quinta-feira, 28 de novembro de 2019

NOVO PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES É A OVELHA BRANCA DA FAMÍLIA

À esquerda Wadico com o pai, o escritor Oswaldo Camargo;
 a direita, Sergio,  o novo presidente da FC
Fonte: Revista Fórum Edição: Adilson Gonçalves
O produtor cultural, que é filho do escritor Oswaldo de Camargo, ainda divulgou um abaixo-assinado em suas redes “pela troca do presidente da Fundação Palmares, Sergio Nascimento”. Ativista do movimento negro, Wadico é idealizador do grupo “A Rede do Samba”.

Militância na literatura
Filho de colhedores de café analfabetos, o poeta, contista, romancista, pesquisador e jornalista Oswaldo de Camargo, pai de Sérgio e Wadico, aos 83 anos é coordenador de literatura do Museu Afro Brasil.

“Minha militância é na literatura”, disse em entrevista ao site da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Para ele, “o negro não é só vítima do preconceito, também é vítima da indiferença”.
Camargo é especialista em literatura negra, autor do livro O negro escrito – apontamentos sobre a presença do negro na literatura brasileira e considerado um dos principais representantes no Brasil desse segmento literário. Entre suas obras, destacam-se A descoberta do frio, O oboé e Raiz de um negro brasileiro. Por seu ensaio sobre literatura negra ele recebeu a Medalha de Mérito Cruz e Sousa, da Secretaria de Cultura de Santa Catarina, e a Medalha Zumbi dos Palmares, da Câmara Municipal de Salvador (BA).
Fundação Palmares
Nomeado presidente da Fundação Palmares pela Secretaria de Cultura do Governo Federal, Sérgio Nascimento é um contraponto na família.
Ele é contra o dia da Consciência Negra, já disse que a atriz Taís Araújo deve voltar para a África e afirmou que a escravidão foi boa porque negros viveriam em condições melhores no Brasil do que no continente africano. “Merece estátua, medalha e retrato em cédula o primeiro branco que meter um preto militante na cadeia por crime de racismo”, escreveu o novo presidente da Fundação Palmares.
Para Nascimento, artistas como Gilberto Gil, Leci Brandão, Mano Brown, Emicida são todos “parasitas da raça negra no Brasil”. Em uma postagem nas redes sociais, Sérgio disse que a Fundação agora seguirá os preceitos bolsonaristas.
“Fui nomeado nesta quarta-feira presidente da Fundação Cultural Palmares, a convite do secretário especial da Cultura, Roberto Alvim. Assumir o cargo será uma grande honra e ao mesmo tempo um desafio! Grandes e necessárias mudanças serão implementadas na Fundação Palmares. Sou grato a Deus por essa oportunidade. Minha atuação à frente da Fundação será norteada pelos valores e princípios que elegeram e conduzem o governo Bolsonaro”, escreveu.

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