quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CAÓ ACEITA INDICAÇÃO DE INTEGRANTES DA BASE DO MOVIMENTO NEGRO DO PDT PARA CONCORRER À PRESIDÊNCIA DO DA SECRETARIA NACIONAL DO MOVIMENTO NEGRO DO PARTIDO

Texto, foto e edição:  Adilson Gonçalves

Atendendo aos apelos de integrantes da base do movimento negro do Rio de Janeiro, Carlos Alberto colocou seu nome à disposição para concorrer  à presidência d da Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT. A reunião aconteceu na tarde desta quinta-feira, dia 27, no Centro do Rio de Janeiro. Entre os motivos alegados pelos integrantes da base, está a total subserviência à direção do partido, a estagnação na luta pelos direitos dos negros e várias manobras espúrias pela manutenção do poder dentro da SNMN/PDT. 
"Se não fosse a presença de Caó em vários eventos, como O dia Nacional da consciência Negra, jamais nos sentiríamos representados, pois tanto a direção estadual e nacional se omitem, não aparecem. O PDT  foi o primeiro partido a ter um segmento dedicado exclusivamente às causa dos Negros, sendo escola para outros partidos, mas hoje no entanto elels estão à nossa  frente em vários aspectos, enquanto nós regredimos, pela ações de pessaos que agem como capitães do mato.", afirmam

domingo, 23 de dezembro de 2012

EUA TÊM O PRIMEIRO SENADOR NEGRO DO SUL DO PAÍS DESDE 1881, O REPUBLICANO TIM SCOTT, LIGADO AO MOVIMENTO UULTRACONSERVADOR TEA PARTY

 Edição: Adilson Gonçalves/ Fonte: O Globo
WASHINGTON — O deputado republicano Tim Scott, que chegou ao Congresso em 2010 na esteira do movimento ultraconservador Tea Party, foi escolhido para substituir o senador Jim DeMint, da Carolina do Sul. Com a mudança, Scott se tornará o primeiro senador negro de um estado do Sul dos EUA desde Blanche Bruce, republicano do Mississippi, cujo mandato foi concluído no fim do século XIX (de 1875 a 1881).
No país em que mais de nove em cada dez americanos negros apoiaram o presidente democrata Barack Obama nas eleições de 6 de novembro, o republicano Scott será o único negro na atual composição do Senado.
DeMint se afasta do cargo para assumir o comando do centro de estudos conservador Heritage Foundation. E elogiou a escolha de seu sucessor, a quem classificou como um “líder de princípios”:
- Posso me afastar do Senado sabendo que há alguém nesta cadeira melhor do que eu, que vai levar adiante a voz do conservadorismo de oportunidades para todo o país de uma maneira que não pude.
Ao anunciar sua escolha para a vaga, a governadora Nikki Haley classificou o evento como “um dia histórico para a Carolina do Sul”. Scott conquistou a nomeação superando uma série de rivais, como o deputado Trey Gowdy, da Carolina do Sul. Em discurso, ela enfatizou que Scott mereceu a vaga por sua visão econômica e seu compromisso com princípios conservadores:
- Ele mereceu esta vaga pela pessoa que é. Ele mereceu esta vaga pelos resultados que mostrou - disse.
Scott deverá disputar uma eleição especial, em 2014, para permanecer no cargo. Aos 47 anos, o novo senador tem as credenciais para se tornar uma estrela em ascensão no partido, em busca de novos rostos diante das mudanças demográficas no eleitorado, que tiveram impacto significativo a favor dos democratas na última eleição presidencial.
Histórico conservador
Dono de uma imobiliária antes de se eleger para o Congresso, Scott se mostrou um dos políticos mais conservadores na Câmara. Ele patrocinou legislação para derrubar a reforma da saúde aprovada pelo governo Barack Obama, conhecida no país como Obamacare, e se opôs à elevação do teto da dívida. No discurso da nomeação, se manteve fiel à ideologia do Tea Party.
- Nossa nação se encontra numa situação em que precisamos de alguma força de caráter. Se você tem problema com gastos, não há receita suficiente que compense isto.
Em discurso, agradeceu a Deus, à mãe que o criou sozinha e ao empresário que foi seu mentor.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CAÓ, MOVIMENTO NEGRO E GRUPO AUTÊNTICO SE INSURGEM CONTRA A DIREÇÃO DA SECRETARIA NACIONAL DO MOVIMENTO NEGRO DO PDT

Edição e foto: Adilison Gonçalves
Quando fundamos a Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT nos anos
80, tínhamos como missão o combate ao racismo e incutir na esquerda o entendimento
de que apenas a luta de classe não traria a igualdade ao povo negro. Nesta ocasião,
contávamos como nosso maior aliado Leonel de Moura Brizola, entre tantos guerreiros
da esquerda brasileira. A publicação do estatuto do PDT foi o grande legado do
trabalhismo para todas as forças políticas da época; apenas nosso partido tem o combate
ao racismo como clausula pétrea na sua lei orgânica.

Nossa luta dentro do partido não foi fácil, lembro-me de quantas vezes o
saudoso companheiro Abdias Nascimento teve que discursar para que o espaço do
negro não fosse obstaculizado. Recordo-me ainda do também saudoso, deputado José
Miguel e de seu empenho em aprovar a construção do Monumento Nacional a Zumbi
dos Palmares, assim com da luta dos educadores negros para a inclusão de nomes de
heróis negros para nomearem os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), os
Brizolões, como foram mais conhecidos e também do trabalho de companheiras, entre
outras, das secretárias de Estado Vanda Ferreira e Edialeda Salgado do Nascimento, entre
tantos que trabalharam para transformar o PDT em uma força política de vanguarda que
lutasse pelos brasileiros de todas as cores.

Hoje me sinto desgostoso do que vejo: um movimento apequenado, vivenciando
os tempos da escravidão, instalado na cozinha da casa grande e perseguindo os irmãos
de luta, para não perderem seus privilégios, assim como faziam os capitães do mato.
Infelizmente, não reconheço a Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT como
consciência racial para alicerçar o partido nas lutas do povo negro. Em todos os anos, no
dia 20 de novembro, dia dedicado ao nosso maior herói, estou no Monumento ao Zumbi
dos Palmares e compareço aos fóruns de combate ao Racismo. Mas a atual direção da
SNMNPDT, onde nos representa? Acompanho algumas iniciativas da Secretaria de
Política de Promoção da Igualdadea Racial (Seppir) e nunca vejo alguem da SNMN.

Recentemente ouvi uma conversa sobre a realização de um congresso do
Movimento Negro do PDT, e para minha surpresa e estupefação, foi determinado por
encaminhamento do presidente da SNMN, participariam apenas dois representantes por
estado, indicados pelos presidentes das secretarias regionais. O motivo alegado para tal
medida esdrúxula foi a de que a direção dio partido achou custoso fazer um congresso
com estrutura, no minimo decente para os negros.

Minha indignação pela postura subserviente, tal qual tinham os capitães do mato,
começa pela aceitação destes estratagemas que só retiram o negro do poder. Como
contraponto à esta subserviência, minha combativa e querida Juventude Socialista do
realizou um congresso com uma estrutura decente no Ceará.

Como diria nosso saudoso comandante e grande aliado, Leonel de Moura
Brizola: Eu venho de longe e por vir de longe é que não acredito que se comece uma
mudança por cima, mas sim pelas bases e as bases estão nos estados. Hoje não temos
informações de como vão as bases e em que situação estão as secretarias regionais do
Movimento Negro pelo Brasil. Quantas são?

A secretaria regional do Rio é um caso pitoresco, em março deste ano foi
realizada uma, alcunhada de congresso. Meus amigos, enquanto negro, fiquei pálido,
pois os então candidatos às presidências regional e nacional indicaram meu nome para
ser o presidente de honra, porém minha alegria durou pouco. Informo que até a presente
data o dito congresso não findou. Não houve debate , nem qualquer documento,
contendo nossa plataforma, foi encaminhado à direção do partido. Sobre tal congresso,
há apenas um aviso no mural do partido, reconduzindo o mesmo candidato à reeleição.

Nos meus tempos da UNE, congresso era palco de disputas, falações e paixões sobre a
construção de uma nova sociedade. Nos dias atuais, é picadeiro de estratégias deletérias
para a manutenção de cartórios improdutivos e dúbios.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO ELEGE CARLOS ALBERTO REIS DE PAULA, O PRIMEIRO PRESIDENTE NEGRO DA INSTITUIÇÃO


Edição Adilson Gonçalves
Os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) elegeram nesta quarta-feira (12) Carlos Alberto Reis de Paula como o novo presidente da Corte. Com posse marcada para 5 de março, Reis de Paula será o primeiro presidente negro do TST. Em novembro, Joaquim Barbosa tornou-se o primeiro negro a presidir o Supremo Tribunal Federal (STF). Reis de Paula é tido como defensor da conciliação como meio de solução dos conflitos trabalhistas. Ao assumir o cargo, ele se afastará do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) onde atualmente exerce mandato de conselheiro.
O ministro disse que se dedicará "25 horas por dia" à presidência do TST e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT). Atualmente com 68 anos, Reis de Paula terá de deixar o tribunal em fevereiro de 2014, quando completará 70 anos e será atingido pela aposentadoria compulsória.
"O ser humano tem muito a dar. Mas, sobretudo a capacidade de ouvir o outro", afirmou Reis de Paula após a eleição. Ex-seminarista, ele leu um discurso durante o qual se emocionou e falou de Deus. Junto com ele foram escolhidos Barros Levenhagen e Ives Gandra Martins Filho para os cargos de vice-presidente e corregedor-geral da Justiça do Trabalho.
O nome de Reis de Paula esteve envolvido numa polêmica no início do ano passado, às vésperas da posse do então presidente eleito do TST, João Oreste Dalazen. Reis de Paula tinha sido escolhido vice. Mas desistiu de assumir o cargo. Na ocasião, houve uma grande confusão porque uma liminar do CNJ suspendeu a posse de Dalazen. No pedido analisado por um conselheiro do CNJ, a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho sustentou que a posse de Dalazen seria contrária à Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lonam) porque ele já tinha ocupado dois cargos de direção no TST. Posteriormente, o STF autorizou a posse.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

GRUPO AUTÊNTICO DO PDT INDICA CAÓ PARA A PRESIDÊNCIA DA SECRETARIA NACIONAL DO MOVIMENTO NEGRO DO PARTIDO

FOTO E EDIÇÃO:ADILSON GONÇALVES

Revoltados com as calúnias assacadas contra o ministro do Trabalho, neto de Leonel Brizola, em uma carta apócrifa, militantes históricos do partido, decidiram lanças a candidatura de Carlos Alberto Caó à presidência da SNMN/PDT. LEIA ABAIXO A CARTA APÓCRIFA E CALUNIADORA:

CARTA ABERTA AOS INTEGRANTES DO DIRETÓRIO NACIONAL DO PDT
"O PDT tem em seu quarto compromisso estatutário o comprometimento com a causa do Povo Negro diz o texto;
Desta forma e vedada a qualquer dirigente ou militante no exercício de função pública da cota partidária ignorar este compromisso; Leonel de Moura Brizola, em seu primeiro governo no Estado do Rio de Janeiro nomeou de forma inédita e revolucionária no País, para compor seu secretariado 05 Negros sendo que uma foi mulher Negra, a nossa saudosa companheira Dr.ª Edialeda Salgado Nascimento, Médica integrante da executiva nacional do PDT, presidente da SNMN/PDT, (Secretaria Nacional do Movimento Negro) foi a primeira mulher negra a assumir uma secretaria de estado, pois; em memoria desta guerreira, companheira e amiga que hora narramos os acontecimentos e propomos aos companheiros Delegados do Diretório inicialmente que aprovem uma moção de repudio pela forma preconceituosa e descomprometida com que o MTE, Ministério do Trabalho e Emprego, tem tratado as Políticas Publicas para o trabalhador Negro, e o trato com os companheiros lotados por indicação do partido todos de comprovada competência de gestão administrativa.
Antes uma pausa para relembrar as ações do companheiro Carlos Lupi em favor de nossa população:
• Reativação da Comissão Tripartite de Combate a Discriminação de Gênero e Raça.
• Criação da Comissão Nacional de Combate a Discriminação de Raça e Etnia com representação em todos só estados da federação.
• Liberação dos dados da Raiz com recorte Racial.
• Criação e execução do PLANSEQ para Profissionais Afros Descendentes.
• Criação e execução do PLANSEQ Trabalho Domestico Cidadão.
• Criação e execução do PLANSEQ Quilombolas.
• Reativação da Comissão Tripartite de Combate a Discriminação de Gênero e Raça.
• Aprovação e sustentação da s teses aprovadas e defendidas pela SNMN/PDT para Estatuto da Igualdade Racial – Das Disposições do Trabalho.
• 128 seminários, regionais tripartites com eixo no empoderamento do povo Trabalhador Negro.
Ao contrario desta postura comprometida e ideologicamente correta com o trabalhismo que tanto nos orgulhou, a atual gestão por meio de seus secretários em especial o senhores Marcelo Aguiar e Rodolfo Torrelly, ilustres desconhecidos desta militância, portanto sem compromisso ou respeito pela historia do partido, tem sistematicamente inviabilizado a continuidade de politicas de defesa do Povo Negro trabalhador, perseguindo com ameaças e exonerações os filiados militantes do PDT que se neguem a fazer parte de um pensamento retrógado e conservador, alias a única coisa que estes conseguiram realizar com sua capacidade técnica, ou a falta dela, foi a mudança na logomarca do MTE, em uma tentativa bastarda de apagar a gestão vitoriosa do nosso presidente Carlos Lupi, em conjunto com a verdadeira militância.
E fato conhecido e amplamente divulgado pela imprensa que este governo planeja enviar para o legislativo projeto de lei que visa flexibilizar a CLT- Consolidação das Leis do Trabalho, de um modo geral permitindo que um acordo entre sindicatos e patrões, sobreponha a leis de proteção ao Trabalhador, e sabe Deus quantos outros direitos do Trabalhador serão cassados no Congresso e sancionados pelo governo, também é de conhecimento geral que a atual gestão a frente do MTE apoia este projeto, neste caso informamos aos desinformados que qualquer militante trabalhista que trair o Trabalhador, por comodismo, oportunismo ou outros interesses espúrios, será denunciado interna e externamente, independente deste achar que deve ser adorado em um altar como se Deus fosse.
Extinguir os espaços de proteção do Trabalhador, neutralizar as politicas de ação afirmativa para o Povo Negro, exonerar companheiros pedet istas, todos eles gestores de competência reconhecida no trato com a administração publica, simplesmente por perseguição, sem ouvir a direção do partido, chegando ao absurdo de exonerar o Secretario Geral da Secretaria Nacional do Movimento Negro – PDT, titular deste diretório Nacional, no dia 20 de Novembro “DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA”, sendo este somente informado pelo Diário Oficial. Pela primeira vez dês de que o PDT assumiu a direção do MTE, nenhuma ação direta foi promovida em favor do Trabalhador Negro, ou melhor, quase nenhuma! Talvez a mente perversa e desproporcional quisesse dar uma prova de força e poder nessa forma em comemoração a Semana da Consciência Negra “não bastasse o descompromisso com o Negro Trabalhador” quis brindar os integrantes do partido com estas exonerações. Tem sido pratica constante desta direção ministerial, talvez cumprindo a tarefa de mais uma vez tentarem deter o avanço do trabalhismo no Brasil e o empoderamento da população Negra historicamente discriminada e perseguida por uma minoria que ainda hoje tenta nos tratar como se escravos ainda fossemos.
Esta tem sido a pratica delituosa e politicamente incorreta desta gestão que se encontra perdida politica e administrativamente.
Diante dos fatos aqui narrados propomos que o Diretório Nacional – PDT “determine que o partido deixe os cargos que possui no MTE e que a bancada na câmara e no senado federal permaneça com uma posição de independência ao governo assumindo nos discursos e na pratica a bandeira de “Nenhum Direito a Menos para o Povo Trabalhador”, sobre pena em contrario, de ter sua historia destruída ou de ver nas ruas sua militância lutar para barrar mais esta tentativa de golpe contra o povo trabalhador e de alguns de seus dirigentes oficialmente participando da gestão golpista.
EDIALEDA SALGADO; Presente!!!!
ABDIAS DO NASCIMENTO; Presente!!!!
POVO NEGRO; Presente! !!!"

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

EM OITO ANOS, 272.422 CIDADÃOS NEGROS FORAM MORTOS NO PAÍS



Edição Adilson Gonçalves Fonte: Correio Nagô
Em 2010, vítimas de homicídio no país são 132,3% mais negros que brancos. Entre jovens, morrem, proporcionalmente, duas vezes e meia mais jovens negros que brancos.

O número, que se refere ao período de 2002 a 2010, equivale a uma média de 30.269 homicídios de pessoas negras. Somente em 2010, foram registrados 34.983 assassinatos. Já em 2002, foram computados 26.952 homicídios, o que representa um aumento de 3317 mortes.
A vitimização negra, que em 2002 era 65,4 (morriam assassinados, proporcionalmente, 65,4% mais negros que brancos), no ano de 2010 pulou para 132,3% - proporcionalmente, são vítimas de homicídio 132,3% mais negros que brancos.
O estudo foi divulgado pela Seppir, em parceria com o Centro Brasileiro de Estados Latino-Americanos (Cebela) e a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso). A autoria é de Julio Jacobo Waiselfisz. “O estudo focaliza a incidência da questão racial na violência letal do Brasil, tomando como base os registros de mortalidade do Ministério da Saúde entre os anos 2002 e 2010”, destacou a Seppir.
De acordo com a Seppir, o Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde inicia a divulgação de seus dados em 1979, mas somente em 1996 começa a oferecer informações referentes à raça/cor das vítimas, porém, com grandes problemas de subregistro até 2002. Por esse motivo, o estudo começou a analisar as informações sobre esse tema a partir de 2002. A classificação “negra” é a soma das categorias “preta” e “parda”.
Ainda de acordo com o estudo, considerando o conjunto da população, entre 2002 e 2010 as taxas de homicídios entre brancos caíram de 20,6 para 15,5 homicídios, o que representa uma queda de 24,8%. Jácom relação à população negra, o número de assassinatos saltou de 34,1 para 36,0, um aumento de 5,6%.
No que se refere às taxas juvenis, em 2010 enquanto a taxa de homicídio do total da população negra foi de 36,0, a dos jovens negros foi de 72,0.
Entre os jovens a brecha entre brancos e negros foi mais drástica: as taxas de homicídio de jovens brancos caíram no período analisado de 40,6 para 28,3; enquanto a dos jovens negros cresceu de 69,6 para 72,0. Assim, a vitimização de jovens negros, que em 2002 era de 71,7%, no ano de 2010 pulou para 153,9%: morrem, proporcionalmente, duas vezes e meia mais jovens negros que brancos.
Oito estados ultrapassam a marca dos 100 homicídios para cada 100 mil jovens negros: Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso, Distrito Federal, Bahia e Pará.
“Essa heterogeneidade é maior quando descemos aos dados municipais, com taxas extremas e inaceitáveis, como as de Simões Filho, na Bahia, ou as de Ananindeua, no Pará, que estão na faixa dos 400 homicídios para cada 100 mil jovens negros”, complementa o estudo.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ASSASSINATOS DE BRANCOS CAEM 25,5 %; MAS OS DE NEGROS AUMENTAM 29,8%

Edição:Adilson Gonçalves Fonte: O Globo
Os números são do ‘Mapa da Violência 2012 - A cor dos homicídios’, divulgado pelo governo

BRASÍLIA - Enquanto o número de homicídios de brancos caiu 25,5% no Brasil, entre 2002 e 2010, o de negros aumentou 29,8%. Em números absolutos, o total de vítimas negras subiu de 26,9 mil, em 2002, para 34,9 mil, em 2010, ante uma redução de 18,8 mil para 14 mil nos assassinatos de brancos, no mesmo período. É o que revela o Mapa da Violência 2012 - A cor dos homicídios, divulgado nesta quinta-feira pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

o número de homicídios de brancos caiu 25,5% no Brasil, entre 2002 e 2010, o de negros aumentou 29,8%. Em números absolutos, o total de vítimas negras subiu de 26,9 mil, em 2002, para 34,9 mil, em 2010, ante uma redução de 18,8 mil para 14 mil nos assassinatos de brancos, no mesmo período. É o que revela o Mapa da Violência 2012 - A cor dos homicídios, divulgado nesta quinta-feira pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
As estatísticas relativas à população negra consideram a soma de vítimas pretas e pardas. Ao analisar dados separadamente, porém, o Mapa mostra que não foi somente o número de vítimas brancas que caiu. De 2002 a 2010, houve ligeira diminuição de 0,7% nos assassinatos de pretos. Essa queda foi contrabalançada pela elevação de 35,3% nas mortes de pardos, resultando num crescimento de 29,8% do total de vítimas negras.


Para o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do estudo, a diferença no chamado índice de vitimização reflete a desigualdade econômica. Proporcionalmente, a quantidade de negros assassinados no país, em 2010, foi 132,3% maior do que a de brancos, conforme o Mapa. Pior: ao longo da última década, a taxa só aumentou - de 65,4%, em 2002, para 90,8%, em 2006, até 132,3%, em 2010.
- A tendência crescente é o mais preocupante - diz Julio Jacobo.
De acordo com o relatório "os níveis atuais de vitimização negra já são intoleráveis, mas se nada for feito de forma imediata e drástica, a vitimização negra no país poderá chegar a patamares inadmissíveis pela humanidade".
Julio Jacobo afirma que a população branca, de modo geral, tem maior nível de renda e vive em bairros não só com maior policiamento, mas também protegidos por serviços de segurança privada:
- O perfil das vítimas é de jovens desocupados, negros, nas periferias urbanas. Bairros que não têm segurança pública eficiente. Da classe média para cima, há guaritas e guardas armados no prédio. Quem pode pagar tem melhor condição de segurança.
O levantamento mostre que a disparidade é ainda mais acentuada entre os jovens. Na população de 15 a 29 anos, a redução de assassinatos tendo como vítimas a população branca foi de 33%, entre 2002 e 2010, enquanto os homicídios de negros subiram 23,4%. Entre os jovens, as mortes de pretos caíram 8,1%, ante um acréscimo de 29% de vítimas pardas.
Mais assassinatos de brancos no Paraná e de negros em Alagoas
Julio Jacobo diz que o foco do estudo é comparar a situação de negros e brancos. Ele minimiza a diferença nas estatísticas de assassinatos de pretos e pardos, com o argumento de que os dois grupos têm perfil socioeconômico semelhante. Além disso, o sociólogo diz que pode haver imprecisão na atribuição da cor das vítimas.
- Não há razão lógica para supor que, num caso, aumentou e, em outro, diminuiu. Em nível socioeconômico, (pretos e pardos) têm uma configuração muito semelhante - afirma o sociólogo.
Na comparação entre os estados, a maior taxa de assassinatos de brancos foi registrada no Paraná, com 39,3 homicídios para cada 100 mil habitantes, em 2010. Rondônia aparece em segundo, com 25,8, e o Rio de Janeiro em terceiro, com 21,5. Já nos homicídios de negros, Alagoas tem a maior taxa (80,5), seguido por Espírito Santo (65) e Paraíba (60,5). O Rio ocupa a décima posição, com taxa de 41.
Em termos de vitimização, a Paraíba apresenta a situação mais desfavorável para a população negra, com índice de 1.824,3%, o que significa que, para cada branco assassinado, há 19 vítimas negras.
O relatório destaca negativamente o Pará, a Bahia, a Paraíba e o Rio Grande do Norte como estados onde cresceu o número de homicídios de negros. " A Região Norte e, em segundo lugar, a Região Nordeste, são as que evidenciaram maior crescimento no número de homicídios negros: 125,5% e 96,7% respectivamente, entre os anos 2002 e 2010. Individualmente, Bahia, Paraíba e Pará foram as unidades que tiveram maior crescimento no seu número de homicídios negros nesse mesmo período, mais que triplicando em 2010 os números de 2002", diz o texto.
Entre as capitais, Salvador é a que tem o maior número de assassinatos de negros: 1.659, em 2010, o equivalente a uma taxa de 78,3 vítimas para cada 100 mil negros. O Rio aparece logo atrás, com 1.078 homicídios de negros (taxa de 35,6), seguido por Recife (792 vítimas e taxa de 88,9).
Dentre os 608 municípios com mais de 50 mil moradores, Ananindeua, no Pará, figura com a maior taxa de assassinatos de negros (198,8 para cada grupo de 100 mil habitantes), com Simões Filho (BA) e Cabedelo (PB) logo atrás. Nesse ranking, o município do Rio em pior situação é Duque de Caxias, que aparece com a 41.ª maior taxa (78,6). Considerada apenas a população jovem - de 15 a 29 anos -, Simões Filho (BA) tem a maior taxa (455,8).
"A situação dos municípios é mais heterogênea ainda. Acima da metade dos municípios do país: exatos 2918, não tiveram registro homicídios negros. Dentro da mesma unidade da federação encontramos localidades com elevadas taxas de homicídios negros, como no caso da Bahia, onde convivem municípios como Simões Filho, com a segunda maior taxa de homicídios negros do país, ou também Porto Seguro, com a quarta maior taxa, junto a Barreiras, que não registrou homicídios negros no ano de 2010", diz o estudo.
O relatório foi lançado pela Seppir, pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).
O Mapa da Violência utiliza dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, com base em atestados de óbito. A cor das vítimas é atribuída pelo médico ou pelas testemunhas que atestam cada morte.