quarta-feira, 13 de julho de 2011

DEPUTADO DIVULGA CARTA DE REPÚDIO ÀS AGRESSÕES A JOVENS NEGROS POR SKINHEADS; UM DELES É REINCIDENTE

Senhor Presidente,senhoras e senhores deputados,
Venho manifestar o repúdio do nosso mandato e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aos atos de intolerância racial que continuam acontecendo em nosso país. No último domingo,a polícia de São Paulo prendeu cinco jovens integrantes de um grupo skinhead,intitulado Impacto Hooligan,por agressão contra quatro pessoas negras na região central da cidade. Outros quatro conseguiram fugir. Os detidos usavam camisetas com os dizeres White Pride (Orgulho Branco) e jaquetas idolatrando Hitler. Com eles foram encontradas facas,correntes,punhais,canivetes,soco inglês e até um machado. Durante depoimento no Distrito Policial,as vítimas,que foram atacadas por volta de 1h da madrugada,contaram que,enquanto recebiam socos e pontapés,seus agressores gritavam:"Negros,nordestinos,filhos da p.,somos skinheads e vamos matar vocês,seus zumbis".
As vítimas prestaram queixa por racismo,mas os detidos foram indiciados por crime de injúria racial. Ora,injúria racial é crime que caracteriza agressão verbal por conta da cor da outra pessoa. O que aconteceu neste domingo foi muito mais do que isso! Mas como o racismo é um crime inafiançavel,o próprio Estado brasileiro ameniza tais agressões,favorecendo a impunidade. Um dos cinco skinheads presos já havia sido indiciado há dez meses por crime de intolerância. Ele liderou uma gangue acusada de praticar um atentado a bomba durante a Parada do Orgulho LGBT de 2009. Mas como foi autorizado a responder o processo em liberdade,pode praticar atos de violência mais uma vez.
Este grupo chamado Impacto Hooligan que é um dos 20 investigados pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi),que funciona em São Paulo. Atualmente,a delegacia cuida de 130 inquéritos,a maioria por intolerância religiosa,racial,orientação sexual e preferências esportivas. É a mesma turma que gosta de provocar brigas em estádios de futebol. Segundo a Decradi,para tentar evitar ataques de grupos organizados,os investigadores monitoram as atividades desses grupos,que no total envolvem cerca de 200 pessoas. Mas esta ação não tem sido suficiente.
A delegacia afirma,por exemplo,que o caso deste domingo foi o primeiro em que um grupo de skinheads foi além de agressões verbais contra negros. Não é verdade,senhor Presidente. Organizações de defesa dos direitos humanos e de combate ao neonazismo possuem um conjunto de informações que mostram que esta prática é muito frequente na cidade. Os números do próprio SOS Racismo,registrados pelo Disque Denúncia,revelam mais de um caso de discriminação por dia na capital paulista. Isso porque são números subestimados de agressões,já que muita gente não denuncia porque duvida que a Justiça seja feita.
É por isso,senhoras e senhores deputados,que este caso precisa ser tratado de forma exemplar. Esses agressores,presos em flagrante,precisam ser condenados pela prática de racismo. A Delegacia de Crimes Raciais não pode continuar tratando agressões desta ordem como "injúria racial". Trata-se de um tipo de prática que sempre esteve camuflada em nossa sociedade,mas que no último período – e não somente contra os negros e negras – tem se manifestado de forma objetiva,organizada principalmente pela internet. Tanto que 40% das ocorrências atualmente em investigação pela Decradi se referem a casos cibernéticos. O país precisa repudiar e combater com vigor tais crimes de intolerância.
Gostaria ainda de alertar as autoridades para um novo ato neonazista que está sendo organizado para o próximo sábado,às 8h,na Avenida Paulista,em saudação à Revolução de 30. No ano passado,felizmente a Polícia Militar de São Paulo agiu e conseguiu impedir uma manifestação em homenagem aos 23 anos da morte de Rudolf Hess,nazista que foi o principal auxiliar de Adolf Hitler durante toda sua trajetória até a chegada ao poder. Na época,quem alertou para a organização do ato foi o Movimento Anarcopunk,um grupo antifascista que tem feito diversas denúncias ao Ministério Público contra crimes de intolerância na cidade.
Nosso Mandato se soma então ao movimento negro e a todas as organizações que lutam pelo fim do racismo em nossa sociedade em seu repúdio à agressão praticada neste domingo. Nossa solidariedade às vítimas e nossa reivindicação para que este não seja mais um crime contra a população negra que termine impune.
Se o Brasil avançou na construção de sua democracia e possui em seu ordenamento jurídico uma lei que criminaliza o racismo,os agentes do Estado tem o dever de respeitá-la e garantir seu cumprimento. Do contrário,seguiremos vivendo o mito da democracia racial no país,tratando casos como este de forma isolada e mascarando um preconceito infelizmente ainda estrutural em nosso país,que se manifesta cotidianamente de formas tão violentas quanto esta.
Muito obrigado.
Ivan Valente

JOÃO CÂNDIDO, O ALMIRANTE NEGRO, TERÁ MUSEU NO RIO DE JANEIRO, EM SÃO JOÃO DE MERITI

                                                                         Por Daiane Souza*/FCP
Passados 131 anos do nascimento de João Cândido Felisberto, o Almirante Negro que lutou pelo fim dos castigos corporais no início do século XX e pela melhoria das condições de trabalho na Marinha terá em sua homenagem um museu na cidade fluminense de São João do Meriti, onde viveu seus últimos anos.
O presidente da Fundação Cultural Palmares, Eloi Ferreira de Araujo, reuniu-se na terça-feira, (12) com o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), José do Nascimento Júnior, e o prefeito do município de São João do Meriti, Sandro Matos, no Rio de Janeiro, para acompanhar o andamento do processo de implantação do museu e discutir algumas possibilidades de parcerias internas e externas.
“Este projeto vai aumentar o valor cultural da Baixada Fluminense e elevar a autoestima de sua população. Será o primeiro museu dedicado a este que é um dos maiores herois da história brasileira”, disse o presidente da Palmares.
Para a Fundação, é importante que a população brasileira reconheça a luta do homem que mudou o rumo da história da Marinha e da população negra brasileira ainda no período pós-escravocrata. Eloi Ferreira reforça que o museu será uma importante ferramenta para que a história deste heroi seja sempre lembrada. O acervo será doado pela família do marinheiro, pela Palmares e pela Marinha do Brasil.
O MUSEU – O memorial que abrigará o histórico da vida e luta do Almirante Negro tem custo estimado em R$ 2 milhões, apenas para um dos quatro edifícios que irá compor o complexo. A arquitetura do prédio principal remeterá a um navio sobre as águas. Dois outros espaços já existem, são casas do período colonial que serão restauradas. A área total do museu será de aproximadamente 700m2.
A prefeitura de São João do Meriti, responsável pela obra, prevê o início da construção para o mês de agosto. O presidente Eloi Ferreira afirma que o complexo será entregue o mais rápido possível.
ALMIRANTE NEGRO – Nascido em 24 de junho de 1880 em Encruzilhada, Rio Grande do Sul, João Cândido pertenceu a uma família de ex-escravos. Aos 13 anos apresentou-se na Companhia de Artífices Militares e Menores Aprendizes no Arsenal de Guerra de Porto Alegre e em 1895 foi transferido para a Escola de Aprendizes de Porto Alegre. Em dezembro do mesmo ano, ingressou na Marinha de Guerra do Brasil.
Teve uma carreira extensa de viagens nacionais e por vários países do mundo nos 15 anos que pertenceu à instituição. Era o marinheiro mais experiente e respeitado pelos colegas e oficiais. Apesar disso, era contrário ao tratamento dado aos subalternos, penalidades que persistiam mesmo após as assinaturas da Lei Áurea, em 1888, e do Decreto n°3 do regime republicano, em 1889.
REFLEXO DA ESCRAVIDÃO – Os castigos a que os marinheiros brasileiros eram submetidos tinham características de tortura e a chibata como principal instrumento “disciplinar”. As penalidades se assemelhavam ao tratamento dado aos escravos pelos capatazes nas fazendas coloniais.
No documentário Cem Anos sem Chibata, produzido pela EBC – TV Brasil, o próprio Almirante Negro explica o significado do castigo da chibata: “Era uma corda intitulada linha de barca onde os carrascos colocavam agulhas e pregos. Nus da cintura para cima, os homens eram amarrados em um ferro, expostos e castigados brutalmente”. O registro realizado em 1968 foi a única gravação de voz do almirante.
Em 1910, João Cândido assistiu junto de outros marinheiros a aplicação da pena de 250 chibatadas a que foi condenado seu colega Marcelino Rodrigues Meneses. Liderada pelo Almirante Negro, a tripulação da embarcação Minas Gerais da Marinha se revoltou contra seu comandante e junto a ela se uniram as tripulações de outros três navios. O protesto que ficou conhecido como Revolta da Chibata tinha entre as reivindicações o fim dos maus-tratos psicológicos e das punições corporais, o aumento salarial, melhor alimentação e a anistia aos envolvidos.
Para Eloi Araujo, a principal conquista da rebelião foi o compromisso do governo da época em acabar com a chibata na Marinha. João Cândido foi preso e expulso da corporação ainda em 1910, sob a acusação de ter favorecido os rebeldes. Em 1912 foi libertado, porém só recebeu a anistia em 2008, 39 anos depois de seu falecimento.
MESTRE SALA DOS MARES – Na década de 1970 João Cândido e a Revolta da Chibata foram imortalizados na canção O mestre-sala dos mares composta por João Bosco e Aldir Blanc. Mesmo depois de morto, o Almirante Negro foi vítima do preconceito e da censura pela ditadura militar que naquela década não aceitou homenagem a um marinheiro que quebrou a hierarquia dos oficiais da Marinha.
Para mostrar ao país estas e outras histórias, o Museu João Cândido armazenará sob a forma de acervo as conquistas a partir da Revolta da Chibata e o passado do almirante que mudou os rumos da história do negro no Brasil e virou música.

terça-feira, 12 de julho de 2011

SEMINÁRIO MULHER E LITERATURA NA UnB EM AGOSTO PRESTA HOMENAGEM A ESCRITORAS AFRO BRASILEIRAS

FONTE:GELEDÉS
Há 25 anos, nascia no Brasil o seminário Mulher e Literatura. Catorze edições depois, o encontro que discute a literatura a partir do olhar feminino como sujeito, e não como objeto, das narrativas ocorrerá simultaneamente a outro, internacional, com pauta idêntica. Mais de 600 inscrições já foram feitas para os dois encontros, de 4 a 6 de agosto, que homenagearão, na Universidade de Brasília, mulheres afro-descendentes a partir do tema "Palavra e Poder: representAÇÕES literárias". Inscrições podem ser feitas pelo site do evento.
O tema ressalta a palavra "ação" em dois sentidos: o das representações literárias e o das ações literárias. Para a professora Cristina Stevens, do Departamento de Teorias Literárias e Literaturas (TEL), o conteúdo do texto carrega possibilidades além do que é dito objetivamente. "A palavra literária é muito poderosa, empodera a mulher", diz. "A literatura pode ser ficcional, mas representa o real. É uma ação em si mesma".
A professora ressalta que, historicamente, a literatura é feita por maioria masculina. "Ainda existem desigualdades entre homens e mulheres e, na literatura, isso não é diferente", destaca. Ela explica que as questões tratadas pelas mulheres são diferentes das dos homens. "Uma mulher não vai escrever 'Guerra e paz', vai escrever sobre a vida, sobre o nascimento. Mas 'Guerra e paz' é mais importante do que a maternidade?", questiona, citando o famoso romance do russo Leon Tolstói.
Justamente por trazer temas diversos do universo masculino, a literatura feita por mulheres acaba trazendo questões subjetivas que extrapolam o que é dito nos textos. Isso se torna ainda mais ampliado no caso das escritoras negras, que permeiam suas produções com questões muito próprias do que é ser mulher e negra em um país como o Brasil.
"De um modo geral, as mulheres negras são vistas no papel da subalternidade", afirma a escritora Conceição Evaristo, um expoente da literatura atual e uma das homenageadas no seminário. "As pessoas esperam que a mulher negra cozinhe bem, arrume bem a casa, seja uma boa babá, dance, cante. Mas, em determinadas áreas do saber, embora estejam presentes, essa imagem é muito invisibilizada".
Para Conceição, dar visibilidade à presença das mulheres negras na litaratura rompe esse lugar de subalternidade. "O cânone literário brasileiro é marcado por uma presença masculina branca. Quando se pensa em escritores, pensa-se primeiro nos homens, depois nas mulheres brancas. Em ultimo lugar, se pensa nas escritoras brasileiras negras", diz. "Nossa literatura traz à tona as relações raciais na sociedade. Quando você está no campo ficcional é que essas mazelas aparecem com mais veemência do que o próprio texto da História", diz.
           Conceição participará dos seminários junto com Geni Guimarães, Lia Vieira, Miriam Alves, Esmeralda Rubens, Ana Maria Gonçalves e a africana Paula Tavares. Na cerimônia de abertura, alunos negros vão fazer uma performance com leitura dos textos delas. Para ver a programação do XIV Seminário Nacional e V Seminário Internacional Mulher e Literatura, acesse o site do evento

sexta-feira, 8 de julho de 2011

ABDIAS NASCIMENTO É HOMENAGEADO NA SERRA DA BARRIGA EM 7 JULHO, DIA NACIONAL DE COMBATE AO RACISMO

   

 população e autoridades subiram a Serra da Barriga para
 uma homenagem póstuma ao líder negro,  Abdias Nascimento

A comunidade acadêmica da Universidade Estadual de Alagoas participou das atividades na Serra da Barriga, em União dos Palmares, nesta quinta-feira (07), em homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Racismo. O evento, organizado pelo Projeto Raízes de África, levou população e autoridades a subir a Serra da Barriga para uma homenagem póstuma ao líder negro, Abdias Nascimento.

Abdias Nascimento: homenageado onde
 suas cinzas serão depositadas dia  de novembro

O reitor da Uneal Jairo José Campos da Costa colocou a Universidade Estadual de Alagoas à disposição para a programação da Semana da Consciência Negra, em novembro. “Esse ano, pretendo intensificar as atividades na Terra de Zumbi com ações mais concretas para valorização da cultura negra”, disse o reitor aos organizadores.
Jairo Campos aproveitou para cobrar melhorias no acesso à Serra da Barriga. “Em alguns momentos, era impossível subir a pé. “Revezamos caminhadas com o uso de ônibus”, destacou ele.
 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

COMO SEMPRE, QUANDO ESTÃO EM MAIOR NÚMERO, NOVAMENTE SKINHEADS COVARDES AGRIDEM JOVENS NEGROS

Antes os covoardes usavam capuzes,
 agora dão as costas: jamais mostram a cara
SÃO PAULO - A Polícia Civil prendeu na madrugada deste domingo cinco jovens integrantes de um grupo skinhead. Eles foram presos em flagrante quando agrediam quatro pessoas na Rua Vergueiro, Aclimação, região central de São Paulo.
Foram detidos Welker de Oliveira Guerreiro, 19 anos; Guilheme Witiuk Ferreira de Carvalho, 21; Pedro Toledo de Souza, 19; Julio Ramon de Lima, 21 e Kauê Baldon Barreto, 18. Com o grupo foram encontradas facas, uma caneta com ponta de ferro e até um machado. Um dos detidos usava uma camiseta com os dizeres White Pride (Orgulho Branco, em inglês).
As vítimas dizem que estavam sendo agredidas quando viram a aproximação de uma viatura da Polícia Civil que passava pela região. Os policiais perceberam a movimentação e interromperam a agressão.
Em depoimento à polícia, duas das vítimas, um orientador socioeducativo e um estudante, dizem ter sido agredidas porquem eram negros. Elas prestaram queixa por racismo. Os detidos irão responder ainda por tentativa de homicídio e formação de quadrilha.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

EMPRESA SUL AFRICANA HOMENAGEIA 93º ANIVERSÁRIO DE NELSON MANDELA

Mandela: 93 anos no dia 18 de julho
Fonte: Angope
A companhia sul-africana "South African Airways" (SAA) apresentou nesta semana o primeiro avião da sua frota marcada com o logotipo do dia dedicado a Nelson Mandela, 18 de julho, quando ele completa 93 anos.


Em 2009, a ONU decretou o 18 de Julho como o Dia Internacional de Nelson Mandela, em honra à contribuição dada pelo ex-presidente sul-africano à cultura da paz e da liberdade por incentivar as pessoas a se inserirem no serviço de suas comunidades.
O presidente da SAA, Cheryl Carolous informou que 58 aviões da frota empresa o logótipo da jornada "para passar a mensagem ao mundo inteiro sobre a contribuição à herança do nosso pai" Nelson Mandela.

Logotipo da homenagem a
 Mandela estampados nas poltronas das aeronaves

A SAA oferecerá  93 crianças de cidades carentes da África do Sul uma viagem a Joanesburgo, sede da fundação, que leva o nome do ícone da luta anti-apartheid ;ali elas receberão livros, uniformes escolares e outros materiais.
Para o dia 18 de Julho, o público está  sendo conclamado a dar 67 minutos do seu tempo ao trabalho voluntário, em homenagem aos 67 anos que Nelson Mandela consagrou à luta anti -apartheid.

terça-feira, 5 de julho de 2011

CASOS DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA SÃO PRATICADOS DE NORTE A SUL DO PAÍS I

Texto: Adilson Gonçalves +
Vários casos de intolerância religiosa foram registrados – ou melhor, noticiados - no Brasil, em três estados – Rio de Janeiro, Pernambuco e Amazonas.  Alguns deles –  um no Rio de Janeiro e outor em Manaus -tiveram o desfecho que deveriam ter, com a prisão em flagrante de seus autores, incursos na lei 7716/89 (Lei Caó).  Mas em Pernanbuco e ainda em  Manaus a situação é crítica: Um pai de santo foi retirado de sua casa e assassinado e em Manaus teve o registro do assassinato de  três sacerdotes nos últimos quatro meses e outros estariam marcados para morrer. Nenhum dos casos foi elucidado pela polícia. Os que mataram o religioso em Pernambuco continuam foragidos e, apesar de terem sido identificados, não tiveram seus nomes revelados pela polícia daquele estado.
PEDREIRO É PRESO EM FLAGRANTE, COM BASE NA LEI CAÓ NO RIO DE JANEIRO
Rio - O pedreiro José Constâncio de Lima foi preso na madrugada de domingo, por crime de intolerância religiosa. Preso em flagrante, com base no artigo 20 da Lei 7716/89 (Lei Caó) . Ele está preso na 35ª DP – Campo Grande.  Segundo relatos das vítimas,  há três anos ele aterrorizava os membros da Tenda Espírita Caboclo Flecheiro (Tecaf).
Na noite de sábado, o conflito entre Constâncio e os umbandistas resultou em agressões físicas. Contra ele constavam seis registros de ocorrência realizados por parte dos umbandistas. Em depoimento na delegacia, eles contaram que o problema começou em março de 2008, quando os membros do centro espírita compraram o imóvel localizado na rua Irene Banboxé, em Santíssimo.
 -Este senhor não nos deixava realizar nenhuma festa ou louvação na casa. Além de destruir portões, portas e móveis, ele e seus familiares quebraram várias imagens de santos e orixás. Há três anos que ele nos agredia com xingamentos e insultos. Ele não nos deixava realizar nenhuma festa ou louvação na casa. Além de destruir portões, portas e móveis, ele e seus familiares quebraram várias imagens de santos e orixás. Várias vezes invadiu o imóvel para tentar transformá-lo em igreja. Ele não se conformava com as funções religiosas que aconteciam na casa. Nossa vida virou um verdadeiro inferno. Tivemos muitos prejuízos. Mas agora a justiça foi feita – desabafou  Xavier.
Para o delegado Ricardo Viana a prisão de José Constâncio com base no artigo 20 da Lei 7716/89, já deveria ter acontecido. “Está muito claro que os motivos que levavam José Constâncio a agredir e xingar essas pessoas, e inclusive incentivar que moradores depredassem o imóvel, estão baseados no ódio e na discriminação”, argumenta.
O agressor, que não quis comentar a prisão, continua na carceragem da 35ª DP. O crime por intolerância religiosa é inafiançável e o autor pode pegar de três a cinco anos de detenção.
Entenda o caso:
Agosto de 2008 – o sacerdote de umbanda e líder religioso da Tecaf  Marco Xavier, adquire o imóvel na rua Irene Banboxé, em Santíssimo, para instalar seu centro espírita;
Outubro de 2008 – durante a inauguração do centro espírita, os umbandistas são xingados, agredidos e ameaçados por José Constâncio – inquilino do antigo proprietário. Ele ocupava uma parte do imóvel comprado por Marco. Começam as agressões. É feito o primeiro registro de ocorrência na 35ª DP;
Dezembro de 2008 – vence o prazo para saída de José Constâncio, feito no ato do registro de compra e venda do imóvel. Marco entra com Ação de Despejo contra José Constâncio. Em novo ataque, os membros da TECAF registram nova ocorrência na 35DP, desta vez como intolerância religiosa (artigo 20, Lei 7716/89 - LEI CAÓ)
Janeiro de 2009 – Portões, portas, janelas, imagens e assentamentos de orixás são destruídos por José Constâncio, que passa a colocar uma potente caixa de som, virada para o centro, durante as sessões. Novo registro de ocorrência é feito;
Julho/2009 a Junho/2011 – Seis registros de ocorrência feitos pelos religiosos contra José Constâncio e seus familiares, além de dezenas de aditamentos na 35ª DP. Todos os registros e notificações são muito semelhantes com o primeiro.
26 de Junho de 2011 – José Constâncio de Lima é preso em flagrante pela equipe da 35ª DP.

PAI DE SANTO É RETIRADO DE CASA E ASSASSINADO POR DOIS HOMENS EM PERNAMBUCO

    Recife -  O pai de santo Luís Mário de Brito, de 37 anos, foi assassinado em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. De acordo com o site pe360graus , ele estava com colegas bebendo no quintal de casa, no domingo, quando teriam batido no portão fazendo provocações. Houve uma discussão e ele foi baleado no peito. Brito morreu antes de chegar ao hospital.
O terreiro de candomblé funciona há mais de 20 anos, de acordo com os frequentadores do local.  Os praticantes do crime  primeiro jogaram pedras na casa do pai de santo. Houve discussão e as pessoas foram. Mas o grupo  voltou, desta vez armado.
- Algumas pessoas chegaram na residência do Luiz e começaram a discutir e agredi-lo verbalmente. Ele reagiu. Os dois homens foram embora,  voltaram armados , quando o levaram para fora da casa, junto com o genro dele, Eduardo Bezerra da Silva.  Houve disparos  e quando fomos ver os dois estavam baleados- disse um amigo da vítima, que preferiu não se identificar.
O genro do pai de santo, Eduardo Bezerra da Silva, de 24 anos.  Ele foi baleado na barriga e passou por cirurgia no Hospital Miguel Arraes, em Paulista. O estado de saúde dele é estável.
O delegado Joaquim Marinósio, de Maria Farinha, disse que identificou as pessoas suspeitas de cometer o crime, mas  até agora ninguém foi preso e os nomes dos acusados ainda não foram revelados.

CASOS DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA SÃO PRATICADOS E NORTE A SUL DO PAÍS II

Industriário é preso após invadir terreiro de candomblé em Manaus
     Manaus - O industriário Jeová Brito Rodrigues, 38, foi preso pelo crime de tentativa de homicídio depois de invadir o terreiro de candomblé Cabocla Mariana, na Rua 16, Vale do Sanai, zona norte, na noite de sábado, e ameaçar quem estava no culto com um terçado. O caso foi registrado no 6º Distrito Integrado de Polícia (6º DIP).
O pai de santo Marcelo Abreu dos Reis, 31, disse que Jeová entrou no terreiro bêbado e destratando as pessoas.
- Um dos meus ‘filhos’ pediu para que ele fosse pelo menos vestir uma camisa.  Ele se irritou e as agressões começaram. Ele saiu, pegou um terçado e começou a ameaçar as pessoas-  disse  Marcelo.
 Ele informou ainda que Jeová quebrou uma mureta do terreiro, caiu bateu a cabeça e desmaiou. Foi levado pela Polícia Militar para ser atendido no Serviço de Pronto Atendimento Danilo Correa e depois levado ao 6º DIP. Duas pessoas compareceram a delegacia e prestaram depoimento como vítimas: Janderson Silva dos Santos e Heloísa Souza da Silva.
Em seu depoimento, Jeová disse que estava irritado com os barulhos dos atabaques que eram tocados no terreiro.
- Isso é todo sábado, das 19h até às 2h. Pedi para eles pararem e três homens já vieram me agredindo. Eu estava bêbado”, disse.
 Jeová foi indiciado por tentativa de homicídio e transferido na manhã de domingo para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro de Manaus.

+ O Globo, site pe360graus e D24AM – Manaus e jornal A Crítica 

sábado, 2 de julho de 2011

ESTUDANTES DO PROUNI E COTISTAS TERÃO DIREITO A DESCONTO DE 50% NAS PASSAGENS DE ÔNIBUS NO RIO DE JANEIRO

Fonte: Radio JBFM
Rio - Estudantes bolsistas do ProUni  e cotistas de unidades do ensino superior beneficiários das políticas públicas terão direito ao Bilhete Único Carioca. Segundo a prefeitura,  30 mil estudantes serão beneficiados com o desconto de 50% nas passagens de ônibus pagas com o bilhete,  que começará a ser utilizado no dia primeiro de agosto. O Bilhete Único Carioca para os universitários do ProUni  e cotistas,  numa primeira etapa,  será aceito apenas nos ônibus convencionais, sem ar-condicionado,  e  dará direito a duas viagens por dia. O  bilhete não poderá ser usado nos fins de semana. Os estudantes interessados devem se cadastrar nos postos do Riocard a partir do próximo dia 15.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

UNICEF:MORTALIDADE INFANTIL É MAIOR ENTRE CRIANÇAS NEGRAS E INDÍGENAS



Apesar dos avanços, alguma
 coisa continua fora da ordem
 
Segundo o Relatório da Situação Mundial da Infância  do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) que avalia a situação da criança em 194 países, 9,7 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram em todo o mundo por problemas relacionados à pobreza. Os números da Unicef no Brasil mostram que a mortalidade infantil entre as crianças de mães negras é 40% maior do que a dos filhos de mães brancas e entre os indígenas a mortalidade infantil é de 48,5 por mil nascidos, que é duas vezes a taxa das crianças brancas
No Brasil, entre 2004 e 2006, houve uma queda de 41% no total de mil nascidos vivos. A mortalidade das crianças de até cinco anos, que antes era de 34 e passou a ser de 20 . O documento da Unicef  mostra que 74 mil crianças, com menos de cinco anos, morreram no Brasil no ano de 2006, e faz parte de uma lista de 60 países selecionados para que sejam alcançadas as Metas do Milênio da ONU para 2015. Um dos objetivos do estudo é o combate à mortalidade infantil no mundo para que ela seja reduzida em 2/3 da que havia em 1990.
Apesar desses dados divulgados, o Brasil melhorou de posição no ranking na taxa de mortalidade na infância (menores de cinco anos) passando do 86º lugar para o 113º- em 1990 o total era de 57 mortes por mil nascidos vivos e em 2006 este indicador caiu para 20 mortes. Na América do Sul, o Chile está no 148º lugar, com um total de nove mortes por mil nascidos; o Uruguai ocupa o 138º, com 12 mortes; a Argentina está em 125º lugar com 16 mortes e Cuba aparece com apenas sete mortes, que é o melhor resultado da região, acima, inclusive, dos EUA, que tem um indicador de oito óbitos.
Em relação à mortalidade infantil das crianças com menos de um ano de idade, o Brasil registra 19 mortes por mil nascidos vivos. Os países com os piores índices de mortes na infância são: Serra Leoa (270), Angola (260), Afeganistão (257) e Níger (253) e as melhores condições de vida do planeta para a infância acontecem nos seguintes países: Suécia, Cingapura, San Marino, Islândia, Andorra e Liechtenstein todos com um total de três mortes por cada mil nascidos vivos até os cinco anos de idade.