domingo, 7 de outubro de 2012
JOAQUIM BARBOSA AFIRMA SER ELEITOR DO PT; COBRA JULGAMENTO DE MENSALÃO TUCANO E VÊ RACISMO DA IMPRENSA
*Edição: Adilson Gonçalves
*Fonte Jornal do Brasil
*Fonte Jornal do Brasil
Primeiro negro
nomeado ao Supremo Tribunal Federal, por indicação do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, em 2003, Joaquim Barbosa, afirmou que votou no PT nas eleições
presidenciais de 2002, 2006 e 2010, mesmo já trabalhando como relator do
processo do mensalão nas duas últimas - e concluindo que vários membros da alta
cúpula do partido devem ser condenados. "Eu não me arrependo dos votos (em
Lula em 2002 e 2006), não. As mudanças e avanços no Brasil nos últimos dez anos
são inegáveis. Em 2010, votei na Dilma", analisou, em declaração publicada
na Folha de S. Paulo deste domingo.
Barbosa disse ter, inclusive, votado
em Lula contra Collor, em 1989, e defendido o ex-presidente no exterior no
início do seu primeiro mandato. "Vou te confidenciar uma coisa, que o Lula
talvez não saiba: devo ter sido um dos primeiros brasileiros a falar no
exterior, em Los Angeles, do que viria a ser o governo dele. Havia pânico. Num
seminário, desmistifiquei: 'Lula é um democrata, de um partido estabelecido. As
credenciais democráticas dele são perfeitas'", relatou.
Barbosa já disse que a imprensa
"nunca deu bola para o mensalão mineiro (também chamado de "mensalão
tucano" por envolver membros do PSDB)", ao contrário do que faz com o
do PT. O ministro acredita que a mídia, como as forças dominantes do país em
geral, é racista e conservadora: "a imprensa brasileira é toda ela branca,
conservadora. O empresariado, idem. Todas as engrenagens de comando no Brasil
estão nas mãos de pessoas brancas e conservadoras", disse. O racismo se
manifesta em "piadas, agressões mesmo". "O Brasil ainda não é
politicamente correto. Uma pessoa com o mínimo de sensibilidade liga a TV e vê
o racismo estampado aí nas novelas", acusa.
Ele diz já ter discutido com vários
colegas do STF, porém considera que polêmicas "são muito menos reportadas,
e meio que abafadas, quando se trata de brigas entre ministros brancos".
"O racismo parte da premissa de que alguém é superior. O negro é sempre
inferior. E dessa pessoa não se admite sequer que ela abra a boca. 'Ele é
maluco, é um briguento'. No meu caso, não sou de abaixar a crista em hipótese
alguma...", defende. Barbosa, que já escreveu um livro sobre ações
afirmativas nos EUA, diz que o racismo apareceu em sua "infância,
adolescência, na maturidade e aparece agora".
JOAQUIM BARBOSA É RECEBIDO COM APLAUSOS EM ZONA ELEITORAL NO RIO
Edição Adilson Gonçalves
Fonte:o Globo
Foto: Monica imbuzeiro
Fonte:o Globo
Foto: Monica imbuzeiro
RIO
— O ministro relator do mensalão, Joaquim Barbosa, foi recebido como
celebridade na 17ª Zona Eleitoral, na Zona Sul do Rio. Acompanhado de um
motorista e um segurança, ele votou por volta de 11h15m no Clube Monte Líbano,
na Lagoa. O magistrado do STF foi recebido com aplausos e gritos por cerca de
dez eleitores que estavam no local. Eles gritavam "parabéns" e frases
como "você me dá orgulho de ser brasileiro". Joaquim Barbosa aguardou
na fila por cerca de um minuto e, ao final, tirou fotos e deu autógrafos.
— Não me sinto uma estrela, isso é só o carinho das pessoas — comentou o ministro, comemorando o fato de não estar sentindo dor na coluna.
— Não me sinto uma estrela, isso é só o carinho das pessoas — comentou o ministro, comemorando o fato de não estar sentindo dor na coluna.
A
professora aposentada Leonor Carvalho, de 63 anos, foi uma das eleitoras que
assediaram o ministro e conseguiram um autógrafo dele. Mãe de dois advogados,
que atuam em Goiânia, Leonor espera que os filhos se espelhem na postura de
Joaquim Barbosa.
— Quero
que meus filhos sejam como ele: dureza! — brincou Leonor.
A
advogada aposentada Cláudia Beauclair se disse surpresa com a presença do
ministro na mesma zona eleitoral em que vota.
— Não
sabia que ele votava aqui, foi uma surpresa. Tenho admiração pela trajetória de
vida e pelo posicionamento. Ele dá voz para a maioria silenciosa dos
brasileiros — afirmou Cláudia.
Apesar de
não ter falado sobre o voto, Barbosa disse que, na eleição municipal passada,
não votou em Fernando Gabeira por não ter gostado da aliança que o ex-deputado
federal fez na ocasião, mas admitiu já ter votado em Gabeira para a Câmara.
Gabeira havia se candidato a prefeito do Rio pelo PV, mas acabou perdendo a
eleição para Eduardo Paes, atual candidato à reeleição pelo PMDB.
Joaquim
Barbosa é relator do processo do mensalão e será o próximo presidente da Corte.
O ministro sofre constantemente com dores na coluna, problema que causa o seu
afastamento em algumas sessões. Seu relatório é considerado rígido ao levar em
conta as provas de acusação contra os réus do processo. Nas redes sociais,
Barbosa é colocado como herói, justiceiro e exemplo para o país.
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sábado, 6 de outubro de 2012
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