Edição Adilson Gonçalves Fonte Agência Brasil
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, disse ontem (3), em debate na Costa Rica, que um dos fatores da impunidade no país é o tratamento desigual dado pela Justiça. Segundo ele, há diferença na condução de ações envolvendo pessoas com maior poder aquisitivo, com dinheiro para pagar bons advogados, e aquelas relacionadas aos "pobres, negros e pessoas sem conexões".
"As pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, sua cor de pele e o dinheiro que têm. Tudo isso tem um papel enorme no sistema judicial e especialmente na impunidade", disse Barbosa. O ministro está em San José participando de um evento sobre liberdade de imprensa promovido pela Unesco.
Segundo o ministro, no país prevalece uma proximidade antiética entre advogados poderosos e juízes, o que acaba desequilibrando a prestação de Justiça. "Essa pessoa poderosa pode contratar um advogado poderoso com conexões no Judiciário, que pode ter contatos com juízes, sem nenhum controle do Ministério Público ou da sociedade. E depois vêm as decisões surpreendentes: uma pessoa acusada de cometer um crime é deixada em liberdade", argumentou.
Mesmo apontando essa falha, que considera existir não só no Brasil e na América Latina, mas no mundo todo, Barbosa disse que o Judiciário brasileiro é confiável, forte e independente do Legislativo e do Executivo. "Os juízes são respeitados pela maioria das pessoas", analisou.
O presidente do Supremo também justificou a demora da resposta do Judiciário brasileiro devido ao complexo sistema recursal do país, que admite até quatro instâncias para analisar a mesma questão. Ele também falou dos problemas da prerrogativa de foro, que permite aos políticos e determinadas autoridades serem julgados por tribunais superiores, e não pela Justiça de primeiro grau.
sábado, 4 de maio de 2013
sexta-feira, 3 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
MINISTRA NEGRA, A PRIMEIRA DO PAIS, É INSULTADA NA ITÁLIA
Edição: Adilson Gonçalves Fonte: O Globo Foto: Gregório Borgia/ AP
ROMA — A nomeação de Cecile Kyenge como a primeira ministranegra da Itália - o que seria um símbolo da integração racial no país - levou um duro golpe quando o eurodeputado Mario Borghezio ridicularizou o que descrevia como o novo “governo bonga bonga”- uma referência ao “bunga bunga”, como ficaram conhecidas as orgias promovidas pelo ex-premier Berlusconi quando estava no poder. Em uma entrevista à Radio 24, Borghezio afirmou que Cecile tentaria “impor as tradições tribais” do Congo à Itália com seu projeto que dá cidadania imediata aos filhos de imigrantes que nasçam no país, que hoje têm de esperar até completar 18 anos para requerer a cidadania. A repulsa gerada pelas declarações fez com que o governo autorizasse, nesta quarta-feira, a abertura de uma investigação de páginas fascistas na internet, cujos membros chamaram Cecile de “macaca congolesa”.
Cecile, de 48 anos,
nasceu no Congo, país que deixou há três décadas para estudar medicina na
Itália. Oftalmologista, ela vive em Modena, com seu marido italiano e seus dois
filhos. Foi uma ativa integrante da centro-esquerda local até que conseguiu uma
cadeira na Câmara de Deputados nas eleições de fevereiro.
Na semana passada, a
médica foi escolhida pelo primeiro-ministro Enrico Letta como ministra de
Integração, para integrar o governo híbrido formado por ele e que conseguiu na
terça-feira seu segundo voto de confiança no Parlamento. A congolesa respondeu
aos insultos pelo Twitter e agradeceu aos que saíram em sua defesa.
“Acredito que até
mesmo a crítica pode informar se for feita com respeito”, escreveu.
Josefa Idem,
ex-canoísta e ministra das Oportunidades Iguais, ordenou que o Escritório
Nacional Antidifamação investigue sites de extrema-direita que chamaram Cecile
de “Zulu” e “negra anti-italiana”.
- Estou fazendo isso
na minha qualidade de ministra das Oportunidades Iguais, mas acima de tudo como
mulher - disse a alemã de 49 anos, que como Cecile se casou com um italiano e
tem dupla cidadania. - A polícia deveria fechar esses sites.
Os comentários do
Borghezio foram repudiados inclusive por membros de seu próprio partido, a Liga
Norte, conhecida por suas posições xenófobas. A candidata à Prefeitura de Verona,
Manuela del Lago, disse que estava “absolutamente enojada” pelas declarações.
Cecile também recebeu apoio do astro da seleção italiana Mario Balotelli, filho
de pais ganeses, nascido na Sicília e adotado por italianos, ele mesmo
acostumado a manifestações racistas em estádios do país.
- A sua indicação é
um grande passo para uma sociedade italiana mais civilizada, mais responsável e
mais ciente da necessidade de uma integração definitiva - disse o jogador.
Em seu discurso de
apresentação no Parlamento, Letta descreveu a nomeação de Cecile como “um novo
conceito no qual as barreiras dão lugar à esperança e limites insuperáveis dão
lugar a uma ponte entre as diferentes comunidades”. A prioridade da ministra de
Integração é o direito à nacionalidade italiana por nascimento. Atualmente a
cidadania italiana se determina por filiação (direito de sangue).
- Provavelmente vou
encontrar resistência, termos que trabalhar muito para chegar a isto. Uma
criança, filha de imigrantes, que nasceu e cresceu aqui, deve ser cidadã
italiana - afirmou Cecile.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
EMPRESA DE SERVIÇOS DE EMPREGADOS DOMÉSTICOS TEM EM SEU FORMULÁRIO ITEM SOBRE PRECONCEITO DE COR PARA SEUS CLIENTES
Edição Adilson Gonçalves/ Fonte: G1
A internauta Luanna Teofillo, de 33 anos, denunciou,
que circulava em uma rede social a imagem de um site de serviços de empregados
domésticos em que um formulário de busca de profissionais contém a seguinte
pergunta: "Preconceito de cor? Sim ou não".
“Segundo o site, a empresa Lar&Cia Consultoria
de empregos domésticos, localizada no município de Sorocaba (SP) tem como
objetivo ‘satisfazer as necessidades dos nossos clientes com eficiência".
Para a internatuta, a ‘boa aparência’ continua sendo
requisito determinante em muitas áreas. "O que vemos é apenas um exemplo
do que acontece todos os dias com trabalhadores negros, indígenas, mestiços”,
diz Luanna.
Nota
da Redação: a empresa
Lar&Cia Consultoria de Empregos Domésticos foi procurada pelo G1 e, apesar
de confirmar ser a proprietária do site, não quis se manifestar sobre o
assunto. O site foi retirado do ar na manhã desde segunda-feira (29).
segunda-feira, 29 de abril de 2013
GANGUE DE NEONAZISTAS "CABOCLOS" É PRESA EM NITERÓI POR ATO DE RACISMO: LEI CAÓ FOI APLICADA E BANDO JÁ ESTÁ NO PRESÍDIO
Edição Adilson Gonçalves Fonte O Globo Fonto Luis Ackermann
![]() |
| A lei 7716 Lei Caó foi aplicada e grupo já esta preso em Bangu 8 |
RIO - Sete jovens neonazistas foram presos na manhã de sábado após
agredirem um nordestino no Centro de Niterói. De acordo com a delegada adjunta
da 77ª DP (Icaraí), Helen Sardenberg, os jovens — seis homens e uma mulher —
tinham tatuagens de suásticas e vestiam camisas com referências neonazistas.
Alguns deles tinham a cabeça raspada. Com o grupo, a polícia encontrou duas
facas, um bastão, panfletos e ferramentas usadas para tortura.
A polícia confirmou os nomes de Caio Souza Prado, de 23 anos, Tiago Borges
Dias Pitta, de 28, Philipe Ferreira de Lima, de 21, Carlos Luiz Bastos Neto, de
33 anos, Davi Oliveira de Moraes, de 31 anos, Jessica Oliveira, de 26. Um menor
de 15 anos foi apreendido.A agressão ocorreu na Praça Arariboia, próximo à
estação das barcas. Guardas municipais foram chamados pela população para deter
o grupo, que foi visto indo em direção à vítima com facas e um taco de
beisebol.
A vítima foi identificada como Cirley Santos, de 33 anos. Ele nasceu em
Natal, no Rio Grande do Norte, e já conhecia um dos envolvidos. Ele contou que
foi abordado pelos jovens, que o chamaram de “nordestino de merda”. A vítima
disse ainda que eles fizeram alusão a Hitler e começaram a agredi-lo.
O grupo vai responder pelos seguintes crimes previstos na Lei 7716, popularmente conecida como Lei Caó: intolerância de cor, raça,
etnia, religião e origem e fabricação, comercialização ou veiculação de
símbolos, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica
para divulgação do nazismo.
A delegada informou que os presos também responderão por lesão corporal,
formação de quadrilha e corrupção de menores. Segundo a delegada, os crimes são
inafiançáveis.
EQUIPE SUB-16 DO VASCO DA GAMA SOFRE ATOS DE RACISMO EM TORNEIO DA CATEGORIA NA EUROPA
Edição Adilson Gonçalves Fonte:Uol Foto: Marcelo Sadio Ascom CRVG
![]() |
| O predente do Vasco lê nota de repúdio aos atos de Racismo |
O Vasco divulgou na noite deste domingo uma nota de repúdio em razão das ofensas racistas sofridas pela equipe sub-16 de São Januário durante competição disputada na Itália. Segundo o Cruzmaltino, os atletas foram chamados de "macacos" pelos adversários da Juventus-ITA, no último sábado, pelo Torneio Internacional Cittá di San Bonifacio.
O Vasco venceu por 1 a 0, mas a discriminação racial incomodou todos os integrantes do clube brasileiro. Chefe da delegação, Rômulo Campelo, entregou logo após a partida um ofício ao Comitê Organizador do torneio expressando insatisfação e exigindo punição severa aos transgressores.
O Cruzmaltino lembrou na nota assinada pelo presidente Roberto Dinamite que foi o primeiro clube nacional a combater o racismo e aceitar jogadores negros em defesa de suas tradições e glórias. Ainda pelo torneio, o Vasco venceu o A.C. Sambonifacese-ITA por 4x1 neste domingo.
Confira a nota oficial divulgada pelo clube:
O Club de Regatas Vasco da Gama vem, por meio desta, demonstrar todo o seu repúdio pelo constrangimento sofrido por sua equipe sub-16, em partida disputada contra a Juventus (ITA), neste sábado (27/4), pelo Torneio Internacional Cittá di San Bonifacio. O Vasco venceu por 1x0.
Durante a partida, nossos atletas sofreram discriminação racial ao serem chamados de macacos pelos jogadores adversários.
Não bastasse a campanha maciça que a FIFA, UEFA e todos os seguimentos esportivos vêm desenvolvendo contra o racismo, vale ressaltar que nosso clube foi o primeiro no Brasil a ter jogadores negros em defesa de nossas tradições e glórias.
Nosso chefe de delegação, Dr. Rômulo Campelo, entregou logo após a partida, ofício ao Comitê organizador do torneio expressando nossa insatisfação e exigindo punição severa aos transgressores, que por serem menores, necessitam de orientação psicológica e corretivos pedagógicos à altura de suas transgressões.
Por um mundo mais igual e por um esporte mais saudável, justo e sem preconceitos.
Roberto Dinamite
Presidente
Presidente
quarta-feira, 24 de abril de 2013
PRIMEIRA EDIÇÃO DO PRÊMIO MULHERES NEGRAS CONTAM SUA HISTÓRIA É REALIZADA EM BRASÍLIA
O prêmio, disse a ministra de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, “é uma expressão clara de um posicionamento politico ideológico da SPM no enfrentamento ao racismo em todas as suas formas”. Segundo Eleonora, o prêmio é um sonho, uma ideia, é um edital que veio para ficar, que pegou.
Luiza Bairros, da Seppir, destacou o fato de o prêmio dar “mais visibilidade” à mulher negra na sociedade brasileira. De acordo com a ministra, os textos premiados ajudarão a pensar a experiência negra no Brasil como algo que se transforma constantemente, porque a maneira de ser e de estar das mulheres negras na sociedade também se transformou.
Raquel Trindade de Souza, de 77 anos, autora da segunda melhor redação, escreveu sobre sua infância no Recife e sua juventude no Rio de Janeiro. Emocionada, ela disse que o prêmio dá à mulher negra oportunidade de contar sua história, que faz parte de todo o movimento negro. “Como mulher negra, como artista plástica, como presidente do Teatro Clássico Solano Trindade, a importância [do prêmio] é muito grande.”
Vencedora na categoria ensaios, com o tema Trabalho Doméstico, Claudenir de Souza, paulista de Campinas, dedicou a vitória “às 8 milhões de domésticas que existem no país”. “São 468 anos de trabalho doméstico no país, e 343 anos foram de trabalho escravo. Há 48 anos, trabalhamos em troca de comida e de algumas moedas. Faz 77 anos que estamos lutando para ter os mesmo direitos que outros trabalhadores”, destacou Claudenir.
O 1º Prêmio Mulheres Negras Contam sua História teve 521 inscrições – 421 redações e 100 ensaios. As 14 histórias vencedoras serão publicadas em livro, até o fim deste ano.
Agraciadas na categoria redação
Ordem
|
Nome
|
Título
|
1
|
MARISOL ADELAIDE CORREA
|
"DO LUTO À LUTA: A
HISTÓRIA DE TRÊS CONTINENTES MARCADOS PELO RACISMO."
|
2
|
RAQUEL TRINDADE DE SOUZA
|
"MINHA INFÂNCIA"
|
3
|
GLÓRIA MARIA GOMES CHAGAS SEBAJE
|
O BULLING E A CRIANÇA NEGRA NA
ESCOLA PÚBLICA, ATÉ QUANDO?
|
4
|
ELIANA APARECIDA DA SILVA
PINTOR
|
"O DIREITO AO
NARCISISMO"
|
5
|
CREUZA MARIA DE OLIVEIRA
|
"MINHA LUTA É PARA VER
TORNAR-SE REAL O SONHO DO TRABALHO DOMÉSTICO DECENTE"
|
Agraciadas na categoria
"Ensaio":
Ordem
|
Nome
|
Título
|
1
|
CLAUDENIR DE SOUZA
|
"TRABALHO DOMÉSTICO"
|
2
|
CLAUDIA MARQUES DE OLIVEIRA
|
"O RISCO DE SER MULHER
NEGRA: ENTRE A RAZÃO E A EMOÇÃO."
|
3
|
DORIS REGINA BARROS DA SILVA
|
"TEIAS DA MEMÓRIA E FIOS
DA HISTÓRIA: LAÇOS E ENTRELAÇOS."
|
4
|
PATRICIA LIMA FERREIRA
SANTA ROSA
|
"UNIVERSIDADE PÚBILCA: SONHO,
DIREITO OU PRETENSÃO?
|
5
|
TASSIA DO NASCIMENTO
|
"VOZES-MULHERES"
|
Agraciadas
com menção honrosa –
por decisão da Comissão Julgadora, não implica em prêmios em valores
monetários.
Menções Honrosas pela
"Redação":
Ordem
|
Nome
|
Título
|
1
|
VALDENICE JOSÉ RAIMUNDO
|
"PARA ALÉM DAS EXPRESSÕES PERVERSAS DO
RACISMO: UMA HISTÓRIA DE CONQUISTAS"
|
2
|
LEILA REGINA LOPES
|
"DITA - IDENTIDADE QUILOMBOLA"
|
Menções Honrosas pelo Ensaio:
Ordem
|
Nome
|
Título
|
1
|
ANGELA MARIA BENEDITA BAHIA DE
BRITO
|
"NEGRANGELA: EXCEÇÃO À
REGRA"
|
2
|
JUREMA PINTO WERNECK
|
"MACACAS DE AUDITÓRIO?
MULHERES NEGRAS, RACISMO E PARTICIPAÇÃO NA MÚSICA
POPULAR BRASILEIRA."
|
terça-feira, 16 de abril de 2013
FENÔMENO DA MÍDIA SOCIAL DIGITAL, KUMI RAUF ,PARTICIPA DO SEMINÁRIO MARKETING DIGITAL E EMPREENDEDORISMO NEGRO

“O
seminário servirá como uma atividade para fortalecer os empreendimentos dos
afrodescendentes que possuem pouco apoio, mas que pela internet podem fazer
muita divulgação com poucos recursos financeiros. A vinda de um dos maiores
empreendedores negros na internet serve para mostrar como isto é possível”,
destaca o publicitário Paulo Rogério Nunes, um dos organizadores do evento.
Edição: Adilson Gonçalves
Ele
conseguiu mais de seis milhões de fãs em sua fan page no facebook. Desde 2005,
quando a página foi criada, conseguiu ainda associá-la a um negócio lucrativo
que vende milhares de pulseiras, camisetas, calendários e diversos acessórios
com mensagens de valorização da identidade negra. A página é uma das maiores da
internet, estando a frente de marcas globais como Armani, Dolce & Gabbana e
Ralph Lauren.
O
evento, que é aberto ao público em geral e será realizado no Conselho de
Cultura (anexo ao Palácio da Aclamação), na avenida Sete de Setembro, Centro,
terá ainda palestras da idealizadora da cooperativa Arte e Gênero, Rose Rozendo, e do
e do coordenador do MBA em Mídias Sociais da Faculdade Batista Brasileira
(FBB), Marcello
Chamusca.
Experiências - Batizado de “A
importância das mídias sociais”, a palestra de Kumi Rauf abordará sua
trajetória, experiências e técnicas adotadas para que sua fan page tivesse
êxito.
Atualmente,
“I Love Being Black” funciona ainda como uma grande vitrine para modelos entrarem
no mercado internacional de moda. Escolhido pela prestigiosa organização
americana Urban League como um dos mais influentes líderes afroamericanos com
menos de 40, Kumi desistiu de sua carreira no mercado de tecnologia na
Califórnia para se dedicar a construir um movimento virtual que já o levou a
visitar diversos países do mundo fotografando pessoas negras.
Ainda
no mesmo dia, os participantes irão conferir uma palestra sobre
Empreendedorismo com Rose Rozendo, idealizadora da cooperativa Arte e Gênero,
um conjunto de cooperativas composto por mulheres vítimas de violência
doméstica que hoje são empreendedoras e exportam para o exterior, em parceria
com a ONG espanhola Deseño para El Desarrollo.
Em
seguida, haverá a palestra “Marketing Digital” com Marcello Chamusca,
doutorando em Educação e mestre em Planejamento Territorial e Desenvolvimento
Social. Chamusca é também pós-graduado em Educação Superior e Novas
Tecnologias, graduado em Relações Públicas e pesquisador da área de
cibercultura vinculado ao CNPq desde 2006. O
evento é aberto para qualquer pessoa que se interesse pelo assunto. Estudantes,
pesquisadores e demais interessados em cultura negra e mídias sociais podem
participar gratuitamente.
Palestrantes
Kumi Rauf –
Criador do “I Love being Black”, uma empresa vestuário e acessórios que imprime
a mensagem positiva “Eu amo ser negro(a)” em várias peças de comunicação, como
camisas, pulseiras e calendários. Sua página do facebook tem mais de seis
milhões de usuários, sendo a maior fan page sobre o tema na rede social.
Rose
Rozendo –
Idealizadora da cooperativa Arte e Gênero, uma cooperativa composta por
mulheres vítimas de violência doméstica que hoje são empreendedoras e exportam
para o exterior, em parceria com a ONG espanhola Deseño para El Desarollo.
Marcello Chamusca –
Doutorando em Educação; Mestre em Planejamento Territorial e Desenvolvimento
Social; pós-graduado em Educação Superior e Novas Tecnologias; graduado em
Relações Públicas; pesquisador da área de cibercultura vinculado ao CNPq, desde
2006.
Local: Conselho de Cultura (anexo ao Palácio da Aclamação), na avenida Sete de Setembro, Centro
Horário: Das 14h às 17h e 18h às 20h (Kumi Rauf)
Inscrição pelo email: redecorreionago@gmail.com
Informações: 71 8742-0247 / 8718-7156
domingo, 7 de abril de 2013
"SOCIEDADE TEM TODO O DIREITO DE PEDIR A SAÍDA DE MARCO FELICIANO", AFIRMA JOAQUIM BARBOSA

Edição: Adilson Gonçalves Fonte R7
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, disse nesta sexta-feira (5) que a sociedade tem todo o direito de se manifestar contrariamente à presença do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. A declaração foi feita em resposta a um estudante da UnB (Universidade de Brasília), onde o ministro fez palestra em evento de recepção aos novos alunos.
Barbosa brincou que já esperava passar por alguma “saia justa” durante evento na universidade, e em seguida respondeu à pergunta.
— O deputado Marco Feliciano foi eleito pelos seus pares. Os deputados assim o fizeram porque está previsto regimentalmente. Agora, a sociedade tem também todo o direito de se exprimir, como vem se exprimindo, contrariamente à presença dele nesse cargo. Isso é democracia.
Ex-aluno da Universidade de Brasília, o ministro falou sobre a importância da educação para os jovens e falou um pouco sobre sua experiência acadêmica e os anos que passou na universidade. Barbosa foi recebido com festa pelos estudantes no Centro Comunitário da UnB e aplaudido em vários momentos.
A outro estudante, Barbosa disse que os integrantes da corte não estão preocupados com avaliações externas de que o STF usurpe a função dos outros poderes em algumas decisões proferidas pela Corte. Segundo Barbosa, o Supremo apenas exerce constitucionalmente o papel a ele atribuído.
— No STF, não há nenhum ministro preocupado com o que dizem por aí sobre o Supremo estar ou não usurpando funções de outros poderes. O Supremo não sai por aí à cata de problemas para resolver, os problemas chegam a ele da maneira que a Constituição brasileira previu. Há mecanismos previstos na Constituição que foram pensados pelo constituinte brasileiro de 1988, justamente para que o Supremo tenha uma presença forte, exuberante, na vida social, política e econômica do nosso País.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
ESTEREÓTIPOS SOBRE OS NEGROS ESTÃO PRESENTES EM NOVELA DA REDE GLOBO, ACUSA HISTORIADORA CIDINHA DA SILVA
A autora
de Salve Jorge está esculachando a favela, como diria uma carioca atenta. Poxa,
é uma moçada jovem que não trabalha, não estuda e só tem quatro ou cinco tipos de
ações: batem perna,batem boca e gritam, postam coisas na internet, tomam sol na
laje e dançam, do funk ao pagode. De quebra, fecham com o pessoal do movimento
e planejam subir na vida arrumando marido rico.
O tal do pescoço (Nando Cunha) é um personagem caricato que a
mim incomoda muito. É a reificação de um modelo de homem negro vagabundo,
aproveitador, desonesto. Sim, eles também existem, não nego, mas lamento que
não haja um contraponto de homem negro honesto, bonitão, subordinado a uma
mulher no trabalho, como os auxiliares da delegada Helô (Giovanna Antonelli).
Maria Vanúbia é outra personagem mega estereotipada. Uma
pena, Roberta Rodrigues vinha fazendo bons papéis na TV. Vão dizer que a
personagem é boa. Sim, deve ser. O problema é que sua riqueza não é explorada.
Em mim fica a sensação daquele humor apelativo em que à medida que o público
responde positivamente, os trejeitos da personagem são exacerbados.
Não vi trabalhos anteriores de Lucy Ramos, mas a
interpretação de Sheila é naturalizada demais, como também o é a da
protagonista Morena (Nanda Costa), bem como D. Diva (Neusa Borges) e o neto
(Mussunzinho). Sinto falta de mais interpretação. Algo que só vejo nos
trabalhos dramaturgicamente mais convincentes de Lucimar (Dira Paes), Deuzuite
(Susana Badin) e de Clóvis (Walter Breda), marido de D. Diva.
Sou habitué do teleférico do Alemão e lá de cima vejo tanta
coisa interessante além das moças tomando banho de sol na laje em trajes
sumários: tem as crianças brincando nas numerosas piscinas de plástico,
churrascos animados, gente andando de uniforme escolar pelas ruas e tem a criativa
pintura dos barracos. Adoro uma casa que tem Bob Marley fumando um charutão de
marijuana, outra tem Nelson Mandela, outra, instrumentos musicais, outra,
palavras de ordem da luta negra. Tem quadra de esportes também.
Entretanto, às telespectadoras da novela não é dado ver essa
favela esteticamente negra. Tampouco a locação em terra reflete a diversidade
dos morros cariocas. A moçada jovem do folhetim pode não fazer nada de útil na
vida, tudo bem, é uma opção de quem criou a trama, mas tanta coisa acontece ao
redor daquelas moças e do rapaz: tem sempre um espaço onde funciona um curso de
pré-vestibular comunitário, a associação de bairro, uma ONG, uma creche.
A diversidade na caracterização de um espaço físico é fruto de
vontade política e compromisso com a própria diversidade, para não mencionar o
conhecimento abrangente de um ambiente, pré-requisito para quem cria o cenário.
Na primeira vez que liguei um aparelho
de TV numa cidade dos EUA assisti a um comercial surpreendente, tendo em vista
minhas referências brasileiras. Pensando bem, até hoje ainda seria. Tratava-se
de uma propaganda de shampoo para cabelos lisos estrelada por uma atriz famosa,
o marido e duas crianças, típica família branca estadunidense. O homem saca uma
máquina e começa a fotografar as crianças e a mulher brincando com um cachorro
enorme. Os cabelos de todos voam, desembaraçados e perfumados pelo shampoo (a
mãe cheira o cabelo dos filhos).
Animado, o paizão fotografa coisas do jardim, o dia ensolarado
e num dado momento, fotografa o vizinho abraçado pelo filho ao chegar da rua,
ambos negros. E por que aparecem um adulto e uma criança negra naquele anúncio
de shampoo para cabelos lisos e sem qualquer relação outra com o produto? Por
que negro é gente e faz parte daquela paisagem humana. Porque houve vontade
política ou exigência de colocá-los ali em respeito aos negros que
potencialmente não se interessarão por aquele tipo de shampoo, mas, pode haver
uma versão para cabelos crespos. Porque negros assistem televisão, são
consumidores e querem se ver representados em toda parte, mesmo que
indiretamente ligados aos produtos em tela.
Quando houver empenho da autora e da telenovela em refletir a
diversidade das telespectadoras que garantem a audiência, moradoras de favelas
e de outros lugares empobrecidos será fácil, fácil de fazer. Basta olhar em
volta e pescar elementos múltiplos da realidade.
Assinar:
Postagens (Atom)





.jpg)

