo, embarcou para a Itália, onde fará um curso da Uefa para se habilitar para trabalhar na Europa. 
“Eu tenho vontade de trabalhar lá fora, sonho. Me adaptei bem quando jogador. Se tiver oportunidade de começar lá, vou, mas se tiver aqui também”, planeja.
Além do que classifica como “ voltar a sentir a adrenalina” que o futebol lhe traz, a chance de competir e ser treinador no Brasil serviria para o ex-zagueiro quebrar o que vê como uma barreira: o racismo velado. Num esporte onde a população média de jogadores profissionais é miscigenada, são raros os exemplos de treinadores negros e pardos.“Eu acho que é uma barreira a ser quebrada. Vejo que existe, sim, racismo, mas que é algo que não está isolado da sociedade. Qual o percentual de negros e pardos na população? Mais de 50%. E entre doutores? Li outro dia que não chega a 20%. No futebol é igual. Entre posições de comando, dirigentes, técnicos é raro”, afirma o futuro técnico.
“Vejo o conhecimento como uma arma para vencer isso. Você tem que se preparar, estar habilitado. Foi o exemplo que tive em casa, da minha família e que vou seguir. Minha mãe é professora, tenho uma tia doutora. O conhecimento ajuda a quebrar essas barreiras”, completa.
Quando ainda trabalhava como dirigente do seu clube, o Primeira Camisa, Roque Júnior fez um MBA em gestão e marketing esportivo. O projeto de uma equipe que trabalhava com categorias de base em São José dos Campos foi congelado no ano passado.

Quando teve certeza que queria ser técnico, Roque Júnior decidiu ver de perto como se trabalhava nos modelos que mais admira. Por isso, em outubro de 2012 arrumou as malas e passou quase dois meses na Europa. Porto, Bilbao e Dortmund foram os destinos. 
“Queria entender o que caras como Bielsa (do Athletic Bilbao) e Klopp (do Borussia Dortmund) estavam fazendo. Fui ver treinos, o trabalho do dia a dia e jogos”, conta Roque Júnior.
Conhecido de um argentino que é auxiliar de Bielsa, ele conseguiu acompanhar duas semanas de trabalho do treinador, ex-comandante da seleção, tido por ninguém menos do que Pep Guardiola como um dos melhores do mundo.
“Não tive muito contato com ele. Nessas horas, eu entendo que você tem que preservar uma certa distância. O mais importante que vi é que o treino é a chave dos caras, a chave de tudo. O treino é fundamental. A interação dele no trabalho é muito importante, como orienta cada trabalho”, lembra.
Com Klopp, que levou o Borussia Dortmund para a final da Liga dos Campeões, houve mais interação. “Conhecia ele da minha época de jogador, conversamos. Mas o melhor foi ver os treinos e o resultado no jogo. Eram trabalhos muito intensos, com cobrança muito grande. Tinha treinos em que os jogadores precisavam trocar de mentalidade muito rapidamente, mudavam de atacar para defender de forma rápida”, diz
TÉCNICOS NA ITÁLIAM, ZÉ MARIA E CÉSAR CRITICAM FORMAÇÃO NO BRASIL
Um caminho muito mais difícil, longo e que exige um repertório cultural maior que no Brasil. Foi essa a via escolhida pelos ex-laterais da seleção brasileira Zé Maria e César para se tornarem técnicos de futebol: a escola italiana, considerada uma das mais renomadas do mundo para a função. O processo para ser técnico no país tetracampeão mundial é simples: tem de fazer um curso da FIGC (Federação Italiana de Futebol), que tem três estágios, com duração de um ano cada. A permissão para comandar times de diferentes categorias varia de acordo com o tempo feito de curso. César, ex-São Caetano e Corinthians, jogou na Itália de 2001 a 2009. Passou por Lazio, Inter de Milão e Bologna, entre outros. Até que decidiu fazer o curso para treinador. Fez apenas o primeiro ano, que permite ser auxiliar técnico de quem se formou, ou comandar times de base. Atualmente César é técnico do time sub-17 da Lazio 

sábado, 4 de maio de 2013

JOAQUIM BARBOSA: " A JUSTIÇA NO BRASIL SOMENTE PUNE POBRES E NEGROS"

 Edição Adilson Gonçalves Fonte Agência Brasil

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, disse ontem (3), em debate na Costa Rica, que um dos fatores da impunidade no país é o tratamento desigual dado pela Justiça. Segundo ele, há diferença na condução de ações envolvendo pessoas com maior poder aquisitivo, com dinheiro para pagar bons advogados, e aquelas relacionadas aos "pobres, negros e pessoas sem conexões".
"As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, sua cor de pele e o dinheiro que têm. Tudo isso tem um papel enorme no sistema judicial e especialmente na impunidade", disse Barbosa. O ministro está em San José participando de um evento sobre liberdade de imprensa promovido pela Unesco.
Segundo o ministro, no país prevalece uma proximidade antiética entre advogados poderosos e juízes, o que acaba desequilibrando a prestação de Justiça. "Essa pessoa poderosa pode contratar um advogado poderoso com conexões no Judiciário, que pode ter contatos com juízes, sem nenhum controle do Ministério Público ou da sociedade. E depois vêm as decisões surpreendentes: uma pessoa acusada de cometer um crime é deixada em liberdade", argumentou.
Mesmo apontando essa falha, que considera existir não só no Brasil e na América Latina, mas no mundo todo, Barbosa disse que o Judiciário brasileiro é confiável, forte e independente do Legislativo e do Executivo. "Os juízes são respeitados pela maioria das pessoas", analisou.
O presidente do Supremo também justificou a demora da resposta do Judiciário brasileiro devido ao complexo sistema recursal do país, que admite até quatro instâncias para analisar a mesma questão. Ele também falou dos problemas da prerrogativa de foro, que permite aos políticos e determinadas autoridades serem julgados por tribunais superiores, e não pela Justiça de primeiro grau.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

MINISTRA NEGRA, A PRIMEIRA DO PAIS, É INSULTADA NA ITÁLIA


Edição: Adilson Gonçalves Fonte: O Globo Foto: Gregório Borgia/ AP
ROMA — A nomeação de Cecile Kyenge como a primeira ministra
negra da Itália - o que seria um símbolo da integração racial no país - levou um duro golpe quando o eurodeputado Mario Borghezio ridicularizou o que descrevia como o novo “governo bonga bonga”- uma referência ao “bunga bunga”, como ficaram conhecidas as orgias promovidas pelo ex-premier Berlusconi quando estava no poder. Em uma entrevista à Radio 24, Borghezio afirmou que Cecile tentaria “impor as tradições tribais” do Congo à Itália com seu projeto que dá cidadania imediata aos filhos de imigrantes que nasçam no país, que hoje têm de esperar até completar 18 anos para requerer a cidadania. A repulsa gerada pelas declarações fez com que o governo autorizasse, nesta quarta-feira, a abertura de uma investigação de páginas fascistas na internet, cujos membros chamaram Cecile de “macaca congolesa”.


Cecile, de 48 anos, nasceu no Congo, país que deixou há três décadas para estudar medicina na Itália. Oftalmologista, ela vive em Modena, com seu marido italiano e seus dois filhos. Foi uma ativa integrante da centro-esquerda local até que conseguiu uma cadeira na Câmara de Deputados nas eleições de fevereiro.
Na semana passada, a médica foi escolhida pelo primeiro-ministro Enrico Letta como ministra de Integração, para integrar o governo híbrido formado por ele e que conseguiu na terça-feira seu segundo voto de confiança no Parlamento. A congolesa respondeu aos insultos pelo Twitter e agradeceu aos que saíram em sua defesa.
“Acredito que até mesmo a crítica pode informar se for feita com respeito”, escreveu.
Josefa Idem, ex-canoísta e ministra das Oportunidades Iguais, ordenou que o Escritório Nacional Antidifamação investigue sites de extrema-direita que chamaram Cecile de “Zulu” e “negra anti-italiana”.
- Estou fazendo isso na minha qualidade de ministra das Oportunidades Iguais, mas acima de tudo como mulher - disse a alemã de 49 anos, que como Cecile se casou com um italiano e tem dupla cidadania. - A polícia deveria fechar esses sites.
Os comentários do Borghezio foram repudiados inclusive por membros de seu próprio partido, a Liga Norte, conhecida por suas posições xenófobas. A candidata à Prefeitura de Verona, Manuela del Lago, disse que estava “absolutamente enojada” pelas declarações. Cecile também recebeu apoio do astro da seleção italiana Mario Balotelli, filho de pais ganeses, nascido na Sicília e adotado por italianos, ele mesmo acostumado a manifestações racistas em estádios do país.
- A sua indicação é um grande passo para uma sociedade italiana mais civilizada, mais responsável e mais ciente da necessidade de uma integração definitiva - disse o jogador.
Em seu discurso de apresentação no Parlamento, Letta descreveu a nomeação de Cecile como “um novo conceito no qual as barreiras dão lugar à esperança e limites insuperáveis dão lugar a uma ponte entre as diferentes comunidades”. A prioridade da ministra de Integração é o direito à nacionalidade italiana por nascimento. Atualmente a cidadania italiana se determina por filiação (direito de sangue).
- Provavelmente vou encontrar resistência, termos que trabalhar muito para chegar a isto. Uma criança, filha de imigrantes, que nasceu e cresceu aqui, deve ser cidadã italiana - afirmou Cecile.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

EMPRESA DE SERVIÇOS DE EMPREGADOS DOMÉSTICOS TEM EM SEU FORMULÁRIO ITEM SOBRE PRECONCEITO DE COR PARA SEUS CLIENTES


Edição Adilson Gonçalves/ Fonte: G1
A internauta Luanna Teofillo, de 33 anos, denunciou, que circulava em uma rede social a imagem de um site de serviços de empregados domésticos em que um formulário de busca de profissionais contém a seguinte pergunta: "Preconceito de cor? Sim ou não".
“Segundo o site, a empresa Lar&Cia Consultoria de empregos domésticos, localizada no município de Sorocaba (SP) tem como objetivo ‘satisfazer as necessidades dos nossos clientes com eficiência".
Para a internatuta, a ‘boa aparência’ continua sendo requisito determinante em muitas áreas. "O que vemos é apenas um exemplo do que acontece todos os dias com trabalhadores negros, indígenas, mestiços”, diz Luanna.
Nota da Redação: a empresa Lar&Cia Consultoria de Empregos Domésticos foi procurada pelo G1 e, apesar de confirmar ser a proprietária do site, não quis se manifestar sobre o assunto. O site foi retirado do ar na manhã desde segunda-feira (29).

segunda-feira, 29 de abril de 2013

GANGUE DE NEONAZISTAS "CABOCLOS" É PRESA EM NITERÓI POR ATO DE RACISMO: LEI CAÓ FOI APLICADA E BANDO JÁ ESTÁ NO PRESÍDIO


Edição Adilson Gonçalves Fonte O Globo Fonto Luis Ackermann 
A lei 7716 Lei Caó foi aplicada e grupo já esta preso em Bangu 8
RIO - Sete jovens neonazistas foram presos na manhã de sábado após agredirem um nordestino no Centro de Niterói. De acordo com a delegada adjunta da 77ª DP (Icaraí), Helen Sardenberg, os jovens — seis homens e uma mulher — tinham tatuagens de suásticas e vestiam camisas com referências neonazistas. Alguns deles tinham a cabeça raspada. Com o grupo, a polícia encontrou duas facas, um bastão, panfletos e ferramentas usadas para tortura.
A polícia confirmou os nomes de Caio Souza Prado, de 23 anos, Tiago Borges Dias Pitta, de 28, Philipe Ferreira de Lima, de 21, Carlos Luiz Bastos Neto, de 33 anos, Davi Oliveira de Moraes, de 31 anos, Jessica Oliveira, de 26. Um menor de 15 anos foi apreendido.A agressão ocorreu na Praça Arariboia, próximo à estação das barcas. Guardas municipais foram chamados pela população para deter o grupo, que foi visto indo em direção à vítima com facas e um taco de beisebol.
A vítima foi identificada como Cirley Santos, de 33 anos. Ele nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e já conhecia um dos envolvidos. Ele contou que foi abordado pelos jovens, que o chamaram de “nordestino de merda”. A vítima disse ainda que eles fizeram alusão a Hitler e começaram a agredi-lo.
O grupo vai responder pelos seguintes crimes previstos na Lei 7716, popularmente conecida como Lei Caó: intolerância de cor, raça, etnia, religião e origem e fabricação, comercialização ou veiculação de símbolos, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica para divulgação do nazismo.
A delegada informou que os presos também responderão por lesão corporal, formação de quadrilha e corrupção de menores. Segundo a delegada, os crimes são inafiançáveis.