quarta-feira, 19 de junho de 2013

MANIFESTAÇÃO DO MPL REÚNE MAIS DE 100 MIL PARTICIPANTES NO RIO, MAS TERMINA COM ATOS DE VANDALISMO E MAIS DE DEZ PESSOAS FERIDAS ENTRE POLICIAIS E MANISFESTANTES

Edição: Adilson Gonçalves Fotos:Tasso Marcelo
 A  manifestação da noite de segunda-feira, no
Rio, ocupou toda a extensão da Avenida Rio Branco, no trecho entre a Candelária  e Cinelândia. O ato transcorreu normalmente até quase  ao seu final , mas atos de vandalismos provocaram ferimentos entre policiais militares e manifestantes
o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).
Um grupo de 60 advogados foi colocado à disposição dos manifestantes para agir em caso de prisões arbitrárias. Vinte estudantes de medicina vestindo jalecos se prontificaram a dar atendimento aos feridos. .
O número de manifestantes foi maior do que o do ato de quinta-feira, 13.A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj),,  alvo de pichações no último ato, foi depredada por vândalos que acuaram 77 PMS e parlamentares
Passeata ganha apoio de trabalhadores
A passeata ganhou durante o percurso o apoio de muitos trabalhadores que ainda estavam em escritórios localizados na via ou esperavam o fim da manifestação para ir para casa. Eles jogaram papel picado em sinal de apoio, e os manifestantes gritavam em agradecimento.
"Quem apoia acende a luz", gritavam da rua, e as luzes piscavam nos escritórios. Duas grandes faixas na frente da multidão davam o tom do ato: "Não é por centavos, é por direitos" e "Somos a rede social".
 Ao chegarem  à Cinelândia, onde seria o ponto de dispersão, alguns participantes da passeata(vândalos) se encaminham para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) – o Onde houve depredação e enfrentamento aos policiais onde na semana passada começou a confusão com a Polícia Militar (PM).
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

HISTORIADOR EXPÕE LADO CONTROVERSO DE MALCOM X EM LIVRO GANHADOR DO PRÊMIO PULITZER DE 2012

Edição Adilson Gonçalves Fonte: Folha de São Paulo
Os meandros dessa transformação são dissecados pelo historiador norte-americano Manning Marable em "Malcolm X, uma Vida de Reinvenções", obra vencedora do prêmio Pulitzer de 2012.
Diferentemente de Martin Luther King, fruto da pequena burguesia instruída e endinheirada de Atlanta, Malcolm X veio do gueto urbano moderno: vivenciou a pobreza, a falta de emprego, a violência, a segregação.
Na juventude, meteu-se em arrombamentos, roubos, furtos, prostituição. Lavou pratos e vendeu maconha. Preso, virou muçulmano. "O crescimento econômico do pós-guerra tinha deixado muitos afrodescendentes para trás", escreve Marable.
Malcolm incorporou a cadência do jazz ao seu estilo de oratória e levou multidões a aderir ao islã e a protestar contra a violência policial.
Leitor voraz a partir do tempo de cadeia, fazia discursos sobre o legado da escravidão, atacando o cristianismo e o governo dos EUA.
Seguindo a trajetória do líder, o historiador aponta também suas escorregadelas em entrevistas e seus erros estratégicos. Malcolm chegou a ter encontro com a Ku Klux Klan.
O autoritarismo do seu grupo islâmico e a seita de supremacia branca eram lados de uma mesma moeda: racismo e segregação. O pensamento de Malcolm deu um giro quando se aproximou dos embates de seus seguidores e conheceu outras experiências de luta pelo mundo.
Marable observa que o líder percebeu que só teria êxito "se se juntasse ao movimento de direitos civis e outros grupos religiosos para uma ação conjunta. Não se podia simplesmente deixar tudo por conta de Alá".
MUDANÇA DE POSTURA

Arrependido de ter ridicularizado King em discursos no passado, Malcolm o cumprimentou. O aperto de mãos traduziu a mudança: o líder rebelde trocava a violência pela batalha do direito ao voto.
"União é a religião certa", declarou. E se autodefiniu: "Não sou antibranco, sou antiexploração e antiopressão". O historiador afirma que Malcolm tornou-se "uma ameaça ainda maior" para o governo dos EUA após o seu rompimento com a Nação --o grupo islâmico de características xiitas que abraçara na cadeia.

O livro, rico em análises, faz uma descrição minuciosa do até hoje não esclarecido assassinato de Malcolm, em 1965. Quatro horas após o crime, o palco onde ocorrera o delito estava lavado para um baile de aniversário.
Marable compara Malcolm a Che Guevara e cita as influências do líder no movimento Black Power e em músicos como John Coltrane. O autor conta que começou a trabalhar na biografia no final dos anos 1980. Desconstruindo a "Autobiografia" de Malcolm, percebeu exageros. Marable concluiu o livro pouco antes de morrer, em 2011.
MALCOLM X
AUTOR Manning Marable
EDITORA Companhia das Letras
TRADUÇÃO Berilo Vargas
QUANTO R$ 69 (672 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo



segunda-feira, 10 de junho de 2013

EM CLIMA DE BASTANTE COMOÇÃO, CORPO DE AUGUSTO OMULU É ENTERRADO NA BAHIA

 Edição: Adilson Gonçalves Fonte e Fotos  G1
O coreógrafo e bailarino baiano Augusto Omolú foi enterrado no fim da manhã desta terça-feira (4), em Salvador. Amigos e familiares prestaram as últimas homenagens ao dançarino com música afro no cemitério Ordem Terceira de São Francisco, na Quinta dos Lázaros.
Augusto Omolú tinha 50 anos e era professor, bailarino e um dos coreógrafos do Balé do Teatro Castro Alves. O corpo de Augusto Omolú foi velado no foyer do TCA, no Campo Grande.
O diretor do Balé Folclórico da Bahia, Váva Botelho, falou ao G1 sobre a importância artística de Omolú para a dança baiana e também para cultura afro. O grupo artístico fará uma homenagem ao coreógrafo e bailarino no noite desta terça, na Escola de Dança, no Pelourinho.
"Hoje a Escola de Dança vai fazer uma homenagem a ele. Vai apresentar uma coreografia que ele montou há 25 anos, a primeira do Balé Folclórico da Bahia, que se chama 'Dança de Origem'. Foi um trabalho extremamente importante, precursor da dança afro brasileira, marcou as mudanças na dança afro, que deixou de ser apenas a folclórica", disse. A montagem será apresentada às 18h30 e será aberta ao público.
Elis Razek falou sobre a importância do irmão para a arte durante o velório, na segunda-feira, e lamentou a ausência que ele fará à família.
"Eu, como irmã de Augusto, não digo que é uma perda só da família. A arte em si perdeu. A vida inteira o que ele fez foi capacitar e levantar a bandeira da paz. Ele que formou, idealizou projetos, passou por todos esses palcos da Bahia, não se contentou com isso, foi para lá para fora e a gente vê a violência tirar ele dessa forma. O que tenho a dizer é que agora continua o espetáculo. Que os discípulos dele leve adiante o que Augusto pregava bem, que é a dança de uma forma simples, clara, didática. Eu acho que isso é que ele quer. Enquanto existir memória vai existir Augusto Omolú", declarou a irmã Elis Razek.
Joelson dos Santos, titular da 23ª delegacia, que investiga o caso ao lado do Departamento de Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), informou que já ouviu algumas testemunhas e que, com isso, conseguiu coletar informações importantes para elucidar o crime, mas que prefere ainda não divulgá-las à imprensa para não atrapalhar as investigações.
O titular afirmou que foi pessoalmente ao Departamento de Polícia Técnica (DPT) para solicitar celeridade no resultado dos laudos periciais, que vão apoiar o inquérito policial. A polícia investiga se ocorreu latrocínio, roubo seguido de morte; crime passional ou vingança. Ele foi achado morto no dia 2 de junho (domingo), de bruços, entre a sala e a cozinha da casa, trajando apenas uma cueca branca. O crime ocorreu no sítio em que ele morava, no bairro de Buraquinho, na cidade de Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador.
Protesto
Mais de 100 pessoas, entre amigos, familiares e artistas, se reuniram na manhã de segunda-feira (3), na porta da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) em manifestação contra a morte do coreógrafo e bailarino Augusto Omolú.
Com faixas e fotos do artista, o grupo de manifestantes seguiu para o Campo Grande com o objetivo de chamar atenção das autoridades para a violência na capital baiana e redondezas.
Notas de pesar
Após o assassinato de Omolú no domingo, órgãos culturais emitiram notas de pesar lamentando a morte do artista. A Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA) e a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) emitiram nota destacando a carreira construída por Omolú. "Com uma história profissional de mais de 30 anos, iniciada como aprendiz de Mestre King e Emília Biancardi, este soteropolitano, ícone da dança brasileira, com carreira internacional reconhecida, era especialista em danças afro-brasileiras".

A nota ressalta ainda os projetos do artista. "Ao lado do curador artístico da companhia, Jorge Vermelho, estava vivendo um processo de transição para ocupar o posto de assessor artístico do grupo".
O Teatro Castro Alves também divulgou uma nota de pesar pela morte de Omolú. A nota trata o ator, dançarino e coreógrafo como referência mundial, considerando-o destaque "na construção, difusão e popularização da dança produzida na Bahia". O artista ingressou no grupo em 1981, ano de fundação do Balé do TCA, e integrou o elenco de diversas produções da companhia.


PASTORA EVANGÉLICA MANTINHA ÍNDIA EM REGIME DE ESCRAVIDÃO EM GOIÁS

Edição:Adilson Gonçalves Fonte:Brasília em Pauta 
No Antigo Testamento da Bíblia, no livro de Levíticos, capítulo 24 está escrito: “E quanto a teus escravos, serão das nações que estão ao redor. Deles comprareis escravos e escravas(...) E possui-los-eis por herança para vossos filhos depois de vós; perpetuamente os fareis servir”. Em Goiânia, no estado de Goiás, uma pastora evangélica levou essas palavras ao pé da letra e mantinha uma criança indígena de 11 anos como escrava. 
O Ministério Público Federal em Goiás fez a denúncia, acusando a líder religiosa. De acordo com o MP-GO, no período de maio de 2009 a novembro de 2010, a menina era forçada a trabalhos domésticos, com jornada excessiva. Não foram divulgados nem a entidade da religiosa, nem seu nome e o do templo em que pregava. Segundo o procurador da República Daniel de Resende Salgado, a mulher submetia a menina à condição de escravidão, durante um ano e seis meses, prejudicando seu desenvolvimento.
A menina é da etnia Xavante, da aldeia indígena de São Marcos, em Barra dos Garças (MT) se mudou para Goiânia com o pai e a irmã, para buscar de tratamento médico. Na chegada, a família se hospedou na Casa de Saúde do Índio, mas o homem procurou apoio material e religioso, e foi indicado a procurar a Igreja conduzida pela pastora, que se ofereceu para receber a menina, prometendo habitação e educação. 
Denúncia e investigações - De acordo com a denúncia a criança foi obrigada a realizar trabalhos domésticos na casa da pastora. Durante muitas horas ela fazia serviços como limpar banheiros, o chão, lavar e passar roupas, lavar louças e cozinhar, utilizando instrumentos perigosos para sua idade, como ferro de passar roupa e materiais cortantes na cozinha. Consta ainda que a garota era forçada a trabalhar mesmo doente, sofria ameaças de castigos corporais, não era remunerada pelos serviços prestados, além de ser obrigada a entregar panfletos da igreja, à noite, nas ruas e praças da cidade.
O caso foi descoberto quando professoras da escola pública onde a garota estudava perceberam seu comportamento tímido e alguns hematomas. Além disso, ela quase nunca conseguia fazer as atividades e tarefas escolares em casa e registraram o fato na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que ao identificar crime federal, encaminhou o inquérito ao MPF. Segundo o procurador do MP-GO, a suspeita já prestou depoimento e negou as acusações.
A criança foi ouvida na presença de membros do conselho tutelar e Fundação Nacional do Índio (Funai) e confirmou a denúncia. A menina foi devolvida à família e retornou com os pais para o Mato Grosso no fim de 2011. Caso a denúncia seja aceita pela Justiça, a mulher deve responder pelo crime de " reduzir alguém à condição análoga de  escravo , previsto no artigo 149, do Código Penal e pode pegar pena de até 16 anos de reclusão, se condenada.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013

ESTÃO EMBRANQUECENDO O FUTEBOL, E ISTO É UMA MAL PARA O BRASIL, AFIRMA JUCA KFOURY

 Edição: Adilson GonçalvesTexto:Juca Kafoury Fonte:Folha de São Paulo

QUE PERDOEM os que vivem num país tão diferente que imaginam não haver racismo no Brasil.
Que perdoem, ainda, os que diziam que a política de cotas é que estabeleceria discriminação racial em nossas faculdades, o que os fatos têm desmentido à exaustão.
Que perdoem, também, os complacentes de plantão que a tudo justificam, até a entrega de estádios inacabados, sujos, com entornos perigosos, por mais que as obras tenham estourado todos os prazos e quase dobrado os custos.
Porque o preço médio do ingresso na reabertura do Maracanã ficou na casa dos R$ 150!
Negros, no estádio, só os que lá foram para trabalhar.
Dê uma olhada neste time, dos anos 80, convocado por Telê Santana: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Edinho e Pedrinho; Falcão, Sócrates e Zico; Dirceu, Careca e Éder. Sabe o que ele tem de extraordinário, apesar de jamais ter entrado em campo, embora os 11 tenham convivido na mesma concentração para a Copa da Espanha? São todos brancos.
Fruto do momento em que a várzea perdeu para a especulação imobiliária, do surgimento da escolinhas de futebol e, é claro, de circunstâncias aleatórias.
Curiosamente, os maiores ídolos dos times mais populares do eixo Rio-São Paulo eram brancos, Zico e Sócrates, filhos da classe média.
João Saldanha se preocupava e apelava: "Não acabem com os nossos crioulos!".
Do time que disputou a Copa de 1982, Luisinho, Júnior, Toninho Cerezo e Serginho eram os titulares que davam o tom mestiço que sempre caracterizou nossas seleções de Djalma Santos, Didi, Mané Garrincha, Pelé, Zózimo, Amarildo, Jairzinho, Brito, Everaldo, Cafu, Aldair, Márcio Santos, Mauro Silva, Mazinho, Romário, Ronaldos, Rivaldo, Roque Júnior, Gilberto Silva, Kleberson, Roberto Carlos, para citar apenas os titulares campeões mundiais.
Será que teremos de criar cotas também nos estádios, para evitar que a elitização em marcha exclua ainda mais os excluídos? Se até no velho Pacaembu, nos jogos mais cotados do Corinthians, é perceptível o branqueamento, como será nos novos estádios da Copa-14, chamados impropriamente de arenas?
Dia desses esta Folha fez certeiro editorial sobre as oportunidades que a nova situação enseja para a modernização do futebol brasileiro.
Organização, conforto, segurança e bons gramados, tudo é essencial e há décadas se luta por isso.
Como não se deve esquecer de que o bom gestor do negócio do futebol haverá de ser aquele profissional que, friamente, for capaz de exacerbar a paixão.
Que perdoem as arenas, mas sem os crioulos a paixão será absorvida pela areia virtual e movediça que as caracterizam, porque até do ponto de vista puramente da língua elas são uma fraude, plastificadas, pasteurizadas e higienizadas.



quarta-feira, 5 de junho de 2013

MULHER É PRESA EM BRASÍLIA POR CRIME DE RACISMO E INCURSA NA LEI 7716- LEI CAÓ, VAI DIRETO PARA PRESÍDIO

Edição: Adilson Gonçalves Fonte Vermelho e G1 foto

Uma mulher de 48 anos foi presa na tarde deste domingo (3), suspeita de chamar dois vendedores de “neguinhos” e de bater e arranhar outros dois funcionários de uma padaria da 113 Sul, em Brasília, por discordar do preço cobrado pelo suco e pelo salgado que ela comeu no estabelecimento – R$ 8,14. A mulher foi indicada por por injúria racial e agressão.
O estabelecimento disse estar adotando os procedimentos legais que cabem ao caso. A Polícia Civil informou que ela já foi transferida para o Presídio Feminino do DF.
A ocorrência foi denunciada por uma cliente, que fez imagens das agressões pelo celular e as divulgou em redes sociais. Segundo a assessoria da padaria, ainda durante a discussão, a mulher disse à vendedora que já havia trabalhado com negros e que sabia que eles eram "acostumados a roubar". O estabelecimento disse ainda não ter tido acesso à filmagem.
Um dos sócios, Luiz Guilherme Carvalho disse que a cliente havia consultado o cardápio antes de pedir o lanche, mas que só na hora de pagar a conta questionou o preço. “Ela deu tipo um escândalo, perguntando que valores eram aqueles. Nosso gerente, que é negro, se aproximou para saber o que estava acontecendo. É o trabalho dele, inclusive, agir assim nessas situações. Aí começaram os insultos. Depois nossa técnica de nutrição também se aproximou e ela ficou gritando ‘agora vem mais outra negra para tentar me roubar’.”
A padaria, que funciona há 13 anos no local e tem outra unidade em Brasília, falou em nota que os funcionários continuam trabalhando normalmente e que repudia todo tipo de preconceito. Carvalho destacou o estranhamento dele e dos outros sócios diante da situação.
"A gente ficou muito surpreso. No mundo de hoje ainda ter gente com essa cabeça, é lamentável. Eles querem levar para frente isso e nós vamos dar todo o amparo jurídico e legal para essa situação."
A suspeita foi indiciada por injúria racial e  lesão corporal. A Polícia Civil não informou por quanto tempo ela pode ficar presa, caso seja condenada. No ano de 2012, a Secretaria de Segurança Pública registrou 409 casos de injúria racial.
Dados da Companhia de Planejamento indicam que 53,5% da população no DF são de negros e pardos. A maior concentração de negros por região se encontra na Estrutural (76%) e as menores, nos lagos Sul e Norte (19%). "Essa diferença social por si só já é uma expressão do racismo existente na sociedade brasiliense", afirma a empresa.
O GDF lançou em março um serviço telefônico para receber denúncias de racismo contra índios, negros, ciganos e quilombolas. Entre 20 de abril e 17 de maio, o serviço recebeu 3.034 ligações – 28 casos foram caracterizados como caso de discriminação (injúria e racismo).

Para fazer a denúncia, é preciso ligar para o telefone 156, opção 7. As denúncias são tratadas de forma sigilosa.
Outros casos
Em março deste ano, a empregada doméstica Márcia Pereira do Nascimento afirmou a filha dela de 12 anos foi espancada perto de uma parada de ônibus da avenida Potiguar, no Recanto das Emas, no Distrito Federal, por ser negra.

terça-feira, 28 de maio de 2013

CRIADA EM SÃO PAULO A SECRETARIA DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL

 Edição Adilson Gonçalves Fonte Vermelho

A Prefeitura oficializou nesta segunda-feira (27), no evento D´África-São Paulo, a criação da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, que apresentou políticas etnicorraciais projetadas para a cidade. O ato contou com as presenças do ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o prefeito Fernando Haddad ressaltou a importância do ensino da História da África nas escolas.
"Nem sempre temos a consciência do que é ser negro no Brasil, do que é ser afrodescentende, do que é ser descendente de escravos e, muitas vezes, isso é falta de consciência histórica em função de uma educação precária, em função de falta de consciência política", afirmou Haddad. "O papel dos dirigentes é justamente aprofundar esse debate e fazer chegar para as crianças e jovens do Brasil o quanto nós temos de caminhar para um dia poder olhar para trás e dizer que resgatamos a história dos negros no Brasil", concluiu o prefeito.
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial amplia o trabalho da Coordenadoria dos Assuntos da População Negra, criado em 1989, no combate às desigualdades raciais. Ela tem como missão desenvolver políticas públicas e construir uma agenda com ênfase para a população negra. Também serão atendidos os imigrantes (em especial africanos), e as comunidades tradicionais (como os povos indígenas e ciganos), além das religiões de matriz africana.
"A criação dessa Secretaria é uma conquista do nosso movimento negro e da organização das mulheres, em nome de toda a população negra e também de outros setores organizados. Isso demonstra a vontade política, o reconhecimento da necessidade de uma efetiva construção de estratégias para o combate das desigualdades raciais", afirmou o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial, Netinho de Paula.
Durante a celebração, o secretário anunciou seu grupo de trabalho "Educação das Relações Etnicorraciais", que irá trabalhar principalmente na elaboração da proposta de implementação, acompanhamento e monitoramento da Lei 10.639/2003, que institui o ensino da História da África nas escolas públicas e privadas. "A implementação dessa lei é, aqui em São Paulo, uma prioridade de governo, efetiva política de estado, que deve assegurar oportunidades raciais no interior da escola e na sociedade", concluiu Netinho.
O Grupo de Trabalho será composto pelas secretarias de Educação (formação dos educadores, monitoramento da população e distribuição de materiais didáticos e paradidáticos), Cultura (implementação de debates sobre a cultura negra/indígena, investimento em publicações de livros temático e promoção da aproximação com o samba como patrimônio histórico), Esporte (investir na prática da capoeira e aproximação dos centros esportivos às práticas educativas e de socialização) e de Governo (monitoramento do conjunto das ações e a implementação da Lei 10.639).

Em seu discurso, Lula lembrou das dificuldades enfrentadas para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e a grande vitória que ele representou. O ex-presidente falou dos avanços feitos nos últimos anos, mas ressaltou que muito ainda precisa ser feito. Ele também falou da dívida história do Brasil com os países africanos: "Uma dívida que não pode ser mensurada em dinheiro, tem que ser mensurada em solidariedade". Lula se disse ainda muito feliz com a reação da imprensa brasileira à visita da presidenta Dilma Rousseff à África. "Parece que a imprensa descobriu a África", afirmou.
Sobre o papel do Brasil nas relações com a África, o ex-presidente ressaltou que o modelo colonizador implantado em quase todos os países do continente não pode voltar a existir. "As empresas brasileiras têm que estabelecer uma política de associação, de parceria", afirmou ele. Lula defendeu ainda que as empresas brasileiras devem colocar negros africanos em cargos de chefia e não fazer como as empresas estrangeiras faziam no Brasil em seus tempos de sindicato. "Quem pode ter uma relação diferente com a África é o Brasil", ressaltou.
Dia da África
O Dia da África foi instituído pela União Africana (antiga Organização da Unidade Africana) ressaltando o momento de sua criação - 25 de Maio de 1963, como forma de celebrar e lembrar o Continente Africano como parte da historia, da memória, e, dos valores civilizatórios mundiais. Esta data reflete o compromisso político dos líderes africanos e destes com instituições internacionais, visando à aceleração do fim da colonização do continente. Nesta perspectiva, nos últimos anos a agenda governamental brasileira se intensificou junto ao Continente Africano reforçando os laços históricos e incrementando a relação econômica, política, social e cultural.
Ainda, ao longo das três últimas décadas, em função da negociação entre o Movimento Negro e a organização de mulheres negras com o Estado brasileiro, foram criados órgãos de promoção da igualdade racial - Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra no Estado de São Paulo (1984), a Coordenadoria dos Assuntos da População Negra no Município de São Paulo (1989); a Fundação Cultural Palmares vinculada ao Ministério da Cultura (1988); e, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República (2003).


PRODUTORES CULTURAIS E MILITANTES DO MOVIMENTO NEGRO QUESTIONAM A SUSPENSÃO DE EDITAIS DE INCENTIVOS À CULTURA PELA JUSTIÇA FEDERAL

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Mulher Negra
Produtores e militantes do Movimento Negro que promovem atividades artísticas e culturais questionaram a
decisão da Justiça Federal, que suspende editais de incentivo à produção cultural negra do Ministério da Cultura. Foram inscritos 2,4 mil projetos de médio e pequeno porte que concorriam a R$ 10 milhões. Na avaliação das entidades negras, a medida é um retrocesso e compromete projetos que refletem a diversidade brasileira.
Adriana Araújo organização da Feira Preta em São Paulo, revela dificuldade para acessar recursos, mesmo com uso de leis de incentivo fiscal estadual e federal, como a Lei Rouanet. Para fazer a feira de produtos étnicos nos últimos quatro anos, ela recebeu dinheiro de empresas privadas apenas da Petrobras, da Natura e do Banco Santander. "Mas não por leis de incentivo, que [por meio delas] poderiam passar quantia maior". A dificuldade a fez buscar o edital do Ministério da Cultura.
Organizadora do Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, Jaqueline Fernandes, de Brasília, sofre com o mesmo problema: captar recursos na iniciativa privada. Segundo ela, o edital suspenso era o início de uma política para grupos que sofrem com a burocracia e a discriminação. "Sentimos na pele a diferença quando a gente chega para as empresas, públicas ou privadas, com temas negros e outros projetos. Mesmo com a melhor produção do mundo, se forem estes os temas [gênero e raça, principalmente], vão ser preteridos", disse a diretora da Griô Produções.
Para o presidente do Grupo Cultural Olodum, João Jorge Santos Rodrigues, da Bahia, a dificuldade de as empresas e dos editais universalistas distribuírem recursos para produtores negros é um reflexo do racismo das instituições. "Sé há um campo em que a contribuição dos afrodescendentes é fundamental e visível no Brasil é na cultura e no esporte, mas mesmo assim, como mostram os dados do Ministério da Cultura, por meio das políticas atuais, os recursos não chegam", disse.
De acordo com o presidente do órgão, Hilton Cobra, "nem com lupa" é possível encontrar projetos de incentivo à cultura negra patrocinados por empresas privadas no país, por isso a necessidade dos editais com recorte racial, que estão agora suspensos pela Justiça.
"É necessário que se saiba que há uma dificuldade nos mecanismos de captação [de recursos] atuais, que são excludentes e as empresas não querem vincular a marca delas à nossa cultura e arte negra", completou Cobra. Ele também atuou por 25 anos como produtor cultural e cobra que a classe artística se manifeste. "Uma única pessoa não pode retroceder toda uma política".

domingo, 19 de maio de 2013

JOEL ZITO ARAÚJO LANÇA O FILME RAÇA EM CIRCUITO COMERCIAL


Edição Adilson Gonçalves Fonte Estadão
Joel Zito Araújo é um cineasta preocupado com a discriminação racial no Brasil. Sua obra gira em torno do tema, em obras documentais como A Negação do Brasil (livro e filme, sobre a invisibilidade do negro na dramaturgia brasileira) e ficcionais, como Filhas do Vento, vencedor de oito kikitos em Gramado. Seu novo trabalho, Raça, feito em parceria com a documentarista norte-americana Megan Mylan, vai na mesma linha.
Raça elege três pontos de vista para convergir na discussão do mesmo problema. No primeiro, acompanhamos os dez anos de luta parlamentar para aprovar o Estatuto da Igualdade Racial. No segundo, a batalha dos moradores do Quilombo de Lizarinho para evitar que uma multinacional se apodere de suas terras. No terceiro, a saga da implantação da TV da Gente, veículo de comunicação cujos dirigentes e funcionários eram, em sua maioria, negros.
Os segmentos narrativos se interligam e se alternam ao longo do documentário. E cada um possui uma espécie de condutor, nessa que é uma luta coletiva por direitos. No plano político, o destaque é do senador Paulo Paim, em suas negociações pela aprovação do Estatuto. Entre os quilombolas, a carismática Dona Miúda. E, na luta pela implantação da TV, o cantor Netinho de Paula.
Raça é um exercício de cinema direto, com as câmeras acompanhando os personagens durante vários anos. Ou seja, a ideia de base é captar não um resultado alcançado, mas um processo feito com muita dificuldade e que raramente evolui em linha reta. Pelo contrário, como são muitas as resistências, esses personagens veem-se obrigados ora a negociar, ora a pressionar, ou arrumar aliados às vezes inesperados para fazer com que suas causas andem.
Por um lado, nota-se a crítica embutida na maneira como as falas dos personagens e suas ações são colocadas na tela. O pressuposto, implícito, é de que a sociedade teve informações muitas vezes incompletas ou unilaterais sobre temas como as cotas raciais, a posse da terra ou o oligopólio dos meios de comunicação. O filme cava seu espaço nesse vácuo, nessa carência informativa.
Por outro, há também a decisão de não dar por findo um percurso ainda em suspenso. Precisa-se ir ao Google para saber o que foi feito da TV da Gente. O filme não informa. As conquistas, mesmo que aparentemente históricas, parecem ainda frágeis e provisórias. É um inacabamento iluminador. Sugere que a luta mal começou.