quarta-feira, 27 de julho de 2011

PRESIDENTA DILMA NOMEIA O ROSTO DO BRASIL E DO FUTEBOL COMO EMBAIXADOR HONORÁRIO DA COPA DE 2014

A presidenta e o rei: tabela para vitória em 2014
A presidenta Dilma Rousseff nomeou o ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, "Embaixador Honorário" do Brasil para a Copa de 2014, após reunir-se com Pelé e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, em seu gabinete, no Palácio do Planalto. Ao final do encontro, o rei do futebol afirmou que "não poderia deixar de aceitar" o convite de Dilma. Ele terá como função fazer a promoção no país e no exterior da Copa do Mundo do Brasil. A função não é remunerada.
"Eu não poderia deixar de aceitar esse convite da nossa presidenta. Como brasileiro vocês sabem que eu já faço isso desde quando nasci. Desde a primeira Copa do Mundo que eu defendo e faço a promoção do Brasil. É uma responsabilidade muito grande, mas eu não poderia deixar de aceitar", disse Pelé.
Logo após o anúncio do novo cargo, Pelé pediu o apoio dos brasileiros para a realização do mundial de futebol no Brasil. Ele lembrou a Copa da Suécia, em 1958, quando a vitória da seleção brasileira "enalteceu" o nome do país. Segundo ele, todos os 190 milhões de brasileiros precisam contribuir para a organização do mundial.
"Eu gostaria de pedir para todo o povo brasileiro que acreditasse, porque estava meio confuso, meio em dúvida com alguns problemas que nós tivemos aqui e que a gente sabe ainda das condições, mas que podemos acreditar, porque a presidente disse que vai fazer todo o esforço e espero que a gente entregue bem essa Copa do Mundo. Agora essa administração será feita com com 190 milhões de brasileiros e todos ficaremos orgulhosos de entregar bem essa Copa", disse o ex-jogador.
Orlando Silva : "Pelé é um símbolo
 importante para o Brasil."
O ministro dos Esporte, Orlando Silva, afirmou que a presidente Dilma ficou "feliz" em receber o ex-jogador em seu gabinete. Segundo Orlando Silva, a função de embaixador é uma homenagem a Pelé "pelo que ele fez pelo esporte e pelo Brasil".
"É um homem que conhece muito do mundo do futebol. Vai nos ajudar, vai nos representar em eventos. Até junto à Fifa [Federação Internacional de Futebol]. Pelé significa superação, vitória, é um símbolo importante para o Brasil", disse o ministro.
Para o ministro, a experiência de Pelé ajudará a orientar o governo e na interlocução dentro e fora do Brasil. "Ela [presidente Dilma Rousseff] acredita que pela força da imagem do Pelé, pela história dele, um homem que viveu 10 copas, a presidente acredita que seria a melhor face da Copa do Mundo de 2014 e esse título [de embaixador] tem um pouco esse sentido", disse Orlando Silva.
O ministro afirmou ainda que está prevista na agenda da presidente Dilma a participação no sorteio das chaves para as eliminatórias da Copa de 2014. O sorteio será o primeiro evento oficial da Copa. O evento será realizado no Rio de Janeiro no sábado, dia 30 de julho.
Jogos Militares
Dilma havia se encontrado com Pelé na cerimômia de abertura da 5ª edição dos Jogos Mundiais Militares, que ocorreu no Engenhão, no Rio de Janeiro, no sábado (16). Durante o evento, a pira olímpica foi acesa por Pelé, que foi escolhido por ser o atleta do século 20 e por ter jogado na seleção militar no início da sua carreira representando as Forças Armadas.

JORNALISTAS NEGROS PROTESTAM CONTRA A AUSÊNCIA DE PROFISSIONAIS DA ETNIA NA TV DOS ESTADOS UNIDOS

FONTE: PORTAL GELEDES
A Associação Nacional dos Jornalistas Negros (NABJ, sigla em inglês) nos Estados Unidos publicou manifesto contra a ausência de profissionais da etnia nos grandes canais de televisão.
Segundo a entidade, as emissoras norte-americanas têm perdido oportunidades de contratar jornalistas negros. Recentemente, a rede CNN deixou de contratar um destes profissionais. Além disso, nenhuma grande rede de televisão dos EUA possui âncoras negros em seu horário nobre, informa a NABJ.
Outra polêmica também foi a contratação de Al Sharpton, ativista negro e que atualmente apresenta um programa na MSNBC. A organização considera isto positivo mas, assim como outros profissionais pelo país, não percebe no fato um real progresso para a situação dos jornalistas negros norte-americanos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

REDE DE SUPERMERCADOS DE SP É CONDENADA A PAGAR R$ 260 MIL A MENINO NEGRO ACUSADO DE ROUBO POR SEUS SEGURANÇAS

                                                                           Fonte:  Agência Estado
O garoto negro T., de 10 anos, que acusa seguranças do Hipermercado Extra da Penha, na zona leste de São Paulo, de tê-lo chamado de "negrinho sujo e fedido" e de ter sido obrigado a tirar a roupa, foi indenizado em R$ 260 mil pela empresa. Os seguranças suspeitavam de furto. A criança não havia levado nada. O caso ocorreu em 13 de janeiro. Segundo depoimento da criança no 10.º Distrito Policial (Penha), ele foi abordado por três seguranças e levado para uma "sala reservada" com outros dois garotos, de 12 e 13 anos. Após as ofensas raciais, um segurança "japonês" (com feições orientais) o ameaçou com uma "faquinha de cabo azul", com um tubo de papelão - dizia que "era bom para bater" - e afirmou que ia "pegar um chicote".
O garoto foi obrigado a tirar a roupa e, só depois, os seguranças verificaram que T. levava nota fiscal de R$ 14,65, que comprovava a compra de dois pacotes de biscoito, dois pacotes de salgadinhos e um refrigerante. O documento foi anexado ao inquérito e é uma das principais provas contra os seguranças.
Apesar da indenização, o Grupo Pão de Açúcar afirma "não reconhecer" as alegações. Segundo o texto do acordo, a indenização foi concedida "por mera liberalidade e sem qualquer assunção de culpa nas esferas cível ou criminal". Os seguranças envolvidos, segundo a empresa, foram demitidos. O Grupo Pão de Açúcar ainda afirmou que "repudia qualquer ato discriminatório, pauta suas ações no respeito aos direitos humanos e esclarece que o assunto foi resolvido entre as partes".
"A investigação criminal não pode parar. Nesse tipo de caso, as punições têm de ser exemplares. São crimes muito graves, que podem marcar a pessoa para a vida toda. Especialmente quando a vítima é uma criança", disse o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ivan Seixas, que acompanhou o caso. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ELEITA MISS ITÁLIA NO MUNDO, BRASILEIRA É ALVO DE RACISMO EM REDES SOCIAIS

                                                              Fonte: portal terra 
Silvia Novais: " Estou chateada,
 em pleno século 21, ainda existe
 muito preconceito por aí",
A modelo Silvia Novais, eleita Miss Itália no Mundo 2011 no começo deste mês em um concurso que reuniu 40 garotas de vários continentes, se diz chateada pelos comentários racistas endereçados a ela na última semana. "Sofri muito com o preconceito, mas não esperava essa repercussão", disse, em referência a publicações racistas em um site. 
Após vencer o concurso, Silvia já
 grava peças publicitárias na Itália

Vencedora dos concursos Miss Campinas e Miss São Paulo em 2009, a morena de 24 anos, 55 kg e 1,77 m de altura, é formada em Educação Física, natural de Salvador e criada no interior de São Paulo. Ela teve o bisavô paterno nascido em Florência, na Itália, e se declara negra. "Estou chateada. Em pleno século 21, ainda existe muito preconceito por aí", lamentou. "Eu sempre estive preparada (para o preconceito) e sabia que existe maldade. Mesmo durante o Miss Campinas e o Miss São Paulo, ouvi conversinhas. Isso me deixou muito triste, mas procuro não me abalar e sigo de cabeça erguida", acrescentou.
Silvia ainda estuda com um advogado se vai entrar com uma ação contra as redes sociais que divulgaram conteúdo considerado discriminatório. Enquanto analisa a questão, a brasileira sustenta que esses fatos podem desencadear uma reflexão sobre o tema. "Eu evito ler, ficar olhando o que estão escrevendo, o que estão falando. Acho que tudo pode até resultar em uma nova discussão sobre preconceito de se reverter de uma forma positiva."
Brasileira, Sílvia é bisneta
 de italianos por parte de pai
Planos
Mesmo após vencer em uma premiação de alcance internacional, Silvia diz que pretende continuar morando em Campinas e afirma que os últimos dias têm sido de muita correria. A Miss Itália no Mundo se prepara para estudar uma nova língua - apesar de já falar um pouco de inglês e de espanhol, ela faz questão de aprender o idioma italiano, já que estão em foco os compromissos na Itália.
   Comprometida com um empresário "em um relacionamento fixo de um ano e meio", ela diz que não pretende se casar agora. "Quero investir em minha carreira, estudar teatro e, se houver oportunidade, gostaria de trabalhar em televisão."

quarta-feira, 20 de julho de 2011

APÓS DOIS ANOS, MÉDICA É CONDENADA POR RACISMO EM SERGIPE E TERÁ DE PAGAR R$ 10 MIL À VÍTIMA

Imagem de um vídeo de celular no momento
em que a médica Ana Flávio Pinto ofende Diego José Gonzaga
A médica Ana Flávia Pinto Silva foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Sergipe a pagar R$ 10 mil de indenização ao funcionário da Gol, Diego José Gonzaga, informou o site Emsergipe.Em outubro de 2009, no Aeroporto Santa Maria, em Aracaju, um vídeo feito por celular e divulgado pela internet mostrou Ana Flávia chamando Diego de ‘nego’, ‘morto de fome’ e ‘analfabeto’, além de humilhar outros funcionários da companhia aérea por ter chegado atrasada para o check-in de um voo para a Argentina, onde passaria lua-de-mel.
Segundo decisão da 3ª Vara Criminal do Fórum Gumercindo Bessa, a médica também não poderá sair de casa após as 22h durante dois anos e, neste mesmo período, não poderá sair do estado por mais de 30 dias.
- Entendemos que houve justiça. Ela terá que indenizar a vítima além de sofrer com sanções perante a sociedade – disse o promotor João Rodrigues Neto, responsável pela denúncia.
O caso aconteceu no saguão do aeroporto e provocou revolta em movimentos negros de Sergipe. Segundo a delegada Georlize Teles, Delegacia de Grupos Vulneráveis, que investigou o crime, o voo para a Argentina estaria programado para sair por volta das 5h e a passageira teria chegado ao balcão para fazer o check-in trinta minutos antes.
- O fato nunca será esquecido, a humilhação foi grande, mas fico feliz por houve justiça
O boletim de ocorrência relata que Ana Flávia teria invadido o espaço destinado aos funcionários da companhia aérea após ser informada de que não poderia embarcar. Em depoimento à polícia, o supervisor da Gol disse que a médica teria ficado descontrolada e gritado que a viagem para a Argentina seria de lua de mel. Em seguida, ainda de acordo com o depoimento do funcionário da companhia aérea, ela passou a quebrar objetos do balcão da empresa e a jogar papéis no chão.
- O fato nunca será esquecido, a humilhação foi grande, mas fico feliz por houve justiça. Tenho certeza que ela vai pensar duas vezes antes ofender alguém, ela vai pagar pelo que fez. Que isso sirva de lição para as outras pessoas – disse Diego.
Na ocasião, em nota, a médica disse que “o episódio foi fruto de um somatório de circunstâncias as quais me afetaram emocionalmente, induzindo-me a uma situação de extremo estresse” e que “minhas atitudes, em nenhum momento, foram revestidas de qualquer tipo de preconceito contra quem quer que seja”. Ela ainda acrescenta que fez o check in “‘depois de uma noite atribulada em razão do estresse, ansiedade e desgaste físico relacionados às fases antes, durante e pós núpcias”. No fim do texto, a médica ainda pedia “desculpas ao funcionário da Gol , Diego José Gonzaga, e a toda sociedade sergipana pelo lamentável episódio”.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ATOR MINEIRO É VITIMA DE RACISMO E AGREDIDO EM BLUMENAU, DURANTE FESTIVAL DE TEATRO UNIVERSITÁRIO


Alexandre foi chamado de negão e agredido
a socos, pontapés e coronhadas de escopeta

            O Ator, DJ e Designer, Alexandre de Sena, integrante do elenco de Congresso Internacional do Medo, do Grupo mineiro Espanca foi fortemente agredido com coronhadas de escopeta, socos e pontapés por policiais militares da cidade catarinense de Blumenau. O episódio ocorreu na noite de terça feira, dia 12 de julho.
Na cidade, para,  com seu grupo de teatro, participar do 24º Festival Internacional de Teatro Universitário – Fitub, promovido pela Universidade de Blumenau, após acompanhar a programação daquela noite, ele decidiu seguir, com mais dois amigos,  ir a um posto de conveniência da cidade. Ao chegarem lá, perceberam o local bastante movimentado e decidiram ficar; lá estavam presentes cerca de 60 pessoas, entre artistas, professores e estudantes de teatro.
A surpresa de todos veio com a chegada de uma viatura policial ao local. Sem qualquer motivo, os policiais ordenaram aos berros que todos deixassem aquele lugar imediatamente. Neste momento, o ator Alexandre de Sena aguardava seus amigos em frente ao posto de gasolina: eles tinham ido à  loja de conveniência comprar cervejas. Alexandre foi abordado por um dos policiais com os seguintes dizeres: "Vaza Negão! Vaza Negão!". O ator respondeu aos militares que estava aguardando dois amigos que teriam ido até a loja e argumentou que aquele não era “o tratamento adequado a um cidadão do bem”. Somente por este argumento, os policiais passaram a agredí-lo com uma sequência de tapas na cabeça, socos e pontapés; um deles ainda voltou ao carro para pegar uma escopeta para agredir o ator com coronhadas. Em seguida, os policiais foram embora, como se nada tivesse acontecido.
 Bastante machucado pelas agressões, Alexandre entrou em contato com o 190 e foi orientado a procurar a Corregedoria de Polícia no dia seguinte. Atendido pela Corregedoria, ele registrou a ocorrência e  fez  exame de Corpo de Delito na manhã de quinta-feira, dia 14. A delegada que o atendeu demonstrou extrema indignação com a ação dos policiais agressores. O ator sofreu várias escoriações pelo corpo e, de acordo com os médicos que o examinaram, um de seus tímpanos pode ter sido perfurado  devido às fortes pancadas durante a sessão de agressões.
Assustados com o episódio brutal e lamentável, representantes da classe artística, presentes ao 24º Festival Internacional de Teatro Universitário de Blumenau – Fitub,  ainda na manhã daquele dia, quinta feira,   realizaram uma caminhada pela paz na capital catarinense, reunindo-se e saindo em frente ao Teatro Carlos Gomes, seguindo até a sede do IML, onde Alexandre de Sena fez o exame de Corpo de Delito.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

DEPUTADO DIVULGA CARTA DE REPÚDIO ÀS AGRESSÕES A JOVENS NEGROS POR SKINHEADS; UM DELES É REINCIDENTE

Senhor Presidente,senhoras e senhores deputados,
Venho manifestar o repúdio do nosso mandato e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aos atos de intolerância racial que continuam acontecendo em nosso país. No último domingo,a polícia de São Paulo prendeu cinco jovens integrantes de um grupo skinhead,intitulado Impacto Hooligan,por agressão contra quatro pessoas negras na região central da cidade. Outros quatro conseguiram fugir. Os detidos usavam camisetas com os dizeres White Pride (Orgulho Branco) e jaquetas idolatrando Hitler. Com eles foram encontradas facas,correntes,punhais,canivetes,soco inglês e até um machado. Durante depoimento no Distrito Policial,as vítimas,que foram atacadas por volta de 1h da madrugada,contaram que,enquanto recebiam socos e pontapés,seus agressores gritavam:"Negros,nordestinos,filhos da p.,somos skinheads e vamos matar vocês,seus zumbis".
As vítimas prestaram queixa por racismo,mas os detidos foram indiciados por crime de injúria racial. Ora,injúria racial é crime que caracteriza agressão verbal por conta da cor da outra pessoa. O que aconteceu neste domingo foi muito mais do que isso! Mas como o racismo é um crime inafiançavel,o próprio Estado brasileiro ameniza tais agressões,favorecendo a impunidade. Um dos cinco skinheads presos já havia sido indiciado há dez meses por crime de intolerância. Ele liderou uma gangue acusada de praticar um atentado a bomba durante a Parada do Orgulho LGBT de 2009. Mas como foi autorizado a responder o processo em liberdade,pode praticar atos de violência mais uma vez.
Este grupo chamado Impacto Hooligan que é um dos 20 investigados pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi),que funciona em São Paulo. Atualmente,a delegacia cuida de 130 inquéritos,a maioria por intolerância religiosa,racial,orientação sexual e preferências esportivas. É a mesma turma que gosta de provocar brigas em estádios de futebol. Segundo a Decradi,para tentar evitar ataques de grupos organizados,os investigadores monitoram as atividades desses grupos,que no total envolvem cerca de 200 pessoas. Mas esta ação não tem sido suficiente.
A delegacia afirma,por exemplo,que o caso deste domingo foi o primeiro em que um grupo de skinheads foi além de agressões verbais contra negros. Não é verdade,senhor Presidente. Organizações de defesa dos direitos humanos e de combate ao neonazismo possuem um conjunto de informações que mostram que esta prática é muito frequente na cidade. Os números do próprio SOS Racismo,registrados pelo Disque Denúncia,revelam mais de um caso de discriminação por dia na capital paulista. Isso porque são números subestimados de agressões,já que muita gente não denuncia porque duvida que a Justiça seja feita.
É por isso,senhoras e senhores deputados,que este caso precisa ser tratado de forma exemplar. Esses agressores,presos em flagrante,precisam ser condenados pela prática de racismo. A Delegacia de Crimes Raciais não pode continuar tratando agressões desta ordem como "injúria racial". Trata-se de um tipo de prática que sempre esteve camuflada em nossa sociedade,mas que no último período – e não somente contra os negros e negras – tem se manifestado de forma objetiva,organizada principalmente pela internet. Tanto que 40% das ocorrências atualmente em investigação pela Decradi se referem a casos cibernéticos. O país precisa repudiar e combater com vigor tais crimes de intolerância.
Gostaria ainda de alertar as autoridades para um novo ato neonazista que está sendo organizado para o próximo sábado,às 8h,na Avenida Paulista,em saudação à Revolução de 30. No ano passado,felizmente a Polícia Militar de São Paulo agiu e conseguiu impedir uma manifestação em homenagem aos 23 anos da morte de Rudolf Hess,nazista que foi o principal auxiliar de Adolf Hitler durante toda sua trajetória até a chegada ao poder. Na época,quem alertou para a organização do ato foi o Movimento Anarcopunk,um grupo antifascista que tem feito diversas denúncias ao Ministério Público contra crimes de intolerância na cidade.
Nosso Mandato se soma então ao movimento negro e a todas as organizações que lutam pelo fim do racismo em nossa sociedade em seu repúdio à agressão praticada neste domingo. Nossa solidariedade às vítimas e nossa reivindicação para que este não seja mais um crime contra a população negra que termine impune.
Se o Brasil avançou na construção de sua democracia e possui em seu ordenamento jurídico uma lei que criminaliza o racismo,os agentes do Estado tem o dever de respeitá-la e garantir seu cumprimento. Do contrário,seguiremos vivendo o mito da democracia racial no país,tratando casos como este de forma isolada e mascarando um preconceito infelizmente ainda estrutural em nosso país,que se manifesta cotidianamente de formas tão violentas quanto esta.
Muito obrigado.
Ivan Valente

JOÃO CÂNDIDO, O ALMIRANTE NEGRO, TERÁ MUSEU NO RIO DE JANEIRO, EM SÃO JOÃO DE MERITI

                                                                         Por Daiane Souza*/FCP
Passados 131 anos do nascimento de João Cândido Felisberto, o Almirante Negro que lutou pelo fim dos castigos corporais no início do século XX e pela melhoria das condições de trabalho na Marinha terá em sua homenagem um museu na cidade fluminense de São João do Meriti, onde viveu seus últimos anos.
O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, reuniu-se na terça-feira, (12) com o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), José do Nascimento Júnior, e o prefeito do município de São João do Meriti, Sandro Matos, no Rio de Janeiro, para acompanhar o andamento do processo de implantação do museu e discutir algumas possibilidades de parcerias internas e externas.
“Este projeto vai aumentar o valor cultural da Baixada Fluminense e elevar a autoestima de sua população. Será o primeiro museu dedicado a este que é um dos maiores herois da história brasileira”, disse o presidente da Palmares.
Para a Fundação, é importante que a população brasileira reconheça a luta do homem que mudou o rumo da história da Marinha e da população negra brasileira ainda no período pós-escravocrata. Eloi Ferreira reforça que o museu será uma importante ferramenta para que a história deste heroi seja sempre lembrada. O acervo será doado pela família do marinheiro, pela Palmares e pela Marinha do Brasil.
O MUSEU – O memorial que abrigará o histórico da vida e luta do Almirante Negro tem custo estimado em R$ 2 milhões, apenas para um dos quatro edifícios que irá compor o complexo. A arquitetura do prédio principal remeterá a um navio sobre as águas. Dois outros espaços já existem, são casas do período colonial que serão restauradas. A área total do museu será de aproximadamente 700m2.
A prefeitura de São João do Meriti, responsável pela obra, prevê o início da construção para o mês de agosto. O presidente Eloi Ferreira afirma que o complexo será entregue o mais rápido possível.
ALMIRANTE NEGRO – Nascido em 24 de junho de 1880 em Encruzilhada, Rio Grande do Sul, João Cândido pertenceu a uma família de ex-escravos. Aos 13 anos apresentou-se na Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre e em 1895 foi transferido para a Escola de Aprendizes de Porto Alegre. Em dezembro do mesmo ano, ingressou na Marinha de Guerra do Brasil.
Teve uma carreira extensa de viagens nacionais e por vários países do mundo nos 15 anos que pertenceu à instituição. Era o marinheiro mais experiente e respeitado pelos colegas e oficiais. Apesar disso, era contrário ao tratamento dado aos subalternos, penalidades que persistiam mesmo após as assinaturas da Lei Áurea, em 1888, e do Decreto n°3 do regime republicano, em 1889.
REFLEXO DA ESCRAVIDÃO – Os castigos a que os marinheiros brasileiros eram submetidos tinham características de tortura e a chibata como principal instrumento “disciplinar”. As penalidades se assemelhavam ao tratamento dado aos escravos pelos capatazes nas fazendas coloniais.
No documentário Cem Anos sem Chibata, produzido pela EBC – TV Brasil, o próprio Almirante Negro explica o significado do castigo da chibata: “Era uma corda intitulada linha de barca onde os carrascos colocavam agulhas e pregos. Nus da cintura para cima, os homens eram amarrados em um ferro, expostos e castigados brutalmente”. O registro realizado em 1968 foi a única gravação de voz do almirante.
Em 1910, João Cândido assistiu junto de outros marinheiros a aplicação da pena de 250 chibatadas a que foi condenado seu colega Marcelino Rodrigues Meneses. Liderada pelo Almirante Negro, a tripulação da embarcação Minas Gerais da Marinha se revoltou contra seu comandante e junto a ela se uniram as tripulações de outros três navios. O protesto que ficou conhecido como Revolta da Chibata tinha entre as reivindicações o fim dos maus-tratos psicológicos e das punições corporais, o aumento salarial, melhor alimentação e a anistia aos envolvidos.
Para Eloi Araujo, a principal conquista da rebelião foi o compromisso do governo da época em acabar com a chibata na Marinha. João Cândido foi preso e expulso da corporação ainda em 1910, sob a acusação de ter favorecido os rebeldes. Em 1912 foi libertado, porém só recebeu a anistia em 2008, 39 anos depois de seu falecimento.
MESTRE SALA DOS MARES – Na década de 1970 João Cândido e a Revolta da Chibata foram imortalizados na canção O mestre-sala dos mares composta por João Bosco e Aldir Blanc. Mesmo depois de morto, o Almirante Negro foi vítima do preconceito e da censura pela ditadura militar que naquela década não aceitou homenagem a um marinheiro que quebrou a hierarquia dos oficiais da Marinha.
Para mostrar ao país estas e outras histórias, o Museu João Cândido armazenará sob a forma de acervo as conquistas a partir da Revolta da Chibata e o passado do almirante que mudou os rumos da história do negro no Brasil e virou música.

terça-feira, 12 de julho de 2011

SEMINÁRIO MULHER E LITERATURA NA UnB EM AGOSTO PRESTA HOMENAGEM A ESCRITORAS AFRO BRASILEIRAS

FONTE:GELEDÉS
Há 25 anos, nascia no Brasil o seminário Mulher e Literatura. Catorze edições depois, o encontro que discute a literatura a partir do olhar feminino como sujeito, e não como objeto, das narrativas ocorrerá simultaneamente a outro, internacional, com pauta idêntica. Mais de 600 inscrições já foram feitas para os dois encontros, de 4 a 6 de agosto, que homenagearão, na Universidade de Brasília, mulheres afro-descendentes a partir do tema "Palavra e Poder: representAÇÕES literárias". Inscrições podem ser feitas pelo site do evento.
O tema ressalta a palavra "ação" em dois sentidos: o das representações literárias e o das ações literárias. Para a professora Cristina Stevens, do Departamento de Teorias Literárias e Literaturas (TEL), o conteúdo do texto carrega possibilidades além do que é dito objetivamente. "A palavra literária é muito poderosa, empodera a mulher", diz. "A literatura pode ser ficcional, mas representa o real. É uma ação em si mesma".
A professora ressalta que, historicamente, a literatura é feita por maioria masculina. "Ainda existem desigualdades entre homens e mulheres e, na literatura, isso não é diferente", destaca. Ela explica que as questões tratadas pelas mulheres são diferentes das dos homens. "Uma mulher não vai escrever 'Guerra e paz', vai escrever sobre a vida, sobre o nascimento. Mas 'Guerra e paz' é mais importante do que a maternidade?", questiona, citando o famoso romance do russo Leon Tolstói.
Justamente por trazer temas diversos do universo masculino, a literatura feita por mulheres acaba trazendo questões subjetivas que extrapolam o que é dito nos textos. Isso se torna ainda mais ampliado no caso das escritoras negras, que permeiam suas produções com questões muito próprias do que é ser mulher e negra em um país como o Brasil.
"De um modo geral, as mulheres negras são vistas no papel da subalternidade", afirma a escritora Conceição Evaristo, um expoente da literatura atual e uma das homenageadas no seminário. "As pessoas esperam que a mulher negra cozinhe bem, arrume bem a casa, seja uma boa babá, dance, cante. Mas, em determinadas áreas do saber, embora estejam presentes, essa imagem é muito invisibilizada".
Para Conceição, dar visibilidade à presença das mulheres negras na litaratura rompe esse lugar de subalternidade. "O cânone literário brasileiro é marcado por uma presença masculina branca. Quando se pensa em escritores, pensa-se primeiro nos homens, depois nas mulheres brancas. Em ultimo lugar, se pensa nas escritoras brasileiras negras", diz. "Nossa literatura traz à tona as relações raciais na sociedade. Quando você está no campo ficcional é que essas mazelas aparecem com mais veemência do que o próprio texto da História", diz.
           Conceição participará dos seminários junto com Geni Guimarães, Lia Vieira, Miriam Alves, Esmeralda Rubens, Ana Maria Gonçalves e a africana Paula Tavares. Na cerimônia de abertura, alunos negros vão fazer uma performance com leitura dos textos delas. Para ver a programação do XIV Seminário Nacional e V Seminário Internacional Mulher e Literatura, acesse o site do evento

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ABDIAS NASCIMENTO É HOMENAGEADO NA SERRA DA BARRIGA EM 7 JULHO, DIA NACIONAL DE COMBATE AO RACISMO

   

 população e autoridades subiram a Serra da Barriga para
 uma homenagem póstuma ao líder negro,  Abdias Nascimento

A comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Alagoas participou das atividades na Serra da Barriga, em União dos Palmares, nesta quinta-feira (07), em homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Racismo. O evento, organizado pelo Projeto Raízes de África, levou população e autoridades a subir a Serra da Barriga para uma homenagem póstuma ao líder negro, Abdias Nascimento.

Abdias Nascimento: homenageado onde
 suas cinzas serão depositadas dia  de novembro

O reitor da Uneal Jairo José Campos da Costa colocou a Universidade Estadual de Alagoas à disposição para a programação da Semana da Consciência Negra, em novembro. “Esse ano, pretendo intensificar as atividades na Terra de Zumbi com ações mais concretas para valorização da cultura negra”, disse o reitor aos organizadores.
Jairo Campos aproveitou para cobrar melhorias no acesso à Serra da Barriga. “Em alguns momentos, era impossível subir a pé. “Revezamos caminhadas com o uso de ônibus”, destacou ele.