sexta-feira, 20 de julho de 2012

VÂNDALOS INVADEM SEDE DO GRUPO TORTURA NUNCA MAIS, EM BOTAFOGO, RJ,E ROUBAM DOCUMENTOS E R$ 1 MIL



Grupo a sua sede invadida e documentos relacionados ao projeto clínico de apoio às vítimas e familiares de vítimas de violações aos direitos humanos, furtados nesta quinta-feira. Cerca de R$ 1 mil também foram levados. Na semana passada, o grupo foi vítima de uma ameaça telefônica, quando uma voz masculina declarou: “estou ligando para dizer que nós vamos voltar e que isso aí vai acabar”. Para a presidenta do grupo, Vitória Grabois, há ligação entre as duas ações 

Edição: Adilson Gonçalves 
Rio de Janeiro - O grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro teve a sua sede invadida e documentos relacionados ao projeto clínico de apoio a vítimas e familiares de vítimas de violações aos direitos humanos, que atende uma média de 70 pessoas, furtados na quinta-feira (19). Cerca de R$ 1 mil também foram levados. Na semana passada, o grupo foi vítima de uma ameaça telefônica, quando uma voz masculina declarou: “estou ligando para dizer que nós vamos voltar e que isso aí vai acabar”.
Para a presidenta do grupo, Vitória Grabois, há ligação entre as duas ações. “Eu acho que deve ter ligação com aquelas ameaças que recebemos na quarta-feira passada (11), vamos esperar o resultado das investigações da polícia”, disse ela à Carta Maior. Setores da sociedade civil creditam as ameaças ao protagonismo do grupo na defesa dos direitos humanos e aos avanços da Comissão da Verdade, instalada pelo governo federal.
A sede do Grupo Tortura Nunca Mais fica na rua General Polidoro, na sobreloja do Botafogo Mercado de Flores, em frente ao cemitério São João Batista, em Botafogo. Segundo Grabois, funcionários do escritório perceberam o problema por volta das 13 horas, quando chegavam para trabalhar. “Eles viram as gavetas abertas e que sumiu uma quantia de dinheiro e documentos do grupo”, afirmou.
Ela disse que, segundo os funcionários, a porta do escritório estava fechada, mas as chaves reservas guardadas em uma das gavetas haviam sumido. Grabois também acha pouco provável que os invasores tenham entrado pela janela. “Se tivessem entrado pela janela, teriam que ter quebrado um vidro para tirar uma tranca pela parte de dentro. E o vidro está intacto, o alumínio está intacto, e não tem marcas na janela”, afirmou ela.
De acordo com o perito Leandro Pinto, que esteve no local na noite de quinta-feira, não havia indícios de arrombamento no local. “Parece que foi algo direcionado. Alguém que sabia a rotina do pessoal daqui. Pode ter acontecido de alguém ter entrado com a chave, é o que está mais cogitado. A fechadura não tem nenhum indício de rompimento, não tem nada forçado. Acho que alguém tinha meios como acessar (o local)”, disse o técnico do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. O laudo da perícia será encaminhado para a 10? Delegacia Policial, em Botafogo, onde a ocorrência foi registrada.
Além da loja de flores, o Tortura Nunca Mais divide o prédio de três andares com um depósito da fundação Santa Cabrini, que é da secretaria de administração penitenciária do estado. Ainda segundo a presidenta do grupo, “nenhum outro local foi atingido. Toda vez que acontece algo lá é sempre com a gente. A floricultura fica aberta noite e dia”, disse, completando que essa é a terceira vez que o grupo sofre ocorrências deste tipo.
Campanha
O Grupo Tortura Nunca Mais está em sérias dificuldades financeiras desde que seus principais parceiros, entidades de direitos humanos europeias, escassearam as doações devido à crise econômica no velho continente. Para manter-se ativo o grupo lançou uma campanha de solidariedade para arrecadar contribuições através de cotas fixas ou esporádicas. Os depósitos podem ser efetuados na conta 77791-3, na agência 0389 do banco Itaú, em nome do Tortura Nunca Mais/RJ.


NOTA OFICIAL DO GTNM/RJ:




A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou hoje (20) nota de repúdio contra as ameaças anônimas recebidas pelo grupo Tortura Nunca Mais. A pasta solicitou que a Polícia Federal acompanhe as investigações e a ocorrência da invasão da sede da entidade no Rio de Janeiro. Para a ministra Maria do Rosário, ''diante dos fatos ocorridos, consideramos inaceitável o ataque a uma entidade que realiza um trabalho fundamental na defesa dos direitos humanos (...) Mais grave se torna o fato diante da dedicação do grupo Tortura Nunca Mais à democracia e à recuperação histórica dos fatos ocorridos no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985), e no combate à tortura nos dias de hoje''. De acordo com o grupo Tortura Nunca Mais, a entidade recebeu, no dia 11 de julho, ameaças por telefonema anônimo. Ontem, dia 19 de julho, a sede do grupo foi invadida e foram furtados R$ 1,5 mil, além documentos de atendimento psicológico de vítimas de tortura policial e de defensores de direitos humanos. O grupo disse que arquivos da entidade também foram revirados e que o computador estava ligado. O grupo Tortura Nunca Mais foi fundado em 1985 por iniciativa de ex-presos políticos que viveram situações de tortura durante o regime militar e por parentes de mortos e desaparecidos políticos. Atualmente trabalha pela efetivação da Comissão Nacional da Verdade, pela abertura dos arquivos da ditadura militar, e pelo cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Araguaia.

ATOR MORGAN FREEMAN DOA US$ 1 MILHÃO PARA CAMPANHA DE BARACK OBAMA


Edição Adilson Gonçalves Fonte Band News
O ator americano Morgan Freeman, 75, ativista contra a discriminação racial, anunciou nesta quinta-feira, dia 19, ter doado 1 milhão de dólares (cerca de 2 milhões de reais) para a campanha pela reeleição do presidente democrata, Barack Obama.
O motorista de "Conduzindo Miss Daisy" e ganhador do Oscar por "Menina de Ouro" fez a doação ao Priorities USA Action, comitê de ação política (conhecido como Super PAC) que apoia a reeleição do presidente.
"Obama fez um trabalho notável, em circunstâncias historicamente difíceis", assinala Freeman em um comunicado obtido pela AFP. "Pôs fim aos combates no Iraque, fez uma série de reformas importantes em Wall Street, salvou a indústria automotiva e protegeu a saúde pública de todos os cidadãos".
Freeman se uniu, assim, ao comediante Bill Maher, que doou ao Super PAC democrata 1 milhão de dólares em fevereiro, e a outros artistas de Hollywood que colaboraram com Obama, como o diretor Steven Spielberg e a apresentadora de TV Chelsea Handler. Outro doador célebre é Jeffrey Katzenberg, chefe do estúdio de animação DreamWorks.
O órgão arrecadador, Priorities USA Action, agradeceu a Freeman em sua conta no Twitter. Obama enfrentará em 6 de novembro o candidato republicano, Mitt Romney.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

COMÉRCIO DE SÃO PAULO É RECORDISTA DE DENÚNCIAS DE RACISMO


CASOS DO MENINO EXPULSO DO NONNO PALLO 
E ESTUDANTE ANGOLANA ASSASSINADA 
EM BAR REFERENDAM PESQUISA
Edição:Adilson Gonçalves
 Fonte: Infomoney
                A Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Paulo afirmou que dos 144 denúncias de racismo registradas nos primeiros seis meses deste ano, 25 aconteceram nos estabelecimentos comerciais do estado paulista.
Os supermercados lideram o maior número de registro, ao todo são 10; em seguida aparecem os bancos, com cinco  denúncias. O terceiro lugar e o quarto lugares são ocupados por transportes e lojas, com três  e  dois, respectivamente.  Já concessionária, cinema, shopping, farmácia e restaurante tiveram um denúncia, cada um.
"Lamentavelmente o setor de comércio como um todo não é proativo. O funcionário que hoje trabalha no supermercado, amanhã está no banco e precisa ser treinado contra o racismo. Temos que sensibilizar funcionários de todas as áreas de atendimento ao público sobre preconceito e discriminação", explica o coordenador de Políticas Para Políticas Negra e Indígena da Secretaria da Justiça, Antonio Arruda.
Processos
A Secretaria afirmou que estão em andamento na Comissão Processante Especial da Secretaria da Justiça, 51 processos administrativos com base na lei 14.187, sendo que quatro estão em fase final.
A lei determina a aplicação de penalidades administrativas pela prática de atos de discriminação. As punições vão desde advertência até suspensão ou cassação da licença de funcionamento do estabelecimento. A multa varia de R$ 9 mil a R$ 165 mil reais.


quarta-feira, 18 de julho de 2012

MUNDO COMEMORA OS 94 ANOS DE NELSON MANDELA



Ex-presidente sul-africano celebrará
 a data em casa com a família e não deve
participar de nenhum dos cerca 
de 80 atos públicos em sua homenagem

Edição Adilson Gonçalves Fonte: IG
O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela completa 94 anos nesta quarta-feira, um dia marcado por uma série de homenagens em toda a África do Sul. O líder deve comemorar a data ao lado da família em sua casa na cidade de Qunu, sem que esteja prevista sua
participação em atos públicos.


Na terça-feira Mandela recebeu a
 visita do ex-presidente Bill Clinton
Desde 2010, o aniversário do líder é conhecido como Dia Internacional de Mandela, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular os cidadãos de todo o mundo a dedicar 67 minutos a causas sociais - um minuto para cada ano que Mandela dedicou à luta pela igualdade racial e o fim do apartheid.


Mandela deixou Johanesburgo e passou a viver em Qunu em maio, após uma breve internação para submeter-se a uma laparoscopia por causa de uma dor abdominal.Na época, o atual presidente sul-africano, Jacob Zuma, disse que Mandela "goza de boa
saúde".


O Centro da Memória de Nelson Mandela afirmou que pelo menos 80 eventos em homenagem ao líder devem acontecer na África do Sul nesta quarta-feira, incluindo desde a recuperação de escolas e a construção de casas até uma expedição ao Kilimanjaro, o monte mais alto da África.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

ANGOLANA ASSASSINADA EM SÃO PAULO: UM DOS SUSPEITOS É PRESO NA ZONA LESTE


Edição:Adilson Gonçalves
Fonte: Jornal de Angola
 Foi preso na manhã  desta quinta-feira, dia  12, José Marcelo de Vasconcelos, um dos suspeitos  do assassinato da estudante angolana Zumira Cardoso, em maio passado. O Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa de São Paulo informou que o delinquente foi detido na manhã de quinta-feira na periferia da Zona Leste de São Paulo, depois de um intenso  trabalho de investigação policial que  os leva à hipótese de terem sido duas as pessoas envolvidas no assassinato de Zumira Cardoso e no ferimento de outros três angolanos.
A Embaixada e o Consulado Geral de Angola em São Paulo manifestaram às autoridades brasileiras o seu regozijo pelo empenho da policia na busca do esclarecimento do caso, encorajando o efetivo policial a prosseguir com as investigações.
Face ao assassinato da estudante Angolana Zumira Cardoso, a Embaixada de Angola solicitou das autoridades brasileiras o maior empenho para que justiça seja feita ao mesmo tempo que constituiu um advogado para defender os interesses dos familiares da estudante assassinada e dos angolanos feridos na ação delituosa.

sábado, 14 de julho de 2012

MORRE EM SÃO PAULO O MAIS ANTIGO MILITANTE DO MOVIMENTO NEGRO, PROFESSOR EDUARDO, AUTOR DO HINO À NEGRITUDE


Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Agências e Blogs

Morreu na tarde desta quinta-feira (12), aos 86 anos, por problemas do coração, Eduardo Ferreira de Oliveira, ex-vereador pelo PDC, em 1958, um dos primeiros militantes negros e tido por muitos,  como o mais aguerrido. O professor Eduardo, como era carinhosamente chamado por todos, sofreu uma insuficiência renal por conta de uma arritmia cardíaca.
O velório foi realizado a partir das 22h do mesmo dia no Hall do Plenário da Câmara Municipal de São Paulo e o enterro foi às 15h de sexta-feira (13), no Cemitério da Lapa, o cemitério da Goiabeirana Lapa, em São Paulo
Diversas organizações do movimento negro  emitiram notas de pesar pela morte do militante incansável. “Era o mais velho militante do movimento negro na atualidade. Ele tinha a consciência profunda de quem eram os inimigos do Brasil, do povo, e tinha foco em sua luta. Ele nos ensinou como lutar. Durante toda a sua vida  militou e contribuiu para a igualdade racial. É uma perda que vai emocionar todo movimento porque é como um pai de todos nós que vai embora”, declarou emocionado Edson França, presidente da União de Negros e Negras pela Igualdade (Unegro).

Edson, que integra o Conselho Nacional da Igualdade Racial ao lado do professor Eduardo de Oliveira, fez questão de mencionar alguns pontos da trajetória dele, como quando compôs o Hino à Negritude, aprovado no Congresso Nacional e aguardando sanção presidencial. Também fundou o Congresso Nacional AfroBrasileiro (CNAB) e um dos responsáveis pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.

“Como conselheiro da República, enfrentou a todos para a aprovação do estatuto. Encarou olho no olho a todos que já tentaram sufocar a luta do povo negro. Ele defendeu todas as bandeiras de luta negros e negras”, lembrou o dirigente da Unegro.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a Confederação das Mulheres do Brasil, a Federação árabe Palestina do Brasil (Fepal), e a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) também divulgaram notas.

"O movimento negro brasileiro perde hoje, 12 de julho de 2012, um dos seus mais longevos e ilustres militantes, o professor Eduardo de Oliveira. Sem nunca perder a crença de que ainda poderemos viver uma sociedade livre do racismo, o autor do Hino à Negritude nos deixa contribuições importantes como poeta, jornalista, escritor, primeiro vereador negro da cidade de São Paulo, presidente e principal articulador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB)", diz um trecho da nota da Seppir.

“Sempre foi um lutador e muito lúcido. Ele estava numa lucidez tremenda, apesar da idade avançada. Por isso, não esperávamos essa notícia agora”, comentou Sandra Mariano, da Conem.

Eduardo de Oliveira era viúvo desde 2009 e deixou seis filhos, além de netos e bisnetos. “Um eterno lutador. Essa é a imagem que fica de alguém que lutou a vida inteira para combater a discriminação racial não somente no Brasil, mas no mundo”, declarou José Francisco Ferreira de Oliveira, 54 anos, filho do professor Eduardo. Ele também lembrou da importância que seu pai teve na inserção da discussão racial dentro dos partidos políticos. Atualmente, militava no Partido Pátria Livre.

Eduardo de Oliveira também escreveu livros como "Quem é quem na negritude brasileira (registro salutar sobre personalidades negras da nossa história)" e poesias. Em uma delas, intitulada Banzo, disse:

"Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.
Eu sinto a mesma angústia, o mesmo banzo
que encheram, tristes, os mares de outros séculos,
por isto é que ainda escuto o som do jongo
que fazia dançar os mil mocambos...
e que ainda hoje percutem nestas plagas." 



Hino à Negritude 

Eduardo Oliveira 
Sob o céu cor de anil das Américas
Hoje se ergue um soberbo perfil
É uma imagem de luz
Que em verdade traduz
A história do negro no Brasil
Este povo em passadas intrépidas
Entre os povos valentes se impôs
Com a fúria dos leões
Rebentando grilhões
Aos tiranos se contrapôs
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

Levantado no topo dos séculos
Mil batalhas viris sustentou
Este povo imortal
Que não encontra rival
Na trilha que o amor lhe destinou
Belo e forte na tez cor de ébano
Só lutando se sente feliz
Brasileiro de escol
Luta de sol a sol
Para o bem de nosso país
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez



Dos Palmares os feitos históricos
São exemplos da eterna lição
Que no solo Tupi
Nos legara Zumbi
Sonhando com a libertação
Sendo filho também da Mãe-África
Arunda dos deuses da paz
No Brasil, este Axé
Que nos mantém de pé
Vem da força dos Orixás
Ergue a tocha no alto da glória
Quem, herói, nos combates, se fez
Pois que as páginas da História
São galardões aos negros de altivez

segunda-feira, 9 de julho de 2012

NETINHO DE PAULA: “LULA ME CONVENCEU A DESISTIR DA PREFEITURA DE SÃO PAULO EM TROCA DO APOIO DELE QUANDO EU SAIR CANDIDATO A PRESIDENTE DA REPÚBLICA”


CANTOR DEFENDE TAMBÉM
A REFUNDAÇÃO
 DO PARTIDO NEGRO BRASILEIRO

Texto, fotos e edição: Adilson Gonçalves

A afirmação foi feita pelo cantor durante a apresentação dele, neste domingo, dia 7 de julho com o Grupo Os De Paula – formado por cinco de  seus filhos-, no Guadalupe Country Club, zona norte do Rio de Janeiro,  no evento  Feijoada da Tia Ângela,  realizado pelo cantor Charles André.
                - Conversei com o presidente Lula em seu instituto e resolvemos combater, unidos,  a onda  conservadora instalada, há anos,  nos governos municipal e estadual. Saio ferido, pois estava disposto a concorrer, até mesmo colocando em risco minha legislatura municipal, pois caso não ganhasse a eleição para prefeito de São Paulo, também deixaria de ser vereador.- disse o cantor que concorreu ao Senado em 2010 pelo PC do B, ficando em terceiro lugar e fora da disputa, superado surpreendentemente por Aloysio Nunes,  do PSDB, primeiro colocado; a outra vaga ficou com Martha Suplicy, do PT.
                À surpreendente derrota na disputa  ao Senado, além do conservadorismo,  Netinho creditou a divisão dos negros, desde os moradores da periferia a outros negros, integrantes de outras classes mais altas.
                -Infelizmente, o  negro virou um nicho, um produto em todos os partidos, seja de direita ou de esquerda, progressista ou conservador. Agora todo o partidos têm um segmento negro, que muito mais que nos dar representatividade, nos divide, nos fragmenta. Por isso eu sou totalmente a favor da criação do Partido  Negro Brasileiro- ,disse o cantor no camarim do Clube, após ter atendido a fãs para fotos e autógrafos.
A APRESENTAÇÃO

                Ao chegar ao clube por volta das 17 horas, o cantor foi logo cercado por fãs, mas dirigiu-se direto para o camarim, prometendo a todos que seriam atendidos, o que foi cumprido.  A apresentação de Netinho foi precedida pelo Grupo Os De Paula, formado por cinco de seus filhos – Levi e Édson, na percussão; e Eduardo, Vinicius e Ághata, nos vocais. O grupo lança no próximo seus segundo CD.  Durante sua apresentação, Netinho chamou ao palco o cantor, compositor e seu parceiro em algumas músicas, Charles André promotor do evento. Eles cantaram juntos  sucessos compostos pela dupla e conclamou a que as pessoas presentes e seus amigos que não estivessem ali votassem em Charles André, também candidato a vereador no Rio de Janeiro Partido Social Liberal – PSL.
                 Nós negros precisamos  votar em gente que seja gente da gente. O Charles me chamou e prontamente eu vim para apoiá-lo. Tendo  certeza de que ele será eleito e fará um belo trabalho  por vocês de Guadalupe-  disse Netinho ao final da apresentação.


VEJA MAIS FOTOS DA APRESENTAÇÃO DE NETINHO 




















quinta-feira, 5 de julho de 2012

CASO NONNO PAOLO: POLÍCIA CONCLUI QUE MENINO SOFREU RACISMO AO SER EXPULSO DE PIZZARIA


 Edição: Adilson Gonçalves Fonte G1
A Polícia Civil de São Paulo concluiu nesta terça-feira (26) o inquérito sobre o caso do menino etíope que, no fim do ano passado, teria sido expulso de um restaurante italiano e pizzaria, na Zona Sul da capital paulista, onde havia ido com seus pais adotivos, que são espanhóis. No relatório que será entregue à Justiça, o 36º Distrito Policial, no Paraíso, informa que o pai do proprietário do Nonno Paolo deve responder pelo "crime de racismo" por ter colocado o garoto para fora e o impedido de voltar porque ele é negro. A criança teria sido confundida com um morador de rua.

O fato ocorreu no dia 30 de dezembro de 2011. Francisco Carlos Ferreira, de 56 anos, está solto, mas foi indiciado por "constrangimento ilegal resultante de preconceito de raça ou cor", segundo o delegado Márcio de Castro Nilsson. Caso seja condenado, a pena pode ser de até 6 anos de reclusão. Procurado pelo G1 para comentar o assunto, o investigado, que ajuda no filho na pizzaria, negou as acusações e alegou que houve um "mal-entendido" (leia mais abaixo).

Segundo a polícia, o garoto, que tinha 6 anos na época, não falava português e tinha ido ao restaurante acompanhado dos pais, que estavam visitando o Brasil, e de outros parentes. Quando o casal e familiares foram buscar comida, a criança ficou esperando, sentada à mesa, mas foi pega pelo braço por Francisco que a colocou para fora e a impediu de voltar, de acordo com a investigação.

O caso

A tia-avó do garoto, a aposentada Aurora Junqueira, de 78 anos, reconheceu Francisco como o homem que expulsou o garoto. Segundo o delegado Nilsson, câmeras de segurança gravaram o momento que o menino aparece do lado de fora do Nonno Paolo. A criança estava chorando quando foi encontrada pela família a um quarteirão de distância do local.

A mãe dele, que se identificou como Cristina, 42, técnica de administração acadêmica na Universidade de Barcelona, tinha vindo ao país com o marido Jordi, também espanhol. O garoto foi adotado aos 4 anos de idade.

"Foi um desespero, a primeira coisa que eu pensei foi que alguém havia levado ele [garoto] embora e que não iríamos vê-lo nunca mais", contou a mãe à equipe de reportagem no início deste ano. "Ele me disse 'um senhor me botou para fora', em catalão, que é a nossa língua. Perguntamos se ele estava ferido e ele disse que foi segurado pelo braço, mas não foi machucado". Após o incidente, o casal registrou boletim de ocorrência no 36º DP.

Racismo
Nesta terça, o delegado Nilsson afirmou que o crime é de racismo. "A investigação mostrou que o pai do dono do restaurante praticou racismo. Ele constrangeu o garoto e fez isso em decorrência das características do menino, que é o fato de ele ser etíope e negro", disse o delegado. "O homem constrangeu a criança. Pegou a criança e botou para fora. Portanto vai responder por crime de racismo. Ele faria isso com um menininho branco de olhos azuis, vindo da Suécia? Ele pegou um menino negro, etíope e que fala catalão. Ele pegou e enxotou o garoto. O menino estava sentado junto à mesa do restaurante esperando os pais irem buscar comida".

Segundo o delegado, ele se baseou nos artigos 8º e 20º da lei 776/89 para indiciar o pai do dono do restaurante. "A lei trata dos crimes resultantes de discriminação ou resultantes de raça cor, etnia, religião ou procedência nacional. O artigo 8 aborda o fato de impedir o acesso ou recusar o atendimento em restaurantes, bares, confeitaria ou locais semelhantes e abertos ao público. O 20 trata de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, ou procedência nacional".

O que diz o indiciado
Procurado para dar sua versão, Francisco Ferreira confirmou ao G1 que abordou o garoto etíope no Nonno Paolo, mas negou que tenha havido racismo. Segundo ele, o menino saiu espontaneamente do restaurante.

"O que tenho a dizer a respeito é que na época foi feita essa denúncia contra minha pessoa: que eu tinha colocado o garoto para fora. Mas foi um mal-entendido. O menino estava em uma área de risco, estava perto do bufê, olhando as panelas e não na mesa, como divulgaram aí. Ele ficava na ponta dos pés olhando para a mesa e não alcançava. Pedi a ele que ali não podia ficar. Perguntei para ele se ele estava com alguém e ele não falou nada. Ele foi para fora. Ninguém pôs ele para fora. Independente se fosse uma criança loira ou japonesa, eu jamais expulsaria ninguém", afirmou Ferreira, que disse ajudar o filho no restaurante. "Mas não sou o dono".

Ainda segundo Ferreira, o garoto deixou o restaurante por vontade própria. "Só depois soube que ele era estrangeiro. Calculei que ele estivesse com alguém pelo tamanho dele, mas pelo fato de ele não falar nada achei que estivesse ali por acaso. Tem uma feira em frente ao restaurante que ficam inúmeras pessoas. Naquela dia ocorria essa feira. Na época, colocaram o caso de uma forma que tinha posto o garoto para fora. Jamais iria tirar uma pessoa que estava sentada. Ele saiu e ficou na frente do restaurante. Foi o que aconteceu. Foi um mal-entendido que foi para a mídia dizendo que eu era racista. Sou branco mas tenho uma filha afro, registrada. Eu não tenho racismo nenhum comigo. Cerca de 70% dos funcionários são descendentes. Financeiramente a vida do restaurante abalou. Até hoje não me equilibrei ainda. O cliente dá crédito para aquilo que ouve na televisão. Eu tenho esclerose múltipla. Sou uma pessoa quase inválida, que tenta se reerguer. Discordo da decisão da polícia".

terça-feira, 3 de julho de 2012

PASTOR E DISCÍPULO SÃO CONDENADOS POR INTOLERÂNCIA RELIGIOSA; EM 2009, AUXILIAR FOI PRESO POR DEPREDAR UM CENTRO DE UMBANDA NO CATETE

Edição Adilson Gonçalves Fonte IG
Um pastor e um discípulo da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo foram condenados pela juíza Ana Luiza Mayon Nogueira, da 20ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pela acusação de difundir, por meio da Internet, idéias de discriminação religiosa, ofendendo seguidores de outras religiões.

Tupirani da Hora Lores, o pastor, e Afonso Henrique Alves Lobato, o discípulo, pregavam através de blogs o fim da igreja Assembleia de Deus, além de praticarem intolerância religiosa contra judeus e afirmarem que as outras religiões são “seguidoras do diabo” e “adoradoras do demônio”. Eles também associavam a figura de pais de santo a homossexuais, menosprezando ambos.

De acordo com a sentença, em seu interrogatório, Afonso Henrique confirmou que sua religião prega que, “como discípulo de Jesus Cristo, deve acusar todos os outros conceitos em geral que são contrários ao Evangelho de Jesus Cristo, que não existe pai de santo heterossexual, pois todos são homossexuais; que homossexualismo é possessão demoníaca; que uma pessoa que está possuída pelo demônio não merece confiança; e que discrimina todas as religiões”. Ainda de acordo com a sentença, em nenhum momento os dois tentaram justificar suas condutas.
Tupirani foi condenado a duas penas restritivas de direito: prestação de serviço à comunidade e pagamento de dez salários mínimos em favor de uma entidade beneficente. Afonso Henrique foi condenado à prestação de serviço e limitação de fim de semana.

Em março de 2009, com o consentimento do pastor Tupirani, Afonso Henrique divulgou na internet um vídeo em que faz ofensas aos seguidores das religiões afrobrasileiras e às polícias Civil e Militar. No ano passado, o jovem participou da invasão e depredação de um Centro de Umbanda, no Catete

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A CRISE, A DIREITA, O FUTEBOL E O RACISMO


Edição: Adilson Gonçalves Texto:Daniel Eduardo Mafra Fonte: Geledes
Se a História se repete, sendo a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa, aproximamo-nos, pois, de um destes pontos de inflexão do eflúvio histórico: a volta da extrema direita (cabe aqui o pleonasmo "A volta dos que não foram") aos holofotes do cenário político mundial, através dos apelos racistas das classes mais abastadas da sociedade europeia – esta sempre tida como a vanguarda do pensamento ocidental – das políticas xenófobas de certos partidos políticos ascendentes no cenário europeu, e que ecoam pelo mundo afora, como vemos nas políticas higienistas do Governo do Estado de São Paulo, árvore mais que enraizada no solo da Revolução Burguesa no Brasil, por exemplo.

E pelo discurso daqueles que interpretam o atual momento político-social de nosso mundo do avesso, nada mais sugestivo que ressuscitar o bom e velho Marx pra dizer que a História parece se repetir agora como farsa. Ou uma piada de mau gosto, para ainda permanecermos polidos. Ainda...

Todos os historiadores (inclusive eu) bradam em alto e bom som que a História não se repete, que os anacronismos são demasiado significantes para analogias quanto aos acontecimentos de outrora para com o presente ou o porvir histórico. Não obstante, o que passamos a identificar cada vez mais e, sobretudo, desde que a atual crise europeia colocou em xeque os alicerces da falácia da Comunidade Europeia e da Social Democracia, é uma volta ao reacionarismo, ao racismo, à xenofobia.

Tal qual o processo histórico que se desenvolveu no início do século passado, quando o laissez faire escancarou as portas da primeira crise capitalista global, afundando as economias liberais, e acelerando a ascensão de grupos de extrema direita ao poder, sendo o nazismo e o fascismo somente dois dos tantos que se espalharam pelo globo, semelhante processo se nos apresenta agora. Tal qual uma piada de mau gosto, basta uma crise, cousa tão evidente e previsível dentro da estrutura sócio metabólica do capital, para que os grupelhos de extrema direita, xenófobos e racistas, ganhem força nos ecos dos discursos do passado, em defesa da família, dos bons costumes, da nação, de Deus, e do Diabo, se for preciso.

E há aqui um importante fato a ser considerado: a direita não mais precisa estar no poder, basta fazer-se presente sob a égide do mal para fazer o bem (conforme suas vicissitudes, naturalmente), ou vice-versa, não importa. Seu discurso ultranacionalista encontra morada na ineficiência das propostas frente à crise. É palha na fogueira.

E eis que este fogaréu, que de nada tem a ver com o nosso São João, deu as caras no evento mais pomposo do futebol internacional: a Eurocopa, que ocorre na Polônia e Ucrânia, países do leste europeu "onde há movimentos neonazistas de grande envergadura", conforme disse Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da USP, ementrevista à Carta Maior.

Discordâncias à parte, não há como não refletir sobre o processo de transformação do "progresso cultural da sociedade burguesa em regressão cultural", visto que boa parte dos integrantes destes novos partidos de extrema-direita é formada por pessoas com alto grau de instrução. E que futebol e política tem a ver um com o outro? Tudo, visto que "tudo se mistura com política, e... por que tudo se faz para que ela se misture. Por exemplo: a execução dos hinos nacionais antes dos jogos".

Dentro desta arena transcendental e de movimento pendular, ora no esporte, ora na política, os holofotes deste espetáculo da barbárie apontam para os jogadores negros das diversas seleções, alvo da intolerância e da gratuita estupidez humana, tendo como pano de fundo a conivência das autoridades, ora políticas, ora esportivas, e seus slogans superficiais e politicamente corretos. Faz-se com que capitães das respectivas seleções leiam um texto raso sobre o papel do esporte quanto à união dos povos, o 'diga não ao racismo' e mais uma meia dúzia de blábláblás e pronto! Papel cumprido! O juiz apita e tem-se início a partida. Minutos depois, a mágica da tolerância se desfaz pela contemplação do voo solo de uma banana em direção a um jogador negro... Nada se faz, pois o papel da autoridade era tal qual o de perfumar estrume diante da gravidade dos acontecimentos. Há um abismo de distância entre um discurso político e um ato de represália aos ofensores. É uma forma de se institucionalizar, mesmo que de forma latente, o racismo no futebol.

Reprodução de charge do jornal Gazzetta dello Sport que compara Balottelli, jogador da seleção italiana, ao King Kong.

Aliás, cabe aqui importante reflexão: recentemente um importante estudo, publicado na Associated Press no último dia 24/06, revelou que o foco dos cientistas que estudam comportamento e, sobretudo, pensamento animal, está em QUÊ eles pensam e não SE eles pensam. "Babuínos podem distinguir entre palavras escritas e meros rabiscos. Macacos parecem ser capazes de multiplicar e podem compreender instantaneamente uma gratificação, muito mais do que uma criança humana pode. Planejam. Fazem guerra e paz. Mostram empatia. Compartilham". Ou seja, é bastante provável que se um macaco estivesse entre os torcedores que arremessaram a dita banana ao atleta em campo, ele a comeria, ao invés de desperdiçá-la com um ato tão intragável. É bastante provável que um babuíno seja tão inteligente (ou mais) do que aquele sujeito supostamente superior, em seu ato impensado (ou pensado), mecânico, boçal.

Diferentemente de Coggiola, que atribui tais atos exclusivamente ao conflito de classes, ou a derivações do conflito de classes, penso que o racismo é causa e consequência, ao mesmo tempo. Não há como negar o conflito de classes e a exclusão das populações negras, no Brasil, por exemplo. É um racismo consequente da luta de classes. Mas há ainda algo mais. A ortodoxia marxista esbarra nas causas ideológicas e eugênicas do século XIX que persistem no imaginário coletivo das elites dominantes, detentoras do monopólio da informação, produtoras daquilo que se convencionou chamar 'opinião pública'(como se o termo presumisse a indelével afirmação de que tal opinião emana do povo).

Especificamente, direcionando a pauta para a realidade brasileira, faz-se evidente que o racismo é institucionalizado de forma velada. Seja pelo monopólio da violência exercido pelo estado contra as populações negras, seja pelas burlescas anedotas, supostamente despretensiosas, proferidas num botequim qualquer. Ainda em tempo, as medidas pontuais tomadas pelo governo federal, desde a ascensão do PT ao poder, é uma correção para a distorção do curso histórico de nosso país. Ainda assim, tal fato trouxe à tona uma série de 'pensadores' contrários à medida e ao recente parecer do STF quanto à matéria.

Mais do que tudo, o racismo está presente no silêncio de cada um de nós, ao não nos chocarmos com os fatos escancarados, que nos esbofeteiam com os chicotes dos açoites de outrora. Ao não nos posicionarmos contra, necessariamente estamos nos posicionando a favor. Não há meio termo. Não há como ficar em cima do muro. Não vejo outra forma de terminar este devaneio senão citando o Cássio, no Júlio César, de Shakespeare: "Há momentos em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos".
Ainda em tempo, e para meu deleite, na tarde de ontem a seleção da Itália venceu a seleção alemã por 2×1. Não que eu esteja torcendo por uma ou outra, mas o destaque da partida foi o italiano Mario Barwuah Balotelli, de origem ganesa. Um dos alvos frequentes de torcedores racistas, Balotelli rompeu as fronteiras do futebol. Arrancou intrépido com a bola e, em direção ao gol, chutou-a forte, tal qual um Zumbi contemporâneo-metafórico-esportivo, balançando as redes da opressão. Parou e tirou a camisa, num ato colérico e contido, paradoxalmente. Depois, cerrou o punho e elevou-o até o alto, e trouxe a nós, por efêmero momento, uma carta de alforria.