sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MERCADO DE COSMÉSTICOS DESTINADOS AOS CABELOS DE MULHERES NEGRAS CRESCE NO BRASIL



 Edição: Adilson Gonçalves 
Fonte: Uol

A dificuldade de encontrar cosméticos específicos para cuidar dos seus cabelos motivou a jovem Carolina Lima, 27, a criar um site para oferecer produtos exclusivos para mulheres de cabelos crespos, cacheados ou alongados, o Prapreta.
"Eu tinha uma necessidade e o que eu encontrava no mercado não me agradava", diz a empresária.
Junto com a sócia Alana Lourenço, 26, uma amiga que acompanhava a sua saga para encontrar produtos específicos para cabelos crespos, ela investiu R$ 20 mil –R$ 15 mil de um empréstimo e R$ 5.000 em recursos próprios–  para começar o negócio.
Com o dinheiro, elas desenvolveram o site, fizeram as instalações da empresa e montaram um estoque para começar as atividades em outubro do ano passado.
Atualmente, o site revende 60 itens, como xampús, condicionadores, finalizadores e cremes de tratamento (para hidratação e reconstrução) de marcas nacionais e internacionais, para cabelos crespos e cacheados.
A empresa não informa o faturamento e a margem de lucro.  Os preços variam de R$ 6 (creme) a R$ 400 (kit com quatro produtos – xampú, condicionador, hidratante e óleo).

Sócias queriam nome de impacto e de fácil fixação

Amigas desde 2005, Carolina Lima e a sócia se formaram na Faculdade de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, em 2008. As duas atuaram no jornalismo até o final de 2011, quando decidiram mudar de atividade.
Com base na experiência consumidora de Lima e no conhecimento sobre comércio eletrônico de Lourenço, que fez cursos sobre a área, elas decidiram montar um plano de negócio com foco no consumo da mulher negra e na internet como canal de vendas.
Segundo Lima, o nome Prapreta surgiu logo depois que as sócias definiram qual o público que elas desejavam atingir. "Queríamos um nome que causasse impacto e que fosse facilmente fixado pelos consumidores", declara.

Comércio eletrônico exige investimento em tecnologia e logística

Segundo a consultora Elderci Garcia, do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), apesar de o comércio eletrônico baratear os custos do negócio, os investimentos em tecnologia e em logística devem ser frequentes para quem opera nessa plataforma de vendas.
De acordo com a consultora, consumidores que compram produtos pela internet queixam-se de problemas, desde o pagamento até o prazo de entrega. Reclamações sobre transações com cartão de crédito e descumprimento do prazo de entrega são corriqueiros.
Como a venda é rápida e há muitos concorrentes, a consumidora vai logo em busca de outro fornecedor, afirma Garcia. "Os produtos de beleza são itens da cesta básica da mulher brasileira. E, por haver muita oferta, sai na frente quem oferece qualidade e facilidades", diz a consultora.

Cabeleireira cria linha de produtos para cabelos crespos

Outra empresária que resolveu apostar na oferta de produtos para o tratamento de cabelos crespos foi Sheila Silva de Oliveira, 36. Com investimento de R$ 20 mil (site, matéria-prima e instalações), ela abriu, em maio deste ano, a Makeda Cosméticos, em São Paulo (SP).
Oliveira afirma que começou a perceber a falta de opções de produtos para cabelos crespos ao trabalhar no salão de beleza da sua mãe. "No dia a dia, eu percebia que as mulheres com cabelos crespos sofriam para conseguir tratá-los e vi que poderia explorar melhor este mercado", diz.
Oliveira criou, então, uma linha de produtos a base de óleos vegetais para mulheres de cabelos crespos, black power, cacheados e ondulados composta por xampú, ativador de cachos, creme, hidratante, condicionador e óleo.
Os preços variam de R$ 69,90 (ativador de cacho) a R$ 151 (máscara nutritiva) e podem ser encontrados na loja virtual e na loja física, em São Paulo (SP).
Para reduzir os custos operacionais, a empresária terceiriza a produção da sua linha. Por mês, ela fatura de R$ 4.000 a R$ 5.000.
A empresária não é a primeira a investir em uma linha específica para cabelos crespos.
Antes dela, a ex-faxineira Zica Assis, 52, que inspirou a criação da personagem de Heloisa Périssé na novela Avenida Brasil, a cabeleireira Monalisa, abriu a rede de salões de cabeleireiros Instituto Beleza Natural, especializado em cabelos crespos e ondulados.
Assis, inclusive, já ganhou destaque até na mídia internacional por figurar entre as dez mulheres de negócios mais poderosas do Brasil, segundo a revista americana "Forbes".

Fábrica de fundo quintal prejudica imagem, segundo especialista

Segundo a consultora de negócios em beleza Rose Gonçalves, da empresa Assessoria em Beleza, a terceirização de uma produção precisa passar por um criterioso controle de qualidade.
"A empresa pode ser pequena, mas não precisa ser vista como uma fábrica de fundo de quintal", afirma.
Segundo Gonçalves, para lançar produtos diferenciados e sair na frente dos concorrentes, é comum alguns pequenos empresários apressarem as pesquisas para lançar a linha o quanto antes.  Esta prática, de acordo com ela, pode comprometer a qualidade.
"O produto precisa passar por uma fase de testes de, no mínimo, um ano para evitar problemas com as consumidoras.  Muita química pode causar queda de cabelo, por exemplo", diz a consultora.
Gonçalves diz também que é importante fazer estudos de mercado, principalmente dos concorrentes. Segundo a ABIHPEC, 20 empresas de grande porte, com faturamento líquido acima de R$ 100 milhões, representam 73% do faturamento do setor no Brasil.
Para ela, diante de um mercado forte, o melhor é investir em internet e em lojas enxutas. "Portais tipo perfumaria são mais eficientes para quem está iniciando por terem um custo baixo", afirma a especialista.

Onde encontrar:

Prapreta - Fone: (11) 2506-4024
www.prapreta.com.br
Makeda Cosméticos
www.makedacosmeticos.com.br


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

HOMICÍDIOS ENTRE NEGROS E PARDOS É MAIS DE TRÊS VEZES MAIOR QUE ENTRE OS NÃO NEGROS, AFIRMA ESTUDO DO IPEA

Edição Adilson Gonçalves Fonte: R7
A probabilidade de um brasileiro de cor negra ou parda ser assassinado no País é oito pontos percentuais maior do que a de um não negro (brancos e amarelos). O dado é destacado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em seu Boletim de Análise Político-Institucional, divulgado nesta quinta-feira (17).
A pesquisa lembra que mais de 60 mil pessoas são assassinadas no Brasil a cada ano e destaca que “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”. Segundo o diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, Daniel Cerqueira, que assina o levantamento, o  negro é discriminado duas vezes no Brasil: pela condição social e por sua cor da pele.
Os dados do estudo dão conta de que a taxa de homicídios entre negros e pardos (36,5 por 100 mil) é mais do que o dobro do que entre não negros (15,5 por 100 mil). Como consequência desse quadro, a perda de expectativa de vida para negros devido à violência letal é 114% maior.
Os pesquisadores envolvidos na pesquisa destacaram que, se no Brasil a exposição da população como um todo à possibilidade de morte violenta já é grande, ser negro significa pertencer a um grupo de risco, já que a cada três assassinatos, dois são de negros.
Somada a população residente nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, o Ipea calcula que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos.
Segundo o instituto, os dados indicam que enquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida ao nascer, a perda do branco quando se considera o risco de homicídio é de 0,71 ano. Esses números levam o Ipea a questionar se existe racismo institucional no Brasil.
Desconfiança

Outro indicador destacado pelo Ipea contribui para a hipótese do racismo institucional: enquanto apenas 38,2% dos não negros vítimas de agressão tendem a não procurar a polícia para registrar o crime, quando se trata de negros a proporção sobe para 68,8%.
Entre as razões para não buscar auxílio policial estão a falta de crença no trabalho da polícia e o receio de sofrer represálias. Entre os negros, esse medo é maior (60,7%) do que entre os não negros (39,3%). Não por acaso: segundo o levantamento, negros compõem a maior parte das vítimas de agressão por parte de policiais.
A Pesquisa Nacional de Vitimização mostra que 6,5% dos negros que sofreram uma agressão no ano anterior à coleta dos dados pelo IBGE, em 2010, tiveram como agressores policiais ou seguranças privados, contra 3,7% dos brancos. Para o Ipea, enquanto existir essa diferença de dados entre cidadãos de cor diferente, a democracia estará incompleta.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

MINISTRA DA CULTURA, MARTHA SUPLICY, AFIRMA QUE CRITÉRIO PARA LEVAR AUTOR A FRANKFURT FOI LITERÁRIO E NÃO ÉTNICO

Edição: Adilson Gonçalves Fonte Folha de São Paulo
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou na manhã desta quarta-feira (2/10), em entrevista na Biblioteca Nacional, no Rio, que não foi usado nenhum parâmetro étnico na escolha da delegação de escritores brasileiros para a Feira do Livro de Frankfurt. Marta comentou a polêmica, levantada na imprensa alemã, de que teria havido racismo na seleção dos integrantes da comitiva oficial brasileira para o evento, que neste ano tem o Brasil como país convidado. Na delegação brasileira há 70 autores e somente um negro, Paulo Lins. A imprensa alemão também destacou o fato de só haver, entre os 70, um descendente de indígena, Daniel Munduruku.
"O critério não foi étnico, o critério foi outro e eu achei correto. O primeiro era a qualidade estética, depois autores que tivessem livros traduzidos para o alemão e língua estrangeira. A Feira de Frankfurt é uma feira comercial e nós temos que dar prioridade a quem já está lá e vai poder se colocar também pela diversidade", disse Marta Suplicy.
A ministra afirmou ainda que o país vive um momento de transformação, o que vai permitir que, nas próximas gerações, haja um número maior de negros em eventos como esses. "Hoje infelizmente não temos. Devemos entender que toda lista tem sempre um recorte que provoca discussão", afirmou.
Em sua página no facebook, Paulo Lins ironizou a situação. Ao postar o link desta reportagem da Folha, comentou: "Aposto que se der algum problema o culpado vai ser eu".

De acordo com a coordenadora do Centro Internacional do Livro da Biblioteca Nacional, Moema Salgado, o critério de traduzir os livros surgiu em acordo com a organização da feira. "Achei até estranho os próprios alemães levantarem essa questão. É uma demanda da feira internacional. Quem vê um debate, quer ter um livro traduzido para comprar", disse.
Sobre o Brasil ter decidido a delegação brasileira em março, quando foram anunciados os 70 nomes de escritores que viajariam pelo Ministério da Cultura, e e deixado para fazer a licitação apenas às vésperas do evento, a ministra disse que o processo foi retardado por mudanças administrativas na pasta, na Biblioteca Nacional e no Itamaraty.
"Foram três mudanças ao mesmo tempo: no ministério, na Biblioteca Nacional e do embaixador [na verdade o cônsul brasileiro em Frankfurt]. Essas mudanças todas acarretaram várias confusões, mas viramos a página e fomos em frente. Quando se dizia que a licitação ia ficar no vazio, que os autores iam ficar sem hospedagem, não aconteceu nada disso, nós temos tudo resolvido e da melhor maneira possível, com um hotel quatro estrelas dentro do nosso orçamento. Estamos satisfeitos", afirmou Marta.
Em tom irônico, a ministra disse que sobraram vagas de hospedagem. "Quem quiser ir, ainda tem lugar."

O Ministério da Cultura divulgou que um hotel da rede Holiday Inn ofereceu 656 diárias a R$ 315 mil, além de translado ao evento --no resultado da licitação de hospedagem da delegação brasileira. A ministra disse que o orçamento final ficou dentro dos R$ 18,9 milhões anunciados há meses.
O presidente da Biblioteca Nacional, Renato Lessa, que também participou da entrevista, destacou que, apesar de as licitações terem sido feitas só agora, às vésperas do evento, "seu processo já vem desde abril". Ele disse que representantes do ministério viajaram nesse período à Alemanha para tratar exclusivamente do assunto.


PRESIDENTE DA FEIRA DE LIVROS DE FRANKFURT NEGA RACISMO NA ESCOLHA DE ESCRITORES BRASILEIROS

Edição:Adilson Gonçalves Fonte:Da Deutsche Welle

Em entrevista a representantes da imprensa estrangeira em Berlim, o presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Jürgen Boos, rejeitou a acusação de que teria havido racismo na seleção dos integrantes da comitiva oficial de autores brasileiros para o evento, que neste ano tem o Brasil como país convidado. "Com toda certeza, não houve nenhum racismo", afirmou.
Uma reportagem publicada mês passado pelo conceituado jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" argumenta que, embora 70 escritores tenham sido convidados pelo comitê organizador da participação brasileira, haveria apenas um negro (Paulo Lins) e um descendente de índios (Daniel Munduruku). O artigo conclui que, por isso, o setor livreiro internacional só conhecerá em Frankfurt "um pedaço da grandiosa criatividade brasileira", como alguém que "anda pela Floresta Amazônica ou por Salvador da Bahia com o som ambiente desligado".
"Temos esta mesma discussão todos os anos. Não tem nada a ver com o Brasil ou com minorias", ressaltou. "Quando é feita uma seleção, então é natural que alguns fiquem de fora", observou Boos. Ele reconheceu, entretanto, haver a possibilidade de se realizar uma seleção de acordo com proporcionalidade, como a que ocorreu em 2012, ano em que o país convidado era a Nova Zelândia.
CRITÉRIOS
"No ano passado, sentimos uma grande presença maori. Mas é um dos grandes grupos étnicos da Nova Zelândia, e o país tem tradição de proporcionalidade", comentou. "Não sei quantas centenas de etnias há no Brasil. Mas há outros critérios, como o reconhecimento que o autor tem no país, se ele já foi traduzido, o que é importante, e a forma como ele representa a nação, a língua", sublinhou Boos. "Tenho certeza que, por isso, sempre há os que são deixados de fora, mas isso não é racismo."
A seleção dos nomes para a comitiva oficial é de encargo do lado brasileiro da parceria firmada com a Feira do Livro de Frankfurt.
Boos elogiou o fato de a apresentação brasileira ser pautada por uma imagem que deixa de lado os aspectos mais folclóricos. "O que acho muito legal é que a apresentação do país convidado não brinca com clichês e mostra um Brasil bastante intelectual. Não é caipirinha e samba", comparou. "A cultura brasileira se mostra de outra forma, mais afiada, mais intelectual e sofisticada."
Ele lembra, no entanto, que a parte mais típica não será totalmente esquecida. "Vai haver também sessões de cozinha", observou, referindo-se às promoções de livros de gastronomia brasileira, a ser feita por chefes de cozinha no estande chamado Cozinhando com as Palavras. O futebol também promete ser outro tema de destaque do espaço brasileiro.
MAIS TRADUÇÕES
O presidente da Feira do Livro de Frankfurt também ressaltou o grande número de livros de autores brasileiros lançados na Alemanha por ocasião do encontro. Ele afirmou que até agora são cerca de 300 títulos brasileiros traduzidos do português, quase metade deles, obras de ficção. Esse aumento se deve às diversas bolsas de incentivo lançadas especialmente para o evento. "Sem essa ajuda, não teria sido possível alcançar esse volume de traduções", admitiu.

Boos espera, porém, que o impulso para literatura brasileira na Alemanha tenha frutos futuros e dá exemplo do que ocorreu com nações convidadas por Frankfurt em anos anteriores. "Vemos que há uma certa sustentabilidade. Um exemplo é um livro de um autor neozelandês só publicado agora, um ano depois que a Nova Zelândia foi país convidado", frisa.
Jürgen Boos também não esqueceu do lado mais comercial do setor livreiro. Segundo ele, há um grande interesse das editoras alemãs em investir em livros didáticos no Brasil, um mercado considerado promissor pelos europeus.
"O país compra cerca de 150 milhões de livros por ano, só para escolas. Incluindo o sistema de bibliotecas, acho que são cerca de 400 milhões de livros por ano. O Estado é o grande comprador de livros no Brasil", lembrou. "E quem não sonha em conseguir um contrato desse tamanho? Por isso, as grandes editoras de livros didáticos daqui estão de olho no Brasil." Ele espera que a feira seja um espaço para importantes contatos de negócios entre europeus e brasileiros.
A Feira do Livro de Frankfurt será realizada entre 9 e 13 de outubro. Neste ano, a organização destaca o aumento da participação internacional em relação aos anos anteriores. Cerca de 60% dos quase 7.400 expositores vêm do exterior.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CONCURSO A MAIS BELA PÉROLA NEGRA DE SÃO PAULO TEMO APOIO DA ÂNCORA DO SBT, JOYCE RIBEIRO, E DEISE NUNES, EX-MISS BRASIL

Edição: Adilson Gonçalves Texto: Portal AFricas
Foi lançado oficialmente  em São Paulo o novo concurso de beleza que promete revolucionar as estruturas do mercado da moda: “A Mais Bela Pérola Negra de São Paulo”, foi apresentado à imprensa e convidados durante um café da manhã servido no Buffet Manaus. Com a presença da primeira e única miss Brasil negra, Deise Nunes, e da âncora do SBT, Joyce Ribeiro, o concurso irá escolher uma modelo autodeclarada negra para estampar as páginas dos editoriais de moda.
Com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo (SEPPIR), o evento consiste na realização de um concurso que irá ultrapassar as linhas da passarela.
De acordo com o idealizador do projeto, Carlos Romero, além de possibilitar à escolhida o ingresso no mundo da moda a mesma terá um leque de oportunidades para o crescimento pessoal e profissional.
“Mesmo antes de A Mais Bela Pérola Negra de São Paulo ser escolhida já tenho uma agenda para ela até março de 2014! A ganhadora irá viajar para Angola, ter aulas de postura num workshop com a Deise Nunes, além de tratamento odontológico gratuito e a disponibilidade de ingressar num curso de graduação superior”, explicou Romero
Para a eterna miss Brasil, hoje empresária e apresentadora de TV, Deise Nunes, esta será uma oportunidade de provocar mudanças no mercado.
“Mesmo na época que fui eleita é claro que havia mulheres negras mais bonitas do que eu, mas eu tive a chance de nos representar e agora dou total apoio para que, mesmo tantos anos depois, tenhamos uma nova miss negra”.
Para a jornalista Joyce Ribeiro a iniciativa em auxiliar as candidatas com o workshop faz a diferença.
“As meninas entre 18 e 22 anos têm dificuldade em tomar decisões, com esta possibilidade que o concurso irá disponibilizar elas terão a oportunidade de ter um norte em suas vidas”.
Nos próximos dias será divulgado o período de inscrições para as interessadas e a grande final que irá acontecer em 10 de novembro contará com um júri composto por celebridades, jornalistas e pessoas ligadas ao mundo da moda.

PRIMEIRA REITORA NEGRA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DIZ QUE COMPETE À SOCIEDADE DEBATER O RACISMO

 Edição: Adilson Gonçalves Texto: Heloisa Cristaldo /Repórter da Agência Brasil

Brasília – A reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Nilma Gomes, entra para a história do país como a primeira mulher negra a comandar uma universidade federal. Empossada em abril, ela acredita que sua escolha para o cargo representa um avanço na luta em favor de políticas raciais no Brasil.

“É o reconhecimento de um grupo etnorracial, de brasileiros negros e negras, que há anos lutam por construção de espaços, por maior democracia, maior igualdade racial na sociedade brasileira”, disse Nilma em entrevista exclusiva à Agência Brasil
Apesar dos avanços conquistados ao longo de séculos, Nilma afirma que ainda existe uma grande desigualdade racial no país. A reitora defende que compete à sociedade debater o racismo e procurar maneiras de superá-lo. A seguir, os principais trechos da entrevista com a reitora.
Agência Brasil – A senhora acredita que os negros estão conseguindo conquistar mais espaços no Brasil?
Nilma Gomes – Eu penso que sim, aos poucos. É um espaço conquistado com um histórico de muitas lutas, de forçar a sociedade brasileira a compreender que democracia e racismo não combinam. Se somos uma sociedade democrática, que caminha para lutas por igualdade e cidadania, não podemos deixar nenhum grupo fora dessas conquistas. Acho que nós, negros e negras, estamos alcançando, de fato, justiça social ou igualdade na sociedade brasileira. Já temos espaço se compararmos com dez, vinte anos atrás, mas ainda acho que falta muito para que igualdade racial e oportunidades igualitárias se concretizem em nosso país.
ABr – Sobre o sistema de cotas no ensino superior, qual o seu posicionamento?
Nilma – Sou favorável às políticas de acesso com ações afirmativas de um modo geral. Não só para os negros, como para mulheres, população LGBT (lésbicas, gays, bissesuais e transgêneros), segmentos que reconhecemos com um histórico de desigualdade. Sobre as cotas, sou favorável para negros no mercado de trabalho e no serviço público. Temos que mapear a presença de população negra nos mais diversos setores da sociedade. Hoje temos o Estatuto da Igualdade Racial, legislação de cotas nas universidades, o princípio da constitucionalidade das ações afirmativas aprovado por unanimidade no Supremo Tribunal Federal. Acho que a sociedade brasileira não precisa ter dúvidas sobre a necessidade ou não de implementar cotas em determinado setor, uma vez que tenha sido comprovada uma sub-representatividade da população negra.
ABr – Como avalia a situação do negro no Brasil hoje, 125 anos após a abolição da escravidão?
Nilma – Ao pensarmos os 125 anos, não é possível dizermos que não temos avanços. Se falássemos que nenhum avanço foi conseguido, estaríamos indo contra a própria luta por igualdade de direitos da população negra e também de outros setores que são partícipes da luta antirracista. Os avanços aconteceram. A minha avaliação é: quando olhamos educação, mercado de trabalho, acesso a saúde, os dados vão mostrando que algum tipo de mudança foi acontecendo ao longo dos anos. Mas ainda persiste uma grande desigualdade quando comparamos o segmento negro e o branco da população: a minha reflexão é que as práticas e políticas que temos ainda não atingiram aquilo que originou a luta anti-racista. O gap [distância] ainda é muito profundo e radical. Temos avanços, sim, mas não podemos nos sentir confortáveis do caminho que ainda falta percorrer. Uma sociedade que se quer, de fato, republicana, tem de conversar sobre suas mazelas e pensar formas de superá-las.
ABr – A senhora conta no seu livro infantil Betina a história de uma avó que trança os cabelos da neta ao falar sobre seus ancestrais. Qual o resultado desse estudo?
Nilma – Essa foi minha tese de doutorado, sob a orientação do professor Kabengele Munanga, da USP [Universidade de São Paulo]. Para alguns dos resultados desse trabalho posso chamar a atenção. Um deles é a força da ancestralidade africana na nossa vivência como negros e negras brasileiros: foquei na questão do corpo e do cabelo. Pude perceber que o penteado que, nós negras brasileiras, adotamos, alguns inspirados inclusive numa estética norte-americana e outros em estética africana, faz parte de um movimento que chamei na tese de uma circularidade cultural de elementos africanos. Temos uma dupla inseparável, que é corpo e cabelo. Quando há uma junção de corpo e cabelo ocorrem práticas racistas: uma coisa é uma pessoa negra com os cabelos alisados, uma pele mais clara, uma pessoa negra que, por miscigenação, tenha cabelos lisos. Outra coisa é uma pessoa negra que tem a tez de pele mais escura. Esse tipo de combinação corpórea a sociedade brasileira faz leituras corporais. Dentro de um imaginário de uma sociedade que ainda é racista, corpo e cabelo são elementos simbólicos fortes. Na minha tese, eu procurei] entender qual foi a força que impulsionou a miscigenação racial no Brasil.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A ESCRAVIDÃO NO BRASIL EM FOTOS REAIS INÉDITAS

VETO DA FIFA AOS NOMES DE LÁZARO RAMOS E CAMILA PITANGA PARA APRESENTAÇÃO DO SORTEIO DOS GRUPOS DA COPA DO MUNDO, EM DEZEMBRO, NA BAHIA, PROVOCA POLÊMICA

 Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Coluna Radar/ Revista Veja
Uma decisão do Comitê Organizador Local (COL), que cuida dos preparativos para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, causou polêmica. Após os nomes dos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga terem sido vetados para apresentar o evento de sorteio dos grupos da competição, internautas estão acusando a Fifa de racismo. Globo. Os atores foram oferecidos pela emissora para apresentar o sorteio da Copa do Mundo, marcado para dezembro, na Bahia. O Comitê Local da Copa não topou a ideia da organizadora do evento.
De acordo com a  Coluna Radar da revista “Veja”, o COL negou as acusações e justificou a recusa alegando que tratava-se de um evento esportivo, não de uma novela global.
A entidade alega que a escolha por outros nomes não tem nenhuma ligação com questão racial e informou que prefere "um nome mundial mais forte", já que o sorteio dos grupos serão transmitidos para todo o mundo.

O fato, no entanto, gerou indignação nos internautas não apenas pela recusa dos dois atores globais, que são negros, mas pelo fato de a própria Fifa ter escolhido a apresentadora Glenda Kozlowski, também funcionária da Rede Globo, para apresentar o sorteio da Copa das Confederações, em 2012.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

VEREADOR BAIANO ACUSA COM COLEGA DE RACISMO, EM CIDADE DO INTERIOR DO ESTADO

 Edição Adilson Gonçalves Fonte : Portal  A Tarde
Uma discussão entre dois vereadores de Santo Antônio de Jesus vai parar na Justiça, Ministério Público e repercute na Assembleia Legislativa, onde o deputado Yulo Oiticica (PT), membro da Comissão de Direitos Humanos da Casa, pretende liderar um ato público de repúdio.
O conflito ocorreu porque o vereador Cristiano Sena (PT) acusou o colega Délcio Mascarenhas de Almeida Filho (PP) de racismo. No calor da discussão entre os dois, motivada pelo julgamento das contas de 2011 do ex-prefeito Euvaldo Almeida Rosa, Sena teria sido xingado de "preto, descarado e vagabundo". Délcio diz que discutiu com o colega, mas não lhe dirigiu expressões racistas.
Ao tomar conhecimento do caso, Oiticica marcou um ato público de repúdio contra Délcio, para segunda, em Santo Antônio de Jesus. Anunciou ainda que apresentará uma moção de repúdio à Assembleia Legislativa e levará a denúncia à Comissão Especial de Promoção da Igualdade (Cepi) e ao Ministério Público, logo após a mobilização. "Racismo é um crime, e criminoso não pode estar representando o povo no parlamento, mas sim estar atrás das grades", declarou o petista.  O deputado Marcelino Galo (PT) também discursou ontem na Assembleia Legislativa contra a suposta agressão. "Não podemos conceber forma tão violenta de manifestação de racismo. Foi uma atitude desprezível", disse. Outro petista, o deputado federal Amauri Teixeira, apresentou moção de repúdio contra a suposta agressão.
Representação

Délcio divulgou nota pública onde nega a acusação. Na sua versão, Cristiano entrou no plenário acusando-o de ter participado de uma "manobra" para beneficiar o ex-prefeito Euvaldo Rosa no julgamento das contas dele.
"Em resposta, dirigi-me ao referido vereador exigindo respeito, tendo a discussão ficado bastante acalorada. Para evitar maiores problemas, resolvi retirar-me da Câmara e deslocar-me para a minha residência", escreveu, alegando que o petista "distorceu toda a realidade".
Por essa razão, resolveu dar entrada, ontem, em uma "representação criminal" contra o vereador Cristiano Sena, acusando-o pela prática de "calúnia, difamação e injúria".

terça-feira, 24 de setembro de 2013

PARLAMENTO ALEMÃO ELEGE SEUS DOIS PRIMEIROS DEPUTADOS NEGROS, ENTRE OUTROS 32 DE ORIGEM ESTRANGEIRA

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: O Dia Foto :EFE
 Alemanha - Os primeiros negros, um ator e um químico,  além de uma muçulmana, foram eleitos domingo para o Parlamento da Alemanha. Eles estão entre os 34 deputados de origem estrangeira eleitos, contra 21 do último pleito.
O químico Karamba Diaby, de 51 anos, nascido no Senegal, mudou-se para a cidade de Halle, antiga Alemanha Oriental, em 1986, após ganhar uma bolsa de estudo. Só em 2001, recebeu a cidadania alemã. O seu partido Social Democrata teve 25,7% dos votos e é provável que faça aliança com a União Democrata Cristã de Angela Merkel.

Já a muçulmana Cemile Giousouf e o ator negro Charles Huber vêm da legenda da chanceler reeleita. Filho de um diplomata senegalês com uma alemã, Huber tem 56 anos e participou do filme americano de ficção científica de 1985, “Inimigo Meu”.