segunda-feira, 4 de abril de 2011

CAÓ: “A JUSTIÇA TEM QUE CONDENAR BOLSONARO PARA VER QUE A LEI É PARA VALER"

Reportagem de Jorge Félix
Reprodução do Site Poder Online

Caó: "A Justiça tem que condenar Bolsonaro para ver que lei é pra valer"

Há mais de 20 anos, o então deputado Carlos Alberto Caó de Oliveira (PDT-RJ) conseguia aprovar na Assembléia Constituinte a lei estabelecendo o racismo como um crime inafiançável e fazer do texto uma cláusula pétrea da Constituição - o que significa dizer que só pode ser retirada de lá ou alterada por outra Constituinte. Atualmente dirigindo a Ong Igualdade já, sem mandato desde 1990, Caó, 69 anos, acredita que dificilmente o Supremo Tribunal Federal poderá absolver o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) depois de suas declarações racistas e homofóbicas. "Agora a coisa pegou", diz. Nesta entrevista ao Poder Online, Caó defende: "A Justiça tem que condenar Bolsonaro para ver que lei é pra valer".

Caó: "Agora a coisa pegou."
Poder Online - Como analisa o caso Bolsonaro?

Caó - Agora a coisa pegou. Ele ainda está tentando uma defesa, dizendo que não entendeu a pergunta, que não foi bem assim. Mas o racismo ou a homofobia sempre são escamoteados em declarações disfarçadas. O que espanta mais no caso dele é a rudeza. As declarações são escancaradas. Ele não faz questão de dizer que pensa de outra forma, simplesmente porque não pensa assim.

Poder Online - Mais de vinte anos depois, a sua lei pegou?

Caó - O racismo não desapareceu nem vai desaparecer. Mas a lei pegou, sim. Há hoje na sociedade uma consciência de que racismo é um crime. A sociedade passou a ser menos tolerante, a exigir igualdade e a não aceitar a discriminação.  O que faz a lei pegar é a punição.

Poder Online - Mas o deputado Bolsonaro já se livrou de seis processos. Considera que por ter foro privilegiado facilitaria a absolvição já que o Supremo Tribunal Federal nunca condena um político?

Caó - Tem que ter a primeira vez. A Justiça tem que condenar Bolsonaro para ver que a lei é pra valer. Não é letra morta da Constituição. É uma cláusula pétrea! É preciso a condenação para estimular outras pessoas que passam por discriminação a denunciar o crime. É como no caso da violência contra as mulheres. Se houver impunidade, a vítima é que sofre. Mas eu sinto que a sociedade brasileira já não aceita mais isso.

Poder Online - Acredita que seria necessário algum aperfeiçoamento da lei depois de tanto tempo?

Caó - A melhor maneira de aperfeiçoar a lei é aplicá-la. Quanto mais julgamentos, mais casos virem ao conhecimento da sociedade melhor será a aplicação da lei.

Poder Online - O Estado deveria fazer algum tipo de campanha para divulgar a lei, esclarecer e incentivar as pessoas a denunciarem o racismo?

Caó - Sem dúvida isso seria muito importante. Afinal de contas, o racismo historicamente foi um crime de Estado. A escravidão foi um crime e é reconhecido como tal. Se o Estado não esclarecer, estimular a denúncia, será cada vez mais cúmplice e uma parcela da sociedade, uma parcela dos eleitores pode acreditar que votar em políticos com essa visão é aceitável.

Poder Online - Seu último cargo público foi na década de 1990. Pensa em se candidatar de novo?

Caó - Estou pensando, sim. Casos como este me estimulam a voltar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ativa Participação

Autor: Carlos Alberto Caó
Jornalista e Advogado.
Autor da Lei Caó nº 7716/89
contra o racismo e Presidente
da ONG Lei Caó Igualdade Já


Estamos participando do Programa IDEA que
vai ao ar todas as quintas-feiras, de 12:00 às
13:00 horas pelo Canal 17 da Net - UNITEVÊ,
ao vivo, para Niterói e São Gonçalo e pelo site 
www.uniteve.uff.br pelo Centro Profissiona-
lizante e Educacional IDEA, fruto da parceria 
entre a ONG Lei Caó Igualdade Já e a Pastoral
de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes 
(Pastoral IDEA).


Pensado e realizado por pessoas com deficiência
e marginalizadas, doravante denominadas "D"
Eficientes, além do treinamento no audiovisual,
são abordadas em séries do Programa IDEA, 
temas diversificados, sobre as múltiplas 
faces em que se exerce os Direitos Humanos
em nosso País. Sempre estamos submetendo
à discussão e reflexão os temas colocados no
dia-a-dia da vida da população.


A título de exemplo, no programa da série
O Trabalho, realizado no dia 20 de agosto de
2009, salientamos a brutal agressão sofrida
por Januário Alves de Santana, funcionário da
USP, que talvez tenha cometido, sem o saber,
o crime de ser de cor negra e ter adquirido 
um carro do ano. Por isso foi brutalmente 
agredido pela segurança do Supermercado 
CARREFOUR, em Osasco, São Paulo, 
enquanto sua mulher fazia compras e a filha
o aguardava no carro. Este problema foi 
claramente tratado no Programa IDEA. 


Vocês podem imaginar que este exemplo,
onde se combinam preconceito e racismo, 
foi o crime abertamente cometido pelo 
Januário. Só há um antídoto: cadeia neles!
que cometeram o crime de racismo. 
Responsábilidade criminal para os 
mandantes, diretos e indiretos, dessa 
abominável ação. 


Confira este Programa IDEA, no You Tube e
diga o que acha:

http://www.youtube.com/watch?v=4BMwyJanRPo
http://www.youtube.com/watch?v=LSxEEk_CIG8
http://www.youtube.com/watch?v=5jf5SBngJSE
http://www.youtube.com/watch?v=z1XbpyPO810
http://www.youtube.com/watch?v=-4ks1MF0P6s
http://www.youtube.com/watch?v=DfqOgZk3bVc
http://www.youtube.com/watch?v=DHCsizXwQXY
http://www.youtube.com/watch?v=qSNiwRoDlMs
http://www.youtube.com/watch?v=LbQcpHNCAKs