segunda-feira, 9 de julho de 2012

NETINHO DE PAULA: “LULA ME CONVENCEU A DESISTIR DA PREFEITURA DE SÃO PAULO EM TROCA DO APOIO DELE QUANDO EU SAIR CANDIDATO A PRESIDENTE DA REPÚBLICA”


CANTOR DEFENDE TAMBÉM
A REFUNDAÇÃO
 DO PARTIDO NEGRO BRASILEIRO

Texto, fotos e edição: Adilson Gonçalves

A afirmação foi feita pelo cantor durante a apresentação dele, neste domingo, dia 7 de julho com o Grupo Os De Paula – formado por cinco de  seus filhos-, no Guadalupe Country Club, zona norte do Rio de Janeiro,  no evento  Feijoada da Tia Ângela,  realizado pelo cantor Charles André.
                - Conversei com o presidente Lula em seu instituto e resolvemos combater, unidos,  a onda  conservadora instalada, há anos,  nos governos municipal e estadual. Saio ferido, pois estava disposto a concorrer, até mesmo colocando em risco minha legislatura municipal, pois caso não ganhasse a eleição para prefeito de São Paulo, também deixaria de ser vereador.- disse o cantor que concorreu ao Senado em 2010 pelo PC do B, ficando em terceiro lugar e fora da disputa, superado surpreendentemente por Aloysio Nunes,  do PSDB, primeiro colocado; a outra vaga ficou com Martha Suplicy, do PT.
                À surpreendente derrota na disputa  ao Senado, além do conservadorismo,  Netinho creditou a divisão dos negros, desde os moradores da periferia a outros negros, integrantes de outras classes mais altas.
                -Infelizmente, o  negro virou um nicho, um produto em todos os partidos, seja de direita ou de esquerda, progressista ou conservador. Agora todo o partidos têm um segmento negro, que muito mais que nos dar representatividade, nos divide, nos fragmenta. Por isso eu sou totalmente a favor da criação do Partido  Negro Brasileiro- ,disse o cantor no camarim do Clube, após ter atendido a fãs para fotos e autógrafos.
A APRESENTAÇÃO

                Ao chegar ao clube por volta das 17 horas, o cantor foi logo cercado por fãs, mas dirigiu-se direto para o camarim, prometendo a todos que seriam atendidos, o que foi cumprido.  A apresentação de Netinho foi precedida pelo Grupo Os De Paula, formado por cinco de seus filhos – Levi e Édson, na percussão; e Eduardo, Vinicius e Ághata, nos vocais. O grupo lança no próximo seus segundo CD.  Durante sua apresentação, Netinho chamou ao palco o cantor, compositor e seu parceiro em algumas músicas, Charles André promotor do evento. Eles cantaram juntos  sucessos compostos pela dupla e conclamou a que as pessoas presentes e seus amigos que não estivessem ali votassem em Charles André, também candidato a vereador no Rio de Janeiro Partido Social Liberal – PSL.
                 Nós negros precisamos  votar em gente que seja gente da gente. O Charles me chamou e prontamente eu vim para apoiá-lo. Tendo  certeza de que ele será eleito e fará um belo trabalho  por vocês de Guadalupe-  disse Netinho ao final da apresentação.


VEJA MAIS FOTOS DA APRESENTAÇÃO DE NETINHO 




















quinta-feira, 5 de julho de 2012

CASO NONNO PAOLO: POLÍCIA CONCLUI QUE MENINO SOFREU RACISMO AO SER EXPULSO DE PIZZARIA


 Edição: Adilson Gonçalves Fonte G1
A Polícia Civil de São Paulo concluiu nesta terça-feira (26) o inquérito sobre o caso do menino etíope que, no fim do ano passado, teria sido expulso de um restaurante italiano e pizzaria, na Zona Sul da capital paulista, onde havia ido com seus pais adotivos, que são espanhóis. No relatório que será entregue à Justiça, o 36º Distrito Policial, no Paraíso, informa que o pai do proprietário do Nonno Paolo deve responder pelo "crime de racismo" por ter colocado o garoto para fora e o impedido de voltar porque ele é negro. A criança teria sido confundida com um morador de rua.

O fato ocorreu no dia 30 de dezembro de 2011. Francisco Carlos Ferreira, de 56 anos, está solto, mas foi indiciado por "constrangimento ilegal resultante de preconceito de raça ou cor", segundo o delegado Márcio de Castro Nilsson. Caso seja condenado, a pena pode ser de até 6 anos de reclusão. Procurado pelo G1 para comentar o assunto, o investigado, que ajuda no filho na pizzaria, negou as acusações e alegou que houve um "mal-entendido" (leia mais abaixo).

Segundo a polícia, o garoto, que tinha 6 anos na época, não falava português e tinha ido ao restaurante acompanhado dos pais, que estavam visitando o Brasil, e de outros parentes. Quando o casal e familiares foram buscar comida, a criança ficou esperando, sentada à mesa, mas foi pega pelo braço por Francisco que a colocou para fora e a impediu de voltar, de acordo com a investigação.

O caso

A tia-avó do garoto, a aposentada Aurora Junqueira, de 78 anos, reconheceu Francisco como o homem que expulsou o garoto. Segundo o delegado Nilsson, câmeras de segurança gravaram o momento que o menino aparece do lado de fora do Nonno Paolo. A criança estava chorando quando foi encontrada pela família a um quarteirão de distância do local.

A mãe dele, que se identificou como Cristina, 42, técnica de administração acadêmica na Universidade de Barcelona, tinha vindo ao país com o marido Jordi, também espanhol. O garoto foi adotado aos 4 anos de idade.

"Foi um desespero, a primeira coisa que eu pensei foi que alguém havia levado ele [garoto] embora e que não iríamos vê-lo nunca mais", contou a mãe à equipe de reportagem no início deste ano. "Ele me disse 'um senhor me botou para fora', em catalão, que é a nossa língua. Perguntamos se ele estava ferido e ele disse que foi segurado pelo braço, mas não foi machucado". Após o incidente, o casal registrou boletim de ocorrência no 36º DP.

Racismo
Nesta terça, o delegado Nilsson afirmou que o crime é de racismo. "A investigação mostrou que o pai do dono do restaurante praticou racismo. Ele constrangeu o garoto e fez isso em decorrência das características do menino, que é o fato de ele ser etíope e negro", disse o delegado. "O homem constrangeu a criança. Pegou a criança e botou para fora. Portanto vai responder por crime de racismo. Ele faria isso com um menininho branco de olhos azuis, vindo da Suécia? Ele pegou um menino negro, etíope e que fala catalão. Ele pegou e enxotou o garoto. O menino estava sentado junto à mesa do restaurante esperando os pais irem buscar comida".

Segundo o delegado, ele se baseou nos artigos 8º e 20º da lei 776/89 para indiciar o pai do dono do restaurante. "A lei trata dos crimes resultantes de discriminação ou resultantes de raça cor, etnia, religião ou procedência nacional. O artigo 8 aborda o fato de impedir o acesso ou recusar o atendimento em restaurantes, bares, confeitaria ou locais semelhantes e abertos ao público. O 20 trata de praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, ou procedência nacional".

O que diz o indiciado
Procurado para dar sua versão, Francisco Ferreira confirmou ao G1 que abordou o garoto etíope no Nonno Paolo, mas negou que tenha havido racismo. Segundo ele, o menino saiu espontaneamente do restaurante.

"O que tenho a dizer a respeito é que na época foi feita essa denúncia contra minha pessoa: que eu tinha colocado o garoto para fora. Mas foi um mal-entendido. O menino estava em uma área de risco, estava perto do bufê, olhando as panelas e não na mesa, como divulgaram aí. Ele ficava na ponta dos pés olhando para a mesa e não alcançava. Pedi a ele que ali não podia ficar. Perguntei para ele se ele estava com alguém e ele não falou nada. Ele foi para fora. Ninguém pôs ele para fora. Independente se fosse uma criança loira ou japonesa, eu jamais expulsaria ninguém", afirmou Ferreira, que disse ajudar o filho no restaurante. "Mas não sou o dono".

Ainda segundo Ferreira, o garoto deixou o restaurante por vontade própria. "Só depois soube que ele era estrangeiro. Calculei que ele estivesse com alguém pelo tamanho dele, mas pelo fato de ele não falar nada achei que estivesse ali por acaso. Tem uma feira em frente ao restaurante que ficam inúmeras pessoas. Naquela dia ocorria essa feira. Na época, colocaram o caso de uma forma que tinha posto o garoto para fora. Jamais iria tirar uma pessoa que estava sentada. Ele saiu e ficou na frente do restaurante. Foi o que aconteceu. Foi um mal-entendido que foi para a mídia dizendo que eu era racista. Sou branco mas tenho uma filha afro, registrada. Eu não tenho racismo nenhum comigo. Cerca de 70% dos funcionários são descendentes. Financeiramente a vida do restaurante abalou. Até hoje não me equilibrei ainda. O cliente dá crédito para aquilo que ouve na televisão. Eu tenho esclerose múltipla. Sou uma pessoa quase inválida, que tenta se reerguer. Discordo da decisão da polícia".

terça-feira, 3 de julho de 2012

PASTOR E DISCÍPULO SÃO CONDENADOS POR INTOLERÂNCIA RELIGIOSA; EM 2009, AUXILIAR FOI PRESO POR DEPREDAR UM CENTRO DE UMBANDA NO CATETE

Edição Adilson Gonçalves Fonte IG
Um pastor e um discípulo da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo foram condenados pela juíza Ana Luiza Mayon Nogueira, da 20ª Vara Criminal da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pela acusação de difundir, por meio da Internet, idéias de discriminação religiosa, ofendendo seguidores de outras religiões.

Tupirani da Hora Lores, o pastor, e Afonso Henrique Alves Lobato, o discípulo, pregavam através de blogs o fim da igreja Assembleia de Deus, além de praticarem intolerância religiosa contra judeus e afirmarem que as outras religiões são “seguidoras do diabo” e “adoradoras do demônio”. Eles também associavam a figura de pais de santo a homossexuais, menosprezando ambos.

De acordo com a sentença, em seu interrogatório, Afonso Henrique confirmou que sua religião prega que, “como discípulo de Jesus Cristo, deve acusar todos os outros conceitos em geral que são contrários ao Evangelho de Jesus Cristo, que não existe pai de santo heterossexual, pois todos são homossexuais; que homossexualismo é possessão demoníaca; que uma pessoa que está possuída pelo demônio não merece confiança; e que discrimina todas as religiões”. Ainda de acordo com a sentença, em nenhum momento os dois tentaram justificar suas condutas.
Tupirani foi condenado a duas penas restritivas de direito: prestação de serviço à comunidade e pagamento de dez salários mínimos em favor de uma entidade beneficente. Afonso Henrique foi condenado à prestação de serviço e limitação de fim de semana.

Em março de 2009, com o consentimento do pastor Tupirani, Afonso Henrique divulgou na internet um vídeo em que faz ofensas aos seguidores das religiões afrobrasileiras e às polícias Civil e Militar. No ano passado, o jovem participou da invasão e depredação de um Centro de Umbanda, no Catete

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A CRISE, A DIREITA, O FUTEBOL E O RACISMO


Edição: Adilson Gonçalves Texto:Daniel Eduardo Mafra Fonte: Geledes
Se a História se repete, sendo a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa, aproximamo-nos, pois, de um destes pontos de inflexão do eflúvio histórico: a volta da extrema direita (cabe aqui o pleonasmo "A volta dos que não foram") aos holofotes do cenário político mundial, através dos apelos racistas das classes mais abastadas da sociedade europeia – esta sempre tida como a vanguarda do pensamento ocidental – das políticas xenófobas de certos partidos políticos ascendentes no cenário europeu, e que ecoam pelo mundo afora, como vemos nas políticas higienistas do Governo do Estado de São Paulo, árvore mais que enraizada no solo da Revolução Burguesa no Brasil, por exemplo.

E pelo discurso daqueles que interpretam o atual momento político-social de nosso mundo do avesso, nada mais sugestivo que ressuscitar o bom e velho Marx pra dizer que a História parece se repetir agora como farsa. Ou uma piada de mau gosto, para ainda permanecermos polidos. Ainda...

Todos os historiadores (inclusive eu) bradam em alto e bom som que a História não se repete, que os anacronismos são demasiado significantes para analogias quanto aos acontecimentos de outrora para com o presente ou o porvir histórico. Não obstante, o que passamos a identificar cada vez mais e, sobretudo, desde que a atual crise europeia colocou em xeque os alicerces da falácia da Comunidade Europeia e da Social Democracia, é uma volta ao reacionarismo, ao racismo, à xenofobia.

Tal qual o processo histórico que se desenvolveu no início do século passado, quando o laissez faire escancarou as portas da primeira crise capitalista global, afundando as economias liberais, e acelerando a ascensão de grupos de extrema direita ao poder, sendo o nazismo e o fascismo somente dois dos tantos que se espalharam pelo globo, semelhante processo se nos apresenta agora. Tal qual uma piada de mau gosto, basta uma crise, cousa tão evidente e previsível dentro da estrutura sócio metabólica do capital, para que os grupelhos de extrema direita, xenófobos e racistas, ganhem força nos ecos dos discursos do passado, em defesa da família, dos bons costumes, da nação, de Deus, e do Diabo, se for preciso.

E há aqui um importante fato a ser considerado: a direita não mais precisa estar no poder, basta fazer-se presente sob a égide do mal para fazer o bem (conforme suas vicissitudes, naturalmente), ou vice-versa, não importa. Seu discurso ultranacionalista encontra morada na ineficiência das propostas frente à crise. É palha na fogueira.

E eis que este fogaréu, que de nada tem a ver com o nosso São João, deu as caras no evento mais pomposo do futebol internacional: a Eurocopa, que ocorre na Polônia e Ucrânia, países do leste europeu "onde há movimentos neonazistas de grande envergadura", conforme disse Osvaldo Coggiola, professor de História Contemporânea da USP, ementrevista à Carta Maior.

Discordâncias à parte, não há como não refletir sobre o processo de transformação do "progresso cultural da sociedade burguesa em regressão cultural", visto que boa parte dos integrantes destes novos partidos de extrema-direita é formada por pessoas com alto grau de instrução. E que futebol e política tem a ver um com o outro? Tudo, visto que "tudo se mistura com política, e... por que tudo se faz para que ela se misture. Por exemplo: a execução dos hinos nacionais antes dos jogos".

Dentro desta arena transcendental e de movimento pendular, ora no esporte, ora na política, os holofotes deste espetáculo da barbárie apontam para os jogadores negros das diversas seleções, alvo da intolerância e da gratuita estupidez humana, tendo como pano de fundo a conivência das autoridades, ora políticas, ora esportivas, e seus slogans superficiais e politicamente corretos. Faz-se com que capitães das respectivas seleções leiam um texto raso sobre o papel do esporte quanto à união dos povos, o 'diga não ao racismo' e mais uma meia dúzia de blábláblás e pronto! Papel cumprido! O juiz apita e tem-se início a partida. Minutos depois, a mágica da tolerância se desfaz pela contemplação do voo solo de uma banana em direção a um jogador negro... Nada se faz, pois o papel da autoridade era tal qual o de perfumar estrume diante da gravidade dos acontecimentos. Há um abismo de distância entre um discurso político e um ato de represália aos ofensores. É uma forma de se institucionalizar, mesmo que de forma latente, o racismo no futebol.

Reprodução de charge do jornal Gazzetta dello Sport que compara Balottelli, jogador da seleção italiana, ao King Kong.

Aliás, cabe aqui importante reflexão: recentemente um importante estudo, publicado na Associated Press no último dia 24/06, revelou que o foco dos cientistas que estudam comportamento e, sobretudo, pensamento animal, está em QUÊ eles pensam e não SE eles pensam. "Babuínos podem distinguir entre palavras escritas e meros rabiscos. Macacos parecem ser capazes de multiplicar e podem compreender instantaneamente uma gratificação, muito mais do que uma criança humana pode. Planejam. Fazem guerra e paz. Mostram empatia. Compartilham". Ou seja, é bastante provável que se um macaco estivesse entre os torcedores que arremessaram a dita banana ao atleta em campo, ele a comeria, ao invés de desperdiçá-la com um ato tão intragável. É bastante provável que um babuíno seja tão inteligente (ou mais) do que aquele sujeito supostamente superior, em seu ato impensado (ou pensado), mecânico, boçal.

Diferentemente de Coggiola, que atribui tais atos exclusivamente ao conflito de classes, ou a derivações do conflito de classes, penso que o racismo é causa e consequência, ao mesmo tempo. Não há como negar o conflito de classes e a exclusão das populações negras, no Brasil, por exemplo. É um racismo consequente da luta de classes. Mas há ainda algo mais. A ortodoxia marxista esbarra nas causas ideológicas e eugênicas do século XIX que persistem no imaginário coletivo das elites dominantes, detentoras do monopólio da informação, produtoras daquilo que se convencionou chamar 'opinião pública'(como se o termo presumisse a indelével afirmação de que tal opinião emana do povo).

Especificamente, direcionando a pauta para a realidade brasileira, faz-se evidente que o racismo é institucionalizado de forma velada. Seja pelo monopólio da violência exercido pelo estado contra as populações negras, seja pelas burlescas anedotas, supostamente despretensiosas, proferidas num botequim qualquer. Ainda em tempo, as medidas pontuais tomadas pelo governo federal, desde a ascensão do PT ao poder, é uma correção para a distorção do curso histórico de nosso país. Ainda assim, tal fato trouxe à tona uma série de 'pensadores' contrários à medida e ao recente parecer do STF quanto à matéria.

Mais do que tudo, o racismo está presente no silêncio de cada um de nós, ao não nos chocarmos com os fatos escancarados, que nos esbofeteiam com os chicotes dos açoites de outrora. Ao não nos posicionarmos contra, necessariamente estamos nos posicionando a favor. Não há meio termo. Não há como ficar em cima do muro. Não vejo outra forma de terminar este devaneio senão citando o Cássio, no Júlio César, de Shakespeare: "Há momentos em que os homens são donos de seu fado. Não é dos astros, caro Brutus, a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos".
Ainda em tempo, e para meu deleite, na tarde de ontem a seleção da Itália venceu a seleção alemã por 2×1. Não que eu esteja torcendo por uma ou outra, mas o destaque da partida foi o italiano Mario Barwuah Balotelli, de origem ganesa. Um dos alvos frequentes de torcedores racistas, Balotelli rompeu as fronteiras do futebol. Arrancou intrépido com a bola e, em direção ao gol, chutou-a forte, tal qual um Zumbi contemporâneo-metafórico-esportivo, balançando as redes da opressão. Parou e tirou a camisa, num ato colérico e contido, paradoxalmente. Depois, cerrou o punho e elevou-o até o alto, e trouxe a nós, por efêmero momento, uma carta de alforria.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

UEFA MULTA FEDERAÇÕES ESPANHOLA E RUSSA EM UM TOTAL DE 50 MIL EUROS POR MANIFESTAÇÕES RACISTAS DE SUAS TORCIDAS CONTRA MARIO BALOTELLI


Edição Adilson Gonçalves Fonte Globo Esporte 
O Comitê de Controle e Disciplina da Uefa anunciou nesta quinta-feira que vai multar duas federações: espanhola e russa. A punição é motivada por atos racistas das torcidas das duas seleções em partidas válidas pela primeira fase da Eurocopa.
A Fúria terá que pagar 20 mil euros (mais de R$ 50 mil) por conta de incidentes ocorridos no jogo contra a Itália, justamente suas adversária na decisão deste domingo. Na ocasião, alguns espanhóis imitaram macacos sempre que Batotelli tocava na bola.
A federação russa foi punida em 30 mil euros (R$ 77 mil), pela conduta imprópria de sua torcida na partida de estreia contra a República Tcheca, no dia 8 de junho. O alvo dos torcedores russos foi o tcheco Theodor Gebre Selassie.
A Uefa abriu a investigação no dia 12 de junho após receber uma reclamação oficial por parte da República Tcheca e da Itália. Selassie afirmou que ouviu cantos racistas no duelo contra os russos.
A punição foi divulgada em nota pela Uefa, que acrescentou ambas as entidades têm prazo de 24 horas para recorrer.

MARIO BALOTELLI RECEBE PUBLICAMENTE PEDIDO DE DESCULPAS DO JORNAL GAZETTO DELLO SPORT POR CARTOON RACISTA


Edição Adilson Gonçalves Fonte: Mais Bola
O jornal italiano «Gazzetta dello Sport» pediu desculpas a Mario Balotelli por ter publicado domingo um cartoon do jogador em que este surge como o gorila King Kong. 

Na imagem, Balotelli aparece como King Kong em cima do Big Ben, um dos pontos turísticos mais famosos de Londres. O cartoon era sobre o Itália-Inglaterra dos quartos de final do Euro2012, com vitória dos italianos por 4 a 2 nos penalties após um empate a zero.

«Podemos dizer, honestamente, que este não foi um dos melhores resultados do nosso grande cartunista. Se alguém se sentiu ofendido, pedimos desculpas. Este jornal sempre lutou contra o racismo nos estádios e denunciou gritos de macacos contra Balotelli», escreveu o jornal.

Descendente de ganeses, Balotelli tem 21 anos, nasceu em Itália e foi adotado por uma família italiana. O atacante foi vítima de racismo de adeptos várias vezes nos estádios
.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

FIGURA EMBLEMÁTICA DOS DIREITOS CIVIS, JAMES MEREDITH, PRIMEIRO AFRO AMERICANO A CURSAR UMA FACULDADE, COMPLETA 79 ANOS


Essa foto de James Meredith sendo baleado por um atirador de elite,
 chamado Aubrey James Norvell, foi a ganhadora doPrêmio Pultizer de 1962.
Edição:Adilson Gonçalves Fonte: Bruno Ruivo

James Meredith foi o 
primeiro afro-americano a se formar pelaUniversidade do Mississippi. A Universidade do Mississippi proibia a entrada de negros, mas uma decisão da Suprema Corte dos EUA (Brown Contra o Conselho de Educação de Topeka) havia proibido a segregação em escolas que recebessem verbas públicas. Mas Meredith e a equipe legal da NAACP (National Association for the Advancement of Colored People, ou "Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor") sabiam que não basta mudar a lei, é preciso forçar a sua aplicação. Em 1961, Meredith tentou se matricular duas vezes na Universidade do Mississippi, sem sucesso, apesar de suas ótimas notas. O advogado contratado em seu nome pela NAACP, o lendário Medgar Evers, recorreu à Justiça alegando práticas segregacionistas, e o caso chegou à Suprema Corte.

O governador do Mississippi, Ross Barnett, estava disposto a impedir Meredith de se matricular, inclusive patrocinando um projeto de lei na assembléia legislativa do Mississippi feita sob encomenda para barrá-lo, mas o Ministro da Justiça dos EUA, Robert Kennedy, interveio com Barnett para impedi-lo de mudar a lei, que proibiria pessoas condenados pelo Código Penal de Mississippi de entrarem em escolas estaduais (Meredith havia sido condenado por ser negro e pedir registro de eleitor, o que era proibido no Mississippi).

A Suprema Corte decidiu a favor de Meredith e no dia primeiro de outubro de 1962, ele fez História e entrou para a Universidade do Mississippi. Os brancos locais fizeram uma insurgência e o Presidente da República John F. Kennedy enviou 500 homens do Serviço de Aguzis federal para conter a revolta, e para reforços chamou a Guarda Nacional, a Polícia do Exército, o 503o. Batalhão da Polícia Militar, a a Patrulha da Fronteira. Duas pessoas morreram--inclusive um jornalista francês--e 160 agentes (aguazis) federais e 40 soldados e membros da Guarda Nacional foram feridos. Foi uma reprise da histórica Batalha de Little Rock em 1957.

James Meredith superou o racismo dos colegas de universidade e se formou em ciência política. Aprofundou os estudos na Universidade de Ibadan na Nigéria. Voltou aos EUA em 1965 para participar do movimento pela aplicação da Lei do Direito ao Voto, daquele mesmo ano. No dia seis de junho de 1966, ele começou uma marcha solitária de Memphis, no Tennessee, para Jackson, no Mississippi, anunciando que pretendia se registrar como eleitor, como a nova lei permitia. Eram mais de 220 milhas que ele pretendia percorrer a pé para chamar a atenção da comunidade afro-americana e encorajá-la a enfrentar as ameaças--inclusive de morte--que sofriam toda vez que tentavam se registrar como eleitores. a certa altura da marcha ele próprio levou um tiro de Aubrey James Norvell. A sua agonia, registrada nas lentes de Jack R. Thornell numa foto que lhe valeria o Pulitzer no ano seguinte, ganhou as manchetes de todo o país e imediatamente a SCLC (Southern Christian Leadership Conference, ou "Conferência de Lideranças dos Cristãos do Sul") de Martin Luther King Jr. e a SNCC (Student Non-Violent Coordination Committee, ou "Comitê Não-Violento de Coordenação Estudantil) de Stokely Carmichael, bem como o Human Rights Medical Committee ("Comitê Médico de Direitos Humanos"), Cleveland Sellers e Floyd McKissick se juntaram à marcha para terminar o trajeto de Meredith começou. Com o tempo, pessoas de todo o país, negras e brancas, se juntaram à marcha, que ficou conhecida como Marcha Contra o Medo.

A Marcha Contra o Medo enfrentou vários obstáculos. Alimentados por mutirões e dormindo em acampamentos, seus integrantes ganharam as páginas dos jornais e viraram notícia internacional. Carmichael chegou a ser preso em 16 de junho, em Greenwood no Mississippi, por supostamente invadir propriedade pública; após algumas horas na cadeia ele voltou à marcha, que havia parado para fazer um comício, e nele fez seu célebre discurso "Black Power", que popularizou a expressão. A SNCC com o 'slogan' "Black Power" ("Poder Negro") e a SCLC com "Freedom Now" ("Liberdade Agora") estavam expondo a público suas distinções. Em Canton, no Mississippi, a polícia estadual atacou a marcha, inclusive com gás lacrimogênio, deixando dezenas de feridos, um em estado grave. Os feridos foram acolhidos pelas freiras de uma escola católica nos arredores.

James Meredith sobreviveu ao tiro. Não só: recebeu alta do hospital a tempo de se juntar à Marcha Contra o Medo na véspera de sua chegada a Jackson, no dia 25 de junho. Naquela altura, a marcha já contava com 15 mil manifestantes. Eles foram recebidos por um show gratuito de James Brown. Pelo menos quatro mil eleitores negros do Mississippi foram direto da marcha para obter seu registro eleitoral.

James Meredith completa hoje 79 anos. Um personagem feito de carne e osso e coragem o bastante para dar a cara à tapa e enfrentar o racismo. No processo, reuniu ao seu redor as forças sociais que fizeram dele o epicentro de dois episódios históricos na luta contra o racismo. Hoje, há uma estátua em sua homenagem na Universidade do Mississippi. O combate ao racismo é um combate autêntico, porque não depende se super-heróis para ser travado. Não cabe sequer às personalidades mais magnéticas como Martin Luther King, Jr., Malcolm X, Stokeley Carmichael e W.E.B. DuBois. Depende de maneira mais decisiva da participação de todas as pessoas de carne e osso, conquanto tiverem coragem para dar a cara à tapa.

sábado, 23 de junho de 2012

IMIGRANTES AFRICANOS DENUNCIAM CASOS DE ASSASINATOS, AGRESSÕES E RACISMO DURANTE MANIFESTAÇÃO EM SÃO PAULO

Edição Adilson Gonçalves Fonte:Agencia Brasil
Manifestantes, em sua maioria imigrantes africanos no Brasil, que faziam um protesto contra o racismo e a xenofobia em frente à Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, denunciaram casos de assassinatos e agressões de negros e imigrantes latinos.
Entre os pedidos das entidades que participaram do protesto, o grupo requer um pedido imediato de desculpas da presidenta Dilma Rousseff ao povo africano em razão do assassinato da estudante angolana Zulmira de Souza Borges Cardoso, morta há um mês no bairro do Brás, em São Paulo. Eles pedem também o acompanhamento do caso pelo Ministério da Justiça e pela Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.
“Queremos justiça pela Zumira. Queremos justiça pela comunidade negra africana. Só em 2012 tivemos dez casos de racismo contra africanos em geral no Brasil”, disse Marcel Sebastião de Carvalho, representante a União dos Estudantes Angolanos em São Paulo.
De acordo com os manifestantes, Zulmira estava com amigos no Brás, bairro paulistano muito frequentado por imigrantes africanos. O agressor teria chamado os angolanos de "macacos", entre outras ofensas racistas. Cerca de 20 minutos depois o homem voltou armado e disparou contra o grupo, ferindo três angolanos e matando Zulmira. A polícia ainda investiga o caso.

EX-JOGADOR DO PALMEIRAS É CONDENADO POR OFENSAS RACISTAS A MANOEL, DO ATLÉTICO PARANAENSE, NO BRASILEIRÃO DE 2010

Edição Adilson Gonçalves/ Fonte: Gazeta Esportiva Foto:Geraldo Buniak
O polêmico caso envolvendo ofensas racistas entre os zagueiros Danilo, ex-Palmeiras, e Manoel, do Atlético-PR, teve uma definição nesta sexta-feira. Após um acordo na Justiça entre as duas partes, o atual defensor da Udinese, da Itália, foi condenado a pagar R$ 6 mil ao seu desafeto do Atlético-PR.
Danilo e Manoel se desentenderam em uma partida válida pela Copa do Brasil de 2010. O atleticano afirmou após a partida que havia recebido uma cusparada de seu adversário, além de ter sido xingado com ofensas racistas.
Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva fez uma análise das imagens televisivas do confronto e puniu Danilo com uma pena de 11 jogos de suspensão. Posteriormente, o zagueiro teria o gancho reduzido e reforçaria o Palmeiras na sequência da temporada.
O ex-camisa 23 do Verdão, inclusive, apareceu na atividade desta sexta-feira na Academia de Futebol. Enquanto o elenco treinava, o defensor conversou com o técnico Luiz Felipe Scolari e sua comissão técnica no gramado do CT do clube, na Barra Funda. 
Embora Manoel tenha conquistado a vitória nos tribunais, a indenização recebida do ex-palmeirense não ficará consigo. O atleta optou por reverter o montante em dinheiro para a Fundação Iniciativa, de Curitiba. A ONG atende 42 crianças vítimas de violência doméstica e receberá o dinheiro assim que Danilo efetuar o pagamento do referido valor.



segunda-feira, 18 de junho de 2012

MORRE RODNEY KING, MOTIVO DE TENSÃO RACIAL NOS ESTADOS UNIDOS DURANTE OS ANOS 90 DO SÉCULO PASSADO

Edição: Adilson Gonçalves Texto:Danny Moloshok/Reuters
Rodney King, o ex-taxista de 47 anos, que se transformou em símbolo da brutalidade policial norte-americana após ter sido espancado em Los Angeles, foi encontrado morto domingo, pela namorada, no fundo de uma piscina.Em 1991, Rodney King foi agredido por agentes do LAPD (Los Angeles Police Department), alegadamente por motivos racistas. O incidente foi filmado por um vídeo-amador que passava pelo local, e correu o mundo.
 O seu espancamento transformou-o em símbolo das tensões raciais dos EUA nos anos 90 do século passado.O caso foi levado a julgamento,  mas a absolvição, em 29 de abril de 1992, dos quatro polícias envolvidos nas agressões - por um júri formado por dez brancos, um negro e um asiático -, provocou a indignação e levantou uma das maiores ondas de violência na história da Califórnia. Foram três dias de confrontos, incêndios, saques, depredações, que provocaram 58 mortos e mais de 2800 feridos, destruíram 3100 estabelecimentos comerciais e causaram prejuízos estimados em mais de mil milhões  de dólares.
Imagem de abril de 2012 mostra Rodney Kingdurante lançamento de livro em Los Angeles(Foto: Reuters)




O racismo ainda persiste nos EUA

Posteriormente, dois dos agentes foram considerados culpados por violação dos direitos humanos num tribunal federal, tendo cumprido pena de prisão. Os outros dois voltaram a ser absolivos, saindo em liberdade.Passados 20 anos, Rodney King  disse que o racismo ainda precisa de ser vencido no país. "Sempre haverá algum tipo de racismo. Mas cabe-nos a nós, como indivíduos, olhar para trás e ver todas as conquistas até agora".Questionado pela CNN sobre os seus sentimentos em relação aos agentes que o espancaram, Kingm, que a partir de 1992 teve vários problemas com a lei, respondeu que os tinha perdoado "tal como a América me perdoou tantas vezes, e e me deu tantas oportunidades", acrescentando: "tenho muito respeito (pela polícia), por alguns deles, que fizeram esforços para se reconciliarem comigo durante estes anos. Nem todos são maus".As causas da morte de Rodney King ainda estão por esclarecer, mas, aparentemente, não foram encontrados sinais de crime.