terça-feira, 21 de junho de 2011

BAHIA SERÁ A SEDE DO ENCONTRO MUNDIAL DO ANO INTERNACIONAL DOS AFRODESCENDENTES

A capital baiana vai sediar nos dias 17,18 e 19 de novembro o Encontro Mundial em Comemoração ao Ano Internacional dos Afrodescendentes.  A decisão foi  tomada durante a segunda reunião preparatória do encontro. O evento contou com a presença do embaixador especial da Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib), Juca Ferreira, e o secretário estadual para Assuntos Internacionais e da Agenda Bahia, Fernando Schmidt, que coordenou a reunião.
Segundo o secretário, ainda serão definidos os grupos de trabalho que ficarão responsáveis por organizar o local do encontro, os temas que serão debatidos e a programação cultural. Ele afirmou que a expectativa é de que o encontro, realizado na capital baiana, vá além da III Conferência Internacional sobre Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada, sob a coordenação das Nações Unidas, em Durban, na África do Sul, em setembro deste ano.

Ban Ki-moon, demonstrou interesse 
em participar do encontro em Salvador.

Devem participar do encontro mundial políticos e representantes de movimentos sociais e chefes de Estado de diversos países com população afrodescendente, como Cuba, Colômbia, Venezuela, Nicarágua, Panamá, Caribe e México, além de reunir autoridades de países africanos.
Juca Ferreira disse que tem mantido contato com chanceleres, ministros, dirigentes políticos e de movimentos sociais de países afrodescendentes, a fim de mobilizá-los para o encontro que será realizado na capital baiana. "Todos têm demonstrado interesse em participar".
- Todas as viagens que fiz valeram a pena. Irei a outros países, mas nos que já estive consegui ter resultados positivos. Todos os representantes da sociedade demonstram preocupação com a questão da inclusão racial e sugerem temas para serem discutidos. Eles estão muito empolgados por o encontro ocorrer no Brasil e, principalmente, por ser sediado em Salvador, local considerado por eles capital negra dos países afrodescendentes", declarou Juca Ferreira. Ele  aproveitou para informar que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, demonstrou interesse em participar do encontro em Salvador.

CINZAS DE ABDIAS NASCIMENTO SERÃO LEVADAS À SERRA DA BARRIGA EM 13 DE NOVEMBRO, INFORMA A FAMÍLIA

Abdias: família pede sugestões sobre memorial
  e plantio de árvores em Alagoas, dia13 de novembro
A família de Abdias Nascimento e o Instituto de Pesquisa e Estudos Afro Brasileiros Ipeafro, instituição que ele criou e presidiu até o dia de sua morte, marcaram para o dia 13 de novembro a realização do desejo dele, expresso em vida: suas cinzas serão levadas à Serra da Barriga, local histórico da construção da vida em liberdade dos africanos e seus descendentes no Brasil e nas Américas.
Durante o velório, recebemos a proposta do movimento negro e da sociedade civil a proposta de se erguer um marco no local e de se plantar um pé de baobá. Na missa de sétimo dia rezada pela Ordem Terceira Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Salvador, surgiu a ideia de se plantar também um pé de iròkò. Nosso desejo é acolher essas sugestões.
Pessoas representativas de todos os setores do movimento social negro e de outras instâncias da sociedade civil manifestaram o desejo de participar desse momento de depósito dos restos mortais de Abdias na Serra da Barriga. Para nós será um conforto estar com nossos amigos, amigas, companheiras e companheiros.
Fonte: Unifem

quinta-feira, 16 de junho de 2011

MÍRIAN FICHTNER LANÇA EXPOSIÇÃO DE FOTOS SOBRE RELIGIÃO AFRO-GAÚCHA NO CENTRO CULTURAL DA JUSTIÇA FEDERAL

Mostra reúne 153 fotos que retratam
a afro religiosidade gaúcha
Está em exposição no Centro Cultural da Justiça Federal a mostra de fotografias “Cavalo de Santo – Religiões afro-gaúchas”  da gaúcha Mírian Fichtner. São 153 fotos focalizando  os ritos das religiões africanistas da região do sul do Brasil, registradas entre 2006 e 2010. A obra tem por objetivo incentivar a reflexão sobre a postura diante das diferenças culturais, étnicas e religiosas. A mostra vaí até dia 29 de  junho.

Mãe Ana de Oná e pai Neco de Oxalá, com a filha carnal Andressa-  em cima, à esquerda;
embaixo, exus e pombagiras na festa de 41 anos de assentamento do Exu Belo.
 Ao lado na foto maior, filha de Oxum no reino de Oxalá
 A obra fotográfica é resultado de uma pesquisa de mais de quatro anos, baseada nos dados do Censo de 2000, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontava que o Rio Grande do Sul é o Estado que reúne, proporcionalmente, o maior número de adeptos declarados, bem como terreiras, de religiões africanas no Brasil.

Mãe Graça de Oxum Taladê, acompanhada do filho,
do neto e da mãe pequena, no Cais do Porto de Rio Grande/RS

Durante a execução do trabalho, Mirian contou com o apoio do produtor cultural e jornalista Carlos Caramez e do antropólogo Ari Pedro Oro, um dos maiores especialistas em religiões do País. Entre 2006 e 2010, Mirian pesquisou cem terreiros, visitou mais de 30 casas e escolheu 13 para documentar, produzindo mais de 10.000 fotos.

Pai Diba, à esquerda, autografa o livro,
 enquanto Mírian, ao centro, dá entrevista à TV
  Destas, 153 foram selecionadas para integrar o livro, que foi impresso no formato 28cmX28cm, com 168 páginas e textos bilíngues (português-inglês).
-É também uma forma de homenagear a ancestralidade. Aqui em Rio Grande, eu pude realmente sentir o poder da espiritualidade, da natureza, dos orixás. Pessoalmente, eu pude desenvolver a fé e ver o quanto a crença faz a diferença em nossa vida", completou a autora.
Mirian, à direita, produziu mais
 de 10 mil fotos entre 2006 e 2010
Através das fotos, é possível perceber a dimensão social e humana das práticas populares no Estado, destacando rituais e festas, além dos personagens e das diferentes manifestações da fé: o batuque, a umbanda e a linha cruzada. "Cavalo de Santo" traduz, em imagens, a união do belo com o sagrado, estabelecendo-se como documento que contribui para a divulgação, o resgate e a preservação dessa cultura.
Serviço: Centro Cultural Justiça Federal (CCJF)
Avenida Rio Branco, 241, Centro, TEL.: (21) 3261-2550
Os 12 Orixás mais cultuados no Rio Gtande do Sul,
 com o Pai Cleon de Oxalá ao centro, às margens do Rio Guaíba




quarta-feira, 15 de junho de 2011

QUILOMBOLAS AMEAÇADOS DE MORTE RECEBEM APOIO DO GOVERNO FEDERAL




Quilombolas protestam em frente ao
Tribunal de Justiça do Maranhão, denunciando
a ação de grupos de extermínio
  Na terça-feira, 14 de junho, uma comissão do Governo Federal composta por representantes da Fundação Cultural Palmares (FCP), da Secretaria de Direitos Humanos (Sedh), da Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial e (Seppir) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se reuniu com quilombolas ameaçados de morte por grupos de extermínio no Estado do Maranhão.
O encontro teve como objetivo debater a situação dos moradores de quilombos que lutam pela titulação de suas terras. O resultado foi a garantia de proteção das pessoas ameaçadas e a construção de uma agenda com as Ministras Luiza Bairros, da Seppir, Maria do Rosário, da Sedh, e os presidentes da FCP, Eloi Ferreira, e do Incra, Celso Lacerda, que acontecerá no próximo dia 22 em São Luiz.
A Fundação Cultural Palmares acompanha o protesto dos quilombolas desde seu início em 1° de junho e providenciará assistência jurídica para as comunidades envolvidas. De acordo com Alexandro Reis, diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-Brasileiro (DPA/FCP), 14 dos quilombolas ameaçados de morte passaram por uma triagem para serem atendidos pelo Programa Nacional dos Defensores de Direitos Humanos da Sedh. “O objetivo é garantir a proteção dos moradores dos quilombos contra violências e ameaças de morte”, explica o diretor.
Participando do programa, os quilombolas passam a ser protegidos e a exercer suas funções com segurança nas comunidades onde vivem. Durante a audiência que aconteceu no Ministério Público Federal do Maranhão, a Sedh também se comprometeu em visitar e monitorar outras comunidades para orientá-las e ouvir suas demandas no que diz respeito à segurança.
REIVINDICAÇÕES – Na reunião acordada entre as instituições governamentais e as lideranças quilombolas para o dia 22 de junho, o Governo Federal apresentará um conjunto de ações articuladas tendo em vista a melhoria da qualidade de vida da população destas comunidades. A pauta foi agendada em atendimento as reivindicações que incluem também energia elétrica, construção de casas e escolas, água potável, ações afirmativas para a saúde e políticas públicas culturais, regularização fundiária e geração de trabalho e renda. O presidente Eloi Ferreira já confirmou presença.
Outra demanda dos manifestantes foi a representação da Fundação Palmares no Estado do Maranhão. De acordo com Ferreira, já existe uma portaria que garante a construção de representações em vários estados, porém, são grandes as chances de que a do Maranhão comece a funcionar ainda este ano.
HISTÓRICO – Desde o dia 1° de junho, mais de cem quilombolas protestam contra a lentidão da Justiça em demarcar suas terras. O protesto incluiu acampamento, ocupação da sede do Incra no estado e greve de fome. A demora nas decisões judiciais fez com que os moradores das comunidades se tornassem vítimas de grupos de extermínio lideradas por fazendeiros.
No último ano foram registrados 176 conflitos entre os grupos, cinco quilombolas foram assassinados e outros 27 estão jurados de morte. Além das comunidades de Cruzeiro e Charco, outras 40 passam por situação semelhante apenas no Maranhão. Ao todo, 365 comunidades quilombolas do estado são certificadas pela Fundação Palmares, 55 têm processos instaurados para o reconhecimento e 15 aguardam publicação no Diário Oficial da União. Além dessas, outras 380 comunidades remanescentes de quilombos atendem ao perfil para receber a certificação da Palmares, mas ainda não solicitaram a abertura do processo.
Em decorrência dos conflitos territoriais, todos os pedidos de certificação do Maranhão solicitados à Fundação Palmares poderão ser autorizados ainda este ano. O Incra conta atualmente com 227 processos de titulação. Destas, cinco já foram registradas como áreas de interesse social. Isto significa que já estão em fase de titulação.

CAÓ E MRLB CONVIDAM PARA MISSA DE SÉTIMO ANO DE MORTE DE LEONEL BRIZOLA

Carlos Alberto Caó e Movimento de Resistência Leonel Brizola (MRLB)) convidam companheiros e companheiras  para a realização da missa in memorian  pelo sétimo ano da morte de nosso eterno líder,  governador Leonel de Moura Brizola, no próximo dia 21, terça-feira, às  12 h 15 min, na Igreja Nossa Senhora do Bom Parto, na Rua Rodrigo Silva, 7, esquina Rua São José.
Serviço: Nossa Senhora do Parto
End.:
 Rua Rodrigo Silva, 7
Bairro: Centro
CEP: 20011-040
Telefax: 2292-8892

LUIZA BAIRROS CITA "LEI CAÓ" EM PRONUNCIAMENTO NA ONU COMO UM DOS EXEMPLOS DE AVANÇO NA LUTA CONTRA O RACISMO NO BRASIL

                                Foto: Seppir
Luiza Bairros citou a lei de autoria de Caó como um dos exemplos
 de avanço na luta contra o racismo em pronunciamento na ONU
Fonte: Seppir
O instrumento das cotas e o Programa Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia foram ações afirmativas citadas nesta quarta-feira, dia 15, pela ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, para caracterizar o compromisso do Governo do Brasil com a igualdade racial. O discurso, proferido no Painel sobre boas práticas no combate ao racismo, durante a 17ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, Suíça, revelou momentos importantes da trajetória recente para a afirmação da questão racial no país, destacando o papel do movimento negro.
A ministra iniciou o discurso agradecendo o convite do Alto Comissariado para sua participação na 17ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos, justamente em 2011 - Ano Internacional dos Afrodescendentes, após dez anos da III Conferência Mundial contra o Racismo. Outra ressalva introdutória destacou o desempenho dos movimentos sociais negros para que os temas do racismo e da promoção da igualdade racial se consolidassem como questões nacionais.

- Ao longo do século XX, a pauta de demandas de diferentes organizações políticas e culturais formou a base sobre a qual, mais tarde, se construiriam as primeiras respostas do Estado brasileiro no âmbito da igualdade racial -, disse a ministra para, em seguida, registrar o falecimento recente do militante Abdias Nascimento, cuja trajetória como escritor, jornalista, artista plástico, dramaturgo, deputado federal e senador, o tornou um ícone dos avanços obtidos pela população negra brasileira.

O Alto Comissariado da ONU conheceu momentos significativos da trajetória recente para a afirmação da questão racial no Brasil. Desde a definição do racismo como crime inafiançável e imprescritível – lei 7716/1989,de autoria de Carlos Alberto Caó  - e o reconhecimento do direito à terra dos Quilombos (Constituição de 1988), passando pela Marcha Zumbi contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida, realizada pelo movimento negro em 1995, e a participação do governo brasileiro e da sociedade civil na III Conferência Mundial contra o Racismo, em 2001, até a criação da Seppir.

O retrospecto dos marcos histórico revelou ainda que, nos últimos dez anos, o Brasil avançou no debate e no enfrentamento aos efeitos do racismo na vida das pessoas negras, as quais, de acordo com o Censo Demográfico de 2010, representam 50,6% da população total.

O Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), e as Conferências correlatas, nas quais 60% dos delegados são de organizações da sociedade civil e 40% representam órgãos governamentais, também foram citados entre os mecanismos ligados ao princípio democrático.

Segundo a ministra, são estes mecanismos, instituídos e coordenados pela Seppir, que têm contribuído, de um lado, para ampliar a repercussão do debate sobre a questão racial na esfera pública, de outro lado, para assegurar a permanência do compromisso governamental com a igualdade racial. Como resultados desse processo, ela citou a adoção de ações afirmativas, a implementação de programas como o Universidade para Todos (Prouni), a instituição da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra e a execução do Plano Nacional de Implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-raciais e para o Ensino de História e da Cultura Afro-brasileira e Africana, traduzido na Lei 10.639/2003.

terça-feira, 14 de junho de 2011

AMEAÇADOS DE MORTE, QUILOMBOLAS FAZEM GREVE DE FOME NO MARANHÃO

Foto: Fabio Oliveira

Cinquenta e nove líderes quilombolas
estão ameaçados de morte no Maranhão;
 um já foi assassinado e, em maio, outro alvejado
     Dois padres e 17 quilombolas que haviam iniciado uma greve de fome na última quinta-feira em São Luís, no Maranhão, decidiram encerrar os protestos na noite desta sexta-feira. Eles ocupam a sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) na capital maranhense há dez dias, junto de outros representantes de 40 comunidades quilombolas.
     A intenção de invadir o local e fazer greve de fome é de chamar a atenção do governo para episódios violentos envolvendo líderes quilombolas em disputas de terras no Estado.
     Segundo a Comissão Pastoral da Terra, 59 líderes estão ameaçados de morte no Maranhão.
No ano passado o líder quilombola Flaviano Pinto Neto foi assassinado a tiros e em 31 de maio deste ano a casa de outro líder local foi alvo de três tiros.
      Os manifestantes querem que a Secretaria de Direitos Humanos, comandada pela ministra Maria do Rosário, garanta segurança aos quilombolas. A ministra falou com os manifestantes por telefone na tarde desta sexta e também pediu à governadora Roseana Sarney um reforço no policiamento em comunidades quilombolas do Estado.

    Segundo a Secretaria de Direitos, Humanos, há uma indicação de visita de Maria do Rosário ao Maranhão no dia 22, e também, conforme assessoria do Seppir, também uma ida da ministra Luiza Bairros, no mesmo dia.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

ATOR E DIRETOR DA TV GLOBO É CONDENADO POR CRIME DE RACISMO


Segundo o técnico de iluminação Denivaldo,
Wolf o chamou de "preto fedorento"
                                               Fonte: Revista Veja    O diretor e ator da TV Globo Walfredo Campos Maya Junior, mais conhecido como Wolf Maia, foi condenado em primeira instância pela 2ª Vara Criminal de Campinas, interior de São Paulo, a cumprir dois anos e dois meses de prisão em regime aberto, pelo crime de injúria com conotação racial.

   Uma queixa-crime contra Maya era movida desde 2003 por Denivaldo Pereira da Silva, técnico de iluminação. Silva acusa o diretor de tê-lo chamado de “preto fedorento” durante a produção de uma peça em 12 de agosto de 2000, em um teatro de Campinas. A decisão foi proferida no último dia 25 de maio pelo juiz Abelardo de Azevedo Silveira. O juiz substituiu a pena restritiva de liberdade pelo pagamento de indenização no valor de 20 salários mínimos (cerca de 11.000 reais), além de um período de trabalho comunitário a ser definido pela Vara de Execuções Penais da cidade.

   Em 2003, após o anúncio da queixa-crime, o diretor contra-argumentou com um processo em que cobrava de Denivaldo uma indenização por danos morais no valor de 100 reais, alegando que a acusação, que Maya nega, prejudicava a sua imagem. Em maio de 2010, o juiz Gilberto Luiz Franceschini, da 6ª Vara Cível de Campinas, julgou improcedente o pedido do diretor e o condenou a pagar as custas processuais, no valor de 2.000 reais. Maya recorreu da sentença através dos seus advogados. O processo agora corre em segunda instância.

   O advogado do diretor, João Carlos de Lima Junior, já recorreu da decisão. Ele vai alegar, em segunda instância, que o fato é inexistente e que por isso a condenação é incabível. Lima Junior defende que a motivação e as alegações de Denivaldo Pereira são uma vingança por críticas que o diretor fez ao seu trabalho. A TV Globo prefere não se pronunciar a respeito.

   Atualmente, Wolf Maya atua no seriado Lara com Z, protagonizado pela atriz Suzana Vieira e é professor da escola de atores que leva o seu nome, sediada em São Paulo. A primeira novela que Maya dirigiu foi Ciranda de Pedra, em 1981, na TV Globo. Desde então, já atuou e dirigiu em mais de 30 novelas e seriados do canal.

Leia abaixo a sentença que condena Wolf Maya em primeira instância:
"Isto posto e pelo que mais dos autos consta, JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva manifestada na queixa-crime que deu início a este processo nº 674/03, e CONDENO O QUERELADO WALFREDO CAMPOS MAYA JÚNIOR também conhecido por WOLF MAIA, a cumprir 02 anos e 02 meses de reclusão, em regime aberto, e a pagar 22 dias-multa, unidade igual a 1/2 salário mínimo vigente à época dos fatos, por infração à norma do artigo 140, § 3º, do Código Penal, substituída a sanção corporal pela pena restritiva de direitos”. P.R.I.C., fazendo-se as retificações necessárias."

terça-feira, 7 de junho de 2011

ASSINADO DECRETO QUE ESTABELECE 20% DE VAGAS PARA NEGROS E ÍNDIOS EM CONCURSOS PÚBLICOS DO RJ

                                                         Por Guedes de Freitas/ Ascom RJ
O governador Sérgio Cabral assinou na manhã da segunda-feira, dia 6 de junho, o decreto que estabelece o sistema de cotas para negros e índios nos concursos públicos para órgãos do Poder Executivo e da administração do Estado do Rio.  A cerimônia  aconteceu Palácio Guanabara, com as presenças da ministra Luíza Helena Bairros,  da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial  - Seppir - de autoridades, lideranças e ativistas  do movimento negro. A Lei assinada entrerá em vigor em  dias e reserva 20% das vagas para negros e índios nos concursos públicos do Estado. O governador Sérgio Cabral prognosticou o mesmo sucesso da lei de cotas que foi implantado pioneiramente pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), há dez anos.
Luíza Bairros e Sérgio Cabral
 celebram assinatura do decreto

   - Com essa política, reconhecemos que o negro e o índio foram vítimas durante séculos e que as oportunidades ainda não são iguais. O Estado do Rio foi o primeiro a estabelecer cota para negros e índios na universidade, e a política de cotas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) é um sucesso. Agora, a paisagem do serviço público brasileiro começa a mudar a partir do Estado do Rio de Janeiro. Nos nossos órgãos públicos haverá mais negros e índios – apostou Cabral.

Caó, no primeiro plano à esquerda,
 e ativistas do movimento negro
 ouvem Rodrigo Neves, secretário de 
Assistência Social e Direitos Humanos
    Para o governador, o racismo ainda existe no Brasil e deve ser combatido. Portanto, o Governo do Estado entende que é dever da administração pública promover ações que busquem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, diante da desigualdade proporcional entre negros e índios e o restante da população fluminense em relação a acesso a cargos e empregos públicos.

   A ministra da Igualdade Racial, Luíza Bairros, disse que os agentes políticos e a iniciativa privada de outros estados deverão se mobilizar para replicar esta nova experiência do Rio de Janeiro. Ela disse que a iniciativa do governador vai contribuir para a luta contra as desigualdades raciais no país.

   – O Rio de Janeiro deu o pontapé inicial e os outros estados virão atrás. A assinatura deste decreto torna mais evidente a importância de termos no Brasil o Estatuto da Igualdade Racial que dá ao Poder Público amplas possibilidades de trabalhar de forma efetiva para a igualdade racial no Brasil – argumenta a ministra.

   O secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, exemplificou com o quadro de funcionários da Defensoria Pública, hoje comandada por um negro, Nilson Bruno, como é difícil para representantes desse segmento da população a ascensão a vagas no mercado de trabalho, inclusive público.

Mesmo com 20% de vagas reservadas,
 negros e índios deverão atingir
a nota mínima exigida no concurso

   – Temos hoje mais de 800 defensores e somente 15 são negros. Não tenho dúvida que esta iniciativa vai reduzir as desigualdades nas oportunidades de trabalho da administração pública com maior presença de negros entre os funcionários de várias secretarias órgãos estaduais, ocupando cargos inclusive nos altos escalões – constata o secretário.

Candidato deve se declarar negro ou índio na inscrição
   O decreto, que entra em vigor 30 dias após sua publicação, também leva em consideração o artigo 39 da Lei federal 12.288, de 20 de julho de 2010, que impõe expressamente ao Poder Público a promoção de ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive com a criação de sistema de cotas.

   Para se candidatar reserva de 20% das vagas a pessoa se declarar negra ou índia no momento da inscrição no concurso. Quem optar por não entrar no sistema de cotas fica submetido às regras gerais do concurso. Para serem aprovados, todos os candidatos – inclusive índios e negros autodeclarados – precisam obter a nota mínima exigida. Se não houver negros ou índios aprovados, as vagas de reserva voltam para a contagem geral e poderão ser preenchidas pelos demais candidatos, na ordem de classificação. A nomeação dos aprovados também obedece à classificação geral do concurso, mas a cada cinco candidatos aprovados, a quinta vaga fica destinada a um negro ou índio.

    Segundo Afonso Apurinam, um dos representantes dos indígenas na cerimônia, há cerca de 30 mil trabalhadores índios em atividade no estado, segundo o último censo do IBGE, mas o número poderia ser maior se, na hora de preencher os cadastros de empregos, a pessoa se autodeclarasse indígena, o que nem sempre ocorre com medo de ser dispensado. Por isso, ele parabenizou o Governo do Estado pela reserva de mercado para negros e índios.

   – O decreto é muito importante para nosso povo aqui no Rio de Janeiro, porque nos dá o direito de lutar por uma vaga no serviço público estadual de igual para igual com todo mundo. Há 500 anos que não nos dão, às vezes, nem o direito de falar – afirmou o líder indígena, que, embora seja do Amazonas,vive no Rio onde participa, no Museu do Índio, no Maracanã, da luta pela preservação da cultura indígena.

Resultados serão acompanhados nos próximos dez anos

   O decreto vai vigorar por pelo menos 10 anos e seus resultados serão permanentemente acompanhados pela Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos. A cada dois anos, um relatório será apresentado ao governador em exercício. No último trimestre do prazo de 10 anos, a secretaria apresenta um relatório final, podendo recomendar a edição de um novo decreto sobre o tema.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

VÂNDALOS PICHAM MONUMENTO DE ZUMBI COM FRASES RACISTAS E SUÁSTICA

Funcionário da Comlurb limpa
 monumento, pichado no sábado
PICHAÇÃO ACONTECEU HORAS
 ANTES DA ASSINATURA DO DECRETO QUE DESTINA 20% DE VAGAS A NEGROS E ÍNDIOS NO FUNCIONALISMO PÚBLICO DO RJ


Rio - A estátua de Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio, próximo à Marquês de Sapucaí, voltou a ser pichada na madrugada deste sábado. No local, os vândalos gravaram dizeres racistas, como "invasores malditos macacos" e "fora safados africanos", e inseriram na base a figura de uma suástica. A cabeça do monumento recebeu tinta branca.


Palavras ofensivas e desenho
da suástica já foram removidos

   Segundo o secretário Municipal de Conservação Pública, Carlos Roberto Osório, o ato dos agressores é intolerável. "É inadmissível ter esse tipo de atitude no Rio. Não foi apenas uma simples pichação, mas um ato de racismo, com objetivo claro de vandalizar uma pessoa importante para o movimento negro. Não vamos tolerar uma agressão dessas a esse herói da nação", disse Osório.

   Ele afirmou que pediu atenção ao Secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, para que os culpados pelo ato sejam presos com rapidez. Perguntado sobre a possibilidade de manter policiais monitorando o monumento, alvo de constantes ataques, Osório disse ser inviável o policiamento do local.

   "Não é possível por questões logísticas botar um policial em todos os monumentos existentes no Rio. O mais importante é identificar e punir esse tipo de agressor. Não foi uma operação simples. para pintar a cabeça do Zumbi, a pessoa teve que usar uma escada. Precisamos também da ajuda do carioca para denunciar esse tipo de crime", afirmou.

   As pichações foram apagadas na manhã de domingo. Dentro de dois dias, a Secretaria de Conservação vai reparar todos os danso causados ao monumento. A reparação está orçada em R$ 60 mil. O órgão prestou na queixa na polícia por crime ambiental, de danos ao patrimônio público e racismo, este último sem direito à fiança. esta foi a primeira vez no ano que o momumento foi alvo do ataque de vândalos.