quinta-feira, 26 de setembro de 2013

VEREADOR BAIANO ACUSA COM COLEGA DE RACISMO, EM CIDADE DO INTERIOR DO ESTADO

 Edição Adilson Gonçalves Fonte : Portal  A Tarde
Uma discussão entre dois vereadores de Santo Antônio de Jesus vai parar na Justiça, Ministério Público e repercute na Assembleia Legislativa, onde o deputado Yulo Oiticica (PT), membro da Comissão de Direitos Humanos da Casa, pretende liderar um ato público de repúdio.
O conflito ocorreu porque o vereador Cristiano Sena (PT) acusou o colega Délcio Mascarenhas de Almeida Filho (PP) de racismo. No calor da discussão entre os dois, motivada pelo julgamento das contas de 2011 do ex-prefeito Euvaldo Almeida Rosa, Sena teria sido xingado de "preto, descarado e vagabundo". Délcio diz que discutiu com o colega, mas não lhe dirigiu expressões racistas.
Ao tomar conhecimento do caso, Oiticica marcou um ato público de repúdio contra Délcio, para segunda, em Santo Antônio de Jesus. Anunciou ainda que apresentará uma moção de repúdio à Assembleia Legislativa e levará a denúncia à Comissão Especial de Promoção da Igualdade (Cepi) e ao Ministério Público, logo após a mobilização. "Racismo é um crime, e criminoso não pode estar representando o povo no parlamento, mas sim estar atrás das grades", declarou o petista.  O deputado Marcelino Galo (PT) também discursou ontem na Assembleia Legislativa contra a suposta agressão. "Não podemos conceber forma tão violenta de manifestação de racismo. Foi uma atitude desprezível", disse. Outro petista, o deputado federal Amauri Teixeira, apresentou moção de repúdio contra a suposta agressão.
Representação

Délcio divulgou nota pública onde nega a acusação. Na sua versão, Cristiano entrou no plenário acusando-o de ter participado de uma "manobra" para beneficiar o ex-prefeito Euvaldo Rosa no julgamento das contas dele.
"Em resposta, dirigi-me ao referido vereador exigindo respeito, tendo a discussão ficado bastante acalorada. Para evitar maiores problemas, resolvi retirar-me da Câmara e deslocar-me para a minha residência", escreveu, alegando que o petista "distorceu toda a realidade".
Por essa razão, resolveu dar entrada, ontem, em uma "representação criminal" contra o vereador Cristiano Sena, acusando-o pela prática de "calúnia, difamação e injúria".

terça-feira, 24 de setembro de 2013

PARLAMENTO ALEMÃO ELEGE SEUS DOIS PRIMEIROS DEPUTADOS NEGROS, ENTRE OUTROS 32 DE ORIGEM ESTRANGEIRA

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: O Dia Foto :EFE
 Alemanha - Os primeiros negros, um ator e um químico,  além de uma muçulmana, foram eleitos domingo para o Parlamento da Alemanha. Eles estão entre os 34 deputados de origem estrangeira eleitos, contra 21 do último pleito.
O químico Karamba Diaby, de 51 anos, nascido no Senegal, mudou-se para a cidade de Halle, antiga Alemanha Oriental, em 1986, após ganhar uma bolsa de estudo. Só em 2001, recebeu a cidadania alemã. O seu partido Social Democrata teve 25,7% dos votos e é provável que faça aliança com a União Democrata Cristã de Angela Merkel.

Já a muçulmana Cemile Giousouf e o ator negro Charles Huber vêm da legenda da chanceler reeleita. Filho de um diplomata senegalês com uma alemã, Huber tem 56 anos e participou do filme americano de ficção científica de 1985, “Inimigo Meu”.

ATOR ÉRICO BRAZ , A ESPOSA E SEUS DOIS FILHOS, REALIZAM ESQUETES SOBRE A MARGINALIZAÇÃO DE NEGROS NO MERCADO DE COMERCIAIS, INTITULADO TÁ BOM PARA VOCÊ ?

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Geledes
Uma discussão familiar sobre a presença do negro na mídia. Este foi o estopim para que o ator Érico Brás, 34, o Jurandir da série Tapas e Beijos, decidisse criar um canal no YouTube recriando versões de grandes peças publicitárias veiculadas na tv. Mas, dessa vez, com personagens negros protagonizando. Assim surgia o Tá Bom pra Você?.
"A Gabriela (enteada do ator) começou a questionar a participação do negro na mídia em geral. Indicamos para ela ler o livro Um Defeito de Cor (Ana Maria Gonçalves, Editora Record). Mas ela continuou fazendo perguntas. Queria saber porque os assuntos sobre negritude, que são discutidos em casa, não são realizados também na escola. Então decidimos criar o canal para mostrar o outro lado da moeda", conta Brás.
A produção dos vídeos também passou a ser uma atividade familiar. Os textos são produzidos, dirigidos e protagonizados pela esposa de Érico, a atriz e produtora Kênia Dias, 36, e seus dois enteados, Mateus Dias, 17, e Gabriela Dias, 14.
"Fazemos isso em conjunto. Sentamos para discutir qual será o tema abordado. E todo mundo participa. Tudo serve de elemento de criação. Levamos para os vídeos nossas experiências pessoais", explica Kênia.
Em cena, o debate sobre o racismo é completamente subjetivo. Nenhuma palavra sobre o assunto é dita. São apenas os atores em situações cotidianas, e no final de cada vídeo a pergunta: "Tá bom pra você?".
"A ideia é suscitar o debate. Falar da falsa democracia racial que existe no Brasil. Por isso encerramos cada episódio perguntando se está bom para quem assiste. Se está, diz o porquê. Se não, fala também", explica o ator.
Comédia
E mesmo trazendo à tona um tema tão delicado quanto o debate racial, o grupo de atores optou pelo humor. Os vídeos são recheados de piadas, e as atuações exageradas (propositalmente) arrancam risos.
"Eu gosto da comicidade. Quando fazemos um texto qualquer com a comédia é mais fácil você atrair o público, e quando ele senta, quando param para te ouvir, é porque você tem algo para dizer. Aprendi isso com o Bando de Teatro de Olodum. A comédia é gostosa e você consegue conduzir o espectador para a reflexão", sentencia Érico Brás.
A recriação de campanhas publicitárias, que mantêm o clima tradicional (a família perfeita e uma alegria desmedida), mas invertem a ordem quando colocam em cena apenas atores negros, é uma atração a parte. O comercial da Margarina Black até hoje é o que mais teve visualizações. Ao todo 18.043 pessoas já assistiram.
"É engraçado que margarina, por ser um produto mais barato, é consumido muito mais pela população de baixa renda. E nós sabemos a cor da pobreza. E nem mesmo assim as empresas se propõem a colocar negros fazendo a propaganda. E é isso que o Tá Bom pra Você quer fazer. Vamos afirmar que preto também come pão. Estamos mostrando que o negro consome e eles devem atentar para isso", fala Érico.
Absorvente
O vídeo mais recente é Black Livre, que retrata um comercial de absorvente íntimo em duas versões, para as mulheres mais velhas e para adolescentes. "Absorvente é algo que faz parte do cotidiano de qualquer mulher. E porque nunca vimos uma publicidade com mulheres negras? Isso (a ausência de modelos negras) desacata até mesmo a lei da natureza. É uma falta de respeito, ainda mais no Brasil, onde a maioria da população é negra. O que só faz constatar quanto a democracia racial é mentirosa", diz Kênia Dias.
Consciente de que o assunto é polêmico, Èrico é afirmativo: "Não estamos muito preocupados com as críticas. Se as pessoas vão falar é porque tem algo incomodando, é um problema no Brasil falar de racismo. Quando um elenco é totalmente negro sofre uma rejeição absurda". O ator que já pensa em levar o projeto para o teatro e o cinema.
http://www.youtube.com/watch?v=DY8K_9ANgT0


SÉTIMA EDIÇÃO DO PROJETO PRIMAVERA NOS MUSEUS TEM A CULTURA AFRO BRASILEIRA COMO TEMA

Edição: Adilson Gonçalves. Fonte: Agência Brasil
Rio de Janeiro – A sétima edição da Primavera dos Museus começou nesta terça feira, dia 23 em todo o país, com o tema Museus, Memórias e Cultura Afro-Brasileira. Até domingo (29), museus em diversas cidades terão programação especial que inclui palestras, oficinas, exposições com visitas guiadas, além de concertos musicais e apresentações de dança. No Brasil, 884 museus vão promover 2.264 eventos culturais, propondo ao público uma reflexão mais profunda sobre o tema. Só no estado do Rio, participam 82 unidades.
O evento é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A temática deste ano é resultado de uma discussão sobre a transformação social apresentada durante a conferência do Comitê Internacional de Museus de 2013, que abordou a junção de memória e criatividade resultando em mudança social. Assessor cultural do Museu da República, uma das unidades do Ibram, o museólogo Mário Chagas diz ser impossível falar em qualquer mudança social no Brasil sem tratar a questão da cultura afro-brasileira.
“Estamos articulando museus, memórias e cultura afro-brasileira, no sentido de que a memória pode contribuir para uma maior emancipação da cultura brasileira”, destaca. “Vivemos em um país onde a intolerância religiosa continua e é crescente, onde as práticas racistas são recorrentes, tem uma potência no que se refere à cultura afro-brasileira, no entanto frequentemente desvaloriza essa cultura”, acrescenta.
No Rio, entre as instituições participantes da Primavera dos Museus estão o Museu Histórico Nacional, o Museu Imperial, em Petrópolis, região serrana do estado, e o Museu Nacional de Belas Artes, que promove na quarta-feira (25) uma palestra sobre a arte africana.
O Museu da República abriu hoje para o público três exposições e mesas-redondas sobre cultura afro-brasileira e intolerância religiosa. Na visão do museólogo, o impacto causado pelo evento é muito forte no setor cultural e social. “Isso contribui para as pessoas que trabalham no museu, contribui para o nosso setor educativo, mas também contribui para o público. Discutimos os problemas sociais, a questão da violência contra as mulheres, o tema da liberdade religiosa e mulheres negras em vários segmentos da sociedade. A Primavera dos Museus é uma espécie de convite a uma reflexão complexa”, ressalta Mário Chagas.
Desde a primeira edição em 2007, a Primavera dos Museus vem ganhando mais adeptos. Em 2007, 300 museus aderiram ao evento, com 874 atividades em todo o país. Agora, 884 participam. A programação completa está disponível no site http://www.museus.gov.br.
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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

ÉRICKA HUGGINS, FUNDADORA DO GRUPO PANTERAS NEGRAS, PROFERE PALESTRA NESTA TERÇA-FEIRA, NA USP


O Coletivo de estudantes negros da Universidade de São Paulo -USP-  promove nesta terça feira, dia 17 palestra com Ericka Huggins, fundadora e  ex-líder do Partido Panteras Negras. A palestra será realizada no prédio da Faculdade de Letras (ao lado da lanchonete) as 14h.  O Partido dos Panteras Negras foi uma organização política progressista que estava na vanguarda de um dos movimentos mais poderosos para a mudança social na América, desde a  Revolução e luta pela independência norte americana de 1776 e a Guerra Civil.Foi a única organização negra em toda a história da luta negra contra a escravidão ea opressão nos Estados Unidos, que estava armado e promoveu uma agenda revolucionária, e representa o último grande impulso pela massa do povo negro por igualdade, justiça e liberdade

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

INICIADAS AS FILMAGENS SOBRE A VIDA DE JAMES BROWN, PRODUZIDO POR MICK JAGGER

Edição Adilson Gonçalves Fonte: EFE
O estúdio Universal Pictures e a produtora Imagine Entertainment deram sinal verde para o começo das filmagens do longa que vai contar a vida do músico James Brown, que será interpretado por Chadwick Boseman.
O diretor do filme, ainda sem título, será Tate Taylor, conhecido por "Histórias Cruzadas", que concorreu ao Oscar de Melhor Filme em 2012. Mick Jagger, dos Rolling Stones, é um dos produtores da fita.
A vida do "rei do soul" será contada desde a infância pobre na Geórgia até se tornar um dos artistas mais famosos e influentes do rhythm and blues e autor de sucesso como "(Get Up I Feel Like Being a) Sex Machine", "Papa's Got a Brand New Bag", "I Got You (I Feel Good)" and "It's a Man's Man's Man's World".


Até morrer, em 2006, aos 73 anos, Brown continuou tocando. O músico começou a cantar na cadeia com alguns companheiros de cela depois de ser preso por roubo aos 16 anos e vendeu mais de 500 milhões de álbuns nos 50 anos de carreira. Cada um dos álbuns que gravou entre 1960 e 1977 esteve na lista dos cem principais sucessos do ano.
James Brown cresceu nas ruas de Augusta, interior da Geórgia, e cantava e dançava para conseguir pagar um quarto de bordel. Ao sair da cadeia teve uma curta carreira semiprofissional como boxeador.
Ao sair do reformatório montou uma banda, "The Famous Flames", que assinou contrato em 1956 com a Kings Records de Cincinnati e quatro meses depois "Please, Please, Please" se tornou a primeira música de R&B a vender mais de um milhão de cópias nos Estados Unidos.
O longa promete tocar em aspectos delicados como a longa luta contra vício em drogas, álcool e maus tratos que surgiram na década de 70 e o acompanharam pelo resto da vida.
Após a morte de seu filho em um acidente de trânsito, sua carreira entrou em decadência, e mesmo tendo alguns sucessos ocasionais, nunca deixou de trabalhar.
O ator que vai ter o desafio de interpretar James Brown é o jovem Chadwick Boseman, mais conhecido por participações em seriados como "Fringe" e "Law and Order" e pela série Persons "Unknown". Seu primeiro filme de repercussão foi "42: A História de Uma Lenda" no qual dividiu a tela com Harrison Ford.


NAOMI CAMPBEL ADERE À CAMPANHA CONTRA O RACISMO NAS PASSARELAS

 Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Roling Stone
Bethann Hardison, conhecida como guru do universo fashion, lançou a campanha Balance Diversity, que visa dar mais espaço para modelos de pele negra e combater o preconceito nas passarelas – algo que, segundo ela, vem aumentando com o passar dos anos.
Em entrevista ao programa Good Morning America (de acordo com o site Fashionista.com), Naomi Campbell e Iman, modelos que conseguiram quebrar essa barreira do preconceito e trilhar um caminho de sucesso, aderiram à campanha.
"As estatísticas são realmente chocantes", disse Naomi. "É de quebrar o coração. É o seu corpo e a sua beleza que importam, não a sua cor. Se você possui o talento certo, você deveria ter a oportunidade para fazer este trabalho."
Para Iman, o número de modelos de pele negra que trabalhavam na década de 70 ser maior do que a quantidade atual é o mais assustador. "Chega o momento em que o silêncio não é mais aceitável. E se a discussão não pode ser pública na nossa indústria, então há algo de muito errado com ela", disse a modelo.
Elas deixam claro que a ideia da campanha não é acusar designers e estilistas de racismo, mas, sim, pedir para que eles reflitam em como podem estar contribuindo para passar uma imagem negativa. "Eu acho que eles são ignorantes e arrogantes e isso não é sobre racismo", disse Benthann.


JOYCE RIBEIRO, ÂNCORA DO SBT AFIRMA JÁ TER SOFRIDO PRECONCEITO NO INÍCIO DA CARREIRA: "A SITUAÇÃO MELHOROU MUITO, MAS ESTÁ LONGE DE ACABAR"

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: Caras online

Joyce Ribeiro se consagrou como uma das principais jornalistas do SBT, onde está há oito anos e apresenta o SBT Manhã ao lado de Hermano Henning. Uma das únicas âncoras negras da televisão brasileira, ela comemora o atual cenário no mercado de trabalho menos preconceituoso, mas lembra as dificuldades que enfrentou no início da carreira.
“A dificuldade de aceitação era maior para os negros quando comecei. E a necessidade de se provar que é capaz e apto para aquela atividade, sem dúvida era maior”, diz Joyce em entrevista à CARAS Online. “O preconceito se fazia presente na falta de oportunidade, na exclusão de algumas áreas. Não tinha a presença de negros bem colocados no mercado de trabalho, no mundo das artes... Hoje a gente já tem essa presença crescente. Conseguir uma entrevista de emprego era muito difícil”, avalia.
A jornalista conta que o preconceito, no seu caso, nunca foi explícito. “Porque tem essa diferença: o preconceito que você expressa e aquele preconceito velado, de olhar, de censura”, diz. Para Joyce, os jovens negros hoje vivem em uma sociedade completamente diferente de quando ela decidiu ingressar no mercado de trabalho, há 13 anos. “Na minha família, por exemplo, eu tenho um irmão oito anos mais jovem, o que não é nada, mas a percepção que ele tem do mercado, da vida e dele como negro no mercado de trabalho, o enfrentamento que ele vai ter daqui para frente, são completamente diferentes de quando eu pensei em entrar no jornalismo. A revolução é recente. Essa sensação de que melhorou é uma coisa de agora. Meus pais viveram uma situação ainda pior. Eles não imaginavam viver o que os filhos deles vivem hoje”, fala.
- Você já foi chamada de ‘Glória Maria do Baú da Felicidade’. O que achou desse apelido?
Eu fiquei honrada de ser comparada a Glória Maria, que foi a minha inspiração na carreira, quem eu assistia quando era bem nova, quem eu queria seguir. Ela me inspirou e me motivou. Sempre disse que se eu conseguisse fazer um pouquinho da carreira brilhante que ela fez, eu ficaria muito feliz.
- A Glória abriu espaço tanto para as mulheres quando paras os negros na televisão. Hoje, você sente que o preconceito que ela enfrentou já acabou?
Ainda está longe de falar isso, que acabou. Sou sempre uma otimista. No geral, a maioria não aceita mais esse tipo de comportamento preconceituoso e racista. Graças a Deus virá uma sociedade muito mais tolerante. A sociedade consegue enxergar a passos lentos que somos todos iguais, está conseguindo tolerar a diferença do outro. No mercado de trabalho, eu sinto uma mudança positiva. Ao meu ver é uma mudança crescente, contínua e permanente. A mentalidade hoje já parte do princípio de não ter o preconceito, de não ser intolerante, de ‘vamos aceitar porque todos nós temos que ser aceitos’. Mas o preconceito não acabou. Infelizmente, existem alguns casos que se repetem. Ainda é uma luta de se firmar, de se colocar como um membro da sociedade, independente de raça, do sexo, da orientação sexual. Já passamos dessa fase de se prender ao que não interessa, mas ainda não dá para dizer que acabou.
- Em algum momento pensou em desistir da carreira?
Sinceramente não. Eu consegui coisas que há alguns anos eu imaginava que seria muitíssimo diferente. Nos momentos de dificuldades maiores, não abandonei meu objetivo em nenhum minuto. Não deixei esse pensamento tomar conta de mim. Nunca tive vontade de parar. Mesmo que tivesse que dar um passo para trás para voltar a andar para frente. 
- Você já passou por alguns jornalísticos do SBT (SBT Brasil, Jornal do SBT, SBT São Paulo, Boletim de Ocorrências e o Aqui Agora). A emissora é conhecida por ser meio instável nesta área. Isso te passa insegurança?
Eu já estou no SBT há quase oito anos. Eu participei de alguns projetos jornalísticos da emissora. O SBT Manhã, por exemplo, desde que cheguei já estava no ar. Há oitos anos o SBT Manhã é dessa forma. Durante este tempo teve, sim, alguma variação, mas o SBT Brasil também está todo esse tempo no ar. Outros projetos em horários alternativos tiveram mais variações. Se eu me sinto insegura? Eu não tenho essa sensação, não. De verdade. Eu encaro cada projeto como um desafio novo de tentar emplacar o jornalismo em um horário diferente para a emissora. Sempre encarei desta forma, de ver o que agrada o público em outros horários. Até acho mais interessante porque vemos o interesse da emissora de testar outros produtos jornalísticos.
- O Aqui e Agora vai voltar ao ar no dia 23 de setembro. Ficou feliz?
Acho maravilhoso que volte. Que a casa encontre um horário para ele que dê certo. Estamos sempre na torcida.
- Onde quer chegar como profissional? Sonha em ter um programa seu?
Me vejo fazendo hard news por mais algum tempo. Hoje me sinto no meu melhor momento da minha produção como jornalista. Não estou falando que estou pronta, longe disso, mas a segurança profissional, o feeling, a habilidade de enfrentar as circunstâncias do jornalismo diário para colocar o jornal no ar, isso a gente constroi nos anos de carreira. Neste momento eu me sinto segura e pronta. Quero curtir esse momento e me exercitar, fazer o melhor que puder fazer. Futuramente eu penso em ter um programa meu, sim. Daqui uns anos eu vou conseguir estruturar isso e colocar em prática.
- Como foi voltar ao trabalho depois de cinco meses de licença maternidade (ela teve a primeira filha, Malu, que completou um ano em agosto)?
Não tem como escapar disso, não. São cinco meses intensos. Você sente falta mesmo da presença do bebê. Você fica com aquela saudade, mas também faz parte. É interessante até para o bebê mesmo ser uma mãe que tenha sua própria atividade, senão mais para frente acaba tendo uma relação mal resolvida. Quando você tem essa coisa de trabalhar e está acostumada com isso, de repente você faz essa ruptura, no começo é bem difícil também. Só mãe sabe o que está passando e ela sabe o que tem que enfrentar. Mas deu para fazer este retorno como eu gostaria que fosse.
- E ser mãe dá mais trabalho que editar um jornal?
É tudo muito trabalhoso, mas acabei achando mais tranquilo do que imaginava. Você vai aos poucos achando seu ritmo com a criança. Toda mãe consegue. O que aprendi é que a gente consegue fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo, de verdade. É questão de sobrevivência. Tem que ter a cabeça funcionando. Aos pouquinhos você vai ser acertando e entra naquela correria.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

PRECONCEITO CONTRADITÓRIO: PAIS, MÃES E FILHOS DE SANTOS SÃO EXPULSOS DE FAVELAS POR TRAFICANTES ORIENTADOS POR PASTORES EVANGÉLICOS

 Edição : Adilson Gonçalves Fonte: Jornal Extra 

A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”. Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar.
— Não dava mais para suportar as ameaças. Lá, ser do candomblé é proibido. Não existem mais terreiros e quem pratica a religião, o faz de modo clandestino — conta a filha de santo, que se mudou para a Zona Oeste.
A situação da mulher não é um ponto fora da curva: já há registros na Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita de pelo menos 40 pais e mães de santo expulsos de favelas da Zona Norte pelo tráfico. Em alguns locais, como no Lins e na Serrinha, em Madureira, além do fechamento dos terreiros também foi determinada a proibição do uso de colares afro e roupas brancas. De acordo com quatro pais de santo ouvidos pelo EXTRA, que passaram pela situação, o motivo das expulsões é o mesmo: a conversão dos chefes do tráfico a denominações evangélicas.
Atabaques proibidos na Pavuna
A intolerância religiosa não é exclusividade de uma facção criminosa. Distante 13km do Lins e ocupada por um grupo rival, o Parque Colúmbia, na Pavuna, convive com a mesma realidade: a expulsão dos terreiros, acompanhados de perto pelo crescimento de igrejas evangélicas. Desinformada sobre as “regras locais”, uma mãe de santo tentou fundar, ali, seu terreiro. Logo, recebeu a visita do presidente da associação de moradores que a alertou: atabaques e despachos eram proibidos ali.
—Tive que sair fugida, porque tentei permanecer, só com consultas. Eles não gostaram — afirma.
A situação já é do conhecimento de pelo menos um órgão do governo: o Conselho Estadual de Direitos do Negro (Cedine), empossado pelo próprio governador. O presidente do órgão, Roberto dos Santos, admite que já foram encaminhadas denúncias ao Cedine:
— Já temos informações desse tipo. Mas a intolerância armada só pode ser vencida com a chegada do estado a esses locais, com as UPPs.
O deputado estadual Átila Nunes (PSL) fez um pedido formal, na última sexta-feira, para que a Secretaria de Segurança investigue os casos.
— Não se trata de disputa religiosa mas, sim, econômica. Líderes evangélicos não querem perder parte de seus rebanhos para outras religiões, e fazem a cabeça dos bandidos — afirma.
Nas favelas, os ‘guerreiros de Deus’
Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, chefe do tráfico no Morro do Dendê, ostenta, no antebraço direito, a tatuagem com o nome de Jesus Cristo. Pela casa, Bíblias por todos os lados. Já em seus domínios, reina o preconceito: enquanto os muros da favela foram preenchidos por dizeres bíblicos, os dez terreiros que funcionavam no local deixaram de existir.
Guarabu passou a frequentar a Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai em 2006 e se converteu. A partir daí, quem andasse de branco pela favela era “convidado a sair”. Os pais de santo que ainda vivem no local não praticam mais a religião.
A situação se repete na Serrinha, ocupada pela mesma facção. No último dia 22, bandidos passaram a madrugada cobrindo imagens de santos nos muros da favela. Sobre a tinta fresca, agora lê-se: “Só Jesus salva”.
O babalaô Ivanir dos Santos, representante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), criada justamente após casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras em 2006, afirma que os casos serão discutido pelo grupo, que vai pressionar o governo e o Ministério Público para que a segurança do locais seja garantida e os responsáveis pelo ato sejam punidos. “Essas pessoas são criminosas e devem ser punidas. Cercear a fé é crime”, diz o pai de santo.
Lei mais severa
Desde novembro de 2008, a Polícia Civil considera como crimes inafiançáveis invasões a templos e agressões a religiosos de qualquer credo a Lei Caó. A partir de então, passou a vigorar no sistema das delegacias do estado a Lei 7.716/89, que determina que crimes de intolerância religiosa passem a ser respondidos em Varas Criminais e não mais nos Juizados Especiais. Atualmente, o crime não prescreve e a pena vai de um a três anos de detenção.
Filha de santo, que foi expulsa do Lins: ‘Não suportava mais fingir ser o que não era’.
— Me iniciei no candomblé em 2005. A partir de minha iniciação, comecei a ter problemas com os traficantes do Complexo do Lins. Quando cheguei à favela de cabeça raspada, por conta da iniciação, eles viravam o rosto quando eu passava. Com o tempo, as demostrações de intolerância aumentaram. Quando saía da favela vestida de branco, para ir ao terreiro que frequento, eles reclamavam. Um dia, um deles veio até a minha casa e disse que eu estava proibida de circular pela favela com aquelas “roupas do demônio”. As ameaças chegaram ao ponto de proibirem que eu pendurasse as roupas brancas no varal. Se eu desrespeitasse, seria expulsa de lá. No fim de 2010, dei um basta nisso. Não suportava mais fingir ser o que eu não era e saí de lá.

Mãe de santo há 30 anos, expulsa da Pavuna: ‘Disseram que quem mandava ali era o ‘Exército de Jesus”.
— Comprei, em 2009, um terreno no Parque Colúmbia, na Pavuna. No local,. não havia nada. Mas eu queria fundar um terreiro ali e comecei a construir. No início, só fazia consulta, jogava búzios e recebia pessoas. Não fazia festas nem sessões. Não andava de branco pelas ruas nem tocava atabaque, para não chamar a atenção. Um dia, o presidente da associação de moradores foi até o local e disse que o tráfico havia ordenado que eu parasse com a “macumba”. Ali, quem mandava na época era a facção de Acari. Já era mais de santo há 30 anos e não acreditei naquilo. Fui até a boca de fumo tentar argumentar. Dei de cara com vários bandidos com fuzis, que disseram que ali quem mandava era o “Exército de Jesus”. Disse que tinha acabado de comprar o terreno e que não iria incomodar ninguém. Dias depois, cheguei ao terreiro e vi uma placa escrito “Vende-se” na porta — eles tomaram o terreno e o puseram a venda. Não podia fazer nada. Vendi o terreno o mais rapidamente possível por R$ 2 mil e fui arrumar outro lugar.



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domingo, 8 de setembro de 2013

CAMINHADA CONTRA A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA REÚNE CARCA DE DUAS MIL PESSOAS EM COPACABANA

Edição: Adilson Gonçalves Fonte: O Globo.
RIO - Cerca de 2 mil pessoas participaram, neste domingo, na Praia de Copacabana, na Zona Sul, da Sexta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, promovida pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR). O objetivo dos participantes era mostrar que, independente do credo, o bom convívio entre cidadãos é possível. O evento foi pacífico.
Candomblecistas, umbandistas, evangélicos, católicos, wiccas, espíritas, bahá’ís, judeus, muçulmanos, seguidores do Santo Daime, budistas e ciganos estavam entre os participantes. O estudante Mark Viland, de 17 anos, é wicca (religião politeísta que envolve rituais de magia) desde os 11 e foi à caminhada para lutar pelo término do preconceito:
- É interessante ver essa pluralidade reunida. A minha religião passa uma ideia negativa quando digo que sou bruxo. A palavra já está impregnada de preconceito. A melhor forma de desfazê-lo é pela inteligência, pela busca dos direitos.
O estudante Raphael Castro, seguidor da Ordem DeMolay, também defende a pluralidade religiosa.
- Essa manifestação, com tantas religiões reunidas, é a síntese de que tudo o que pregamos na Ordem - disse o estudante.
O evento teve ainda apresentações de artistas como Dudu Nobre, Marcelinho Moreira e Grupo Jaqueira, na altura da Rua Prado Júnior.