domingo, 5 de janeiro de 2014

HÁ 25 ANOS ERA SANCIONADA A LEI 7716/89 - "LEI CAÓ", QUE CLASSIFICA COMO CRIME O RACISMO

 Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Agência Brasil Texto: Paulo Victo Chagas
Brasília – Foi criada há exatos 25 anos a Lei 7.716, que define os crimes resultantes de preconceito racial. A legislação determina a pena de reclusão a quem tenha cometidos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Com a sanção, a lei regulamentou o trecho da Constituição Federal que torna inafiançável e imprescritível o crime de racismo, após dizer que todos são iguais sem discriminação de qualquer natureza.
A lei ficou conhecida como Caó em homenagem ao seu autor, o deputado Carlos Alberto de Oliveira. A partir de 5 de janeiro de 1989, quem impedir o acesso de pessoas devidamente habilitadas para cargos no serviço público ou recusar a contratar trabalhadores em empresas privadas por discriminação deve ficar preso de dois a cinco anos. 
É determinada também a pena de quem, de modo discriminatório, recusa o acesso a estabelecimentos comerciais (um a três anos), impede que crianças se matriculem em escolas (três a cinco anos), e que cidadãos negros entrem em restaurantes, bares ou edifícios públicos
ou utilizem transporte público (um a três anos). Os funcionários públicos, tratado na lei, que cometerem racismo, podem perder o cargo. Trabalhadores de empresas privadas estão sujeitos a suspensão de até três meses. As pessoas que incitarem a discriminação e o preconceito também podem ser punidas, de acordo com a lei.
Apesar da mudança no papel, os negros ainda sofrem racismo e frequentemente se veem em situação de discriminação. Para o coordenador nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (Contaq), no campo legislativo pouca coisa mudou desde que a escravidão foi abolida, em 1888. “A realidade continua a duras penas. Desde o começo, muitos foram convidados para entrar no Brasil, o negro foi obrigado a trabalhar como escravo”, disse, citando leis como a da Vadiagem, a proibição da capoeira e o impedimento à posse de terras.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, divulgada em setembro de do ano passado, 104,2 milhões de brasileiros são pretos e pardos, o que corresponde a mais da metade da população do país (52,9%). A diferença não é apenas numérica: a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De 1989 para cá, outras legislações importantes na luta contra o preconceito racial foram criadas, como o Estatuto da Igualdade Racial (2010)–, e a  Lei de Cotas (2012), que determina que o número de negros e indígenas de instituições de ensino seja proporcional ao do estado onde a universidade esta instalada. “Essas são ações muito importantes de reparação. Tem alguns fatores que a gente ainda precisa quebrar para que o negro tenha direitos e oportunidades reais”, acredita Biko.

Para denunciar o crime de racismo ou injúria racial, o cidadão ainda não tem à disposição um telefone em todo o Brasil. Mas unidades da Federação têm criado os seus próprios, como o Distrito Federal (156, opção 7) e Rio de Janeiro (21-3399-1300). Segundo Biko, é importante saber quem é de onde são as pessoas que cometem tal crime. “Sem dúvida, quando mais espaço de denúncia a gente tiver, mais reforça a luta conta a esse processo de segregação racial que a gente ainda vive nesse país”, avalia.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

MINISTÉRIO PÚBLICO INVESTIGA POSSÍVEL CASO DE RACISMO NO VETO A LÁZARO RAMOS E CAMILA PITANGA NA APRESENTAÇÃO DO SORTEIO DE GRUPOS DA COPA DO MUNDO

Edição Adilson Gonçalves
A rejeição por parte da Fifa aos atores negros, Lázaro Ramos e Camila Pitanga, no sorteio da Copa, cuja apresentação na próxima sexta, na Costa do Sauípe, Bahia, ficará com o casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, agora é alvo de investigação do Ministério Público.
De acordo com a coluna "Radar on-line", no site da revista "Veja", Christiano Jorge Santos, 6º Promotor de Justiça Criminal de São Paulo, abriu procedimento visando apurar eventual crime de racismo, "tendo em vista", segundo ele, "que os atores [Lázaro Ramos e Camila Pitanga] representam de maneira mais adequada a composição étnica e racial do povo do Brasil, ao passo que os atores escolhidos, Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, de raça branca/caucasiana, sob tal aspecto, não."
Ainda de acordo com a "Veja", o promotor argumenta que "a escolha dos apresentadores, portanto, dada a elevadíssima audiência aguardada, é relevante para a identificação dos componentes do povo brasileiro, por habitantes de todo o mundo...e também para a autoafirmação dos brasileiros afrodescendentes."
E reforça, ainda, que "também são relevantes porque o maior ícone futebolístico de todos os tempos é brasileiro e negro", referindo-se, obviamente, a Pelé.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

MUSICO BAINO, VÍTIMA DE RACISMO EM SHHOPING, EVOCA A LEI CAÓ PARA SE DEFENDER

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: A Tarde


Desde 1989 que a prática de racismo é crime no Brasil. Conforme a Lei Federal nº 7.716/89, conhecida como Lei Caó - em homenagem ao seu autor, o ex-deputado Carlos Alberto Oliveira dos Santos -, quem for pego ao cometer ato racista pode ser preso por até cinco anos e será obrigado a pagar multa, definida pelo juiz.
Ainda que seja um crime inafiançável (não pode ser relaxado a favor de quem comete o ato) e imprescritível (quem cometeu o delito pode ser preso a qualquer tempo, mesmo que se passem anos), levar casos de racismo adiante requer paciência e conhecimento jurídico.
O músico Fábio Lira, de 33 anos, sabe muito bem disso, após ter sido discriminado em um grande shopping de Salvador, ao ser xingado por outro cliente de "preto, f... e cabelo rasta podre".
Ao chamar a segurança do shopping, foi transformado de vítima em agressor. Ao chegar à delegacia para prestar queixa, os policiais se recusaram a fazer um boletim de ocorrência em que o fato fosse tipificado como racismo.
"O cara gritava e perguntava quem eu era. E quando eu disse que ele ia pagar pelo que fez, ele disse: 'Vá chamar quem você quiser, eu trabalho em um banco e isso não vai dar em nada, seu otário'. E de fato não deu", relatou o músico.
O fato foi enquadrado como "vias de fato", e Fábio foi orientado a fazer acordo com seu agressor, pois suas testemunhas já não poderiam mais depor a seu favor, já que também entraram no mesmo processo e, se desse prosseguimento ao caso, teria de arcar com os custos de um advogado e pagar dez cestas básicas, no valor de R$ 1.200.
"Eu não tinha condições. Tive que pagar R$ 300 ao advogado e, mesmo assim, estava fora do meu orçamento. Com o ocorrido, aprendi que tenho que ficar mais ligado. É um sentimento de revolta e tristeza. Agora já sei o que fazer, me rebelo mesmo contra qualquer ato racista", diz.
Segundo Samuel Vida, professor de direito da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e advogado, a falta de condições formais, como provas e testemunhas, são os principais entraves para transformar casos de racismo em processos judiciais.
"O racismo é um crime muito fácil de ser cometido sem deixar vestígios. Muitas vezes acontece sem a presença de testemunhas ou de pessoas que são facilmente neutralizadas", diz.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MINISTRA FRANCESA NEGRA, XINGADA DE MACACA, DESABAFA E FAZ DURAS CRÍTICAS À SOCIEDADE DE SEUS PAÍS EM ENTREVISTA AO JORNAL LIBÉRATION

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Ópera Mundi

A ministra da Justiça francesa, Christiane Taubira, fez duras críticas à sociedade de seu país em uma entrevista publicada nesta quarta-feira (06/11) no jornal Libération, na qual adverte que os recentes ataques racistas de que foi vítima são um risco à coesão social e que o repúdio em torno desse episódio foi demasiadamente brando.

“O que mais me assusta é que não houve uma voz que se levantasse de forma alta e forte para alertar sobre o estado de deriva que se encontra atualmente a sociedade francesa”, afirmou. “Esses ataques racistas são na verdade direcionados ao coração da República”.

Nascida em Caiena, na Guiana Francesa, ela também foi uma das responsáveis pela lei que leva seu nome, promulgada em 2001, que reconhece a escravidão e o tráfico de negros como crime contra a humanidade. “As vozes da consciência da sociedade francesa poderiam ter dito: cuidado, isto não é um episódio superficial, é um alerta. É a coesão social que está em jogo, a história de um país que está em causa”, disse.

Taubira ganhou destaque internacional por ter comandado o projeto de lei que autorizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo na França que, embora tivesse obtido apoio popular, também provocou forte oposição de setores conservadores.

A ministra afirma que casos semelhantes aos quais foi vítima precisam ser levados à Justiça. “O racismo não é uma opinião, é um crime (…) Mas a justiça não será suficiente para reparar as doenças profundas que estão minando nossa democracia. Milhões de pessoas são desafiadas quando eu sou chamada de ‘macaca’. Milhões de meninas sabem que poderão ser tratadas da mesma forma nos pátios das escolas durante os intervalos”. Para a ministra, a situação chegou ao ponto atual por culpa do principal partido de extrema direita do país, a Frente Nacional.

O caso - No último dia 25, Taubira foi alvo de um protesto racista na cidade de Angers (noroeste da França) por integrantes da organização “Manif pour Tous”, contrária ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Um grupo de adolescentes portando bananas gritava: “Para quem é a banana? É para a macaca!”. No dia 17 de outubro, ela já havia sido chamada de ‘macaca’ por Anne-Sophie Leclère, integrante da Frente Nacional, durante um programa de televisão: “preferia vê-la em cima dos galhos de uma árvore do que no governo”. Leclère foi imediatamente suspensa do partido, que tenta afastar sua imagem de casos de racismo.

Neta quarta-feira (06/11), um grupo ligado à juventude da Frente Nacional divulgou uma carta de repúdio aos ataques sofridos por Taubira em Angers. E acusou uma das manifestantes de ser prima de um deputado da direitista UMP (União por um Movimento Popular), principal partido da oposição e cujo eleitorado é disputado pela FN.

A mesma Frente Nacional entrou na Justiça contra a ministra quando ela afirmou anteriormente que, embora sua líder, Marine Le Pen, tente se mostrar como uma figura apresentável, a verdadeira ideologia do partido de extrema-direita é colocar “os negros nos galhos das árvores, os árabes no mar, os homossexuais no (rio) Sena e os judeus no forno”.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

PRESIDENTA DILMA ROUSSEF ASSINA PROPOSTA DE COTAS PARA SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

Edição Adilson Gonçalves Fonte: Portal Brasil 
Projeto reserva 20% das vagas em concursos públicos para negros.

Presidente anunciou medida em conferência sobre igualdade racial.

A presidenta Dilma Rousseff assinou na noite de terça-feira (5) mensagem ao Congresso Nacional encaminhando, em regime de urgência constitucional, projeto de lei que reserva 20% das vagas do serviço público federal para negros. O despacho presidencial ao Congresso Nacional foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira (6).
Segundo a presidenta, a medida ajudará a reduzir a desigualdade racial no País. “Nós não devemos ignorar que a cor da pele foi e infelizmente ainda é motivo de exclusão, de discriminação, de preconceito contra milhões de brasileiros. Para ser mais exata, preconceito contra mais da metade da população brasileira, que hoje se reconhece como afrodescendente”, reforçou Dilma.
O ato aconteceu durante a abertura da 3ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III Conapir) na noite desta terça-feira (5). “Nós queremos, com essa medida, iniciar a mudança na composição racial dos servidores da administração pública federal, tornando-a representativa da composição da população brasileira”, afirmou Dilma, em seu discurso.
Na avaliação da presidenta, a iniciativa do governo federal poderá servir de modelo para outros setores. “Esperamos também incentivar medidas similares a essas. Tenho certeza de que além dos demais Poderes e dos demais entes da federação, nós também poderemos influenciar empresas e organizações privadas”, disse Dilma.
O regime de urgência constitucional garante maior celeridade na tramitação do projeto porque estabelece prazo de votação de 45 dias para a Câmara e mais 45 para o Senado para o texto ser votado. Se a votação não for concluída nesse período, o projeto passará a trancar a pauta da Casa em que estiver tramitando e nenhuma outra proposta legislativa poderá ser votada em plenário. “Nós queremos que o debate dessa proposta seja amplo, seja intenso, mas seja rápido, célere”, justificou a presidenta.
Políticas de governo
Dilma ainda afirmou que a existência de um ministério, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), que coloca como objetivo a questão do racismo e o combate às desigualdades raciais, é essencial.
A presidenta, durante a cerimônia, também assinou decreto que institucionaliza a política do Estatuto da Igualdade Racial, com o compartilhamento de responsabilidades, e que, segundo ela, vai estar baseado na participação da sociedade civil e na gestão democrática.
Dilma também anunciou a criação, no Ministério da Saúde, de uma instância específica para dar atenção à população negra. E afirmou que as comunidades quilombolas e os distritos indígenas terão prioridade na distribuição de profissionais da próxima etapa do Programa Mais Médicos. A presidenta ainda afirmou que o governo federal dará todo respaldo para o Plano Juventude Viva, combatendo o que vem sendo classificado de genocídio da juventude negra.
Conferência
Governo federal e a sociedade civil vão fazer um balanço das ações voltadas para a igualdade racial no País. A partir desta terça-feira (05), em Brasília (DF), acontece a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial – III Comapir, cujo tema será “Democracia e Desenvolvimento sem racismos: por um Brasil afirmativo”. 

Em conversa com o Blog do Planalto, a ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, disse que este é um importante momento de diálogo entre a sociedade e o Estado para que se avalie o que já foi feito e o que ainda precisa ser realizado para ampliar e consolidar a agenda de igualdade racial no Brasil.

"Nós queremos com essa medida iniciar a mudança na composição racial dos servidores da adminIstração pública federal, tornando-a representativa da composição da população brasileira"

Dilma Roussef


"Nós queremos com essa medida iniciar a mudança na composição racial dos servidores da adminstração pública federal, tornando-a representativa da composição da população brasileira. Esperamos também incentivar, como eu disse, medidas similares a essa, e esse é um importante efeito que se inicia hoje", afirmou a presidente a uma plateia formada de integrantes de movimentos sociais."Nós queremos com essa medida iniciar a mudança na composição racial dos servidores da adminstração pública federal, tornando-a representativa da composição da população brasileira. Esperamos também incentivar, como eu disse, medidas similares a essa, e esse é um importante efeito que se inicia hoje", afirmou a presidente a uma plateia formada de integrantes de movimentos sociais.

Antes de ser feito o anúncio, a representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Igualdade Racial, Maria Julia Nogueira, cobrou do governo agilidade na implementação de cotas para o funcionalismo público, destacando que seria de especial importância em prefeituras e governos estaduais. "Essa é uma importante sinalização positiva por parte do governo federal, que nós esperamos e desejamos", disse Nogueira.

A ministra lembrou, ainda, que esta terceira edição da Conferência acontece após a sanção do Estatuto da Igualdade Racial e que, por isso, durante o evento, será lançado um guia para orientar os gestores e gestoras públicos na implementação desta lei.
“Essa terceira Conapir acontece sob a vigência do Estatuto da IgualdadeRacial, o que significa que nós teremos muitas preocupações vinculadas àquilo que o Estatuto coloca como obrigação para o setor público, tanto governo federal, como governos estaduais e municipais. A esse propósito, inclusive, estaremos lançando um guia de implementação do Estatuto, de maneira que, daqui pra frente, todos os gestores e gestoras nos estados e municípios terão caminhos e dicas colocadas para orientar a sua atuação."

Lei de cotas em universidades
Em agosto de 2012, a presidenta Dilma sancionou a Lei de Cotas Sociais, que destina 50% das vagas em universidades federais para estudantes de escolas públicas.

Pelas regras, pelo menos 50% das vagas devem ser reservadas para quem tenha feito o ensino médio integralmente em escola pública. Além disso, para tornar obrigatórios e uniformizar modelos de políticas de cotas que já eram aplicados na maioria das universidades federais, o projeto também estabelece critérios complementares de renda familiar e étnico-raciais. Dentro da cota mínima de 50%, ocorre a distribuição entre negros, pardos e indígenas, proporcional à composição da população em cada estado, tendo como base as estatísticas mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

CCJ DA CÂMARA DOS DEPUTADOS APROVA COTAS DESTINADAS A NEGROS CANDIDATOS AOS PARLAMENTOS FEDERAIS E ESTADUAIS

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: O Globo
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou  Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece reserva de vagas para parlamentares de origem negra na própria Câmara e nas assembleias legislativas.
Não há previsão de quando a proposta será votada no plenário. Antes, o texto ainda terá de ser submetido a uma comissão especial a ser formada especificamente para analisar a proposta. Para alterar a Constituição, uma PEC precisa ser aprovada em dois turnos na Câmara e no Senado, por maioria de três quintos dos membros de cada uma das casas (308 deputados e 49 senadores).
Segundo a proposta, o percentual das vagas destinadas aos parlamentares de origem negra corresponderá a dois terços do percentual da população que se declarou preta ou parda no último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE Pelos dados do último censo, de 2010, esse percentual seria de 50,7%.
Se a PEC estivesse em vigor hoje, dois terços dos 50,7% corresponderiam a 173 vagas para negros entre os 513 deputados da Câmara.
A proposta aprovada na CCJ também determina que o percentual de vagas destinadas a parlamentares negros não pode ser inferior a 20% ou superior a 50% do total de vagas.
'Voto específico'
De acordo com o projeto, a reserva de cotas raciais teria validade por cinco legislaturas (o equivalente a 20 anos). Pelo texto, durante esse período, cada eleitor teria direito a um "voto específico" destinado a candidatos negros.
Segundo o autor do texto, deputado Luiz Alberto (PT-BA), deverão ser criadas duas listas de votação nas eleições para deputados federais e estaduais.
“Pela proposta, você tem direito a dois votos. Um voto vai para a lista geral, que pode ser negro, branco, mulher, índio, e um outro voto específico da lista da candidatura negra”, disse Alberto, parlamentar que se declara negro. “Hoje fazendo uma análise superficial, podemos perceber que menos de 5% dos deputados federais são negros.”

'Choque de democracia'
Na justificativa da PEC, Luiz Alberto, coordenador da Frente Parlamentar Mista pela Igualdade Racial e em Defesa dos Quilombolas, afirma que o projeto busca “superar insuficiência” na democracia brasileira.
“O que se propõe aqui é dar um choque de democracia nas casas legislativas e que esse choque recaia justamente sobre a questão decisiva em todas as discussões histórica e teoricamente mais relevantes sobre a democracia no Brasil, que é a das relações entre equidade racial e equidade social, econômica, cultural e política”, escreveu o parlamentar do PT ao assinar a proposta.


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MERCADO DE COSMÉSTICOS DESTINADOS AOS CABELOS DE MULHERES NEGRAS CRESCE NO BRASIL



 Edição: Adilson Gonçalves 
Fonte: Uol

A dificuldade de encontrar cosméticos específicos para cuidar dos seus cabelos motivou a jovem Carolina Lima, 27, a criar um site para oferecer produtos exclusivos para mulheres de cabelos crespos, cacheados ou alongados, o Prapreta.
"Eu tinha uma necessidade e o que eu encontrava no mercado não me agradava", diz a empresária.
Junto com a sócia Alana Lourenço, 26, uma amiga que acompanhava a sua saga para encontrar produtos específicos para cabelos crespos, ela investiu R$ 20 mil –R$ 15 mil de um empréstimo e R$ 5.000 em recursos próprios–  para começar o negócio.
Com o dinheiro, elas desenvolveram o site, fizeram as instalações da empresa e montaram um estoque para começar as atividades em outubro do ano passado.
Atualmente, o site revende 60 itens, como xampús, condicionadores, finalizadores e cremes de tratamento (para hidratação e reconstrução) de marcas nacionais e internacionais, para cabelos crespos e cacheados.
A empresa não informa o faturamento e a margem de lucro.  Os preços variam de R$ 6 (creme) a R$ 400 (kit com quatro produtos – xampú, condicionador, hidratante e óleo).

Sócias queriam nome de impacto e de fácil fixação

Amigas desde 2005, Carolina Lima e a sócia se formaram na Faculdade de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, em 2008. As duas atuaram no jornalismo até o final de 2011, quando decidiram mudar de atividade.
Com base na experiência consumidora de Lima e no conhecimento sobre comércio eletrônico de Lourenço, que fez cursos sobre a área, elas decidiram montar um plano de negócio com foco no consumo da mulher negra e na internet como canal de vendas.
Segundo Lima, o nome Prapreta surgiu logo depois que as sócias definiram qual o público que elas desejavam atingir. "Queríamos um nome que causasse impacto e que fosse facilmente fixado pelos consumidores", declara.

Comércio eletrônico exige investimento em tecnologia e logística

Segundo a consultora Elderci Garcia, do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), apesar de o comércio eletrônico baratear os custos do negócio, os investimentos em tecnologia e em logística devem ser frequentes para quem opera nessa plataforma de vendas.
De acordo com a consultora, consumidores que compram produtos pela internet queixam-se de problemas, desde o pagamento até o prazo de entrega. Reclamações sobre transações com cartão de crédito e descumprimento do prazo de entrega são corriqueiros.
Como a venda é rápida e há muitos concorrentes, a consumidora vai logo em busca de outro fornecedor, afirma Garcia. "Os produtos de beleza são itens da cesta básica da mulher brasileira. E, por haver muita oferta, sai na frente quem oferece qualidade e facilidades", diz a consultora.

Cabeleireira cria linha de produtos para cabelos crespos

Outra empresária que resolveu apostar na oferta de produtos para o tratamento de cabelos crespos foi Sheila Silva de Oliveira, 36. Com investimento de R$ 20 mil (site, matéria-prima e instalações), ela abriu, em maio deste ano, a Makeda Cosméticos, em São Paulo (SP).
Oliveira afirma que começou a perceber a falta de opções de produtos para cabelos crespos ao trabalhar no salão de beleza da sua mãe. "No dia a dia, eu percebia que as mulheres com cabelos crespos sofriam para conseguir tratá-los e vi que poderia explorar melhor este mercado", diz.
Oliveira criou, então, uma linha de produtos a base de óleos vegetais para mulheres de cabelos crespos, black power, cacheados e ondulados composta por xampú, ativador de cachos, creme, hidratante, condicionador e óleo.
Os preços variam de R$ 69,90 (ativador de cacho) a R$ 151 (máscara nutritiva) e podem ser encontrados na loja virtual e na loja física, em São Paulo (SP).
Para reduzir os custos operacionais, a empresária terceiriza a produção da sua linha. Por mês, ela fatura de R$ 4.000 a R$ 5.000.
A empresária não é a primeira a investir em uma linha específica para cabelos crespos.
Antes dela, a ex-faxineira Zica Assis, 52, que inspirou a criação da personagem de Heloisa Périssé na novela Avenida Brasil, a cabeleireira Monalisa, abriu a rede de salões de cabeleireiros Instituto Beleza Natural, especializado em cabelos crespos e ondulados.
Assis, inclusive, já ganhou destaque até na mídia internacional por figurar entre as dez mulheres de negócios mais poderosas do Brasil, segundo a revista americana "Forbes".

Fábrica de fundo quintal prejudica imagem, segundo especialista

Segundo a consultora de negócios em beleza Rose Gonçalves, da empresa Assessoria em Beleza, a terceirização de uma produção precisa passar por um criterioso controle de qualidade.
"A empresa pode ser pequena, mas não precisa ser vista como uma fábrica de fundo de quintal", afirma.
Segundo Gonçalves, para lançar produtos diferenciados e sair na frente dos concorrentes, é comum alguns pequenos empresários apressarem as pesquisas para lançar a linha o quanto antes.  Esta prática, de acordo com ela, pode comprometer a qualidade.
"O produto precisa passar por uma fase de testes de, no mínimo, um ano para evitar problemas com as consumidoras.  Muita química pode causar queda de cabelo, por exemplo", diz a consultora.
Gonçalves diz também que é importante fazer estudos de mercado, principalmente dos concorrentes. Segundo a ABIHPEC, 20 empresas de grande porte, com faturamento líquido acima de R$ 100 milhões, representam 73% do faturamento do setor no Brasil.
Para ela, diante de um mercado forte, o melhor é investir em internet e em lojas enxutas. "Portais tipo perfumaria são mais eficientes para quem está iniciando por terem um custo baixo", afirma a especialista.

Onde encontrar:

Prapreta - Fone: (11) 2506-4024
www.prapreta.com.br
Makeda Cosméticos
www.makedacosmeticos.com.br