quinta-feira, 26 de maio de 2011

25 DE MAIO: DIA DA ÁFRICA É CELEBRADO NO BRASIL E NO MUNDO

Por Denise Porfírio - Instituto Palmares 

Trinta e dois países instituíram o Dia da África
     O Dia da África, comemorado nesta quarta-feira, 25 de maio, simboliza a luta dos povos do continente africano pela sua independência e emancipação, e representa a data da Libertação da África. Os negros do Brasil e do mundo celebram a oportunidade de medir os progressos, as dificuldades e as obras realizadas no continente conhecido como berço da humanidade.



Novecentos milhões de habitantes, 53 páises
e 20,3% de terra firme do planeta

   Em 2011, Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes, a data é celebrada como um marco contra as desigualdades raciais, políticas ou econômicas, valorizando e promovendo o legado que a África deixou para as civilizações que se constituíram com o seu povo.
ORIGEM - Passados 48 anos desde sua criação, em Addis Abeba, Etiópia, pela Organização de Unidade Africana (OUA), o dia tem um profundo significado na memória coletiva dos povos do continente africano. O ato da assinatura configurou-se no maior compromisso político de seus líderes, que visaram à aceleração do fim da colonização do continente e do regime segregacionista do Apartheid.
Instituído em carta assinada por 32 Estados africanos, o dia da África é a manifestação do desejo de aproximadamente 800 milhões de africanos de organizar, de maneira solidária, os múltiplos desafios na construção do futuro de uma África real, com seus governos e sonhos, além de desenvolvimento, democracia e progresso.
   EVENTO – Em comemoração a essa data especial, o Museu Afro Brasil promove, entre os dias 24 e 27 de maio, o I Encontro Afro Atlântico na Perspectiva dos Museus. O evento reunirá especialistas de vários países para discutir as várias formas que os museus utilizam para interpretarem a arte africana tradicional e contemporânea.

África: projetando o futuro...

   A programação inclui a abertura da exposição “Mulheres Negras: a Irmandade da Boa Morte de Cachoeira”, o lançamento da Campanha do Ano Internacional dos Povos Afrodescendentes da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, a apresentação do Grupo Gegê-Nagô de Cachoeira (BA) e o lançamento do livro “Flash of the Spirit”, de Robert Farris Thompson (edição em português).
...mas mantendo as tradições: berço da humanidade
SERVIÇO
O quê: I Encontro Afro Atlântico na Perspectiva dos Museus
Quando: 24 a 27 de maio
Onde: Museu Afro Brasil, São Paulo
Mais informações: afroatlantico@museuafrobrasil.org.br
Programação:

25 de maio

Manhã


Mesa-redonda
Arte africana: Como decifrar seus enigmas?
Robert Farris Thompson (Universidade de Yale)
Abdou Sylla (IFAN-Senegal)
Constantine Petridis (Museu de Arte de Cleveland)
Tarde

Coleções em Debate
Karen Milbourne (Museu Nacional de Arte Africana do Instituto Smithsonian)
Samuel Sidibé (Museu Nacional do Mali)
26 de maio
Manhã

Mesa-redonda
Arte africana e o conceito de arte
Susan Vogel (Universidade de Columbia)
Samuel Sidibé (Museu Nacional do Mali)
Henry Drewal (Universidade de Wisconsin-Madison)
Tarde

Coleções em Debate
Instituição a confirmar
Emanoel Araujo (Museu Afro Brasil)

27 de maio
Manhã

Mesa-redonda
Arte contemporânea: Artistas de África e Museus
Dominque Zinkpè (Benim)
Lisa Binder (Museu para a Arte Africana – Nova York)
George Preston (Museu de Arte e Origens – Nova York)
Tarde
Cerimônia de Encerramento
Lançamento da edição em português do livro Flash of the Spirit, de Robert Farris Thompson
Performance coreografada pelo bailarino Rui Moreira
Produção de um mural no Museu Afro Brasil com a artista plástica Chanel Compton (Instituto Smithsonian) – Projeto Cultural Envoy Application, em parceria com o Consulado Geral dos Estados Unidos de São Paulo






terça-feira, 24 de maio de 2011

MORRE ABDIAS NASCIMENTO, NOSSO LÍDER, MAS SEUS PENSAMENTOS SERÃO ETERNOS

Abdias Nascimento:
exemplo de luta, garra e negritude
          Morreu nesta terça-feira, aos 97 anos, no Rio de Janeiro, o ex-senador Abdias Nascimento. Nascido em Franca, interior de São Paulo, em 1914, Abdias foi pioneiro do movimento negro no Brasil. As informações são da Agência Senado.
          Nos anos 30, participou da Santa Hermandad Orquídea, formada por poetas sul-americanos. Nos anos 40, criou o Teatro Experimental do Negro. Também fundado por ele, o Comitê Democrático Afro-Brasileiro, advogou por direitos para as empregadas domésticas e políticas afirmativas para a população negra, propostas levadas à Assembleia Nacional Constituinte de 1946.
          Escritor, intelectual, ativista, ator e escultor, Abdias exilou-se nos Estados Unidos em 1968, durante a ditadura militar. Participou, no Caribe, na África e nos Estados Unidos, de vários encontros do movimento internacional pan-africanista. Retornou ao Brasil em 1978.
          Entrou para a política partidária e foi deputado federal pelo PDT de Leonel Brizola, de 1983 a 1987. Suplente de Darcy Ribeiro (1922-1997), Abdias exerceu mandato de senador de 1997 a 1999. Apresentou vários projetos com objetivo de combater o racismo e buscar reparação, em razão do escravagismo, à população afrodescendente brasileira.
          No segundo governo de Brizola no Rio de Janeiro, Abdias foi titular da Secretaria Extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (Seafro). Professor benemérito da State University of New York, recebeu título de doutor honoris causa pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em função da militância no combate à discriminação racial no Brasil.
Casado quatro vezes, Abdias Nascimento teve três filhos e deixou amplo acervo.
         No início da noite desta terça-feira, a  família informou que o corpo de Abdias Nascimento será velado nesta quinta-feira, dia 26 de maio, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, cremado no dia seguinte , no Cemitério São Francisco Xavier e suas cinzas jogadas na Serra da Barriga, conforme era seu desejo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

JORNAL CARIOCA O DIA OUVE CAÓ SOBRE EMPRESA PAULISTA QUE SELECIONA EMPREGADAS DOMÉSTICAS PELA COR DA PELE



Caó: ‘Não podemos deixar
essas atitudes impunes’

           Na quarta-feira, dia 18 de maio maio, o jornal carioca O DIA estampou como manchete, em sua primeira página, o fato da empresa paulista de recursos humanos Resilar ultilizar como critério de admissão de empregadas domésticas o ítem cútis (cor da pele), no questionário destinado aos contratantes de seus serviços. No dia seguinte, o jornal ouviu vários militantes do movimento negro, entre eles Caó. leia abaixo a entrevista dada por ele ao veículo de comunicação.

JORNAL O DIA: Fernanda Alves,
com colaboração de Gislandia Governo,
Marcos Galvão e Raphael Azevedo


     Criador da lei 7716/1989, popularmente conhecida como Lei Caó, que pune os crimes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, Carlos Alberto Caó Oliveira, comentou a atitude da empresa Resilar. “É nitidamente uma postura racista. Quando você retira a oportunidade de emprego das pessoas, está segregando”, explicou.

     Ex-vereador e advogado, Caó afirmou que gostaria de ver uma mobilização do Sindicato das Empregadas Domésticas contra a atitude racista da agência de empregos e espera que as providências prometidas pelo deputado Edson Santos resolvam o problema. “Não podemos deixar essas atitudes impunes”, avaliou.

    Ele ressaltou que o preconceito racial não é algo de agora e que, mesmo sem ser discutido frequentemente, está explícito. “Não é preciso fazer nenhuma pesquisa. Todo mundo sabe que a maioria das empregadas domésticas é de negras. É uma atividade econômica que acolhe pessoas com baixo nível de formação. Com isso, é inconcebível que negros sejam segregados das oportunidades de trabalho”,explicou.


terça-feira, 17 de maio de 2011

HISTÓRIA DA IMPRENSA NEGRA É DISPONIBILIZADA NO SITE DO ARQUIVO PÚBLICO DE SAO PAULO


Jornal O Quilombo,
 editado por Abdias do Nascimento
 na decada de 50

      Desde o dia 13 de maio de maio, o da Abolição da Escravatura no Brasil, o Arquivo Público do Estado de São Paulo  disponibiliza em seu site 23 títulos de jornais e revistas da chamada "imprensa negra" brasileira.
       Trata-se de uma coleção de periódicos publicados por várias vertentes do movimento negro no país durante as primeiras décadas do século XX. A iniciativa irá facilitar o acesso ao acervo, que antes só podia ser consultado na sede da instituição.

        Estes periódicos foram publicados por várias correntes do movimento negro, como o jornal A Voz da Raça, da Frente Negra Brasileira. Fundado em 1933, o jornal é tido como um dos mais importantes do gênero, sendo bastante lido também fora da comunidade negra. A Voz da Raça circulou até 1937, totalizando 70 edições. Outro exemplo é o jornal Quilombo (1950), editado por Abdias do Nascimento, célebre militante e agitador cultural. O periódico tinha a função de articular e divulgar a Convenção Nacional do Negro Brasileiro.


A voz da Raça,
da Frente Negra Brasileira:
 circulação de 1933 até 1937 e 70 edições
 
       A expressão "imprensa negra" é comum no meio acadêmico para designar títulos de jornais e revistas publicados em São Paulo após o processo abolicionista, no final do século XIX. Estes periódicos destacaram-se no combate ao preconceito e na afirmação social da população negra, funcionando como instrumentos de integração deste grupo na sociedade brasileira no início do século XX.
Além disso, estes jornais também atuavam na divulgação de eventos cotidianos da população negra, tais como festas, bailes, concursos de poesia e beleza, os quais raramente apareciam em veículos da grande imprensa. É o caso, por exemplo, dos jornais Getulino (1923-1916) e O Clarim d´Alvorada (1929-1940) e da revista Senzala (1946), entre outros.

Grande parte dos jornais foi editada na cidade de São Paulo, mas também constam alguns títulos de outras cidades como o Rio de Janeiro, Campinas e Sorocaba.
Veja os títulos disponíveis na internet:
Jornais
O Alfinete (1918-1921)
Alvorada (1948)
Auriverde (1928)
O Bandeirante (1918-1919)

Chibata (1932)

 

Recém libertos, os negros urbanos
e alfabetizados fizeram das edições de jornais,
 véiculos de suas reinvidicações

O Clarim (1924)
O Clarim d´Alvorada (1929-1940)
Cruzada Cultural (1950-1966)
Elite (1924)
Getulino (1923-1916)
Hífen (1960)
O Kosmos (1924-1925)
A Liberdade (1919-1920)
Monarquia (1961)
O Novo Horizonte (1946-1954)
O Patrocínio (1928-1930)
Progresso (1930)
A Rua (1916)
Tribuna Negra
(1935)
A Voz da Raça (1933-1937)
O Xauter (1916)

Procure pelos títulos indicados no site: www.arquivoestado.sp.gov.br/jornais

VIOLÊNCIA É A PRINCIPAL CAUSA DA MORTE DE 25% DE NEGROS NO BRASIL

         Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) divulgado mostra que as “causas externas” de mortalidade – que incluem homicídios e acidentes de trânsito – atingem mais a população masculina negra que a branca no Brasil.

         Analisando dados de 2007 do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, o estudo revelou que enquanto as “causas externas” são responsáveis por 24,3% das mortes entre os homens negros – a segunda principal causa –, na população masculina branca essa proporção é de 14,1% - apenas a terceira mais importante.

         Os dados mostram também que, entre as causas externas, a porcentagem de homicídios é maior entre os homens negros – com quase 50% contra 30% entre os brancos. Já a taxa de acidentes de trânsito é maior entre os homens brancos – cerca de 35%, enquanto na população masculina negra foi de cerca de 25%.

         As mortes por causas externas incluem ainda outros tipos de acidentes, como afogamentos e suicídios, mas nesses casos não há diferença significativa entre as populações negra e branca.

        O estudo demonstra ainda que, enquanto as mortes na população branca são mais concentradas em idades avançadas, entre os negros há comparativamente um percentual maior de óbitos entre jovens. Estes dados indicam, segundo o Ipea, uma expectativa de vida menor na população negra.

        Sem diferir muito entre brancos e negros, as principais causas de mortes no Brasil continuam sendo as doenças do aparelho circulatório, responsáveis por mais de 25% das mortes entre os homens e 33% entre as mulheres.
       Já com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 2009, o Ipea demonstrou que, embora o conjunto da população esteja envelhecendo, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais é maior entre os brancos – 13,1% contra 9,7% entre os negros.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

CAÓ PARTICIPA DA SOLENIDADE DE LANÇAMENTO DO PRÊMIO JORNALISTA ABDIAS DO NASCIMENTO NO SINDICATO

                          Fotos Sebastião Silvério       

Henrique  Garcia do Nascimento- filho de Abdias e e da atriz Léa Garcia - ,
 Eliza Larkim do Nascimento, esposa do homenageado,
 e Caó, a quem coube a entrega da placa
  

           Na quarta-feira, dia 10 de maio, Caó participou da solenidade de lançamento do prêmio de jornalismo Jornalista Abdias do Nascimento, realizada no auditório João Saldanha, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio, do qual foi presidente no final dos anos 70. O prêmio surge em 2011, declarado pela Organização das Nações Unidos como o Ano Internacional dos Afrodescendentes, e tem como objetivo estimular anualmente a cobertura jornalística qualificada sobre temas relacionados à população negra.
           Várias lideranças do movimento negro estiveram presentes, mas a  presença mais inesperada foi a da ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial: cumprindo uma intensa agenda na cidade, ela afirmou que não poderia deixar de comparecer ao evento, fora de sua listas de compromissos no Rio.

Caó e Luiza Bairros

           "Não poderia deixar de vir a um evento que homenageia esta figura emblemática, um dos responsáveis dos avanços de nossas lutas. O cansaço é grande, mas me senti duplamente gratificada ao chegar aqui e ver o Caó, um dos meus ídolos, assim como Abdias. O Caó para mim foi um parâmetro na militância negra e   sindical. A lei 7716, criada por ele foi um divisor de águas em nossa luta"- afirmou a ministra da Seppir,  Luiza Bairros.

Muniz Sodré, Mirian Leitão;
 Susana Blass e Caó:
 os dois atual e ex-presdiente do SJPMRJ


           Em seguida foi realizado o debate sobre a Questão Negra na Mídia Contemporânea, com as participações da jornalista Mírian Leitão e do professor Muniz Sodré, colega de colégio e faculdade de direito de Caó em Salvador. "É um prazer rever um amigo. Acho que ele está sumido ele deveria explorar mais esta bela lei criada por ele. Ela é perfeita,  abrange não somente a questão da ofensa e injúria como também a da questão da intolerância religiosa; técnicamente, ela não dá qualquer brecha para a  impunidade sdos praticantes do racismo", disse Muniz.

Caó: homengem oficiosa
e admiração dos presentes

           Ao final do evento, Abdias foi homenageado com uma placa que reproduz a sua ficha de inscrição no Sindicato, datada de 1947, entregue por Caó, ex-presidente do Sindicato e autor da lei que tem seu apelido e pune o racismo como crime, à Elisa Larkin Nascimento e ao engenheiro Henrique Cristóvão Garcia Nascimento, mulher e filho de Abdias.
           Durante o lançamento do Prêmio, foi exibido um documentário de cinco minutos sobre a trajetória política de Abdias, que passou 13 anos exilado nos Estados Unidos, por não poder suportar o autoritarismo da ditadura no Brasil, para onde voltou com a Lei da Anistia e elegeu-se deputado federal e senador.

Professor emérito da Universidade de Nova York, professor conferentista da Universidade de Yale e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Abdias participou em 1931 da Frente Negra Brasileira e fundou em 1944 o Teatro Experimental do Negro, formando uma geração de atores e atrizes negros. Fundou em 1948 o jornal Quilombo, periódico era utilizado para articular e divulgar a Convenção Nacional do Negro Brasileiro.
           Abdias Nascimento, de 97 anos, está internado na UTI do Hospital dos Servidores no Centro do Rio de Janeiro, é um dos principais ícones da luta contra o racismo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

BRASÍLIA REGISTRA 231 DENÚNCIAS DE CASOS DE PEDOFILIA ENTRE JANEIRO E MARÇO DE 2011

Jornal Coletivo
Brasília registrou denúncias de 231 casos de pedofilia entre janeiro e março deste ano
Redação Jornal Coletivo
De janeiro a março deste ano, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu 231 denúncias de crimes sexuais contra crianças e adolescentes.  O DF está em 4º lugar no ranking nacional, proporcional à população dos estados. Devido ao grande registro de casos de exploração sexual nos mais de 200 quilômetros que cortam o DF, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e outras organizações de combate à prostituição infantil mapearam 39 pontos de vulnerabilidade na cidade, um a cada 5 quilômetros.

Cerca de 60 voluntários fizeram, sexta-feira, uma campanha de conscientização no posto da BR-040, em Santa Maria. O objetivo é ajudar a corporação a impedir os avanços do crime. Santa Maria e as imediações de municípios goianos como Águas Lindas, Luziânia e Cristalina fazem parte das localidades em que o problema ocorre com frequência.

Os crimes acontecem em postos de gasolina e prostíbulos disfarçados de bares. Agentes da PRF, conselheiros tutelares e ativistas entregaram panfletos informativos aos motoristas que passavam pela BR-040. Promovida pela Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais, a campanha tem o objetivo de alertar a população para que denuncie casos de exploração sexual pelo telefone 151.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

GOVERNO AMPLIA GRUPO DE BUSCA ÀS OSSADAS DE DESAPARECIDOS NO ARAGUAIA

Daniella Jinkings
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), criado para localizar, recolher e identificar os restos mortais de desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, será reformulado e ampliado. Uma portaria interministerial institui o Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), como forma de atender parentes de desaparecidos e representantes da sociedade civil que criticavam a atuação do Ministério da Defesa frente ao grupo.
Osvaldão foi um dos primeiros
 guerrilheiros a chegar ao Araguia
A partir de agora, além do Ministério da Defesa, o Ministério da Justiça e a Secretaria de Direitos Humanos vão coordenar o GTA. De acordo com a ministra da secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, é natural que exista um trabalho compartilhado. “O trabalho desenvolvido foi um bom, mas este é um novo momento, estamos integrando uma série de ações do governo. Pretendemos ter melhores resultados”.
A Guerrilha do Araguaia foi um movimento político no começo da década de 1970, que surgiu para enfrentar a ditadura militar. Guerrilheiros e militares foram mortos em combates na selva amazônica. Até hoje, dezenas de participantes do movimento estão desaparecidos. Em 2009, a juíza da 1ª Vara Federal do Distrito Federal, Solange Salgado, determinou que o governo federal reiniciasse as buscas na região.
De acordo com o ministro da Defesa Nelson Jobim, a reformulação do GTT vai reforçar as ações desenvolvidas pelo grupo. Ele defendeu a atuação do grupo até agora. “[Essa mudança] não corresponde ao descrédito do que foi feito. Em momento algum os militares comandaram o GTT, quem comandou fui eu e não sou militar. Eles fizeram o que tinha de ser feito e o que era necessário”.
Em relação à falta de informações aos familiares, Jobim afirmou que o grupo sempre teve abertura a todo o tipo de informação. “Basta você abrir o site e tem um link que trata de todos os relatórios, os acompanhamentos dos partidos políticos. É evidente que o processo democrático é um processo de crítica. E são críticas necessárias. Faz parte do jogo e do procedimento”.
Para o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o trabalho vinha sendo bem feito. “É uma tarefa difícil, precisamos integrar as forças desses ministérios para chegar a um resultado. Vamos somar nossas forças para bons resultados”.
Segundo a integrante do grupo de trabalho e irmã de uma desaparecida política, Diva Santana, a inclusão de mais ministérios ao grupo é um avanço. “É uma luta de quase 40 anos, a qual inicialmente deu-se apenas com familiares e pessoas da sociedade civil organizada. É um compromisso da União, é sua responsabilidade a busca pelos desaparecidos políticos”.
Ela garantiu que não há desconforto por parte dos familiares em relação à participação dos militares nos trabalhos de busca, no entanto, ainda não se chegou ao resultado esperado. "Acreditamos que houve uma operação limpeza [a retirada das ossadas anteriormente], não na sua totalidade. Recebemos as informações dos colaboradores e quando vamos verificar, não encontramos nada".

Maurício Grabois, deputado constituinte de 1946,
 também desaparecido no Araguia
Em dois anos de atuação do grupo, Foram encontradas apenas dez ossadas, que estão armazenadas no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Os restos mortais ainda não passaram por perícia do Instituto Médico-Legal de Brasília.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

FILÓSOFA E FUNDADORA DO GELEDÉS, SUELI CARNEIRO LANÇA LIVRO EM SÃO PAULO


                                                                   Instituto Geledés
Por Denise Porfírio
Portal Palmares
Com o objetivo de chamar a atenção da sociedade brasileira para as formas de preconceito e discriminação e seus efeitos sobre as relações políticas e sociais, Sueli Carneiro, filósofa e fundadora do Geledés – Instituto da Mulher Negra, produziu Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. A obra traz uma abordagem crítica dos comportamentos humanos e propõe alternativas de superação da intolerância ao outro. 
No próximo dia 12, às 19 horas, haverá noite de autógrafos, promovida pela editora Selo Negro Edições e a Livraria Martins Fontes. Composto por uma coletânea de textos, o livro apresenta os principais avanços na superação das desigualdades criadas pela prática da discriminação racial – indicadores sociais, mercado de trabalho, consciência negra, cotas e outros. 
Sobre educação, Sueli registra a recente conquista da obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas públicas do País. A obra destaca também o debate contemporâneo sobre miscigenação racial no Brasil, racismo no universo infantil e o combate ao racismo no trabalho. Fundamental para educadores, pesquisadores, militantes e estudantes de todos os níveis de ensino, o volume faz parte da Coleção Consciência em Debate. 
INTERESSE PÚBLICO – Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil foi organizado a partir da sistematização de uma série de artigos publicados na imprensa brasileira que convidam o público a refletir sobre o incremento de ações violentamente discriminatórias, abrindo caminho para o debate sobre direitos humanos e as limitações da democracia brasileira. 
Um das perspectivas levantadas na importante publicação diz respeito à idéia distorcida de parte do imaginário social brasileiro, de que determinados seres humanos são mais ou menos humanos do que outros, levando ao caminho perversamente estruturante da naturalização da desigualdade de direitos. 
RESPEITO – Segundo a escritora, as identidades estruturadas a partir de etnias, gênero, orientação sexual ou religiões ainda não são devidamente respeitadas, tornando o ambiente social totalmente corrompido. “O racismo é uma ideologia que não penaliza apenas sua vítima, ela faz com que o racista também seja um ser humano menor, não seja um ser humano completo, por ser incapaz de aceitar a diversidade”, ressalta. 
Sueli Carneiro acredita na força e no trabalho das organizações que lutam pelo cumprimento de políticas públicas voltadas para a eliminação de atos de intolerância praticados contra descendentes de africanos e outros grupamentos socialmente vulneráveis. Ela recorre à legalidade dos poderes governamentais para defender a punição desses atos, que se contrapõem à legítima demanda dos afro-descendentes. 

SERVIÇO

Título: Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil – Coleção Consciência em Debate
Autora: Sueli Carneiro
Editora: Selo Negro Edições
Preço: R$ 22,00
Páginas: 192 (12,5 x 17,5)
Atendimento ao consumidor: (11) 3865-9890  

MINISTRA DO SEPPIR:"DECLARAÇÕES DE BOLSONARO SÃO CASO EXPLÍCITO DE RACISMO”

por Gilberto Costa, da Agência Brasil, em Brasília
Luiza Barros:Qualquer caso de discriminação deve ser repudiado”.


A ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, considera que as declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre cotas raciais e a possibilidade de um filho se apaixonar por uma mulher negra são “caso explícitos de racismo”. “Não podemos confundir liberdade de expressão com a possibilidade de cometer um crime. O racismo é crime previsto na Constituição”, disse Luiza.
Para a ministra, “qualquer caso de discriminação deve ser repudiado”. Ela disse ainda que espera “firmeza” no posicionamento da Câmara dos Deputados. “O protagonismo é do Legislativo”, afirmou em entrevista ao programa Bom dia, Ministro.
“Cada setor do Estado e da sociedade deve assumir o seu papel no combate ao racismo. Nós devemos deixar para que a Câmara Federal encaminhe esse caso e tome decisões contra o deputado dentro das instâncias do Legislativo”, falou após participar do programa. “O crime tem que ser punido e tem que ser combatido em qualquer lugar, principalmente, se ele é cometido em um espaço como o Parlamento brasileiro.”
No início da semana, em entrevista ao programa CQC, da TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro disse que “não viajaria em avião pilotado por cotistas nem aceitaria ser operado por médico [ex-cotista]”. Em resposta à cantora Preta Gil sobre a eventualidade de um filho ter envolvimento amoroso com uma mulher negra, o deputado respondeu: “não vou discutir promiscuidade. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem-educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.
Luiza Bairros espera que “o Legislativo tenha capacidade de tomar a decisão mais coerente com o que tem sido discutido pelos movimentos negro e LGBT [lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros]”, destacou referindo-se a declarações homofóbicas também feitas pelo parlamentar ao programa de TV.
Para a ministra, as declarações do deputado não são surpreendentes no seu conteúdo. “Nós não devemos ficar assustados com esse tipo de declaração, é isso que o movimento negro tem denunciado nas últimas décadas. O que deixa a sociedade indignada é ela [declaração] ter partido de um deputado federal”, afirmou. Jair Bolsonaro é oficial da reserva do Exército e conhecido por sua defesa à ditadura militar (1964-1985).
Socióloga e ligada ao movimento negro, Luiza Bairros acredita que as manifestações racistas ocorrem na medida em que as pessoas negras vão se deslocando na sociedade e passam a ser vistas em lugares que eram historicamente ocupados por pessoas brancas. “Isso provoca reação. Para muitas pessoas, parece perda de espaço. Isso demonstra como ser branco na sociedade brasileira implica em determinados privilégios em detrimento dos direitos dos negros em geral”, avaliou.
Durante o programa Bom Dia, Ministro, Luiza Bairros disse que a Ouvidoria da Seppir monitora episódios e denúncias de discriminação e encaminha casos de manifestações racistas veiculadas na internet à Polícia Federal. O telefone da Ouvidoria da Seppir é 0 xx 61- 3411-3685.