segunda-feira, 26 de setembro de 2011

CORREIOS ADEREM À CAMPANHA IGUALDADE RACIAL É PARA VALER

Acordo de cooperação que será assinado nesta terça-feira (27/09),às 15h, prevê uma série de ações pela promoção da igualdade no âmbito de atuação dos Correios

Fonte: Geledes e Seppir
Nas próximas semanas, todas as agências dos Correios terão cartazes da campanha Igualdade Racial é pra Valer. A estratégia de divulgação faz parte de um amplo acordo de cooperação técnica, que a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) assinará amanhã (27), às 15h, com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A parceria visa à implementação de ações conjuntas que assegurem a adesão da ECT à campanha.

A solenidade de assinatura do acordo de cooperação acontecerá no Salão Nobre do Edifício Sede da ECT, localizado no Setor Bancário Norte - SBN, Quadra 1, Bloco A, Sobreloja 1, Brasília. O evento contará com a participação da Ministra da Seppir, Luiza Bairros, do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, parlamentares e gestores dos dois órgãos federais.

Além da divulgação das peças publicitárias nas agências, a ECT assumirá uma série de compromissos pela promoção da igualdade racial. Entre eles, a realização de um censo para identificação do perfil étnico-racial de funcionários da empresa; a institucionalização do Fórum dos Direitos Humanos e da Diversidade dos Correios; e a divulgação e atendimento de demandas do Estatuto da Igualdade Racial.

Na dimensão do reconhecimento e da valorização da história e cultura negra em suas formas de existência e resistência, o acordo possibilitou a produção do Selo Personalizado e do Carimbo Comemorativo da Revolta dos Búzios. As peças homenageiam os quatro heróis de Búzios,que tiveram os nomes inscritos no Livro dos Heróis da Pátria, o "Livro de Aço", pela presidenta da República, Dilma Rousseff. Também conhecida como Revolta dos Alfaiates e Conjuração Baiana, o movimento libertário aconteceu na cidade do Salvador, no século XVIII, sendo protagonizado por africanos, negros livres, forros e libertos.
Igualdade Racial é pra Valer
Lançada neste Ano Internacional dos Afrodescendentes - declarado pela ONU, a campanha da Seppir convoca a sociedade a incorporar o movimento pelo fim do racismo no Brasil. As parcerias são estabelecidas com órgãos do governo, com a iniciativa privada e a sociedade civil, fortalecendo a promoção da igualdade racial em diferentes segmentos. A iniciativa já conta com a adesão de governos estaduais e municipais, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal; dos Ministérios da Saúde, Educação e da Justiça, através da Polícia Federal; da Petrobras, dos Correios, da Caixa Econômica Federal, da Tempo Propaganda, e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Os acordos de cooperação são construídos conforme a especificidade da atividade dos parceiros e incluem os planos de trabalho com atribuições das partes, metas e prazos para execução das ações. Além do comprometimento com a divulgação da campanha, também são previstas cláusulas relativas à formulação e implementação de ações afirmativas. Oferta de cursos de capacitação, realização de censos e estudos, adoção de sistemas de cotas raciais, proposição de leis, estão entre as iniciativas pautadas.

SERVIÇO

O que - Assinatura de acordo de cooperação entre Seppir e Correios
Onde - Edifício Sede da ECT - no Setor Bancário Norte - SBN, Quadra 1, Bloco A, Sobreloja 1, Brasília
Quando - Amanhã - 27/09/2011, às 15h

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

CAÓ COMPARECE À CERIMÔNIA DE ENTREGA DO DIPLOMA LÉLIA GONZALEZ, CONCEDIDO ÀS MULHERES NEGRAS MILITANTES DA BASE


               Foto, texto* e edição: Adilson Gonçalves

/* Imprensa CUT RJ
 Com a presença de Carlos Alberto Caó, a CUT-RJ realizou em seu auditório central, na última terça-feira, 13 de setembro, a entrega do diploma Lélia Gonzales, concedido, conforme explicou Glórya Ramos, coordenadora da Secretaria de Igualdade Racial da CUT RJ, "às mulheres negras trabalhadoras que militam nas bases". Esta foi a segunda edição da homenagem da CUT às mulheres negras com papel destacado na luta em defesa da classe trabalhadora e contra discriminação racial. A atividade foi precedida por uma reunião do Coletivo de Combate ao Racismo da CUT-RJ. 
Na abertura dos trabalhos, a secretária do Combate ao Racismo da CUT-RJ, Glórya Ramos, lembrou a luta histórica da mulher negra para criar filhos, trabalhar, se formar e lutar pela emancipação e pelo empoderamento no Brasil e no mundo, enfatizando o papel de Lélia Gonzales na demarcação dos interesses específicos da mulher negra no âmbito da luta feminista.

Marcaram presença também a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ, Virgínia Berriel, a secretária da Juventude, Greice Assis, o secretário de Relação de Trabalho, Marcello Azevedo, e o diretor Jadir Baptista, que fez uma saudação em nome da direção da central.

Este ano as premiadas com  o diploma Lélia Gonazales foram Delfina de Souza (que não pôde comparecer e foi representada por Leila Santos, do Sindpd-RJ); Ilma de Souza, que agradeceu a Deus e a seus familiares, "especialmente a meu filho e a todos os afrodescendentes por eu ter chegado até aqui; "Edna Sacramento (agraciada pela segunda vez), do Sinttel, que fez um relato de sua trajetória de lutas partir da constatação de que é como portadora de LER (Lesão por Esforços Repetitivos); Selma Balbino (também premiada de novo), presidente do Sindicato dos Aeronautas, que denunciou preconceito racial por parte de integrante de sua própria categoria, quando manifestou a intenção de se lançar candidata a presidente de sua entidade; e Luiza Dantas, do Sintsaúde, que fechou seu discurso, como última premiada da noite, de uma forma que tocou a todos:

- Como mulher negra, que passou por tantas dificuldades na vida, cansada de ser a última da fila, hoje eu faço a minha própria fila: "Sempre que estou com sede, na rua, a minha preferência para comprar uma água mineral, por exemplo, é por uma vendedora ambulante negra. Eu formo a minha própria fila. E as mulheres negras estão em primeiro lugar na minha fila - proclamou Luiza.
Intelectual, política, professora e antropóloga brasileira, nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, Lélia Gonzalez( 01/02/1935 – 10/07/1994) tornou-se figura emblemática nos movimentos feminista e negro brasileiros, por sua luta no combate à violência contra a mulher, notadamente a violência sexual e doméstica e contra o racismo. Filha de um ferroviário negro e mãe de origem indígena, e penúltima de dezoito irmãos, migrou para o Rio de Janeiro (1942). Pioneira nos cursos sobre Cultura Negra, com destaque para o 1º Curso de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, doutorou-se em Antropologia Social, em São Paulo, e dedicou-se a pesquisas sobre a temática de gênero e etnia.

Militante do movimento negro, ela teve fundamental atuação em defesa da mulher negra. Foi suplente de deputado federal (1982) e de deputado estadual (1986). Participou da primeira composição do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, o CNDM (1985-1989). Grande incentivadora das tradições afro-brasileiras, pertenceu ao Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombos, que fazia seu carnaval atendo-se às raízes do velho samba carioca e foi uma das fundadoras do grupo Olodum, de Salvador, Bahia.

Ela faleceu vítima de problemas cardíacos, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Atuou nas universidades brasileiras por mais de 30 anos, até seu falecimento. Em seus últimos dias, foi eleita, por reconhecimento de sua competência, Chefe do Departamento de Sociologia, da Pontifícia Universidade Católica, a PUC, Rio de Janeiro. Em seus escritos destacaram-se os livros Lugar de Negro (1982), com Carlos Hasenbalg, e Festas Populares no Brasil, premiado na Feira de Frankfurt.

sábado, 27 de agosto de 2011

CAÓ RECEBE HOMENAGEM EM NOME DA FAMÍLIA DE ABDIAS NASCIMENTO NA 9ª PLENÁRIA ESTATUTÁRIA DA CUT-RJ

Texto e fotos e edição: Adilson Gonçalves


Em seu discurso Caó lembrou do
 companheiro de militância  política e Racial
Glórya Ramos, secretária de Combate ao Racismo da CUT,
Elson, Caó, e o presidente da Cut RJ,
  Darby Ygaiara,compuseram a mesa
A Central Única dos Trabalhadores realizou nos dias 26 e 27 de agosto a sua 9ª Plenária Estatutária. Convocada a cada três anos, a de 2011 foi denominada Abdias Nascimento, em homenagem ao líder negro, falecido  em maio deste ano. Por iniciativa da Secretaria de Igualdade Racial da CUT- RJ, através de sua titular, Glórya Maria Alves Ramos, coube a Carlos Alberto Caó receber a placa alusiva à homenagem  a Abdias.


Caó cumprimenta a Atriz Léa Garcia
 e Abdias Nascimento Filho, o Bida
- Acho que depois do Abdias Nascimento, Carlos Alberto Cáo é a pessoa mais representativa do movimento negro. Como parlamentar ele criou a conseguiu aprovar a Lei 7716/1989, que penaliza como crimes inafiançáveis as práticas de racismo e intolerância religiosa. Então nada mais natural do que fosse ele o representante da família de Abdias, já que a Elisa Larkim não pode comparecer, por estar viajando- disse Glórya. 
Cartaz da 9 ª Plenária
 da CUT RJ
Vários integrantes do movimentos negro compareceram ao evento. Os momentos  que antecederam a entrega da placa foram marcadas por emoção e culto à memória do líder negro, com a exibição de um documentário realizado pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Afro Brasileiros (Ipeafro), entidade fundada e presidida por Abdias até sua morte, atualmente dirigida pela sua viúva, Elisa Larkim Nascimento.m seu discurso, Caó reverenciou a memória d companheiro morto, conclamando a que as pessoas evocassem a presença de Abdias Nascimento. Caó  e Abdias Nascimento não foram somente no movimento negro: ambos participaram da fundação no Partido Democrático Trabalhista (PDT), e por ele foram parlamentares; Abdias no Senado e Caó duas vezes deputado federal, em uma delas como constituinte. Retidos em um engarrafamento, Lé Garcia e Abdias Nascimento Filho, chegaram em meio à realização da homenagem, que foi a abertura da 9ª Plenária Estatutária da CUT do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA (MRLB) GANHA AÇÃO CONTRA CARLOS LUPI NA JUSTIÇA, TORNANDO NULAS TODAS AS DECISÕES TOMADAS DOS ÚLTIMOS TRÊS ANOS

Cáo  é um  dos signatários da ação

A desembargadora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo, da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro deferiu a ação movida pelo Movimento de Resistência Leonel  Brizola (MRLB), formado entre outros por Carlos Alberto Caó, Ronald Barata e Vivaldo Barbosa, tornando nulas as decisões tomadas na convenção do Partido Democrático Trabalhista  -PDT-, realizadas em 29 de novembro de 2008. Em sua decisão, a desembargadora torna extinto diretório  estadual, tornando nulas, por conseguinte, as decisões tomasa por ele nestes últimos três anos
Em 2008, os integrantes do MRLB foram impedidos de participar da convenção e postular candidaturas,  devido a ardis tramados pela direção do partido. Os ardis engendrados prejudicaram vários, dirigentes  e ex-dirigentes,  parlamentares e ex- parlamentares, tods militantes do Trabalhismo e nacionalismo, que não obtiveram legenda para disputar os pleitos de 2008 e 2010.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ABDIAS NASCIMENTO RECEBE HOMENAGEM PÓSTUMA NO ANIVERSÁRIO DA FUNDAÇÃO PALMARES

Fonte: Fundação Cultural Palmares/ Fotos: Jocilene Popa
Após discurso emocionado,
Eliza Larkim ergue o troféu,
reverenciando a memória do marido
“Para a infância negra futura geraremos um mundo diferente”, Abdias do Nascimento. 

Trecho do poema Olhando no Espelho 

O encerramento das atividades do 23º aniversário da Fundação Cultural Palmares (FCP), na noite da última quinta-feira (18) foi marcada por muita emoção, música e compromissos firmados na luta contra o racismo. O evento contou com a presença da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, músicos, atores, religiosos de matriz africana e representantes de entidades de apoio à cultura negra. 
O Teatro Nacional, em Brasília, foi palco da festa em celebração à ancestralidade afro-brasileira. O público reverenciou com entusiasmo a homenagem póstuma feita ao ativista negro Abdias Nascimento, pioneiro na luta contra o racismo no Brasil, falecido no dia 24 de maio de 2011. Sua companheira de vida e de luta, Elisa Larkin foi quem recebeu o Trofeu Palmares.
A ministra da Cultura, Ana de Hollanda,
 entrega o troféu à viuva do ativista,  sob aplausos de
 Elói Ferreira, presidente da FCP
Elisa se emocionou ao receber a comenda e fez referência a representações de entidades afro-brasileiras que simbolizam o trabalho de Abdias na militância e na comunicação com os povos afrodescendentes. Um vídeo com cantos na língua Iorubá apresentou a trajetória de Abdias Nascimento, que em uma entrevista concedida em 2004, declarou: “Precisamos continuar a luta por uma efetiva igualdade de oportunidades para a soberania de nossa nação”. 
O rapper GOG, Benedito Vieira, Eliza Nascimento,
Ana de Holanda, Vera Proba e Elói Ferreira
 posam ao lado de uma foto de Abdias e da atriz Ruth de Souza
em em ação em uma peça do TEN 
Para Elisa Larkin, a construção de uma igualdade racial e social depende da abordagem de ações que contemplem as políticas de cotas nas universidades, a valorização da cultura africana, a implementação da Lei nº 10.639 nas escolas de ensino fundamental e médio, entre outras iniciativas. “A erradicação da miséria está enraizada na eliminação do racismo”, afirmou.
Durante a cerimônia, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, considerou a criação da Fundação Palmares uma extensão da política, do trabalho e dos esforços de Abdias e do movimento social negro. “Estou muito contente por participar da festa de celebração da trajetória de 23 anos da Fundação Cultural Palmares e dessa homenagem a Abdias do Nascimento”, destacou. 
Segundo o presidente da FCP, Eloi Ferreira de Araujo, a realização do evento no ano instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes é uma oportunidade para trabalhar a cultura negra e promover a igualdade de oportunidades para todos. “2011 ficará marcado para a Fundação Palmares pela homenagem a Abdias. Sua herança nos fortalece para avançar em um país mais justo”, disse.
13 de novembro – No mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra, o dia 13 foi escolhido pela família de Abdias e pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Afro Brasileiros (Ipeafro) como uma data especial: as cinzas do ativista serão jogadas no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, em Alagoas, onde existiu um dos maiores redutos da luta e resistência negra brasileira.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A SALA DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DO SENADO SERÁ BATIZADA COM O NOME DE ABDIAS DO NASCIMENTO


Abdias: mais uma homenagem


PROPOSTA FOI APROVADA 
PELA COMISSÃO DE EDUCAÇÃO

A sala da Comissão de Direitos Humanos do Senado vai receber o nome do ex-senador Abdias do Nascimento. A homenagem foi aprovada pela Comissão de Educação do Senado. O relator da proposta de resolução foi o senador Benedito de Lira, do PP de Alagoas. Ele lembrou o pioneirismo e a bravura do ex-senador na luta contra o preconceito. (Benedito de Lira) O ex- senador Abdias do Nascimento foi um corajoso, ativista, pioneiro na luta contra o racismo e na luta dos direitos dos negros no Brasil e no mundo. O autor da proposta, senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, avaliou que Abdias do Nascimento foi um brasileiro que viveu intensamente a causa dos direitos humanos:
Paulo Paim, autor do projeto
-O grande Abdias do Nascimento foi senador desta casa, e dedicou sua vida diria dentro da maior na radicalidade na luta contra o preconceito e defesa de políticas de direitos humanos. 
O presidente da Comissão de Educação, senador Roberto Requião, do PMDB do Paraná, afirmou que presidir a sessão que aprovou a homenagem foi uma honra, uma vez que foi amigo e colega de Senado de Abdias. O líder foi deputado federal e senador, pintor autodidata, escritor, jornalista, poeta e ator. Entre os projetos que apresentou em defesa dos direitos da população negra está o que garantiu às comunidades remanescentes dos quilombos os mesmos direitos fundiários garantidos à população indígena.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

STF PODERÁ TER A PRIMEIRA MINISTRA NEGRA, CONFORME SITE DO EDUCAFRO ANTECIPOU HÁ MESES

Neusa Maria Alves Silva: primeira
desembargadora negra do Brasil
Conforme o Educafro de frei David antecipara, a sucessão da ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Ellen Gracie pode ter uma surpresa,  se a presidenta  Dilma Rousself manter firme sua determinação de promover mulheres aos espaços de poder. Segundo a Folha de São Paulo há sete mulheres na disputa desse importante cargo. Entre elas, está o nome da desembargadora Neuza Maria Alves da Silva -foto -, a primeira desembargadora negra do Brasil. Baiana, ela tem o apoio do governador Jaques Wagner (PT) e certamente de todo o movimento negro brasileiro. Mas outras candidatas contam com indicações fortes:
Maria Elizabeth Rocha, Ministra do Superior Tribunal Militar, indicada por Lula, atualmente conta com apoio de José Dirceu e do ministro Toffili.
 Outra candidata é Sylvia Steiner, juíza do Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia,  Holanda,  que tem o mandato a se encerrar  2012. É pública a intenção da ministra Ellen Gracie ocupar esse cargo após sua aposentadoria. Sylvia Steiner conta com apoio dos ministros Cezar Peluso, presidente do STF, e Ricardo Lewandowski.
Flávia Piovesan, da Procuradoria do Estado e da PUC-SP, com forte atuação na área de direitos humanos, conta com o apoio do ministro da justiça José Eduardo Cardoso e de setores do movimento de direitos humanos e movimentos sociais. Trata-se de uma jurista com profundo compromisso com as ações afirmativas para mulheres, negras e negros.
Duas potenciais candidatas vêm do STJ (Superior Tribunal de Justiça), caminho natural para o STF: Fátima Nancy Andrighi e Maria Thereza Rocha Moura;  a segunda conta com a simpatia do ex-ministro da justiça no governo Lula, Marcio Tomaz Bastos. Outra possível escolhida  é Eunice Carvalhido, muito conhecida entre os juristas em Brasília Ela é esposa do ministro aposentado do STJ, Hamilton Carvalhido.
A grande surpresa será a escolha da desembargadora Neuza Maria Alves da Silva,  primeira  negra a ocupar este posto no Brasil. Baiana, ela tem o apoio do governador Jaques Wagner (PT) e certamente de todo o movimento negro brasileiro.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

FUNDAÇÃO PALMARES COMEMORA 23 ANOS COM A REALIZAÇÃO DE SEMINÁRIO E HOMENAGEM POST MORTEM A ABDIAS NASCIMENTO

 A sambista carioca Leci Brandão ...

Para celebrar a passagem dos seus 23 anos, a Fundação Cultural Palmares (FCP), instituição vinculada ao Ministério da Cultura, vai oferecer uma programação que dá espaço ao diálogo e ao debate de ideias em torno de temas atuais. O principal evento será o Seminário Nacional – a cultura como veículo de erradicação da miséria, a se realizar entre os dias 16 e 18 de agosto, no Hotel St. Peter (Setor Hoteleiro Sul), em Brasília.
Outro ponto alto da programação serão as atividades que marcarão a noite de encerramento, dia 18, no Teatro Nacional de Brasília. Na ocasião, será feita uma homenagem Post Mortem ao ativista negro Abdias Nascimento e, em seguida, acontecerá o show musical com a cantora Leci Brandão e o rapper GOG.
O Seminário
Estarão presentes na cerimônia de abertura do seminário, marcada para as 18h30 do dia 16, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, e o presidente da FCP, Eloi Ferreira de Araujo.
...e o rapper brasiliense Gog farão o show de encerramento
 das festividades do 23 º aniversário de FCP
Também foram convidados para compor a mesa os ministros Alexandre Padilha (Saúde); Fernando Haddad (Educação); Maria do Rosário (Direitos Humanos); Tereza Campelo (Desenvolvimento Social e Combate à Fome); Isabella Teixeira (Meio Ambiente); e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário).
Temas como Cultura, Inclusão Social e Cidadania; Juventude Negra e o Legado Cultural Afro-Brasileiro; e Cultura: Erradicar a Miséria e Ampliar a Cidadania serão desenvolvidos no  seminário promovido pela FCP. Grupos de trabalho serão formados para o debate em torno dos assuntos apresentados.
A Fundação
Criada em 22 de agosto de 1988, a Fundação Cultural Palmares tem o objetivo de promover e preservar a cultura afro-brasileira. A instituição formula e implanta políticas públicas que fortalecem a participação da população negra brasileira nos vários processos de desenvolvimento do país.
A entidade está comprometida com o combate ao racismo, a promoção da igualdade, a valorização, difusão e preservação da cultura negra. A igualdade racial e a valorização das manifestações de matriz africana são preocupações constantes da FCP, primeiro órgão federal criado com vistas à promoção, preservação, proteção e disseminação da cultura negra.



Confira a programação completa abaixo:
Dia 16/08

14h – 18h
Credenciamento
18h30 – 19h30
Mesa de Abertura: Autoridades Convidadas
Ana de Hollanda – Ministra da Cultura
Gilberto Carvalho – Ministro da Secretaria Geral da Presidência da República
Luiza Bairros – Ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Maria do Rosário – Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos
Alexandre Padilha – Ministro da Saúde
Fernando Haddad – Ministro da Educação
Tereza Campelo – Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Isabella Teixeira – Ministra do Meio Ambiente
Afonso Florence – Ministro do Desenvolvimento Agrário
Eloi Ferreira de Araujo – Presidente da Fundação Cultural Palmares
Mestre de Cerimônia – Teresa Lopes
19h30 – 20h20
Palestra Inaugural
“A Cultura como veículo de erradicação da miséria”
Ana de Hollanda – Ministra da Cultura
Coordenador : Eloi Ferreira de Araujo – Presidente da FCP
20h30
Degustação Afro
Dia 17/08

09h – 12h
Mesa – Cultura, inclusão social e cidadania
Marta Porto – Secretária de Cidadania Cultural – Ministério da Cultura
Nelson Inocêncio – Professor do Instituto de Artes e Coordenador do
Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB
Adriana Barbosa – Presidenta do Instituto Feira Preta e Gestora de Eventos e Cultura
Mediador: Alexandro Reis – Diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro – FCP
14h – 17h
Mesa – Cultura : erradicar a miséria e ampliar a cidadania
Tereza Campelo – Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (a confirmar)
Edson Santos – Deputado Federal, ex-ministro da SEPPIR/PR
Ubiratan Castro de Araújo – Professor Doutor em História da UFBA e Diretor
Geral da Fundação Pedro Calmon – BA
Mediador: Carlos Moura – Coordenador Geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra – FCP
Dia 18/08
09h às 12h
Mesa – Juventude negra e o legado cultural afro-brasileiro
Severine Macedo – Secretária Nacional de Juventude
Maurício Pestana – Publicitário, Cartunista e Diretor Executivo da Revista Raça
Thaís Zimbwe – Jornalista e Coordenadora da UJIMA – Trabalho Coletivo e Responsabilidade
Mediador: Martvs das Chagas-Diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-brasileira – FCP
13h30 às 17h
GRUPOS DE TRABALHO
Grupo I – Coordenação: Adyr Assumpção – Ator, Produtor Cultural e Diretor da Mostra Imagem dos Povos
Grupo II – Coordenação: Yá Ebe Patrícia D´Oxum – Coordenadora do Coletivo de Entidades Negras do DF
Grupo III – Coordenação: Laina Crisóstomo Souza de Queiroz – Bacharel em Direito e Coordenadora Estadual de Mulheres da Conen-BA
17h
PLENÁRIA FINAL
20h às 23h
Entrega do Troféu Palmares
Homenageado: Abdias Nascimento
Shows de Encerramento
Leci Brandão
GOG
_________________
Serviço
O quê: Seminário Nacional – A cultura como veículo de erradicação da miséria
Quando: de 16 a 18 de agosto
Onde: Hotel St. Peter – Setor Hoteleiro Sul, Quadra 02, Bloco D. Brasília-DF
Inscrições: clique aqui
O quê: Entrega do Troféu Palmares e Shows de Encerramento
Quando: 18 de agosto
Onde: Teatro Nacional – Setor Cultural Norte. Brasília-DF

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MELHOR ESTUDANTE DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA É COTISTA


Gilberto da Silva Guizelin recebeu
 a láurea acadêmica de melhor aluno da UEL
Fonte: Maria Fro
O sistema de reserva de vagas para estudantes negros e oriundos de escolas públicas em vigência na Universidade Estadual de Londrina (UEL) está em discussão nas diversas instâncias da instituição, já que a resolução que estabeleceu essa política prevê que ela vigore por um período de sete anos letivos, contados a partir de 2005. Desse modo, o vestibular de 2012 pode continuar ou não com as cotas.
Os alunos que nos últimos quatro anos ingressaram na UEL por meio dessa política tiveram um desempenho considerado satisfatório pela comissão permanente da universidade que acompanha e avalia sua implementação. "Esses estudantes – diz um relatório da comissão – têm conseguido acompanhar o desenvolvimento dos demais, com médias equivalentes." Ainda de acordo com o documento, em algumas situações, os estudantes cotistas brancos ou negros, provenientes de escolas públicas, apresentaram desempenho superior ao dos estudantes não cotistas.
Exemplo de desempenho acima da média conseguido por um estudante cotista negro é o de Gilberto da Silva Guizelin (foto), um jovem do interior de São Paulo que ingressou no curso de História da UEL em 2005, depois de ter sido reprovado no vestibular da Universidade Estadual Paulista (UNESP). No decorrer dos quatro anos de sua permanência na graduação, ele foi beneficiado com bolsas de estudo e pesquisa para afrodescendentes que lhe permitiram definir o rumo que tomaria o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), facilitando também o acesso à pós graduação.
Ao se formar, em 2008, Guizelin recebeu a Láurea Acadêmica e foi considerado o Melhor Aluno da UEL de 2008. Ele conta que quando entrou na universidade pelo sistema de cotas ouvia, até mesmo de afrodescendentes, declarações de que aquela era uma nova forma de discriminação, mas diz que não concorda com essa visão: "O sistema de cotas – explica o historiador – não nasceu para ser eterno. Ele foi pensado para diminuir o desequilíbrio entre o número de afrodescendentes e de brancos no ensino superior. Todavia, sete anos é um período muito curto, se levarmos em consideração que o ensino superior no Brasil esta prestes a completar 200 anos, e nesse meio tempo o negro teve o seu direito de cursar uma universidade praticamente inviabilizado".

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

MORRE PROCÓPIO, MINEIRO, PERNAMBUCANO, CARIOCA: UM GRANDE BRASILEIRO

Mineiro derrotou  os poderosos
fraudadores das eleições de 1982
Texto:Adilson Gonçalves
O Jornalismo perdeu  no último final de semana um de seus grandes heróis: morreu, aos 65 anos,  Procópio Mineiro da Silva, o responsável pelo desmonte de um projeto que  poderia ter mudado,  para pior, a história recente do   Rio de Janeiro  e do país: o  Escândalo Proconsult.  Editor da Rádio Jornal do Brasil,foi ele quem deu base  à tese de Leonel  Brizola, candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) de que havia um esquema de manipulação de resultados na eleição de 1982, com o objetivo  impedir a chegada  do velho caudilho ao  governo do Estado do Rio de Janeiro; o outro objetivo, não menos obscuro, era garantir a eleição do então candidato do Partido Democrático Social (PDS), Moreira Franco. Ao montar uma equipe de apuração paralela, Procópio ajudou a desbaratar a trama engendrada pelos integrantes do resquício da ditadura militar.
A GRANDE FARSA
As eleições de 1982 - para governador, senador, deputado federal, deputado estadual, prefeito e vereador- representavam a retomada do estado democrático, a primeira, após o sistema bipartidário-  Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Aliança Renovadora Nacional(Arena)  - imposto  pelo  regime militar. O primeiro partido tornou-se PMDB e o segundo, PDS. Além deles, participavam ainda do pleito daquele ano o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido dos Trabalhadores (PT) e PMDB, pelos quais concorreram ao cargo de governador do estado Sandra Cavalcanti, Lysâneas Maciel e Miro Teixeira, respectivamente. As regras das eleições daquele ano impunham  que os votos de todas as instâncias fossem  de uma mesmo partido. Por isso, havia a estimativa de um alto índice de votos nulos. A responsável pela totalização dos votos era a empresa Proconsult - - contratada pelo TRE do Rio de Janeiro , apesar de ligada ao Serviço Nacional de Informações (SNI).
A grande farsa foi montada em duas frentes: enquanto a Proconsult desviava os votos brancos e nulos para Moreira Franco, um poderoso  grupo comunicação divulgava somente a média dos resultados do interior do estado, que detinha somente um terço do eleitorado e que era  reduto da família Amaral Peixoto,  do qual Moreira, à época, era herdeiro. Tal ardil o manteria sempre à frente da contagem de votos,  facilitando, assim, a manipulação da opinião pública. A apuração paralela da equipe do Jornal do Brasil divergia do resultado oficial, assim como o da empresa Sysin Sistemas e Serviços de Informática, contratada pelo PDT. Entre os dois contendores, a apuração jornalistica da equipe de mineiro foi o fiel da balança. Ainda em meio à polêmica apuração Mineiro foi demitido da Radio, mas seu trabalho teve continuidade
MINEIRO, PERNAMBUCANO E CARIOCA
Pernambucano de nascimento, mineiro de sobrenome e carioca por adoção, Procópio da Silva Mineiro, saiu de seu estado e chegou ao Rio de Janeiro ainda adolescente, indo morar em São João de Meriti, Baixada Fluminense, onde sempre  residiu  até a morte. Procópio ingressou no jornalismo nos anos 70. Especialista em jornalismo radiofônico, sendo considerado um dos melhores editores de noticiário de rádio de sua geração, a convite de Brizola, Procópio Mineiro após sua demissão da Rádio Jornal do Brasil assumiu, entre outros cargos, a direção da Rádio Roquette Pinto, tendo também sido editor, da revista “Cadernos do Terceiro Mundo” – de Neiva Moreira.
O jornalista Luis Nacif comentou a morte de Mineiro:
-  Ele foi  maior redator de rádio com quem já trabalhei, um editor muito competente e que dirigiu a Rádio JB. Foi nessa emissora que ele impediu uma das maiores fraudes eleitorais da história do Brasil, a da Proconsult, com o objetivo de eleger o candidato do regime militar, Moreira Franco, contra Leonel Brizola, para o governo do Rio de Janeiro em 1982. Auxiliado por outro grande jornalista, Peri Cota, Mineiro montou uma apuração paralela que impediu a concretização da fraude. O Brasil deve a ele, ao Cota e à equipe de jornalismo da Rádio JB de então,  a garantia do respeito ao voto popular. A direção de redação do jornal manteve uma neutralidade dúbia e só passou a apoiar a ação do Procópio e de sua equipe quando já era mais do que evidente que uma fraude já estava desmascarada. A ação de Procópio nunca mereceu o reconhecimento devido. Logo depois, foi demitido da Rádio JB. Outros jornalistas assumiram o papel que lhe coube na desarticulação da fraude. Uma injustiça e uma mentira.   E o principal beneficiário da fraude abortada foi diretor da Caixa Econômica Federal no Governo Lula e hoje é ministro de estado. A história há de fazer justiça a um jornalista que honrou a profissão às vezes tão vilipendiada nos dias que correm.
Filiado ao PDT desde 1982, Procópio era um militante ativo e integrava o Diretório Regional do PDT do Rio de Janeiro. No 4º Congresso Nacional do PDT, em Brasília, em 2008, foi relator do grupo de trabalho que discutiu a “Democratização dos Meios de Comunicação”. Ultimamente Procópio Mineiro estava trabalhando como redator da Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, onde foi um dos fundadores do “D.O. Notícias”.  Procópio Mineiro  morreu na tarde de sexta-feria (29/8), vítima de acidente vascular-cerebral.   Sua saúde estava debilitada em consequência de dois infartos e também problemas de diabetes.  Ele estava internado no Hospital Clínico de Padre Miguel  deixou três filhos e foi enterrado último domingo, dia 31 no Cemitério de Irajá.