quinta-feira, 3 de outubro de 2013

MINISTRA DA CULTURA, MARTHA SUPLICY, AFIRMA QUE CRITÉRIO PARA LEVAR AUTOR A FRANKFURT FOI LITERÁRIO E NÃO ÉTNICO

Edição: Adilson Gonçalves Fonte Folha de São Paulo
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, afirmou na manhã desta quarta-feira (2/10), em entrevista na Biblioteca Nacional, no Rio, que não foi usado nenhum parâmetro étnico na escolha da delegação de escritores brasileiros para a Feira do Livro de Frankfurt. Marta comentou a polêmica, levantada na imprensa alemã, de que teria havido racismo na seleção dos integrantes da comitiva oficial brasileira para o evento, que neste ano tem o Brasil como país convidado. Na delegação brasileira há 70 autores e somente um negro, Paulo Lins. A imprensa alemão também destacou o fato de só haver, entre os 70, um descendente de indígena, Daniel Munduruku.
"O critério não foi étnico, o critério foi outro e eu achei correto. O primeiro era a qualidade estética, depois autores que tivessem livros traduzidos para o alemão e língua estrangeira. A Feira de Frankfurt é uma feira comercial e nós temos que dar prioridade a quem já está lá e vai poder se colocar também pela diversidade", disse Marta Suplicy.
A ministra afirmou ainda que o país vive um momento de transformação, o que vai permitir que, nas próximas gerações, haja um número maior de negros em eventos como esses. "Hoje infelizmente não temos. Devemos entender que toda lista tem sempre um recorte que provoca discussão", afirmou.
Em sua página no facebook, Paulo Lins ironizou a situação. Ao postar o link desta reportagem da Folha, comentou: "Aposto que se der algum problema o culpado vai ser eu".

De acordo com a coordenadora do Centro Internacional do Livro da Biblioteca Nacional, Moema Salgado, o critério de traduzir os livros surgiu em acordo com a organização da feira. "Achei até estranho os próprios alemães levantarem essa questão. É uma demanda da feira internacional. Quem vê um debate, quer ter um livro traduzido para comprar", disse.
Sobre o Brasil ter decidido a delegação brasileira em março, quando foram anunciados os 70 nomes de escritores que viajariam pelo Ministério da Cultura, e e deixado para fazer a licitação apenas às vésperas do evento, a ministra disse que o processo foi retardado por mudanças administrativas na pasta, na Biblioteca Nacional e no Itamaraty.
"Foram três mudanças ao mesmo tempo: no ministério, na Biblioteca Nacional e do embaixador [na verdade o cônsul brasileiro em Frankfurt]. Essas mudanças todas acarretaram várias confusões, mas viramos a página e fomos em frente. Quando se dizia que a licitação ia ficar no vazio, que os autores iam ficar sem hospedagem, não aconteceu nada disso, nós temos tudo resolvido e da melhor maneira possível, com um hotel quatro estrelas dentro do nosso orçamento. Estamos satisfeitos", afirmou Marta.
Em tom irônico, a ministra disse que sobraram vagas de hospedagem. "Quem quiser ir, ainda tem lugar."

O Ministério da Cultura divulgou que um hotel da rede Holiday Inn ofereceu 656 diárias a R$ 315 mil, além de translado ao evento --no resultado da licitação de hospedagem da delegação brasileira. A ministra disse que o orçamento final ficou dentro dos R$ 18,9 milhões anunciados há meses.
O presidente da Biblioteca Nacional, Renato Lessa, que também participou da entrevista, destacou que, apesar de as licitações terem sido feitas só agora, às vésperas do evento, "seu processo já vem desde abril". Ele disse que representantes do ministério viajaram nesse período à Alemanha para tratar exclusivamente do assunto.


PRESIDENTE DA FEIRA DE LIVROS DE FRANKFURT NEGA RACISMO NA ESCOLHA DE ESCRITORES BRASILEIROS

Edição:Adilson Gonçalves Fonte:Da Deutsche Welle

Em entrevista a representantes da imprensa estrangeira em Berlim, o presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Jürgen Boos, rejeitou a acusação de que teria havido racismo na seleção dos integrantes da comitiva oficial de autores brasileiros para o evento, que neste ano tem o Brasil como país convidado. "Com toda certeza, não houve nenhum racismo", afirmou.
Uma reportagem publicada mês passado pelo conceituado jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" argumenta que, embora 70 escritores tenham sido convidados pelo comitê organizador da participação brasileira, haveria apenas um negro (Paulo Lins) e um descendente de índios (Daniel Munduruku). O artigo conclui que, por isso, o setor livreiro internacional só conhecerá em Frankfurt "um pedaço da grandiosa criatividade brasileira", como alguém que "anda pela Floresta Amazônica ou por Salvador da Bahia com o som ambiente desligado".
"Temos esta mesma discussão todos os anos. Não tem nada a ver com o Brasil ou com minorias", ressaltou. "Quando é feita uma seleção, então é natural que alguns fiquem de fora", observou Boos. Ele reconheceu, entretanto, haver a possibilidade de se realizar uma seleção de acordo com proporcionalidade, como a que ocorreu em 2012, ano em que o país convidado era a Nova Zelândia.
CRITÉRIOS
"No ano passado, sentimos uma grande presença maori. Mas é um dos grandes grupos étnicos da Nova Zelândia, e o país tem tradição de proporcionalidade", comentou. "Não sei quantas centenas de etnias há no Brasil. Mas há outros critérios, como o reconhecimento que o autor tem no país, se ele já foi traduzido, o que é importante, e a forma como ele representa a nação, a língua", sublinhou Boos. "Tenho certeza que, por isso, sempre há os que são deixados de fora, mas isso não é racismo."
A seleção dos nomes para a comitiva oficial é de encargo do lado brasileiro da parceria firmada com a Feira do Livro de Frankfurt.
Boos elogiou o fato de a apresentação brasileira ser pautada por uma imagem que deixa de lado os aspectos mais folclóricos. "O que acho muito legal é que a apresentação do país convidado não brinca com clichês e mostra um Brasil bastante intelectual. Não é caipirinha e samba", comparou. "A cultura brasileira se mostra de outra forma, mais afiada, mais intelectual e sofisticada."
Ele lembra, no entanto, que a parte mais típica não será totalmente esquecida. "Vai haver também sessões de cozinha", observou, referindo-se às promoções de livros de gastronomia brasileira, a ser feita por chefes de cozinha no estande chamado Cozinhando com as Palavras. O futebol também promete ser outro tema de destaque do espaço brasileiro.
MAIS TRADUÇÕES
O presidente da Feira do Livro de Frankfurt também ressaltou o grande número de livros de autores brasileiros lançados na Alemanha por ocasião do encontro. Ele afirmou que até agora são cerca de 300 títulos brasileiros traduzidos do português, quase metade deles, obras de ficção. Esse aumento se deve às diversas bolsas de incentivo lançadas especialmente para o evento. "Sem essa ajuda, não teria sido possível alcançar esse volume de traduções", admitiu.

Boos espera, porém, que o impulso para literatura brasileira na Alemanha tenha frutos futuros e dá exemplo do que ocorreu com nações convidadas por Frankfurt em anos anteriores. "Vemos que há uma certa sustentabilidade. Um exemplo é um livro de um autor neozelandês só publicado agora, um ano depois que a Nova Zelândia foi país convidado", frisa.
Jürgen Boos também não esqueceu do lado mais comercial do setor livreiro. Segundo ele, há um grande interesse das editoras alemãs em investir em livros didáticos no Brasil, um mercado considerado promissor pelos europeus.
"O país compra cerca de 150 milhões de livros por ano, só para escolas. Incluindo o sistema de bibliotecas, acho que são cerca de 400 milhões de livros por ano. O Estado é o grande comprador de livros no Brasil", lembrou. "E quem não sonha em conseguir um contrato desse tamanho? Por isso, as grandes editoras de livros didáticos daqui estão de olho no Brasil." Ele espera que a feira seja um espaço para importantes contatos de negócios entre europeus e brasileiros.
A Feira do Livro de Frankfurt será realizada entre 9 e 13 de outubro. Neste ano, a organização destaca o aumento da participação internacional em relação aos anos anteriores. Cerca de 60% dos quase 7.400 expositores vêm do exterior.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

CONCURSO A MAIS BELA PÉROLA NEGRA DE SÃO PAULO TEMO APOIO DA ÂNCORA DO SBT, JOYCE RIBEIRO, E DEISE NUNES, EX-MISS BRASIL

Edição: Adilson Gonçalves Texto: Portal AFricas
Foi lançado oficialmente  em São Paulo o novo concurso de beleza que promete revolucionar as estruturas do mercado da moda: “A Mais Bela Pérola Negra de São Paulo”, foi apresentado à imprensa e convidados durante um café da manhã servido no Buffet Manaus. Com a presença da primeira e única miss Brasil negra, Deise Nunes, e da âncora do SBT, Joyce Ribeiro, o concurso irá escolher uma modelo autodeclarada negra para estampar as páginas dos editoriais de moda.
Com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo (SEPPIR), o evento consiste na realização de um concurso que irá ultrapassar as linhas da passarela.
De acordo com o idealizador do projeto, Carlos Romero, além de possibilitar à escolhida o ingresso no mundo da moda a mesma terá um leque de oportunidades para o crescimento pessoal e profissional.
“Mesmo antes de A Mais Bela Pérola Negra de São Paulo ser escolhida já tenho uma agenda para ela até março de 2014! A ganhadora irá viajar para Angola, ter aulas de postura num workshop com a Deise Nunes, além de tratamento odontológico gratuito e a disponibilidade de ingressar num curso de graduação superior”, explicou Romero
Para a eterna miss Brasil, hoje empresária e apresentadora de TV, Deise Nunes, esta será uma oportunidade de provocar mudanças no mercado.
“Mesmo na época que fui eleita é claro que havia mulheres negras mais bonitas do que eu, mas eu tive a chance de nos representar e agora dou total apoio para que, mesmo tantos anos depois, tenhamos uma nova miss negra”.
Para a jornalista Joyce Ribeiro a iniciativa em auxiliar as candidatas com o workshop faz a diferença.
“As meninas entre 18 e 22 anos têm dificuldade em tomar decisões, com esta possibilidade que o concurso irá disponibilizar elas terão a oportunidade de ter um norte em suas vidas”.
Nos próximos dias será divulgado o período de inscrições para as interessadas e a grande final que irá acontecer em 10 de novembro contará com um júri composto por celebridades, jornalistas e pessoas ligadas ao mundo da moda.

PRIMEIRA REITORA NEGRA DE UMA UNIVERSIDADE FEDERAL DIZ QUE COMPETE À SOCIEDADE DEBATER O RACISMO

 Edição: Adilson Gonçalves Texto: Heloisa Cristaldo /Repórter da Agência Brasil

Brasília – A reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Nilma Gomes, entra para a história do país como a primeira mulher negra a comandar uma universidade federal. Empossada em abril, ela acredita que sua escolha para o cargo representa um avanço na luta em favor de políticas raciais no Brasil.

“É o reconhecimento de um grupo etnorracial, de brasileiros negros e negras, que há anos lutam por construção de espaços, por maior democracia, maior igualdade racial na sociedade brasileira”, disse Nilma em entrevista exclusiva à Agência Brasil
Apesar dos avanços conquistados ao longo de séculos, Nilma afirma que ainda existe uma grande desigualdade racial no país. A reitora defende que compete à sociedade debater o racismo e procurar maneiras de superá-lo. A seguir, os principais trechos da entrevista com a reitora.
Agência Brasil – A senhora acredita que os negros estão conseguindo conquistar mais espaços no Brasil?
Nilma Gomes – Eu penso que sim, aos poucos. É um espaço conquistado com um histórico de muitas lutas, de forçar a sociedade brasileira a compreender que democracia e racismo não combinam. Se somos uma sociedade democrática, que caminha para lutas por igualdade e cidadania, não podemos deixar nenhum grupo fora dessas conquistas. Acho que nós, negros e negras, estamos alcançando, de fato, justiça social ou igualdade na sociedade brasileira. Já temos espaço se compararmos com dez, vinte anos atrás, mas ainda acho que falta muito para que igualdade racial e oportunidades igualitárias se concretizem em nosso país.
ABr – Sobre o sistema de cotas no ensino superior, qual o seu posicionamento?
Nilma – Sou favorável às políticas de acesso com ações afirmativas de um modo geral. Não só para os negros, como para mulheres, população LGBT (lésbicas, gays, bissesuais e transgêneros), segmentos que reconhecemos com um histórico de desigualdade. Sobre as cotas, sou favorável para negros no mercado de trabalho e no serviço público. Temos que mapear a presença de população negra nos mais diversos setores da sociedade. Hoje temos o Estatuto da Igualdade Racial, legislação de cotas nas universidades, o princípio da constitucionalidade das ações afirmativas aprovado por unanimidade no Supremo Tribunal Federal. Acho que a sociedade brasileira não precisa ter dúvidas sobre a necessidade ou não de implementar cotas em determinado setor, uma vez que tenha sido comprovada uma sub-representatividade da população negra.
ABr – Como avalia a situação do negro no Brasil hoje, 125 anos após a abolição da escravidão?
Nilma – Ao pensarmos os 125 anos, não é possível dizermos que não temos avanços. Se falássemos que nenhum avanço foi conseguido, estaríamos indo contra a própria luta por igualdade de direitos da população negra e também de outros setores que são partícipes da luta antirracista. Os avanços aconteceram. A minha avaliação é: quando olhamos educação, mercado de trabalho, acesso a saúde, os dados vão mostrando que algum tipo de mudança foi acontecendo ao longo dos anos. Mas ainda persiste uma grande desigualdade quando comparamos o segmento negro e o branco da população: a minha reflexão é que as práticas e políticas que temos ainda não atingiram aquilo que originou a luta anti-racista. O gap [distância] ainda é muito profundo e radical. Temos avanços, sim, mas não podemos nos sentir confortáveis do caminho que ainda falta percorrer. Uma sociedade que se quer, de fato, republicana, tem de conversar sobre suas mazelas e pensar formas de superá-las.
ABr – A senhora conta no seu livro infantil Betina a história de uma avó que trança os cabelos da neta ao falar sobre seus ancestrais. Qual o resultado desse estudo?
Nilma – Essa foi minha tese de doutorado, sob a orientação do professor Kabengele Munanga, da USP [Universidade de São Paulo]. Para alguns dos resultados desse trabalho posso chamar a atenção. Um deles é a força da ancestralidade africana na nossa vivência como negros e negras brasileiros: foquei na questão do corpo e do cabelo. Pude perceber que o penteado que, nós negras brasileiras, adotamos, alguns inspirados inclusive numa estética norte-americana e outros em estética africana, faz parte de um movimento que chamei na tese de uma circularidade cultural de elementos africanos. Temos uma dupla inseparável, que é corpo e cabelo. Quando há uma junção de corpo e cabelo ocorrem práticas racistas: uma coisa é uma pessoa negra com os cabelos alisados, uma pele mais clara, uma pessoa negra que, por miscigenação, tenha cabelos lisos. Outra coisa é uma pessoa negra que tem a tez de pele mais escura. Esse tipo de combinação corpórea a sociedade brasileira faz leituras corporais. Dentro de um imaginário de uma sociedade que ainda é racista, corpo e cabelo são elementos simbólicos fortes. Na minha tese, eu procurei] entender qual foi a força que impulsionou a miscigenação racial no Brasil.


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A ESCRAVIDÃO NO BRASIL EM FOTOS REAIS INÉDITAS

VETO DA FIFA AOS NOMES DE LÁZARO RAMOS E CAMILA PITANGA PARA APRESENTAÇÃO DO SORTEIO DOS GRUPOS DA COPA DO MUNDO, EM DEZEMBRO, NA BAHIA, PROVOCA POLÊMICA

 Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Coluna Radar/ Revista Veja
Uma decisão do Comitê Organizador Local (COL), que cuida dos preparativos para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, causou polêmica. Após os nomes dos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga terem sido vetados para apresentar o evento de sorteio dos grupos da competição, internautas estão acusando a Fifa de racismo. Globo. Os atores foram oferecidos pela emissora para apresentar o sorteio da Copa do Mundo, marcado para dezembro, na Bahia. O Comitê Local da Copa não topou a ideia da organizadora do evento.
De acordo com a  Coluna Radar da revista “Veja”, o COL negou as acusações e justificou a recusa alegando que tratava-se de um evento esportivo, não de uma novela global.
A entidade alega que a escolha por outros nomes não tem nenhuma ligação com questão racial e informou que prefere "um nome mundial mais forte", já que o sorteio dos grupos serão transmitidos para todo o mundo.

O fato, no entanto, gerou indignação nos internautas não apenas pela recusa dos dois atores globais, que são negros, mas pelo fato de a própria Fifa ter escolhido a apresentadora Glenda Kozlowski, também funcionária da Rede Globo, para apresentar o sorteio da Copa das Confederações, em 2012.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

VEREADOR BAIANO ACUSA COM COLEGA DE RACISMO, EM CIDADE DO INTERIOR DO ESTADO

 Edição Adilson Gonçalves Fonte : Portal  A Tarde
Uma discussão entre dois vereadores de Santo Antônio de Jesus vai parar na Justiça, Ministério Público e repercute na Assembleia Legislativa, onde o deputado Yulo Oiticica (PT), membro da Comissão de Direitos Humanos da Casa, pretende liderar um ato público de repúdio.
O conflito ocorreu porque o vereador Cristiano Sena (PT) acusou o colega Délcio Mascarenhas de Almeida Filho (PP) de racismo. No calor da discussão entre os dois, motivada pelo julgamento das contas de 2011 do ex-prefeito Euvaldo Almeida Rosa, Sena teria sido xingado de "preto, descarado e vagabundo". Délcio diz que discutiu com o colega, mas não lhe dirigiu expressões racistas.
Ao tomar conhecimento do caso, Oiticica marcou um ato público de repúdio contra Délcio, para segunda, em Santo Antônio de Jesus. Anunciou ainda que apresentará uma moção de repúdio à Assembleia Legislativa e levará a denúncia à Comissão Especial de Promoção da Igualdade (Cepi) e ao Ministério Público, logo após a mobilização. "Racismo é um crime, e criminoso não pode estar representando o povo no parlamento, mas sim estar atrás das grades", declarou o petista.  O deputado Marcelino Galo (PT) também discursou ontem na Assembleia Legislativa contra a suposta agressão. "Não podemos conceber forma tão violenta de manifestação de racismo. Foi uma atitude desprezível", disse. Outro petista, o deputado federal Amauri Teixeira, apresentou moção de repúdio contra a suposta agressão.
Representação

Délcio divulgou nota pública onde nega a acusação. Na sua versão, Cristiano entrou no plenário acusando-o de ter participado de uma "manobra" para beneficiar o ex-prefeito Euvaldo Rosa no julgamento das contas dele.
"Em resposta, dirigi-me ao referido vereador exigindo respeito, tendo a discussão ficado bastante acalorada. Para evitar maiores problemas, resolvi retirar-me da Câmara e deslocar-me para a minha residência", escreveu, alegando que o petista "distorceu toda a realidade".
Por essa razão, resolveu dar entrada, ontem, em uma "representação criminal" contra o vereador Cristiano Sena, acusando-o pela prática de "calúnia, difamação e injúria".

terça-feira, 24 de setembro de 2013

PARLAMENTO ALEMÃO ELEGE SEUS DOIS PRIMEIROS DEPUTADOS NEGROS, ENTRE OUTROS 32 DE ORIGEM ESTRANGEIRA

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: O Dia Foto :EFE
 Alemanha - Os primeiros negros, um ator e um químico,  além de uma muçulmana, foram eleitos domingo para o Parlamento da Alemanha. Eles estão entre os 34 deputados de origem estrangeira eleitos, contra 21 do último pleito.
O químico Karamba Diaby, de 51 anos, nascido no Senegal, mudou-se para a cidade de Halle, antiga Alemanha Oriental, em 1986, após ganhar uma bolsa de estudo. Só em 2001, recebeu a cidadania alemã. O seu partido Social Democrata teve 25,7% dos votos e é provável que faça aliança com a União Democrata Cristã de Angela Merkel.

Já a muçulmana Cemile Giousouf e o ator negro Charles Huber vêm da legenda da chanceler reeleita. Filho de um diplomata senegalês com uma alemã, Huber tem 56 anos e participou do filme americano de ficção científica de 1985, “Inimigo Meu”.

ATOR ÉRICO BRAZ , A ESPOSA E SEUS DOIS FILHOS, REALIZAM ESQUETES SOBRE A MARGINALIZAÇÃO DE NEGROS NO MERCADO DE COMERCIAIS, INTITULADO TÁ BOM PARA VOCÊ ?

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Geledes
Uma discussão familiar sobre a presença do negro na mídia. Este foi o estopim para que o ator Érico Brás, 34, o Jurandir da série Tapas e Beijos, decidisse criar um canal no YouTube recriando versões de grandes peças publicitárias veiculadas na tv. Mas, dessa vez, com personagens negros protagonizando. Assim surgia o Tá Bom pra Você?.
"A Gabriela (enteada do ator) começou a questionar a participação do negro na mídia em geral. Indicamos para ela ler o livro Um Defeito de Cor (Ana Maria Gonçalves, Editora Record). Mas ela continuou fazendo perguntas. Queria saber porque os assuntos sobre negritude, que são discutidos em casa, não são realizados também na escola. Então decidimos criar o canal para mostrar o outro lado da moeda", conta Brás.
A produção dos vídeos também passou a ser uma atividade familiar. Os textos são produzidos, dirigidos e protagonizados pela esposa de Érico, a atriz e produtora Kênia Dias, 36, e seus dois enteados, Mateus Dias, 17, e Gabriela Dias, 14.
"Fazemos isso em conjunto. Sentamos para discutir qual será o tema abordado. E todo mundo participa. Tudo serve de elemento de criação. Levamos para os vídeos nossas experiências pessoais", explica Kênia.
Em cena, o debate sobre o racismo é completamente subjetivo. Nenhuma palavra sobre o assunto é dita. São apenas os atores em situações cotidianas, e no final de cada vídeo a pergunta: "Tá bom pra você?".
"A ideia é suscitar o debate. Falar da falsa democracia racial que existe no Brasil. Por isso encerramos cada episódio perguntando se está bom para quem assiste. Se está, diz o porquê. Se não, fala também", explica o ator.
Comédia
E mesmo trazendo à tona um tema tão delicado quanto o debate racial, o grupo de atores optou pelo humor. Os vídeos são recheados de piadas, e as atuações exageradas (propositalmente) arrancam risos.
"Eu gosto da comicidade. Quando fazemos um texto qualquer com a comédia é mais fácil você atrair o público, e quando ele senta, quando param para te ouvir, é porque você tem algo para dizer. Aprendi isso com o Bando de Teatro de Olodum. A comédia é gostosa e você consegue conduzir o espectador para a reflexão", sentencia Érico Brás.
A recriação de campanhas publicitárias, que mantêm o clima tradicional (a família perfeita e uma alegria desmedida), mas invertem a ordem quando colocam em cena apenas atores negros, é uma atração a parte. O comercial da Margarina Black até hoje é o que mais teve visualizações. Ao todo 18.043 pessoas já assistiram.
"É engraçado que margarina, por ser um produto mais barato, é consumido muito mais pela população de baixa renda. E nós sabemos a cor da pobreza. E nem mesmo assim as empresas se propõem a colocar negros fazendo a propaganda. E é isso que o Tá Bom pra Você quer fazer. Vamos afirmar que preto também come pão. Estamos mostrando que o negro consome e eles devem atentar para isso", fala Érico.
Absorvente
O vídeo mais recente é Black Livre, que retrata um comercial de absorvente íntimo em duas versões, para as mulheres mais velhas e para adolescentes. "Absorvente é algo que faz parte do cotidiano de qualquer mulher. E porque nunca vimos uma publicidade com mulheres negras? Isso (a ausência de modelos negras) desacata até mesmo a lei da natureza. É uma falta de respeito, ainda mais no Brasil, onde a maioria da população é negra. O que só faz constatar quanto a democracia racial é mentirosa", diz Kênia Dias.
Consciente de que o assunto é polêmico, Èrico é afirmativo: "Não estamos muito preocupados com as críticas. Se as pessoas vão falar é porque tem algo incomodando, é um problema no Brasil falar de racismo. Quando um elenco é totalmente negro sofre uma rejeição absurda". O ator que já pensa em levar o projeto para o teatro e o cinema.
http://www.youtube.com/watch?v=DY8K_9ANgT0


SÉTIMA EDIÇÃO DO PROJETO PRIMAVERA NOS MUSEUS TEM A CULTURA AFRO BRASILEIRA COMO TEMA

Edição: Adilson Gonçalves. Fonte: Agência Brasil
Rio de Janeiro – A sétima edição da Primavera dos Museus começou nesta terça feira, dia 23 em todo o país, com o tema Museus, Memórias e Cultura Afro-Brasileira. Até domingo (29), museus em diversas cidades terão programação especial que inclui palestras, oficinas, exposições com visitas guiadas, além de concertos musicais e apresentações de dança. No Brasil, 884 museus vão promover 2.264 eventos culturais, propondo ao público uma reflexão mais profunda sobre o tema. Só no estado do Rio, participam 82 unidades.
O evento é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A temática deste ano é resultado de uma discussão sobre a transformação social apresentada durante a conferência do Comitê Internacional de Museus de 2013, que abordou a junção de memória e criatividade resultando em mudança social. Assessor cultural do Museu da República, uma das unidades do Ibram, o museólogo Mário Chagas diz ser impossível falar em qualquer mudança social no Brasil sem tratar a questão da cultura afro-brasileira.
“Estamos articulando museus, memórias e cultura afro-brasileira, no sentido de que a memória pode contribuir para uma maior emancipação da cultura brasileira”, destaca. “Vivemos em um país onde a intolerância religiosa continua e é crescente, onde as práticas racistas são recorrentes, tem uma potência no que se refere à cultura afro-brasileira, no entanto frequentemente desvaloriza essa cultura”, acrescenta.
No Rio, entre as instituições participantes da Primavera dos Museus estão o Museu Histórico Nacional, o Museu Imperial, em Petrópolis, região serrana do estado, e o Museu Nacional de Belas Artes, que promove na quarta-feira (25) uma palestra sobre a arte africana.
O Museu da República abriu hoje para o público três exposições e mesas-redondas sobre cultura afro-brasileira e intolerância religiosa. Na visão do museólogo, o impacto causado pelo evento é muito forte no setor cultural e social. “Isso contribui para as pessoas que trabalham no museu, contribui para o nosso setor educativo, mas também contribui para o público. Discutimos os problemas sociais, a questão da violência contra as mulheres, o tema da liberdade religiosa e mulheres negras em vários segmentos da sociedade. A Primavera dos Museus é uma espécie de convite a uma reflexão complexa”, ressalta Mário Chagas.
Desde a primeira edição em 2007, a Primavera dos Museus vem ganhando mais adeptos. Em 2007, 300 museus aderiram ao evento, com 874 atividades em todo o país. Agora, 884 participam. A programação completa está disponível no site http://www.museus.gov.br.
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